{"id":12511,"date":"2025-07-27T05:58:24","date_gmt":"2025-07-27T12:58:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12511"},"modified":"2025-07-27T05:58:24","modified_gmt":"2025-07-27T12:58:24","slug":"ne-ladeiras-e-vini-reilly-ser-maior-uma-historia-sobrenatural-artigo-de-opiniao-durutti-column-sex-and-death-critica-de-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/07\/27\/ne-ladeiras-e-vini-reilly-ser-maior-uma-historia-sobrenatural-artigo-de-opiniao-durutti-column-sex-and-death-critica-de-discos\/","title":{"rendered":"N\u00e9 Ladeiras e Vini Reilly &#8211; &#8220;Ser Maior (Uma Hist\u00f3ria Sobrenatural)&#8221; (artigo de opini\u00e3o) + Durutti Column &#8220;Sex And Death&#8221; (cr\u00edtica de discos)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 23.11.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Ser Maior (Uma Hist\u00f3ria Sobrenatural)<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nExistir\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre o misticismo e a depress\u00e3o? E o que \u00e9 que isso tem a ver com o sentido portugu\u00eas lan\u00e7amento simult\u00e2neo de novos \u00e1lbuns de N\u00e9 Ladeiras e Vini Reilly vem repor a quest\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn1.jpg\" alt=\"\" width=\"741\" height=\"760\" class=\"alignnone size-full wp-image-12512\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn1.jpg 741w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn1-293x300.jpg 293w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn1-624x640.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn1-98x100.jpg 98w\" sizes=\"auto, (max-width: 741px) 100vw, 741px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2.jpg\" alt=\"\" width=\"665\" height=\"662\" class=\"alignnone size-full wp-image-12513\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2.jpg 665w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2-624x621.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/DurrutiColumn2-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 665px) 100vw, 665px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Procurar no sobrenatural uma explica\u00e7\u00e3o para certas idiossincrasias do pr\u00f3prio acto criativo tem sido desde sempre uma constante de nomes importantes da m\u00fasica popular. Em Hendrix como em Dylan, em John McLaughlin como em Carlos Santana, em Jim Morrison como em Julian Cope, em Sun Ra como nos Earth, Wind And Fire, em Cat Stevens como Ven\u00e2ncio Castro, \u201co outro lado\u201d tem servido de justificativa para divaga\u00e7\u00f5es existenciais e musicais que escapam a classifica\u00e7\u00f5es mais taxativas.<br \/>\nOs OVNI, a magia (branca e negra), deuses com bom ou mau feitio provenientes de todos os mitos e religi\u00f5es \u2013 com uma certa preponder\u00e2ncia, nos anos 70, de \u201cKrishna\u201d, com quem os Beatles, entre outros, aprenderam a maneira de atingir o nirvana ou, pelo menos, onde comprar incenso ou uma \u201csitar\u201d a pre\u00e7os mais em conta -, o pr\u00f3prio diabo (seria fastidioso enumerar a horda de bandas \u201cheavy metal\u201d ou da corrente negra tecno-satanista seguidoras do dem\u00f3nio), as formas c\u00f3smicas em geral e todas as formas de espiritualismo dispon\u00edveis contam-se entre as fontes esot\u00e9ricas onde quem quiser, e a tais pr\u00e1ticas for dado, pode ir buscar alguma inspira\u00e7\u00e3o e uns quantos adere\u00e7os, sempre \u00fateis no caso de se querer causar boa impress\u00e3o.