{"id":12529,"date":"2025-07-31T04:22:33","date_gmt":"2025-07-31T11:22:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12529"},"modified":"2025-07-31T04:22:33","modified_gmt":"2025-07-31T11:22:33","slug":"rao-kyao-em-publico-artigo-de-fundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/07\/31\/rao-kyao-em-publico-artigo-de-fundo\/","title":{"rendered":"R\u00e3o Kyao &#8211; &#8220;EM P\u00daBLICO&#8221; (artigo de fundo)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 30.11.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Em P\u00fablico<br \/>\nR\u00e3o Kyao *<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/raoKyao.jpg\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"855\" class=\"alignnone size-full wp-image-12530\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/raoKyao.jpg 570w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/raoKyao-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/raoKyao-67x100.jpg 67w\" sizes=\"auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>\u201c\u00c1guas-Livres\u201d \u00e9 um disco bastante ligeiro e voltado para as sonoridades \u201cnew age\u201d. \u00c9 esta a sua verdadeira m\u00fasica?<br \/>\nO disco anterior, \u201cDel\u00edrios Ib\u00e9ricos\u201d, apanhava uma sonoridade ib\u00e9rica, com ritmos fortes. Este novo disco \u201cnew age\u201d?&#8230; N\u00e3o sei. O peso da m\u00fasica, cabe a cada um apreciar. N\u00e3o sei se \u00e9 ligeira. O disco tem, de facto, um determinado ambiente, que muitas pessoas que o ouviram descrevem como paisag\u00edstico. O pr\u00f3prio t\u00edtulo \u00e9 sugestivo, aquilo que anda \u00e0 volta das \u00e1guas livres, \u00e1guas vivas, o canto dos rios, n\u00e3o s\u00f3 do rio, mas tamb\u00e9m de quem est\u00e1 nas suas margens. \u00c9 ao mesmo tempo um \u00e1lbum em que \u00e9 poss\u00edvel a um tipo estar em casa, concentrado a ouvi-lo, sem ter que se levantar da cadeira de repente. H\u00e1 discos que provocam essa cena, de certa maneira uma agress\u00e3o. Em resumo, as pessoas \u00e9 que me vieram dizer v\u00e1rias vezes que certas coisas que fa\u00e7o t\u00eam a ver com a \u201cnew age\u201d. Para mim o conceito original deste termo era uma m\u00fasica, geralmente tocada em sintetizador, para ser ouvida em fundo.<br \/>\nPrecisamente, os sintetizadores, em \u201c\u00c1guas-Livres\u201d apontam nesse sentido\u2026<br \/>\nUma das fun\u00e7\u00f5es da m\u00fasica, e das mais importantes, \u00e9 a terap\u00eautica. Uma m\u00fasica que provoca aclmaria \u00e9 uma m\u00fasica super\u00fatil. Mas acho que n\u00e3o fa\u00e7o essa m\u00fasica, a \u201cnew age\u201d, porque n\u00e3o sou capaz de tocar m\u00fasica sem estar a contar uma hist\u00f3ria. Cada som tem que fazer um sentido. Quanto aos sintetizadores, admito que me venham dizer que n\u00e3o devia fazer nada com eles, que devia ser tudo ac\u00fastico. Mas, l\u00e1 est\u00e1, j\u00e1 fiz discos emq eu tudo o que utilizei eram instrumentos de corda. Neste utilizei o sintetizador, porque acho que a sua linguagem, utilizada de uma determinada maneira, pode funcionar. Eu, como \u00e9 \u00f3bvio, como \u00e9 que posso ser f\u00e3 de m\u00fasica electr\u00f3nica, tocando um instrumento como a flauta de bambu? At\u00e9 porque utilizar os sintetizadores para atrair \u00e9 algo que n\u00e3o est\u00e1 a dar. J\u00e1 foi feita tanta cena dessas que, inclusivamente, na \u201cnew age\u201d, os tipos est\u00e3o a ir para o ac\u00fastico.<br \/>\nMas h\u00e1 uma certa preocupa\u00e7\u00e3o em fazer um som acess\u00edvel, comercial?