{"id":12561,"date":"2025-09-08T06:36:39","date_gmt":"2025-09-08T13:36:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12561"},"modified":"2025-09-08T06:36:39","modified_gmt":"2025-09-08T13:36:39","slug":"antonio-brojo-e-antonio-portugal-duas-guitarras-uma-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/09\/08\/antonio-brojo-e-antonio-portugal-duas-guitarras-uma-voz\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Brojo e Ant\u00f3nio Portugal &#8211; &#8220;Duas Guitarras, Uma Voz&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 11.01.1995<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>DUAS GUITARRAS, UMA VOZ<\/strong><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/antonioBrojo.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"864\" class=\"alignnone size-full wp-image-12562\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/antonioBrojo.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/antonioBrojo-237x300.jpg 237w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/antonioBrojo-624x791.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/antonioBrojo-79x100.jpg 79w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/p>\n<p><\/center><br \/>\n\u201cVaria\u00e7\u00f5es Inacabadas\u201d \u00e9 o t\u00edtulo, apropriado, de um disco acabado de lan\u00e7ar pela EMI-VC, com duetos de guitarra de Coimbra por dois dos seus maiores mestres, Ant\u00f3nio Brojo e Ant\u00f3nio Portugal. O segundo morreu h\u00e1 pouco tempo, deixando inacabado um projecto pensado para dois discos. Assim, em vez de dois, saiu, para j\u00e1, um \u00fanico \u00e1lbum que recolhe todos os temas gravados at\u00e9 \u00e0 morte de Portugal pelos dois guitarristas, intercalando, faixa a faixa, ora um ora outro como solista.<br \/>\n\u00c0 guitarra inquieta, \u201cmais nervosa\u201d e em estado permanente de procura de um \u201calgo mais\u201d nas cordas e na alma do instrumento de Ant\u00f3nio Portugal, \u201cum homem que na guitarra deixava transparecer o seu temperamento\u201d, contrapunha Brojo, dic\u00edpulo da escola de Artur Paredes \u2013 \u201cuma guitarra muito limpa de notas e meticulosa quanto \u00e0 pureza dos sons\u201d -, a beleza escult\u00f3rica da harmonia perfeita, do acorde matem\u00e1tico que permite a transpar\u00eancia e o voo. Os dois formavam como que uma \u00fanica guitarra. Com dupla voz e dupla face.<br \/>\nAnt\u00f3nio Brojo conta como conheceu o seu antigo companheiro: \u201cConheci-o em 1953. Tinha nessa \u00e9poca, em que j\u00e1 era assistente na faculdade, um grupo que se juntava, tr\u00eas ou quatro tardes por semana, na minha casa, para fazer coisas na m\u00fasica de Coimbra, recuperar m\u00fasicas antigas, ensaiar cantores e guitarristas\u2026 Era uma tert\u00falia muito frequentada, at\u00e9 que em determinada altura um cantor meu amigo, o doutor Fernando Rolim, me disse que conhecia um rapazinho com muita habilidade para tocar guitarra, se eu n\u00e3o me importava que ele aparecesse.<br \/>\n\u201cO certo \u00e9 que o Ant\u00f3nio Portugal apareceu, assistiu a um certo n\u00famero de ensaios e de tal maneira se integrou que, logo que alguns dos rapazes que me acompanhavam se foram embora de Coimbra e se afastaram da nossa conviv\u00eancia, houve uma substitui\u00e7\u00e3o. Logo em 1953, gravei uma s\u00e9rie de discos de 78 rota\u00e7\u00f5es, com o Luiz Goes e o Fernando Rolim e em que o acompanhador era o Ant\u00f3nio Portugal. Mantivemo-nos a tocar juntos at\u00e9 que tive que ir, por for\u00e7a da minha carreira universit\u00e1ria, para a Sui\u00e7a. Nessa altura, o Ant\u00f3nio Portugal constituiu o seu pr\u00f3prio grupo, mantendo-se activo toda a minha aus\u00eancia.