<br \/>\nClaro que boas leituras, uma estada num mosteiro qualquer (em Portugal, Sintra ser\u00e1 sempre uma op\u00e7\u00e3o prefer\u00edvel \u00e0 Ladeira do Pinheiro) e a ingest\u00e3o de drogas, bastantes drogas, sobretudo as alucinog\u00e9nias, contribuem para fazer aparecer com maior facilidade as portas de acesso aos outros mundos. Mesmo aos de onde n\u00e3o se regressa.<br \/>\nN\u00e9 Ladeiras \u00e9 um bom exemplo lusitano desta tend\u00eancia, ou n\u00e3o fossem os portugueses muito dados ao misticismo. No seu caso, \u00e9 uma espiritualidade suave, feminina, com ra\u00edzes na d\u00b4erva, do \u00e1cido e dos cogumelos. Aquela quest\u00e3o dos signos, das linhas da m\u00e3o, das boas ou m\u00e1s vibra\u00e7\u00f5es, do Yin e do Yang, das entidades protectoras, neste caso as M\u00e3es de Santo e os orix\u00e1s, estes \u00faltimos divindades protectoras muito requisitadas no Brasil. N\u00e3o h\u00e1 mal nenhum nisto desde que contribua para o equil\u00edbrio interior do indiv\u00edduo ou, noutro \u00e2mbito, para melhorar as suas \u201cperformances\u201d musicais, como parece ser o caso da autora do recente \u201cTraz os Montes\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 o caso de Vini Reilly n\u00e3o se poder\u00e1 incluir com a mesma certeza no cabaz dos m\u00edsticos. No passado correram rumores, \u00e9 certo, que davam conta do seu interesse pelos cemit\u00e9rios, lugares que, bem vistas as coisas, e caso n\u00e3o se aprofunde muito, sobretudo debaixo da terra, ser\u00e3o t\u00e3o inspiradores como quaisquer outros. Boato ou n\u00e3o, certo \u00e9 que o guitarrista e mentor dos Durutti Column n\u00e3o \u00e9 o que se pode chamar uma pessoa certinha, daquelas que dobram o pijaminha e dividem a conta pelos dois. O seu caso, por\u00e9m, tem mais a ver com uma depress\u00e3o cr\u00f3nica, de um tipo provavelmente id\u00eantico \u00e0quele de que padecia gente t\u00e3o diferente como Fernando Pessoa ou Ian Curtis, e que o leva a compor uma m\u00fasica invariavelmente triste e a refugiar-se num mundo de imagens e refer\u00eancias localizadas na margem mais desolada da personalidade e dos sons.<br \/>\nVini Reilly, que se saiba, n\u00e3o invoca deuses nem dem\u00f3nios, n\u00e3o entrou para nenhum \u201cashram\u201d nem alguma vez foi visto vestido com uma t\u00fanica branca e o cabelo rapado. At\u00e9 porque n\u00e3o ligaria bem com a sua figura franzina de rapaz enfezado que se entregou de corpo inteiro \u00e0 sua arte. \u00c9 evidente que o t\u00edtulo do seu novo \u00e1lbum, \u201cSex and Death\u201d, n\u00e3o pressagia nada de bom, na medida em que vem escarafunchar num assunto t\u00e3o inc\u00f3modo como \u00e9 o desta rela\u00e7\u00e3o entre duas realidades que de facto se entrela\u00e7am como o dia e a noite.<br \/>\nPulsa\u00e7\u00e3o de vida contra pulsa\u00e7\u00e3o de morte, eis a dial\u00e9ctica de guerra, nunca santa entre duas tend\u00eancias na apar\u00eancia contr\u00e1rias, o que de imediato convida a buscar na transcend\u00eancia uma maneira, o mais poss\u00edvel c\u00f3moda e indolor, para a ultrapassar. Vini l\u00e1 vai conseguindo, gravando discos e tocando guitarra como quem se despede em cada uma das vezes.