{"id":12550,"date":"2025-09-05T02:26:24","date_gmt":"2025-09-05T09:26:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12550"},"modified":"2025-09-05T02:26:24","modified_gmt":"2025-09-05T09:26:24","slug":"kronos-quartet-kronos-quartet-em-lisboa-o-violino-de-elvis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/09\/05\/kronos-quartet-kronos-quartet-em-lisboa-o-violino-de-elvis\/","title":{"rendered":"Kronos Quartet &#8211; &#8220;Kronos Quartet Em Lisboa &#8211; O Violino De Elvis&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> s\u00e1bado >> 17.12.2022<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Kronos Quartet Em Lisboa<br \/>\nO Violino De Elvis<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nOS QUARTETOS de corda j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram. Andam doidos. Embora nem tanto como seria de desejar. Os Kronos Quartet, ilustres int\u00e9pretes de pe\u00e7as contempor\u00e2neas que toda a gente com nome faz quest\u00e3o de lhes oferecer, apresentaram-se em boa forma quinta \u00e0 noite no Grande Audit\u00f3rio do edif\u00edcio sede da Caixa Geral de Dep\u00f3sitos, em Lisboa.<br \/>\nUma assist\u00eancia chique, constitu\u00edda em grande n\u00famero pelos titulares das cadernetas para a temporada inteira, encheu de eleg\u00e2ncia o Grande Audit\u00f3rio. Alguns aproveitaram mesmo essa titularidade para retemperarem for\u00e7as de um estafante dia de trabalho, ressonando alto e bom som durante o espect\u00e1culo, numa t\u00f3nica de experimentalismo e manifesta\u00e7\u00e3o \u00f3bvia de apre\u00e7o pela boa m\u00fasica dos Kronos Quartet. Menos felizes, alguns apreciadores de facto da m\u00fasica do grupo ficaram \u00e0 porta a chuchar no dedo. Lota\u00e7\u00e3o esgotada.<br \/>\n\u201cMugam sayagi\u201d, de Franghiz Ali-Zadeh deu in\u00edcio ao concerto. Pe\u00e7a cl\u00e1ssica na sua estrutura \u2013 em compara\u00e7\u00e3o com algumas das loucuras que se seguiram \u2013 teve a grande virtude de nos deliciar, na exposi\u00e7\u00e3o inicial, com uma extraordin\u00e1ria presta\u00e7\u00e3o a solo da violoncelista Joan Jeanrenaud. Intimista, nos limites do sil\u00eancio, a int\u00e9rprete loura de cal\u00e7as prateadas fez brotar do violoncelo um jardim de harm\u00f3nicos de cores e tempos de grande nitidez. \u201cDinner music for a pack of hungry cannibals\u201d, de Raymond Scott, introduziu uma nota de humor burlesco, nas suas cad\u00eancias sincopadas e piscadelas de olho ao jazz. \u201cMach\u201d, de John Oswald, construiu-se no embate das cordas contra uma orgia de elctr\u00f3nica agressiva em fira pr\u00e9-gravada, pondo em evid\u00eancia as t\u00e9cnicas de justaposi\u00e7\u00e3o e colagem t\u00edpicas do criador do \u201cMystery laboratory\u201d. Os m\u00fasicos correram atr\u00e1s dos \u201cbits\u201d e, pelo meio, houve uma pausa em que apeas mimaram os gestos de execu\u00e7\u00e3o, sem extra\u00edrem qualquer som dos instrumentos. Teatro puro da imagina\u00e7\u00e3o. Cage, claro, ou Maurice Kagel, sorriram da primeira fila.<br \/>\nSeguiu-se um tema naturalista, \u201cMtukwekok naxkomao\u201d (\u201cos bosques que cantam\u201d), de Brent Michael Davis, com os dois violinistas, John Sherba e David Harrington, o violista Hank Dutt e a j\u00e1 citada Joan Jeanrenaud a substitu\u00edrem os arcos por barras de metal e a agitarem no ar, em movimentos circulares, cord\u00e9is cuja vibra\u00e7\u00e3o imitava sons de p\u00e1ssaros. Utilizaram ainda um toro de madeira, por sinal bem afinado. O bosque cantou. A primeira parte fechou com o \u201cQuarteto n\u00ba 4\u201d de Sofia Gubaidolina, dez minutos de \u201cpizzicatos\u201d insistentes e alguns exerc\u00edcios de gin\u00e1stica que puxaram ao bocejo.<br \/>\nA segunda parte foi ocupada na \u00edntegra por mais de meia hora de \u201cThe book of alleged dances\u201d, dividida em dez partes, de John Adams. M\u00fasica de c\u00e2mara minimalista, com espor\u00e1dicos suportes de \u201cloops\u201d r\u00edtmicos samplados. A correc\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o fez esquecer a aus\u00eancia de emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO melhor, porque mais vibrante, ficou guardado para o fim. No primeiro \u201cencore\u201d, \u201cA roda de \u00e1gua\u201d, retirado do \u00e1lbum do grupo \u201cPieces of Africa\u201d, o pano de fundo do palco abriu, de maneira a poder ver-se por detr\u00e1s dos m\u00fasicos um dos repuxos de \u00e1gua do jardim do audit\u00f3rio. As inflex\u00f5es arabizantes da m\u00fasica afinaram com as \u00e1guas no mesmo ritmo de hipnose. Depois, a loucura final, no segundo e \u00faltimo \u201cencore\u201d, em \u201cElvis everywhere\u201d, uma par\u00f3dia sobre samplagens de can\u00e7\u00f5es de Elvis Presley e excertos de vozes gravadas das m\u00faltiplas conven\u00e7\u00f5es que nos Estados Unidos procuram manter vivo o mito de \u201cThe King\u201d. O \u201crock \u2018n\u2019 roll\u201d derrotou uma vez mais o academismo. Ou teria sido o contr\u00e1rio?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> s\u00e1bado >> 17.12.2022 Kronos Quartet Em Lisboa O Violino De Elvis OS QUARTETOS de corda j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram. Andam doidos. Embora nem tanto como seria de desejar. 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