{"id":12607,"date":"2025-09-29T03:43:57","date_gmt":"2025-09-29T10:43:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12607"},"modified":"2025-09-29T03:43:57","modified_gmt":"2025-09-29T10:43:57","slug":"ne-ladeiras-ne-ladeiras-traz-os-montes-a-belem-a-cidade-e-as-serras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/09\/29\/ne-ladeiras-ne-ladeiras-traz-os-montes-a-belem-a-cidade-e-as-serras\/","title":{"rendered":"N\u00e9 Ladeiras &#8220;N\u00e9 Ladeiras Traz Os Montes A Bel\u00e9m &#8211; A Cidade E As Serras&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> s\u00e1bado, 25.02.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>N\u00e9 Ladeiras Traz Os Montes A Bel\u00e9m<br \/>\nA Cidade E As Serras<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>Ponto de encontro da tradi\u00e7\u00e3o com um cosmopolitismo reaprendido, a m\u00fasica de N\u00e9 Ladeiras acorda mem\u00f3rias esquecidas e abre novas portas para a renova\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular portuguesa. Em Bel\u00e9m, Tr\u00e1s-Os-Montes foi ber\u00e7o de uma terra com futuro.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/neLadeiras.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"457\" class=\"alignnone size-full wp-image-12608\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/neLadeiras.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/neLadeiras-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/neLadeiras-624x418.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/neLadeiras-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o cantos de nascimento e morte, embalo de meninos e brado de folia, ajudantes no trabalho e no lazer, confiss\u00f5es d\u2019amores proibidos, hinos de cren\u00e7as crist\u00e3s e das pag\u00e3s. Vozes de tempos recuados foram ensinando outras vozes e chegam-nos hoje sob a forma de cantos \u2018bizarros\u2019 que o cidad\u00e3o portugu\u00eas comum n\u00e3o reconhece como seus.\u201d O texto, escrito \u00e0 laia de pref\u00e1cio no mais recente \u00e1lbum de N\u00e9 Ladeiras, \u201cTraz os Montes\u201d, ilustra bem a hist\u00f3ria de magia que ao vivo se contou na noite de quinta-feira no grande audit\u00f3rio do Centro Cultural de Bel\u00e9m. Outro texto, vulgo programa \u2013 com chancela da Funda\u00e7\u00e3o das Descobertas e do CCB -, menos po\u00e9tico, \u00e9 certo, mas bastante mais did\u00e1ctico, alertava em grossos caracteres para as \u201cpercurss\u00f5es\u201d, com \u201cr\u201d, para dar mais \u00eanfase, ao mesmo tempo que promove o encenador Ricardo Pais a director musical e autor dos arranjos, deixando Ricardo Dias, o verdadeiro respons\u00e1vel, a chuchar no dedo. S\u00f3 faltava mesmo que algu\u00e9m com responsabilidades no centro declarasse com entusiasmo a sua admira\u00e7\u00e3o pelos \u201cpaliteiros de Miranda\u201d, assim como se falasse entre dentes, num esp\u00edrito de criatividade lingu\u00edstica sempre de saudar. Adiante\u2026<br \/>\nCerca de uma hora e dez de m\u00fasica bastaram a N\u00e9 Ladeiras e ao seu grupo Galandum para ter a seus p\u00e9s uma plateia no final rendida aos sons e atitude \u201cbizarros\u201d desta mulher, misto de virgem e feiticeira, vinda de \u201cAlhures\u201d em \u201cTr\u00e1s-os-Montes\u201d, sua p\u00e1tria espiritual. N\u00e9 veio vestida de prata lunar, contra um fundo simulando fragas transmontanas. Teve in\u00edcio o ritual com \u201cFonte do salgueirinho\u201d, ao som da voz gravada da anci\u00e3 Ad\u00e9lia