{"id":12655,"date":"2025-10-29T03:26:25","date_gmt":"2025-10-29T10:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12655"},"modified":"2025-10-29T03:26:25","modified_gmt":"2025-10-29T10:26:25","slug":"realejo-boys-of-the-lough-festival-interceltico-do-porto-retratos-da-saudade-concertos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/10\/29\/realejo-boys-of-the-lough-festival-interceltico-do-porto-retratos-da-saudade-concertos-festivais\/","title":{"rendered":"Realejo + Boys of the Lough &#8211; &#8220;Festival Interc\u00e9ltico Do Porto &#8211; Retratos Da Saudade&#8221; (concertos | festivais)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 09.04.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Festival Interc\u00e9ltico Do Porto<br \/>\nRetratos Da Saudade<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>O dia de abertura da sexta edi\u00e7\u00e3o do Festival Interc\u00e9ltico do Porto pautou-se pela tranquilidade. Os Realejo trouxeram de Coimbra uma \u201cSanfonia\u201d para ser ouvida longe do bul\u00edcio das multid\u00f5es. Os Boys of the Lough passaram bem, obrigado, que a idade j\u00e1 n\u00e3o lhes permite grandes brincadeiras. O sublime aconteceu mais tarde, j\u00e1 a cidade dormia.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Realejo.jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"813\" class=\"alignnone size-full wp-image-12656\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Realejo.jpg 520w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Realejo-192x300.jpg 192w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Realejo-64x100.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Estivemos l\u00e1. Era um sal\u00e3o de uma casa antiga, forrada com gravuras e retratos antigos de senhoras de seios fartos, crian\u00e7as louras e militares de bigodes farfalhudos. Fica ao fundo de um jardim, escondido entre mem\u00f3rias. Sent\u00e1mo-nos na roda de amigos. Ao centro uma sanfona contava hist\u00f3rias de tempos que j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o, fazendo ranger os gonzos de uma porta de carvalho por onde se passa para o In\u00edcio. Foi assim, num filme projectado pela imagina\u00e7\u00e3o no Teatro do Ter\u00e7o, sexta-feira, no concerto de abertura da sexta edi\u00e7\u00e3o do Festival Interc\u00e9ltico do Porto, com os portugueses Realejo. \u201cSanfonias\u201d \u2013 para utilizar o termo escolhido para t\u00edtulo do \u00e1lbum de estreia do grupo \u2013 de m\u00fasica tradicional portuguesa que soube encontrar um lugar de recolhimento e conten\u00e7\u00e3o, distante dos arraiais regidos por Dionisos.<br \/>\nA m\u00fasica dos Realejo toca devagar e baixinho, escorrendo como mel. Sem sobressaltos. Ao ritmo das voltas da manivela da sanfona de Fernando Meireles, da gaita-de-foles e da concertina de Amadeu Magalh\u00e3es, do violino de Manuel Rocha, da guitarra de Rui Seabra e do violoncelo de Of\u00e9lia Ribeiro. M\u00fasica tradicional de c\u00e2mara, como j\u00e1 uma vez nos referimos ao som deste quinteto de Coimbra. \u201cCan\u00e7\u00e3o do gaiteiro\u201d, \u201cOliveirinha do monte\u201d, \u201cRosinha\u201d \u2013 numa vers\u00e3o instrumental com desenho mel\u00f3dico pela flauta de bisel de Amadeu Magalh\u00e3es, a contrastar com um arranjo vocalizado do mesmo tema pelos Vai de Roda, no \u201cTerreiro das Bruxas\u201d \u2013 \u201cSanfonia\u201d (um original de Amadeu Magalh\u00e3es), o cl\u00e1ssico \u201ccego andante\u201d e \u201cDan\u00e7a galega\u201d constitu\u00edram momentos altos numa presta\u00e7\u00e3o que valeu sobretudo pelo colectivo. Interioriza\u00e7\u00e3o, disciplina, aten\u00e7\u00e3o ao detalhe, aus\u00eancia de espalhafato, eis algumas das linhas de for\u00e7a determinantes na m\u00fasica dos Realejo, desde j\u00e1 posicionados