{"id":12714,"date":"2025-12-04T06:40:25","date_gmt":"2025-12-04T13:40:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12714"},"modified":"2025-12-04T06:40:25","modified_gmt":"2025-12-04T13:40:25","slug":"ala-dos-namorados-ala-dos-namorados-a-segunda-uma-dama-azul-verde-e-amarela-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/12\/04\/ala-dos-namorados-ala-dos-namorados-a-segunda-uma-dama-azul-verde-e-amarela-entrevista\/","title":{"rendered":"Ala Dos Namorados &#8211; &#8220;Ala Dos Namorados &#8211; \u00c0 Segunda Uma Dama Azul, Verde E Amarela&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 03.05.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Ala Dos Namorados \u00c0 Segunda<br \/>\nUma Dama Azul, Verde E Amarela<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/alaDosNamorados.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"431\" class=\"alignnone size-full wp-image-12715\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/alaDosNamorados.jpg 683w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/alaDosNamorados-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/alaDosNamorados-624x394.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/alaDosNamorados-100x63.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Em \u201cPor Minha Dama\u201d, segundo \u00e1lbum da Ala dos Namorados, Nuno Guerreiro baixa a altura da voz e o grupo demonstra uma maior descontrac\u00e7\u00e3o no tratamento dos valores e iconografia po\u00e9tica de um Portugal tradicional. Cores mais vivas para um projecto que por agora ainda n\u00e3o \u00e9 um \u201cmonstro\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gil, Nuno Guerreiro, Jos\u00e9 Carrapa e Manuel Faria est\u00e3o numa fase de autodescoberta, sem preocupa\u00e7\u00f5es de mostrar uma linha de orienta\u00e7\u00e3o definida. Por enquanto \u00e9 o gozo pessoal a ditar leis.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Existe alguma unidade tem\u00e1tica no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nJO\u00c3O GIL \u2013 N\u00e3o h\u00e1 nenhuma hist\u00f3ria central. Cada can\u00e7\u00e3o pretende ser uma ilha onde tudo acontece, um pequeno filme com as suas personagens. O acoplamento foi feito unicamente de acordo com o prazer de ouvir.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O grupo insere-se na corrente, agora muito em voga, que explora os s\u00edmbolos e valores de um Portugal hist\u00f3rico e tradicionalista?<\/strong><br \/>\nJ. G. \u2013 Todos os fen\u00f3menos desse tipo que t\u00eam acontecido s\u00e3o exteriores ao pr\u00f3prio grupo. Se as pessoas se sentem atra\u00eddas por um determinado tipo de m\u00fasica ou de valores, tal \u00e9 completamente alheio ao nosso acto de compor, ao acto de cantar, ao acto de arranjar. Este segundo trabalho da Ala dos Namorados abre um leque masi vasto de influ\u00eancias, incluindo as nossas ra\u00edzes hist\u00f3ricas e tradicionais. Se no primeiro disco t\u00ednhamos uma tend\u00eancia para o lado mais urbano, mais fado, mais \u201ccinzento\u201d, aquele estado de esp\u00edrito muito lisboeta, neste abrimos o leque. \u00c9 um disco muito mais divertido, mais exterior, onde a abordagem se faz com outras cores. Digamos que aqui s\u00e3o o azul, o verde e o amarelo, cores vivas, ao passo que o primeiro disco poderia ser definido por um azul-escuro, um indigo ou um cinzento.<br \/>\n<strong>P. \u2013 At\u00e9 que ponto vai o vosso interesse pelas ra\u00edzes hist\u00f3ricas que referiu? S\u00e3o t\u00e3o s\u00e9rios, por exemplo, \u00c0 maneira de uns Madredeus?<\/strong><br \/>\nJ. G. \u2013 N\u00f3s ainda n\u00e3o cri\u00e1mos um \u201cmonstro\u201d! Ainda n\u00e3o tivemos tempo para criar um \u201cmonstro\u201d musical. Ainda n\u00e3o cri\u00e1mos um arqu\u00e9tipo que se identifique com a Ala dos Namorados.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Est\u00e3o preparados para lidar com esse monstro, se eventualmente vier a nascer?<\/strong><br \/>\nJOS\u00c9 CARRAPA \u2013 N\u00e3o queremos, n\u00e3o podemos, nem temos a inten\u00e7\u00e3o de criar uma linha musical espec\u00edfica. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o isoladas. A maneira como depois as abordamos tem a ver com a sensibilidade de cada um. \u00c9 o gozo instrumental de p\u00f5r em determinada linha mel\u00f3dica ideias e conte\u00fados que nos d\u00e3o prazer.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 a voz do Nuno Guerreiro que faz a unidade do grupo?<\/strong><br \/>\nJ. C. \u2013 Para a sonoridade do disco, sim.<br \/>\nNUNO GUERREIRO \u2013 Mas se n\u00e3o fosse o grupo eu n\u00e3o era nada. Acho que dependemos todos uns dos outros.