<br \/>\nN\u00e9 Ladeiras sabe que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de tanto dramatismo e que, sexo por sexo, antes  o seguro \u2013 at\u00e9 para evitar surpresas desagrad\u00e1veis \u2013 e aquele que n\u00e3o necessita de varinhas de cond\u00e3o. H\u00e1 o tantrismo, \u00e9 verdade, que basicamente procura reter e reconduzir a energia do orgasmo para \u00e1reas n\u00e3o genitais, pela coluna acima at\u00e9 se acender uma claridade na nuca, embora segundo cremos, nem N\u00e9 nem Vini sejam adeptos desta t\u00e9cnica.<br \/>\nConcluindo, para os n\u00e3o iniciados nos mist\u00e9rios dos orix\u00e1s nem nas del\u00edcias do auto-supliciamento volunt\u00e1rio, a m\u00fasica \u00e9 que conta. Tanto no caso de N\u00e9 Ladeiras como no de Vini Reilly, os seus novos discos merecem ser ouvidos e o esp\u00edrito bem abertos. E, afinal de contas, \u00e9 um facto que tocar m\u00fasica \u00e9 em primeiro lugar ser-se tocado.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Durutti Column<br \/>\nSex And Death (6)<br \/>\nFactory Too, distri. Polygram<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nA liga\u00e7\u00e3o do sexo com a morte pode ser encarada neste \u00e1lbum de duas formas distintas. Por um lado, em rela\u00e7\u00e3o directa com a sida. Por outro, com uma conex\u00e3o mais liter\u00e1ria, aquela dos artistas rom\u00e2nticos para quem a morte era o corol\u00e1rio natural da paix\u00e3o. Refira-se a prop\u00f3sito uma can\u00e7\u00e3o de Mary Coughlan onde esta cantora irlandesa refere os orgasmos como \u201cLittle deaths\u201d.<br \/>\nDepois h\u00e1 o azul, na falsa pintura a \u00f3leo da capa e em \u201cBlue period\u201d, faixa que encerra o disco, curiosamente um \u201cblues\u201d \u00e0 maneira de Vini Reilly, mas tamb\u00e9m um poss\u00edvel jogo com o \u201cper\u00edodo azul\u201d de Picasso, numa refer\u00eancia \u00e0 pintura que nos Durutti Column remonta a \u201cWithout Mercy\u201d. Ou ainda o azul que Derek Jarman associou \u00e0 sida no terr\u00edvel libelo que deixou em filme e em disco antes de morrer, v\u00edtima desta doen\u00e7a.<br \/>\n\u201cSex and Death\u201d tem a mesma tristeza e o mesmo som de fundo dos discos anteriores de Reilly. Can\u00e7\u00f5es em forma de dedicat\u00f3ria a amigos, a utiliza\u00e7\u00e3o de escalas chinesas, ecos de vozes que nascem e morrem, vest\u00edgios de lugares e personagens desaparecidos, cita\u00e7\u00f5es de m\u00fasica de c\u00e2mara a quebrarem o ascetismo da guitarra refractada de Vini, ainda e sempre apoiada na carne percussiva do baterista Bruce Mitchell.<br \/>\nDando mostras de n\u00e3o ter esquecido os seus amigos de Portugal, o computador chamou \u201cFado\u201d a uma das suas can\u00e7\u00f5es, mas, mesmo com esfor\u00e7o e muita imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil descortinar nela qualquer semelhan\u00e7a com o fado portugu\u00eas. S\u00f3 de for pelo estado de ep\u00edrito, porque, mesmo a letra \u2013 \u201cfalo contigo por imagens, tu respondes-me com hist\u00f3rias\u2026\u201d -, nem com a maior das boas vontades poder\u00e1 alguma vez ser cantada na Mouraria ou em Alfama. Nada de novo, portanto, neste vale de l\u00e1grimas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 23.11.1994 Ser Maior (Uma Hist\u00f3ria Sobrenatural) Existir\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre o misticismo e a depress\u00e3o? E o que \u00e9 que isso tem a ver com o sentido portugu\u00eas lan\u00e7amento simult\u00e2neo de novos \u00e1lbuns de N\u00e9 Ladeiras e Vini Reilly vem repor a quest\u00e3o. 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