na dianteira das novas bandas portuguesas de m\u00fasica de raiz tradicional, neste caso com a m\u00fasica antiga no horizonte. Uma faceta que muito provavelmente ser\u00e1 concretizada num novo projecto de alguns dos m\u00fasicos do grupo\u2026<br \/>\nEsperava-se a dan\u00e7a e a euforia do grupo seguinte, os Boys of the Lough, banda escocesa \/ irlandesa de veteranos que por c\u00e1 j\u00e1 tinham passado numa daquelas tardes sem gl\u00f3ria da Festa do Avante!, onde a curti\u00e7\u00e3o s\u00f3 por acaso passa pela m\u00fasica. Afinal os Boys, por esta altura, deveriam ter mudado de nome para Old Meno f the Lough. Pareceram cansados, tocando pouco e falando muito, com o lend\u00e1rio violinista das Ilhas Shetland, Aly Bain, a desempenhar as fun\u00e7\u00f5es de \u201ccomp\u00e8re\u201d, com piadas, na sua maioria boas, afagos na careca do flautista Cathal McConnell e os habituais apelos ao p\u00fablico para dan\u00e7ar. Como ningu\u00e9m \u2013 \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de um grupo de jovens mais entusiastas \u2013 se dignou levantar o traseiro do assento, Aly optou ent\u00e3o por se referir \u00e0 audi\u00eancia como um \u201cp\u00fablico inteligente\u201d. Infelizmente para o seu \u201cfiddle\u201d, a dose de combust\u00edvel alco\u00f3lico j\u00e1 excedera a capacidade do dep\u00f3sito. Cathal McConnell, por seu lado, reputado como um dos maiores flautistas irlandeses, esteve longe de fazer esquecer o seu \u201crival\u201d Matt Molloy, mostrando-se demasiado retra\u00eddo. Quanto a Christy O\u2019Leary, deu uma li\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sobre as \u201cuillean pipes\u201d embora na pr\u00e1tica n\u00e3o tivesse deslumbrado. Querer outra coisa, de mais excitante, talvez fosse exigir demais de uma banda que ao longo de toda a sua j\u00e1 longa carreira nunca primou pela ousadia, sendo antes um valor seguro do circuito, com uma postura de fidelidade aos \u201cc\u00e2nones\u201d.<br \/>\nPoderia deste modo a noite ter acabado de pantufas se o festival Interc\u00e9ltico fosse apenas um programa de concertos. N\u00e3o \u00e9. Qual caixa de Pandora, as surpresas acontecem quando menos se espera. E o imprevisto aconteceu mesmo, j\u00e1 madrugada dentro, na gruta do castelo de Santa Catarina, por entre as latas de cerveja, copos de whisky e conversas de circunst\u00e2ncia. Fanch Landreau decretou uma alian\u00e7a violin\u00edstica Bretanha \/ Irlanda, com Tim O\u2019 Leary, apadrinhada pelas \u201cuillean pipes\u201d de Christy O\u2019 Leary, juntando-se-lhes pouco depois Cathal McConnell, na flauta, um violinista galego an\u00f3nimo e \u2013 j\u00e1 mais dilu\u00eddos os efeitos da bebedeira \u2013 mestre Aly Bain.<br \/>\nEsta reuni\u00e3o bastaria por si s\u00f3 para nos reconciliar com os Boys. Mas houve algo mais, de muito precioso, um daqueles instantes que por vezes passam despercebidos na euforia do momento. Sem ningu\u00e9m saber muito bem como nem porqu\u00ea, a meio da corrida dos violinos e da gaita, Cathal McDonnell pousou a flauta, baixou a cabe\u00e7a e cantou. Uma balada, apenas. Em voz tr\u00e9mula, subitamente agarrada pela dist\u00e2ncia, pela emo\u00e7\u00e3o, pelo sil\u00eancio que se fez. Ent\u00e3o, a\u00ed assim, as brumas afastaram-se e foi poss\u00edvel escutar a voz e as l\u00e1grimas da Irlanda profunda. Deve haver com certeza um termo irland\u00eas para \u201cSaudade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 09.04.1995 Festival Interc\u00e9ltico Do Porto Retratos Da Saudade O dia de abertura da sexta edi\u00e7\u00e3o do Festival Interc\u00e9ltico do Porto pautou-se pela tranquilidade. Os Realejo trouxeram de Coimbra uma \u201cSanfonia\u201d para ser ouvida longe do bul\u00edcio das multid\u00f5es. 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