<br \/>\nJ. G. \u2013 Antes de aparecer o Nuno e o Z\u00e9 Carrapa, em casa do Manuel Paulo, tivemos uma primeira ideia, de fazer cada can\u00e7\u00e3o um filme diferente, pensando para isso, utopicamente, ter um cantor diferente para cada uma delas. Ao aparecer o Nuno, ele veio dar um tecto \u00fanico \u00e0s v\u00e1rias divis\u00f5es de uma casa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 H\u00e1 talvez um efeito perverso na voz. \u00c9 ela que d\u00e1 coes\u00e3o ao grupo, mas ao mesmo tempo arrisca-se a provocar um certo cansa\u00e7o. Por exemplo, neste disco, acabam por ser mais originais os momentos em que o registo vocal desce das alturas habituais do contra-tenor\u2026<\/strong><br \/>\nJ. G. \u2013 O que acontece \u00e9 que o Nuno est\u00e1 a encontrar-se, a iniciar uma carreira, a descobrir qual \u00e9 o potencial da sua voz. N\u00f3s, os tr\u00eas mais velhos, temos se calhar uma percep\u00e7\u00e3o diferente da dele e tentamos abrir-lhe alguns horizontes.<br \/>\nJ. C. &#8211; \u2026 Por vezes experimentamos p\u00f4-lo a cantar uma oitava abaixo.<br \/>\nN. G. &#8211; \u2026 E a exist\u00eancia de temas instrumentais quebra um pouco esse cansa\u00e7o que refere.<br \/>\nJ. G. O facto de o Nuno conseguir dominar aquilo que \u00e9 falso nele, que \u00e9 a parte mais grave da voz, \u00e9 mais uma porta que se abre e menos ficamos presos a \u201cmonstros\u201d. Posso dizer que, no est\u00fadio, o Nuno odiou-nos quando lhe pedimos para cantar num tom mais grave. Ele n\u00e3o se sentia bem. Agora diz que \u00e9 das coisas que gosta mais de ouvir.<br \/>\nN. G. \u2013 A maior parte dos contra-tenores trabalha com voz de falsete, com a minha garganta. A minha, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma voz de peito.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A m\u00fasica da Ala dos Namorados pode ser considerada \u201creacion\u00e1ria\u201d?<\/strong><br \/>\nJ. G. \u2013 Boa pergunta! N\u00e3o se \u00e9 reacion\u00e1rio por se estabelecerem pontes com uma tradi\u00e7\u00e3o que existe na cultura portuguesa. Manter tra\u00e7os, valores, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o do portugu\u00eas \u2013 n\u00e3o trocar os acentos, n\u00e3o fazer cacofonias, repetir frases porque d\u00e1 jeito -, para encontrar um determinado fraseado do texto, obedece a leis hist\u00f3ricas, com muitas tradi\u00e7\u00f5es em Portugal. O Zeca Afonso menteve esse rigor, o Adriano Correia de Oliveira tamb\u00e9m, como o Fausto, o Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco ou o Vitorino. O Alfredo Marceneiro era um tipo extremamente rigoroso nesse aspecto. \u00c9 uma das atitudes mais revolucion\u00e1rias que existe. Viro portanto a quest\u00e3o ao contr\u00e1rio. Podia falar de um rol de aut\u00eanticas provoca\u00e7\u00f5es \u00e0 l\u00edngua portuguesa, essas sim posi\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como surgiu a inclus\u00e3o da vers\u00e3o em cante alentejano, pelo coro dos camponeses de Pias, da \u201cCan\u00e7\u00e3o de ida e volta\u201d?<\/strong><br \/>\nJ. G. \u2013 \u00c9 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada. T\u00ednhamos uma can\u00e7\u00e3o composta por mim, com muito espa\u00e7o, que foi gravada com o m\u00e1ximo de simplicidade, com a voz e a guitarra. A respira\u00e7\u00e3o n\u00e3o era definida, n\u00e3o havia um compasso nem uma estrutura r\u00edtmica a respeitar. Havia apenas que seguir a voz. Tent\u00e1mos definir a paisagem alentejana pelo lado do sil~encio, mais ry-cooderiano da quest\u00e3o, enfrentar uma paisagem t\u00e3o gigantesca e t\u00e3o pesada da maneira mais antidemag\u00f3gica, com menos intensidade sonora. T\u00ednhamos como que um produto estilizado. Fomos ent\u00e3o \u00e0 procura de uma hipot\u00e9tica \u201cvers\u00e3o original\u201d no seu estado mais bruto. Fizemos o percurso inverso e imagin\u00e1mos como poderia ser a \u201cCan\u00e7\u00e3o de ida e volta\u201d no estado de pepita. Encontr\u00e1mos esse estado no cante. Foi de facto um percurso de ida e volta.<br \/>\nJ. C. \u2013 O coro de Pias pediu, inclusive, se podia incluir a can\u00e7\u00e3o no report\u00f3rio deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 03.05.1995 Ala Dos Namorados \u00c0 Segunda Uma Dama Azul, Verde E Amarela Em \u201cPor Minha Dama\u201d, segundo \u00e1lbum da Ala dos Namorados, Nuno Guerreiro baixa a altura da voz e o grupo demonstra uma maior descontrac\u00e7\u00e3o no tratamento dos valores e iconografia po\u00e9tica de um Portugal tradicional. 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