{"id":12539,"date":"2025-09-02T04:11:06","date_gmt":"2025-09-02T11:11:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12539"},"modified":"2025-09-02T04:11:06","modified_gmt":"2025-09-02T11:11:06","slug":"amalia-rodrigues-amalia-rodrigues-cantou-domingo-a-noite-no-coliseu-dos-recreios-uma-voz-aflitissima-critica-de-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/09\/02\/amalia-rodrigues-amalia-rodrigues-cantou-domingo-a-noite-no-coliseu-dos-recreios-uma-voz-aflitissima-critica-de-concertos\/","title":{"rendered":"Am\u00e1lia Rodrigues &#8211; &#8220;Am\u00e1lia Rodrigues Cantou Domingo \u00c0 Noite No Coliseu Dos Recreios &#8211; Uma Voz &#8216;Aflit\u00edssima'&#8221; (cr\u00edtica de concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 13.12.2022<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Am\u00e1lia Rodrigues Cantou Domingo \u00c0 Noite No Coliseu Dos Recreios<br \/>\nUma Voz \u201cAflit\u00edssima\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Na noite de Am\u00e1lia houve beijinhos, oferta de flores, momentos de mau-gosto, um travesti, as l\u00e1grimas do costume e emo\u00e7\u00e3o a transbordar. S\u00f3 faltou a voz. Am\u00e1lia quer mas j\u00e1 n\u00e3o pode. Sa\u00eddas de tom, f\u00edfias, um esfor\u00e7o ingl\u00f3rio para n\u00e3o deixar fugir o passado. Mas Am\u00e1lia n\u00e3o desiste porque vive do calor das palmas. E continua a receb\u00ea-las.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Amalia.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-12540\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Amalia.jpg 626w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Amalia-235x300.jpg 235w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Amalia-624x797.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Amalia-78x100.jpg 78w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>A voz de Am\u00e1lia, j\u00e1 se sabe, \u00e9 uma sombra da que foi durante d\u00e9cadas em que cantou, de forma transcendente, uma maneira de ser que \u00e9 a dos portugueses. No concerto da noite de domingo no Coliseu dos Recreios em Lisboa, integrado na Lisboa-94, chegou a ser penoso ouvi-la desafinar, a voz perseguindo alturas a que j\u00e1 n\u00e3o consegue chegar, refugiando-se num quase grito, de m\u00e1goa e incredulidade, de quem sente que uma parte de si deixou de lhe obedecer. E, apesar de tudo, Am\u00e1lia continua a rir e a brincar, capaz de manter dist\u00e2ncia de si pr\u00f3pria, de ser no fundo a mesma de sempre.<br \/>\nAbriu o concerto com o fado de Lisboa. Mal, bastante mal. Am\u00e1lia desafinou, nada a fazer. \u201cEstou aflit\u00edssima\u201d, confessou, \u201cmas depois voc\u00eas come\u00e7am a bater palmas e eu fico logo melhorzinha\u201d. Assim foi, de facto. O p\u00fablico na maioria n\u00e3o muito jovem que n\u00e3o chegou a encher a renovada sala das Portas de Santo Ant\u00e3o, n\u00e3o regateou aplausos \u00e0 artista, aplaudindo de p\u00e9 mal ela abria a boca. Estavam todos l\u00e1 para lhe render homenagem, como sempre tem acontecido nos \u00faltimos espect\u00e1culos, para lhe agradecer, talvez pela raz\u00e3o inconfessada de poderem dizer que assistiram ao \u00faltimo concerto de Am\u00e1lia. Um momento, por\u00e9m, aconteceu, no qual Am\u00e1lia se esqueceu que o tempo deixa marcas, a voz e a alma de s\u00fabito coincidentes na interpreta\u00e7\u00e3o tocante de \u201cH\u00e1 festa na Mouraria\u201d, um fado imortalizado pela voz de Alfredo Marceneiro. A primeira parte fechou com marchas populares, acompanhadas por uma banda de sopros formada por oito elementos, faceta popularucha que Am\u00e1lia, para mal de muitos, nunca dispensou.