{"id":12456,"date":"2025-07-02T03:19:03","date_gmt":"2025-07-02T10:19:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12456"},"modified":"2025-07-02T03:19:03","modified_gmt":"2025-07-02T10:19:03","slug":"the-chieftains-the-chieftains-repetem-exito-no-porto-menos-festa-e-mais-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/07\/02\/the-chieftains-the-chieftains-repetem-exito-no-porto-menos-festa-e-mais-musica\/","title":{"rendered":"The Chieftains &#8211; &#8220;The Chieftains Repetem \u00caxito No Porto &#8211; Menos Festa E Mais M\u00fasica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> domingo >> 06.11.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>The Chieftains Repetem \u00caxito No Porto<br \/>\nMenos Festa E Mais M\u00fasica<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nVolvidos 32 anos de uma carreira dedicada \u00e0 m\u00fasica tradicional da Irlanda os Chieftains n\u00e3o t\u00eam que provar nada a ningu\u00e9m. Na sua segunda apresenta\u00e7\u00e3o na capital do Norte tocaram a m\u00fasica pela m\u00fasica e mostraram o prazer que sentem em partilh\u00e1-la. Neste caso com o convidado portugu\u00eas, mestre entre os mestres, J\u00falio Pereira.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/chieftains.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"482\" class=\"alignnone size-full wp-image-12457\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/chieftains.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/chieftains-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/chieftains-624x441.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/chieftains-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Menos festiva e mais musical eis como se poder\u00e1 classificar a segunda actua\u00e7\u00e3o dos Chieftains, sexta-feira, no Coliseu do Porto, integrada nas comemora\u00e7\u00f5es dos 25 anos do Mundo da Can\u00e7\u00e3o, entidade organizadora do concerto, em compara\u00e7\u00e3o com o concerto do ano passado no Festival Interc\u00e9ltico. Ontem, na Aula Magna, foi a vez de Lisboa travar conhecimento com os embaixadores da m\u00fasica irlandesa.<br \/>\nSala fria, de grandes dimens\u00f5es, o Coliseu da Invicta quase encheu para aplaudir de novo aquele que \u00e9 hoje um dos mais antigos grupos de m\u00fasica irlandesa em actividade. Feitas as apresenta\u00e7\u00f5es no ano passado, libertos da press\u00e3o que em geral acompanha o primeiro contacto com um p\u00fablico estranho, os Chieftains entraram em palco com a inten\u00e7\u00e3o clara de, desta feita, chamarem a aten\u00e7\u00e3o mais para a m\u00fasica em si do que para o seu lado festivo.<br \/>\nO humor, claro, conduzido pelo habitual mestre de cerim\u00f3nias e \u201cvirtuose\u201d das \u201cuillean pipes\u201d, Paddy Moloney, esteve presente desde as palavras de apresenta\u00e7\u00e3o, pronunciadas em ga\u00e9lico, at\u00e9 aos \u201csketches\u201d que os Chieftains j\u00e1 haviam utilizado no Interc\u00e9ltico: os gestos de impaci\u00eancia a pontuarem os solos mais prolongados, o amuo de Derek Bell por n\u00e3o o considerarem o melhor harpista da Irlanda, buchas metidas entre as can\u00e7\u00f5es, etc.<br \/>\nSe o elemento surpresa esteve deste modo ausente, a m\u00fasica chegou e sobejou para tornar mais uma vez a actua\u00e7\u00e3o dos Chieftains em algo de inesquec\u00edvel. Previsivelmente a viagem musical destes irlandeses cidad\u00e3os do mundo fez escala na Bretanha, no tema sublime que figura na obra-prima \u201cThe Chieftains 5\u201d, seguido por outro da mesma regi\u00e3o, vocalizado, no qual ficou patente que a clareza de timbre e a aus\u00eancia de gr\u00e3o da voz de Kevin Conneff soam um pouco an\u00e9micas em contraste com o \u201cvibrato\u201d e a maior extrovers\u00e3o que caracterizam o canto bret\u00e3o. Paragem obrigat\u00f3ria tamb\u00e9m na Galiza (motivo do pr\u00f3ximo \u00e1lbum da banda, gravado com a Orquestra Sinf\u00f3nica de Vigo) e na \u201ccountry music\u201d norte-americana, em \u201cCotton-eyed Joe\u201d, intercalando com a familiar \u201cdrinking song\u201d \u2013 \u201cHere\u2019s a health to the Company\u201d \u2013 cantada com uma perna \u00e0s costas e, na ocasi\u00e3o, enriquecida com um genu\u00edno solu\u00e7o alco\u00f3lico, por Kevin Conneff, o popular \u201cstandard\u201d \u201cIf I had Maggie in the wood\u201d e um medley\u201d de composi\u00e7\u00f5es do m\u00edtico harpista Turlough O\u2019 Carolan, num solo imaculado de Derek Bell.