{"id":12617,"date":"2025-10-06T02:39:45","date_gmt":"2025-10-06T09:39:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12617"},"modified":"2025-10-06T02:39:45","modified_gmt":"2025-10-06T09:39:45","slug":"madredeus-madredeus-surpreendem-em-inicio-de-nova-digressao-lisboa-a-media-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/10\/06\/madredeus-madredeus-surpreendem-em-inicio-de-nova-digressao-lisboa-a-media-luz\/","title":{"rendered":"Madredeus &#8211; &#8220;Madredeus Surpreendem Em In\u00edcio De Nova Digress\u00e3o &#8211; Lisboa \u00c0 M\u00e9dia Luz&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 05.03.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Madredeus Surpreendem Em In\u00edcio De Nova Digress\u00e3o<br \/>\nLisboa \u00c0 M\u00e9dia Luz<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nSombra, calor, sil\u00eancio. Tr\u00eas tons que deixaram rasto na m\u00fasica dos Madredeus, no seu concerto de regresso a casa. Lugar de sonho de uma Lisboa uterina \u201cainda\u201d por revelar. Ficou a certeza de que cada chegada \u00e9 sempre ponto de partida.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madredeus.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"473\" class=\"alignnone size-full wp-image-12618\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madredeus.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madredeus-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madredeus-624x434.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madredeus-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Rec\u00e9m-chegados de uma digress\u00e3o por Espanha, onde esgotaram lota\u00e7\u00f5es \u2013 \u201csobrou apenas um bilhete, que guard\u00e1mos simbolicamente\u201d, diria Pedro Ayres de Magalh\u00e3es na confer\u00eancia de imprensa realizada poucas horas antes do concerto \u2013 e alcan\u00e7aram um \u201cdisco de ouro\u201d pelas vendas de \u201cO Esp\u00edrito da Paz\u201d, os Madredeus j\u00e1 est\u00e3o de novo em viagem. \u201cUma vida de astronauta em que \u00e9 imposs\u00edvel conceber um mecanismo mental para tocar todos os dias\u201d, ainda segundo Pedro Ayres. A nova digress\u00e3o, por territ\u00f3rio nacional, teve in\u00edcio sexta-feira na Aula Magna e prosseguir\u00e1 ao longo de todo o m\u00eas de Mar\u00e7o, culminando num concerto duplo no Porto, a 31 de Mar\u00e7o e 1 de Abril.<br \/>\nNa sala da Universidade de Lisboa, a mesma onde o grupo h\u00e1 anos se estreou em espect\u00e1culos de maior dimens\u00e3o na capital, os Madredeus conseguiram algo de que \u00e0 partida n\u00e3o se estaria \u00e0 espera: surpreender. Com um novo \u00e1lbum prestes a sair, \u201cAinda\u201d, banda-sonora para o filme de Wim Wenders, \u201cLisbon Story\u201d, sobre Lisboa, o actual sexteto composto por Teresa Salgueiro, Pedro Ayres, Francisco Ribeiro, Gabriel Gomes, Jos\u00e9 Peixoto e Carlos Maria Trindade se \u00e9 verdade que n\u00e3o se afastou do ambiente de serenidade \u2013 talvez mais aparente do que real \u2013 que caracteriza \u201cO Esp\u00edrito da Paz\u201d, f\u00ea-lo com uma descontrac\u00e7\u00e3o que contraria a solenidade, e at\u00e9 alguma frieza, sens\u00edveis no disco.<br \/>\nA fase actual dos Madredeus \u00e9, comparativamente com o passado, de maior interioridade. Est\u00e3o todos a tocar n\u00e3o s\u00f3 melhor como mais baixo e com maior melancolia. Uma melancolia assumida, acentuada na Aula Magna pela ilumina\u00e7\u00e3o, quase sempre difusa, por vezes pr\u00f3xima da escurid\u00e3o, que obrigou \u00e0 total concentra\u00e7\u00e3o na m\u00fasica. Ganharam proemin\u00eancia o violoncelo abissal de Francisco Ribeiro e os teclados de Carlos Maria Trindade, cujo som, mais rigoroso e diversificado na escolha de timbres que o do antigo teclista, Rodrigo Le\u00e3o, se afirmou como o grande inventor de paisagens ambientais.<br \/>\n\u201cMoinhos\u201d, um dos v\u00e1rios instrumentais tocados ao longo da noite, abriu o concerto, seguido de \u201cMilagre\u201d, primeiro de \u201cAinda\u201d a ser apresentado, e \u201cSenhores da Guerra\u201d. Arrepiante foi o di\u00e1logo vocal de Francisco Ribeiro e Teresa Salgueiro na evoca\u00e7\u00e3o arabizante de \u201cPreg\u00e3o\u201d. Teresa Salgueiro cuja voz preferimos quando canta mais pr\u00f3xima do sil\u00eancio. Com as palavras a nascerem como gotas de esp\u00edrito. Pequenas chamas frias. Inversamente, sempre que ergueu mais alto a voz, as notas sa\u00edram mais empasteladas, n\u00e3o deixando perceber metade das palavras. Ou seria por termos sido atirados para as profundezas da segunda plateia, a quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia do palco? \u201cO mar\u201d, \u201cC\u00e9u da Mouraria\u201d \u2013 interpretado com a alma e a garra do fado, \u201cAs cores do sol\u201d, \u201cMaio maduro Maio\u201d (de Jos\u00e9 Afonso), valorizado pelo delicado di\u00e1logo final das guitarras, e o cl\u00e1ssico \u201cO pastor\u201d conclu\u00edram a primeira parte.<br \/>\nAproveit\u00e1mos o intervalo para nos fazer convidados e dar o salto para as filas da frente. Excelente o \u201cConcertino\u201d, nas suas v\u00e1rias al\u00edneas, desde o folcl\u00f3rico \u201cminuete\u201d at\u00e9 \u00e0 noite de \u201cSil\u00eancio\u201d, sublime ora\u00e7\u00e3o de Teresa Salgueiro. \u201cAjuda\u201d, \u201cAo longe o mar\u201d, \u201cAs ilhas dos A\u00e7ores\u201d, cruzamento interessante de Albinoni com Richard Clayderman, e \u201cVem\u201d, outra vocaliza\u00e7\u00e3o de espanto, antecederam a longa despedida, com \u201cAinda\u201d. Um \u201cmantra\u201d bem portugu\u00eas onde a voz de Teresa Salgueiro envolveu em nevoeiro as duas s\u00edlabas, despojando-as da sem\u00e2ntica para, por fim, nada mais restar sen\u00e3o o som. Corol\u00e1rio perfeito de uma \u201cfantasia musical e po\u00e9tica de raiz portuguesa\u201d, como Pedro Ayres Magalh\u00e3es define a est\u00e9tica do grupo.<br \/>\n\u201cAmargura\u201d, \u201cGuitarra\u201d e uma \u201cAlfama\u201d em ritmo de fado-tango, os tr\u00eas \u201cencores\u201d, fizeram despertar do sonho. A m\u00fasica dos Madredeus leva-nos como crian\u00e7as at\u00e9 ao outro lado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 05.03.1995 Madredeus Surpreendem Em In\u00edcio De Nova Digress\u00e3o Lisboa \u00c0 M\u00e9dia Luz Sombra, calor, sil\u00eancio. Tr\u00eas tons que deixaram rasto na m\u00fasica dos Madredeus, no seu concerto de regresso a casa. Lugar de sonho de uma Lisboa uterina \u201cainda\u201d por revelar. 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