{"id":12399,"date":"2025-06-09T02:10:36","date_gmt":"2025-06-09T09:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12399"},"modified":"2025-06-09T02:10:36","modified_gmt":"2025-06-09T09:10:36","slug":"sandra-baptista-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/06\/09\/sandra-baptista-em-publico\/","title":{"rendered":"Sandra Baptista &#8211; &#8220;EM P\u00daBLICO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 12.10.1994<br \/>\n<strong>EM P\u00daBLICO<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Sandra Baptista *<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sandraBaptista.jpg\" alt=\"\" width=\"679\" height=\"618\" class=\"alignnone size-full wp-image-12400\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sandraBaptista.jpg 679w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sandraBaptista-300x273.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sandraBaptista-624x568.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sandraBaptista-100x91.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 vulgar uma rapariga tocar acorde\u00e3o, ainda por cima numa banda pop. Por que escolheu este instrumentos?<\/strong><br \/>\nDesde mi\u00fada que toco \u00f3rg\u00e3o e piano at\u00e9 ao dia em que assisti a uma audi\u00e7\u00e3o de acorde\u00f5es numa escola, a \u00fanica onde ensinam este instrumento, situada na Pra\u00e7a do Chile. Fiquei surpreendida com o instrumento, com a sonoridade. Disse para comigo: \u201cOK, vou aprender acorde\u00e3o.\u201d Na altura andava a tocar um daqueles \u00f3rg\u00e3os enormes, um Farfisa, com pedaleira\u2026 Entrei na escola e comecei a aprender tangos, corridinhos\u2026 Tinha nessa altura menos de 15 anos e todos os amigos me influenciavam pela negativa, fazendo-me notar que o acorde\u00e3o era um instrumento \u201cextremamente piroso, foleiro, rid\u00edculo, s\u00f3 para ranchos folcl\u00f3ricos\u201d. Desmotivaram-me bastante. Aos 15 anos parei. Andei na escola, tirei um curso de v\u00eddeo. Na escola Ant\u00f3nio Arroio conheci o Jorge Buco, o presente bandolinista dos Sitiados. Falou-me na banda, do Manuel Machado, tamb\u00e9m acordeonista, que sa\u00edra dos Sitiados para entrar nos Essa Entente, e convidou-me para o substituir. Ouvi as maquetas e gostei\u2026<br \/>\n<strong>Quais s\u00e3o as suas refer\u00eancias neste instrumento?<\/strong><br \/>\nOu\u00e7o corridinhos do Algarve \u2013 que \u00e9 um grande exerc\u00edcio, obriga a mexer muito os dedos -, o Astor Piazolla, a Eug\u00e9nia Lima, Edith Piaf, tudo o que tenha acorde\u00e3o me interessa. O Quim Barreiros j\u00e1 n\u00e3o me interessa tanto. \u00c9 uma pessoa festiva, s\u00f3 que vai para o lado do javardo. N\u00e3o \u00e9 subtil. Tem uma linguagem muito directa, grosseira, que as pessoas quando est\u00e3o numa de curtir, de festejar, gostam de ouvir e ver. Comparo os Sitiados mais com o conjunto de Ant\u00f3nio Mafra. Mais sal\u00e3o, um bocadinho mais sofisticados. Os Sitiados, se existissem h\u00e1 vinte anos, teriam sido o conjunto de Ant\u00f3nio Mafra. E o conjunto de Ant\u00f3nio Mafra, se tivesse nascido hoje, seria provavelmente os Sitiados\u2026 O Quim Barreiros equiparo-o mais aos Ena P\u00e1 2000.<br \/>\nA energia que evidencia em palco \u00e9 espont\u00e2nea ou envolve algum grau de teatraliza\u00e7\u00e3o?