<br \/>\nEu n\u00e3o gosto de ser completamente herm\u00e9tico. Sou um tipo que basicamente sempre esteve muito ligado \u00e0 melodia, uma melodia cant\u00e1vel. Nunca fui de fazer coisas muito sinuosas. Porque n\u00e3o as ou\u00e7o. Tudo o que eu toco eu canto e tudo o que canto eu toco. \u00c9 como quando se ouve um temam folcl\u00f3rico, simples, mas em que se sente que \u00e9 uma coisa profunda, embora tenha uma melodia que toda a gente canta.<br \/>\nA influ\u00eancia do Oriente continua a estar presente em for\u00e7a.<br \/>\nEles t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o exactamente ao n\u00edvel da terapia da m\u00fasica. Que tanto pode aclamar como p\u00f4r um tipo aos tiros. T\u00eam consci\u00eancia desse poder desde sempre. Atrav\u00e9s de uma coisa a que chamam \u201craga\u201d, que \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o que, sem palavras, determina, pela conjuga\u00e7\u00e3o das notas, uma certa e determinada emo\u00e7\u00e3o. Que pode ser agressiva ou pacifista. Sobretudo pacifista, porque a m\u00fasica, em princ\u00edpio, \u00e9 mais a linguagem do amor do que do \u00f3dio. Este tipo de liga\u00e7\u00e3o do Oriente ao Ocidente, comigo, passou-se de uma maneira muito espont\u00e2nea. A primeira vez que ouvi um certo tipo de m\u00fasica, nomeadamente a indiana, fiquei apaixonado. E tive a sensa\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 tinha ouvido aquilo. Discos do Ravi Shankar e de outros m\u00fasicos que ouvi depois e at\u00e9 me influenciaram mais.<br \/>\nDe que maneira se processou a sua passagem pelo saxofone, um instrumento que pode ser muito agressivo, para a flauta de bamb\u00fa?<br \/>\nFoi uma op\u00e7\u00e3o. Eu toco aquilo que ou\u00e7o na minha cabe\u00e7a. E tenho uma coisa muito ligada com a voz. Tento aplicar a minha composi\u00e7\u00e3o pessoal a uma certa sonoridade que n\u00e3o \u00e9 especificamente indiana. \u00c0s vezes, em casa, sozinho ou com outras pessoas, com um tocador de \u201ctablas\u201d, fa\u00e7o coisas abertamente indianas. Mas \u00e9 mais uma homenagem, um estudo. Mas, naquele sentido de tocar o que me est\u00e1 na cabe\u00e7a, vejo a m\u00fasica com uma flexibilidade muito grande. H\u00e1 m\u00fasica que \u00e9 feita para ser ouvida em alto volume. A m\u00fasica indiana ouvida em alto volume n\u00e3o funciona, porque se est\u00e1 alevar com um volume de som que supera a tal felexibilidade.<br \/>\nA m\u00fasica indiana, para ser apreciada, exige em primeiro lugar que nos instalemos dentro dela, n\u00e3o \u00e9 verdade?<br \/>\nExacto. Tem que se fazer um esfor\u00e7o. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00fasica indiana. Toda a boa m\u00fasica. A flauta de bamb\u00fa, por exemplo, beneficia em ser ouvida de perto, pela flexibilidade que tem. \u00c9 um instrumento muito ligado com a voz.<br \/>\nAo contr\u00e1rio da flauta de concerto, com chaves?<br \/>\nO bamb\u00fa tem uma leveza e ao mesmo tempo um peso, uma flexibilidade que o metal n\u00e3o possui. Houve fases por que passei, em que devido a um estudo profundo, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que andava a tocar saxofone como se fosse uma flauta de abmb\u00fa. A flauta de bamb\u00fa tinha tomado conta da minha linguagem.<br \/>\n\u00c9 verdade que costuma ir tocar flauta sozinho para as montanhas? Toca para quem?<br \/>\nTem a ver com a respira\u00e7\u00e3o. Gosto de respirar bom ar, de estar num bom ambiente. Depois, gosto de ouvir os p\u00e1ssaros. Por exemplo, tenho um tema chamado \u201cEvoca\u00e7\u00e3o\u201d, em que a m\u00fasica aparece sob formas completamente primitivas, como se fossem os primeiros sons que entrassem na cabe\u00e7a. O solo que fa\u00e7o neste tema n\u00e3o \u00e9 bem um solo, estou constantemente a pensar como se fosse um p\u00e1ssaro, a maneira como ele coloca as notas.