<br \/>\nMatt Molloy voltou a deixar toda a gente sem respira\u00e7\u00e3o (a prop\u00f3sito, e ele, como \u00e9 que consegue respirar?) num solo \u201cimposs\u00edvel\u201d na flauta. O seu virtuosismo \u00e9 de tal ordem, em particular na arquitectura das pausas e no modo como projecta os harm\u00f3nicos, que d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos a escutar n\u00e3o uma mas duas ou mais flautas tocando em simult\u00e2neo. Paddy Moloney, j\u00e1 se sabe, \u00e9 como se as \u201cuillean pipes\u201d fossem suas filhas e ele o pai tirano: fazem tudo o que ele quer. E no \u201ctin whistle\u201d \u00e9 a mesma coisa. Parece que n\u00e3o custa nada! Um solo extraordin\u00e1rio de flu\u00eancia nas \u201cpipes\u201d abriu caminho para um ritmo de comboio, sobre o qual os bailarinos Daire Nolan (ela, no seu c\u00e9ltico vestido, levitando como uma \u201cbanshee\u201d) e Sharon O\u2019 Brien (ele, cavalgando e martelando com os p\u00e9s a energia tel\u00farica que animar\u00e1 at\u00e9 ao fim dos tempos a Ilha)<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1logo De \u201cVirtuoses\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Martin Fay, o mais cl\u00e1ssico dos Chieftains, prendeu ao violino as notas do passado, numa tocante interpreta\u00e7\u00e3o de \u201cCarrickfergus\u201d. Se\u00e1n Keane, mais ginasticado, improvisou num registo org\u00e2nico e por vezes pr\u00f3ximo da irm\u00e3 mais velha do violino, a violeta ou viola de arco, sobre \u201cThe stone\u201d. No mesmo tema Kevin Conneff deu raz\u00e3o \u00e0queles que sempre recusaram o \u201cbodhran\u201d o parente pobre dos instrumentos tradicionais irlandeses. A explora\u00e7\u00e3o de alturas e a subtileza com que este percussionista articula os tempos e os contratempos \u00e9 por si s\u00f3 um espect\u00e1culo dentro do espect\u00e1culo.<br \/>\n\u201cThe independent\u201d, um \u201chornpipe\u201d refor\u00e7ado pela movimenta\u00e7\u00e3o c\u00e9nica dos dois dan\u00e7arinos, a j\u00e1 cl\u00e1ssica vers\u00e3o de \u201cHeartbreak hotel\u201d, acoplada a \u201cThe cliffs of Moore\u201d \u2013 que conhec\u00edamos na vers\u00e3o inglesa pelos Fairport Convention -, nova vocaliza\u00e7\u00e3o de Conneff em \u201cThe hag with the Money\u201d e o tradicional chin\u00eas, traduzido em ingl\u00eas para \u201cFull of joy\u201d, prepararam o terreno para a entrada \u2013 triunfal \u2013 de J\u00falio Pereira, apresentado pelos Chieftains como \u201cum grande m\u00fasico\u201d. No primeiro tema que tocaram juntos, um tradicional de Tr\u00e1s-os-Montes, os irlandeses ficaram um bocado aturdidos, com dificuldades em seguir as s\u00edncopes violentas lan\u00e7adas no bandolim pelo m\u00fasico portugu\u00eas. J\u00falio atacou em seguida, em solo absoluto, uma sequ\u00eancia do seu novo \u00e1lbum, \u201cAc\u00fastico\u201d, onde deixou bem vincado o seu virtuosismo, como que a querer dizer aos irlandeses: \u201ccalma a\u00ed, muita aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 voc\u00eas que s\u00e3o capazes de fazer malabarismos!\u201d. Por fim, em \u201cDrowsy Maggie\u201d, solaram todos, com o foco das aten\u00e7\u00f5es a incidir em Derek Bell, no seu tamb\u00e9m j\u00e1 cl\u00e1ssico \u201cshow\u201d de piano \u201cragtime\u201d. Tr\u00eas \u201cencores\u201d, \u201cGive me your hand\u201d, \u201cMiss McLeod\u2019s lament\u201d e \u201cCarolan\u2019s concerto\u201d deixaram toda a gente feliz e, no espa\u00e7o vago entre as coxias, a dan\u00e7ar. \u201cLong live The Chieftains!\u201d. Sejam bem-vindos sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo >> 06.11.1994 The Chieftains Repetem \u00caxito No Porto Menos Festa E Mais M\u00fasica Volvidos 32 anos de uma carreira dedicada \u00e0 m\u00fasica tradicional da Irlanda os Chieftains n\u00e3o t\u00eam que provar nada a ningu\u00e9m. 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