<br \/>\nUm espect\u00e1culo mexe com a adrenalina, com os tiques nervosos. O meu \u00e9 aquele de andar de um lado para o outro. Mas n\u00e3o sou nada exibicionista. Este meu tique nervoso em cima do palco \u00e9 porque n\u00e3o consigo fazer as coisas de outra maneira. N\u00e3o consigo tocar acorde\u00e3o quieta, sentada, estou a tocar para uma massa de pessoas que est\u00e3o a mexer comigo, gosto que haja uma cumplicidade. Mas nunca consegui olhar, em nenhum espect\u00e1culo \u2013 e j\u00e1 vamos com uns duzentos e tal em cima -, para algu\u00e9m em particular. Agora, \u00e9 verdade que tenho a no\u00e7\u00e3o da postura que fui desenvolvendo. Sei que, se houver um espect\u00e1culo em que esteja quieta, poder\u00e3o eventualmente acontecer problemas. Em palco tenho que me meter com os outros m\u00fasicos, com todos. N\u00e3o consigo sentir-me sozinha. Tenho que sentir as energias dos outros. Por exemplo, a pulsa\u00e7\u00e3o da bateria. Sinto as energias das pessoas. H\u00e1 espect\u00e1culos em que, sem raz\u00e3o aparente, nos sentimos um bocado mais moles ou cansados, sem sabermos porqu\u00ea. Olhamos uns para os outros e tentamos dar-nos for\u00e7as. Por vezes h\u00e1 algo estranho.<\/p>\n<p><strong>O acorde\u00e3o \u00e9 um instrumento um bocado pesado. Com tanta movimenta\u00e7\u00e3o, nunca se cansa?<\/strong><br \/>\nPesa deze quilos. Mas num espect\u00e1culo n\u00e3o sinto o peso do acorde\u00e3o. Tenho uma t\u00e9cnica diferente dos outros acordeonistas e utilizo uma fita atr\u00e1s, nas costas, para equilibrar melhor o peso. Isso j\u00e1 ajuda. Depois, quando subo as escadas para o palco, a adrenalina \u00e9 tanta, o sangue que me corre no corpo vai a uma velocidade t\u00e3o grande que n\u00e3o consigo sentir nada. Ali\u00e1s, em palco n\u00e3o consigo pensar, n\u00e3o consigo estar consciente. \u00c9 um impulso de uma hora, uma hora e meia, como um \u201cflash\u201d. Sinto-me completamente um animal de palco. Um animal irracional. Depois de um espect\u00e1culo, no camarim, n\u00e3o consigo falar com ningu\u00e9m. As pessoas falam comigo e n\u00e3o as ou\u00e7o. At\u00e9 a adrenalina baixar, demora pelo menos uma, duas horas. Na Festa das Mar\u00e9s estive quase a noite toda sem ouvir nem falar com ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Consegue transpor essa energia para o est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nNo est\u00fadio \u00e9 diferente, n\u00e3o sinto nervoso. N\u00e3o tenho tiques. \u00c9 um trabalho consciente, enquanto no palco \u00e9 inconsciente. No est\u00fadio, normalmente quando estou a gravar uma m\u00fasica, gravo-a logo \u00e0 segunda ou \u00e0 terceira porque vou bem preparada de casa e dos ensaios. Quanto mais vezes repetir, mais nervosa e chateada com o meu trabalho fico. Nessas alturas paro e passo para outra. Por exemplo \u201cO circo\u201d, do \u00faltimo \u00e1lbum, foi gravado \u00e0 primeira. Quanto mais \u201ctakes\u201d conseguimos apanhar todos \u00e0 primeira, melhor. Fica mais aquele \u201cfeeling\u201d. E l\u00e1 fora somos como uma fam\u00edlia. Quando vamos beber um copo, somos n\u00f3s connosco pr\u00f3prios. Eu, por sinal, n\u00e3o gosto de \u201cwhisky\u201d, nem vinho, nem cerveja\u2026 Estou sempre tramada [risos]. Tenho que inventar uma bebida.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>H\u00e1 outras situa\u00e7\u00f5es, fora da m\u00fasica, que lhe provoquem as mesmas descargas de adrenalina?