<br \/>\nNa segunda parte, acompanhada ao piano por Andr\u00e9 Dequech, Am\u00e1lia cantou poetas como Cam\u00f5es \u2013 \u201ceste j\u00e1 toda a gente sabe que escreveu a letra\u201d. Seguiu-se nova sequ\u00eancia de fados. Entre os quais \u201cLisboa, velha cidade\u201d, completamente assassinado pela voz, e \u201cQue Deus me perdoe\u201d, enobrecido pelas entoa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas da fadista. Logo a seguir, um primeiro momento pat\u00e9tico: Lola, um travesti imitador da voz e da figura de Am\u00e1lia, sobe ao palco, emocionad\u00edssimo, e declara com a voz embargada: \u201ceu quero morrer antes da senhora Dona Am\u00e1lia!\u201d. Am\u00e1lia, mais inteligente que Lola, desdramatiza e ri-se. \u201cisso \u00e9 o que dizem todos, mas quando chega a hora da verdade\u2026\u201d. \u201cPovo que lavas no rio\u201d, apresentada pela fadista com um \u201cpff\u201d de enfado, arrancou da assist\u00eancia uma onda de del\u00edrio. A interpreta\u00e7\u00e3o afundou-se com a voz, mas que import\u00e2ncia tinha isso? Depois flores, muitas flores, que Am\u00e1lia adora receber, e o \u201cFado de Am\u00e1lia\u201d, a tal que \u201cchora a cantar\u201d, com versos da sua autoria mas que mesmo assim ela n\u00e3o conseguiu recordar. \u201cEsta agora! At\u00e9 me esque\u00e7o de mim pr\u00f3pria!\u201d.<br \/>\nEntre improvisos  desafina\u00e7\u00f5es, o descontrole instalou-se, numa sucess\u00e3o de fados pedidos, mon\u00f3logos \u2013 \u201cn\u00e3o tenho orgulho nem pena de ser do povo, aconteceu\u201d \u2013 e desaten\u00e7\u00f5es e esquecimentos constantes das letras. \u201cL\u00e1grimas\u201d antecedeu os horr\u00edveis \u201cCarac\u00f3is\u201d. \u201cRua do Capel\u00e3o\u201d teve direito ao tradicional derrame de l\u00e1grimas (cuidadosamente teatralizadas nos gestos largos da artista, a limpar os olhos com a m\u00e3o e a sec\u00e1-las no vestido) e a tossidelas pelo meio. A tragicom\u00e9dia \u00e0 portuguesa atingiu o auge quando algu\u00e9m numa interven\u00e7\u00e3o desvairada, anunciou com a gravidade do profeta: \u201cPortugal ofereceu ao mundo duas grandes senhoras, Nossa Senhora de F\u00e1tima e a senhora dona Am\u00e1lia\u201d. Am\u00e1lia, alheia a tanto disparate, ainda cantou \u201cMalh\u00e3o de S. Sim\u00e3o\u201d \u2013 \u201csem partes gagas\u201d -, n\u00e3o satisfez quem lhe pedia \u201cBarco negro\u201d \u2013 \u201cesse j\u00e1 n\u00e3o posso\u201d \u2013 e deu mais um festival de desafina\u00e7\u00e3o em \u201cQuando eu era pequenino\u201d. A finalizar voltou a enganar-se em \u201cLisboa n\u00e3o sejas francesa\u201d para finalmente regressar no \u00fanico \u201cencore\u201d, com \u201cFoi Deus\u201d.<br \/>\nAm\u00e1lia foi igual a si pr\u00f3pria em tudo menos na voz. Ela vai continuar, at\u00e9 que a voz lhe doa, como diz. Assim se cumprir\u00e1 o seu destino. O nosso cora\u00e7\u00e3o aguenta e perdoa. Mas, como diria mais ou menos Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es, \u201co ouvido \u00e9 que paga\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 13.12.2022 Am\u00e1lia Rodrigues Cantou Domingo \u00c0 Noite No Coliseu Dos Recreios Uma Voz \u201cAflit\u00edssima\u201d Na noite de Am\u00e1lia houve beijinhos, oferta de flores, momentos de mau-gosto, um travesti, as l\u00e1grimas do costume e emo\u00e7\u00e3o a transbordar. S\u00f3 faltou a voz. Am\u00e1lia quer mas j\u00e1 n\u00e3o pode. 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