<br \/>\nTocar, dizer sem intermedi\u00e1rios. \u00c9 isso?<br \/>\nExactamente. Um tipo de canto, a voz dos animais\u2026 Quando vou para um s\u00edtio desses, que tanto pode ser nos arredores de Lisboa como na regi\u00e3o de Viseu, onde h\u00e1 uma pedra com uma alcatifa de musgo.<br \/>\nSintra diz-lhe alguma coisa?<br \/>\nEnt\u00e3o n\u00e3o diz? Sintra \u00e9 para mim um lugar alucinante. O \u00fanico problema que tem Sintra \u00e9 aquela humidade toda, um tipo tem de estar ali com um chap\u00e9u na cabe\u00e7a\u2026<br \/>\n\u00c9 verdade que houve uma altura da sua vida em que levava um estilo de vida um bocado bo\u00e9mio? Em caso afirmativo de que modo conciliava o excesso com a tal simplicidade quase asc\u00e9tica que professa?<br \/>\nSou um tipo que gosta de sair, de beber o seu copo, de contactar com as pessoas, da par\u00f3dia. Sou um gajo de Lisboa. \u00c9 uma parte de mim. Passo quase todo o dia a tocar, a concentrar-me, a procurar melhorar, como qualquer m\u00fasico. Quando chega a noite, a hora de jantar, sou um gajo que gosta de vinho \u2013 tinto \u2013 depois as coisas relacionam-se com este facto. Por exemplo, \u00e9 como um tipo ser m\u00fasico da cl\u00e1ssica. Como \u00e9 que se pode determinar a vida que faz pelas pe\u00e7as que interpreta?<br \/>\nEsse \u00e9 o caso do int\u00e9rprete. No seu caso, disse h\u00e1 pouco que tinha uma rela\u00e7\u00e3o diferente com a m\u00fasica\u2026<br \/>\nCerto. Mas, de qualquer maneira, um tipo tamb\u00e9m precisa de se meter em pe\u00e7as que eventualmente s\u00e3o de grande concentra\u00e7\u00e3o. Como um actor. N\u00e3o se percebe se um actor est\u00e1 a fazer com\u00e9dia ou n\u00e3o, n\u00e3o se percebe como \u00e9 que ele funciona na realidade.<br \/>\nA m\u00fasica significa para si, al\u00e9m de profiss\u00e3o, uma inicia\u00e7\u00e3o, uma forma de aperfei\u00e7oamento pessoal?<br \/>\nAcho que a \u00faltima frase \u00e9 a mais adequada de todas. \u00c9 dif\u00edcil, por vezes, por palavras, determinar como ser\u00e3o as coisas. A m\u00fasica tem efeitos, l\u00e1 est\u00e1, terap\u00eauticos, mesmo a n\u00edvel espiritual. Algo que vai e puxa para cima. Um tipo que me diz, por exemplo, o que lhe apetece fazer musicalmente \u00e9 reproduzir o barulho do pessoal a buzinar no meio da rua\u2026 Tudo be. Vamos ver um concerto, que maravilha, uma s\u00e9rie de gajos sentados a ouvir buzinas no meio da rua (risos). Podem vir ter comigo e dizer-me: \u201cMas eu tenho direito a fazer isto!\u201d Logicamente que t\u00eam direito a usar uma serra mec\u00e2nica \u2013 j\u00e1 houve quem o fizesse -, s\u00f3 que para mim isso n\u00e3o faz sentido nenhum. Para qu\u00ea, para sair chateado com uma coisa que \u00e9 antiterap\u00eautica. Todos aqueles que eu gosto de ouvir tocar m\u00fasica fazem-me sentir leve. Os grandes cantores, m\u00fasica cl\u00e1ssica, os mestres indianos, com quem aprendi a import\u00e2ncia da boa e profunda afina\u00e7\u00e3o do instrumento. No sentido de uma afina\u00e7\u00e3o que se torna cada vez mais interior.<br \/>\n<strong>* Compositor, ex-saxofonista, executante de flauta de bamb\u00fa, de quem acabou de ser editado o \u00e1lbum \u201c\u00c1guas-Livres\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 30.11.1994 Em P\u00fablico R\u00e3o Kyao * \u201c\u00c1guas-Livres\u201d \u00e9 um disco bastante ligeiro e voltado para as sonoridades \u201cnew age\u201d. \u00c9 esta a sua verdadeira m\u00fasica? O disco anterior, \u201cDel\u00edrios Ib\u00e9ricos\u201d, apanhava uma sonoridade ib\u00e9rica, com ritmos fortes. Este novo disco \u201cnew age\u201d?&#8230; N\u00e3o sei. 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