<\/strong><br \/>\nH\u00e1. Neste momento, por exemplo [risos], estou a sentir uma certa adrenalina, uma certa excita\u00e7\u00e3o. Isto acontece-me quando estamos numa conversa\u2026 No pr\u00f3prio di\u00e1logo, sinto fases de adrenalina. Sou assim desde mi\u00fada. Mas sou muito consciente, aten\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>A imagem que projecta nos outros \u00e9 importante para si?<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 me convencer que a Sandra que estava com o acorde\u00e3o numa foto de um jornal era eu, demorou algum tempo. N\u00e3o conseguia habituar-me \u00e0 ideia de me ver num jornal. Custava-me ver a fotografia. Nunca me considerei vedeta. Faz parte do meu ser n\u00e3o fazer alarido. Aquilo que fa\u00e7o \u00e9 estar em cima de um palco. Acho que o p\u00fablico podia estar tamb\u00e9m em cima de um palco. Posso ser eu e os Sitiados como poderiam ser outras pessoas quaisquer a fazer aquela festa. N\u00e3o sinto que sou a maior, que toco muito bem, nada disso. Gosto que gostem de mim, mas n\u00e3o pelo facto de ser a Sandra Baptista dos Sitiados.<\/p>\n<p><strong>O que tem a ganhar e a perder na vida na estrada?<\/strong><br \/>\nO primeiro ano que fizemos ao vivo foi um absurdo. Oitenta e cinco espect\u00e1culos. Cheguei ao final completamente estoirada, estive perto de um esgotamento. N\u00e3o conseguia nem dar mais um passo. A partir da\u00ed, no segundo ano, decidimos n\u00e3o passar dos 50. \u00c9 uma quest\u00e3o de calo. Neste segundo ano de concertos j\u00e1 conseguia controlar-me mais nas viagens, e num esp\u00edrito de brincadeira. Mas o entusiasmo de actuar ao vivo, esse, nunca se esgota. Se isso acontecer alguma vez, os Sitiados acabam. Porque os Sitiados s\u00e3o uma banda para espect\u00e1culos, \u00e9 esse o nosso cart\u00e3o de visita. O disco \u00e9 mais aquele postal com que as pessoas ficam em casa.<\/p>\n<p><strong>Como passa o tempo nos per\u00edodos em que est\u00e1 afastada da banda?<\/strong><br \/>\nNada. Rigorosamente nada. \u00c9 estar em casa e nem sequer tirar o pijama. Meter-me dentro da porcaria da televis\u00e3o. Meter-me dentro da dispensa. Meter-me dentro do frigor\u00edfico e comer, comer\u2026<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 espantoso, atendendo \u00e0 figura que tem\u2026<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 agora, que me est\u00e1 a ver na fase dos espect\u00e1culos. Depois, na fase do Natal, passa \u00e0 fase da engorda. N\u00e3o tenho problemas nenhuns de dietas. De ser gorda ou de ser magra. Se engordasse, punha umas roupas mais largas, assim uns len\u00e7\u00f3is. Modificava um bocado a imagem. Desde que possa comer tudo o que me passa pela frente, n\u00e3o tenho problema nenhum.<\/p>\n<p><strong>Nunca pensou em ser outra coisa al\u00e9m de acordeonista dos Sitiados?<\/strong><br \/>\nNunca pensei que uma acordeonista pudesse ter um futuro destes. Normalmente, um acordeonista n\u00e3o pode sair do rancho folcl\u00f3rico ou de ter um projecto a solo como o Quim Barreiros. Mais delirante do que o que eu fa\u00e7o \u00e9 imposs\u00edvel. Se por acaso um dia os Sitiados acabarem, deixo de tocar acorde\u00e3o. Nesse dia acho que come\u00e7ava a cantar, com a p\u00e9ssima voz que tenho [risos]. A minha filosofia \u00e9 viver e deixar viver.<\/p>\n<p><strong>* acordeonista dos Sitiados<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 12.10.1994 EM P\u00daBLICO Sandra Baptista * N\u00e3o \u00e9 vulgar uma rapariga tocar acorde\u00e3o, ainda por cima numa banda pop. Por que escolheu este instrumentos? 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