<br \/>\n\u201cFoi s\u00f3 no in\u00edcio dos anos 60 que esporadicamente voltei a tocar com ele para acompanhar alguns cantores, como o dr. Barros Madeira, o Subtil Roque, o Fernando Rolim e o dr. Camacho Vieira. Em 1970, por\u00e9m, \u00e9 que de facto voltei a estabelecer com o Ant\u00f3nio Portugal uma liga\u00e7\u00e3o guitarr\u00edstica mais ass\u00eddua. Entreatnto, surge o 25 de Abril, que em Coimbra, no meio acad\u00e9mico, teve algum efeito perverso sobre a can\u00e7\u00e3o e a guitarra coimbr\u00e3s, que foram consideradas uma express\u00e3o ligada ao regime anterior e uma m\u00fasica reacion\u00e1ria.<br \/>\n\u201cN\u00f3s, como n\u00e3o t\u00ednhamos qualquer problema do ponto de vista pol\u00edtico, porque nunca t\u00ednhamos estado ligados ao regime \u2013 o Portugal at\u00e9 era deputado na Assembleia Cosntituinte -, empreendemos um movimento de recupera\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o de Coimbra e, a partir de 1974, nunca mais par\u00e1mos, em termos de concertos por todo o pa\u00eds, culminando nos Tempos de Coimbra, uma s\u00e9rie de programas de televis\u00e3o em que fomos buscar velhos companheiros, como o Luiz Goes, o Rolim ou o Machado Soares. Inclusive, acompanh\u00e1mos o Zeca Afonso, j\u00e1 nos anos 80.\u201d<br \/>\nData dessa \u00e9poca, conclu\u00edda a s\u00e9rie televisiva, a inten\u00e7\u00e3o de \u201cdeixar um testemunho da m\u00fasica de guitarra que n\u00e3o s\u00f3 reproduzisse varia\u00e7\u00f5es que j\u00e1 andavam esquecidas, porque nunca tinham sido gravadas, mas tamb\u00e9m as pr\u00f3rprias can\u00e7\u00f5es\u201d dos dois guitarristas.<br \/>\nH\u00e1 cerca de tr\u00eas anos surgiu a ideia para fazer o tal projecto em dois discos separados, com um \u201ctotal entre as 36 e as 40 pe\u00e7as\u201d, mas que, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, acabou por se confinar \u00e0s \u201cVaria\u00e7\u00f5es Inacabadas\u201d agora editadas \u2013 \u201cclaro que n\u00e3o s\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es que est\u00e3o inacabadas, mas sim o pr\u00f3prio projecto\u201d, diz Ant\u00f3nio Brojo, j\u00e1 que dessas pe\u00e7as apenas tinham sido gravadas as 18 que fazem parte do disco. Um \u201cmano-a-mano\u201d precocemente interrompido com a morte, em Julho do ano passado, de Ant\u00f3nio Portugal. De certa maneira este trabalho acaba por ser \u201cuma homenagem p\u00f3stuma\u201d.<br \/>\nQuando seria de esperar que a hist\u00f3ria terminasse aqui, eis que Ant\u00f3nio Brojo anuncia a conclus\u00e3o, por outras vias, do projecto inicial. Com outro guitarrista, que j\u00e1 ensaiara e tocara com os dois mestres, a tomar o lugar do guitarrista falecido. Carlos de Jesus, \u201cum estudante de engenharia com grande habilidade e que, ao faltar o Ant\u00f3nio Portugal, se mostrou interessado em participar\u201d.<br \/>\nBrojo vai aceitar o desafio. \u201cEmbora n\u00e3o substitua o Ant\u00f3nio Portugal, porque este era insubstitu\u00edvel, a verdade \u00e9 qu estou disposto a tocar com ele. De tal maneira assim \u00e9 que vamos realizar o tal segundo disco, em que eu serei o solista e procurarei n\u00e3o s\u00f3 gravar aquelas m\u00fasicas que j\u00e1 pensava gravar com o Ant\u00f3nio Portugal, como tamb\u00e9m tentar reproduzir com o novo guitarrista algumas das guitarradas que deveria gravar com o Ant\u00f3nio Portugal, se estivesse entre n\u00f3s.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 11.01.1995 DUAS GUITARRAS, UMA VOZ \u201cVaria\u00e7\u00f5es Inacabadas\u201d \u00e9 o t\u00edtulo, apropriado, de um disco acabado de lan\u00e7ar pela EMI-VC, com duetos de guitarra de Coimbra por dois dos seus maiores mestres, Ant\u00f3nio Brojo e Ant\u00f3nio Portugal. O segundo morreu h\u00e1 pouco tempo, deixando inacabado um projecto pensado para dois discos. 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