Garcia. \u201c\u00c7arandilheira\u201d, \u201cRoro\u201d, \u201cAnda duermete nino\u201d e \u201cLa molinera\u201d revelaram as duas principais vozes instrumentais, de Ricardo Dias, no piano e sintetizador, e Manuel Rocha, no violino, ambos da Brigada Victor Jara, recordada no tema seguinte, \u201cMari\u00e3o\u201d. Depois as notas aceleraram at\u00e9 \u00e0 velocidade do rock, em \u201cAi se a luzia\u201d, um tema da Banda do Casaco, onde se destacaram Ricardo Dias, na sonoridade arcaica de uma ponteira, o baixo de V\u00edtor Milhanas e as vozes de apoio de Isabel Bernardo e Genoveva Fa\u00edsca.<br \/>\nCom \u201cPingacho\u201d o oceano da tradi\u00e7\u00e3o invadiu as montanhas. Amadeu Magalh\u00e3es (natural do Barros\u00e3o e elemento dos Realejo) iniciou o seu \u201ctour de force\u201d na gaita-de-foles, ao mesmo tempo que um careto cabriolava no estrado e os oito dan\u00e7arinos do grupo G. E. F. A. C. derreteram de vez o gelo do audit\u00f3rio. \u201cOra assi que te quiero morena, ora assi que te quiero salada, por beilar lo pingacho!\u201d. Um di\u00e1logo de bateria e percuss\u00f5es, mais em for\u00e7a do que em jeito, de Andr\u00e9 Sousa Machado e Joaquim Teles, desaguou numa batida transmontana, tornada ber\u00e7o de \u201cCirigo\u00e7a\u201d, uma das not\u00e1veis interpreta\u00e7\u00f5es vocais de N\u00e9 Ladeiras, com bons apontamentos de Amadeu no \u201ctin whistle\u201d (ou flauta de lata\u2026). As serranias soltaram espectros carnavalescos num lha\u00e7o animado pela dan\u00e7a guerreira dos paliteiros, perd\u00e3o, pauliteiros, de novo com Amadeu Magalh\u00e3es endiabrado na gaota-de-foles. \u00c0 ventania sucedeu a ternura de uma can\u00e7\u00e3o de embalo, \u201cPerlimpinchim\u201d, entre o sussurro do piano e os sobressaltos da guitarra de Ant\u00f3nio Pinto. Em \u201cEn tu puerta\u201d a voz da cantotra escalou os montes mais latos, pairando \u00e0 altura das vozes b\u00falgaras, as tais que falam com Deus. \u201cIndo por la sierra\u201d antecedeu \u201cBeijai o menino\u201d, no louvor das gaitas-de-foles, por Amadeu e Ricardo Dias, com Manuel Rocha not\u00e1vel de subtileza e do\u00e7ura no violino. \u201c\u00d3 que estriga tenho na roca\u201d fechou o ciclo. N\u00e9 trocou as voltas ao tempo, banhando-se namesma \u00e1gua-r\u00e9gia da anci\u00e3 cantora do tema inicial. A serpente mordeu a sua cauda.<br \/>\nTr\u00eas \u201cencores\u201d, com repeti\u00e7\u00e3o de \u201c\u00c7arandilheira\u201d, \u201cAi se a Luzia\u201d e \u201cBeijai o menino\u201d, constitu\u00edram o justo pr\u00e9mio para um espect\u00e1culo onde tudo pareceu encaixar no lugar certo. Um reparo final, apenas, para o som, que se cumpriu em termos de clareza, ter\u00e1 pecado por alguma dureza. Mas a\u00ed ter\u00e1 que haver, na mesa de mistura, algu\u00e9m com cora\u00e7\u00e3o e ouvido para este tipo de m\u00fasica. A de N\u00e9 Ladeiras, se \u00e9 verdade que tem a for\u00e7a do granito, pede igualmente p\u00e9talas de rosa.<br \/>\nUm espect\u00e1culo de m\u00fasica portuguesa como h\u00e1 muito n\u00e3o se via nem ouvia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> s\u00e1bado, 25.02.1995 N\u00e9 Ladeiras Traz Os Montes A Bel\u00e9m A Cidade E As Serras Ponto de encontro da tradi\u00e7\u00e3o com um cosmopolitismo reaprendido, a m\u00fasica de N\u00e9 Ladeiras acorda mem\u00f3rias esquecidas e abre novas portas para a renova\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular portuguesa. 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