{"id":12395,"date":"2025-06-07T04:10:09","date_gmt":"2025-06-07T11:10:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12395"},"modified":"2025-06-07T04:10:09","modified_gmt":"2025-06-07T11:10:09","slug":"paulo-braganca-paulo-braganca-subverte-as-convencoes-em-amai-o-fado-deve-ser-batidos-rasgado-esquartejado-entrevista-paulo-braganca-amai-critica-de-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/06\/07\/paulo-braganca-paulo-braganca-subverte-as-convencoes-em-amai-o-fado-deve-ser-batidos-rasgado-esquartejado-entrevista-paulo-braganca-amai-critica-de-discos\/","title":{"rendered":"Paulo Bragan\u00e7a &#8211; &#8220;Paulo Bragan\u00e7a Subverte as Conven\u00e7\u00f5es Em &#8216;Amai&#8217; &#8211; &#8216;O Fado Deve Ser Batidos, Rasgado, Esquartejado'&#8221; (entrevista) + Paulo Bragan\u00e7a &#8211; &#8220;Amai&#8221; (cr\u00edtica de discos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 12.10.1994<br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Paulo Bragan\u00e7a Subverte as Conven\u00e7\u00f5es Em \u201cAmai\u201d<br \/>\n\u201cO Fado Deve Ser Batidos, Rasgado, Esquartejado\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca1.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"724\" class=\"alignnone size-full wp-image-12397\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca1.jpg 252w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca1-104x300.jpg 104w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca1-35x100.jpg 35w\" sizes=\"auto, (max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nFado \u00e9 Portugal. Fado \u00e9 para Paulo Bragan\u00e7a isto, mas tamb\u00e9m um pretexto para afirmar o gosto por muitas outras m\u00fasicas. Portuguesas, mas com os olhos postos al\u00e9m. Em \u201cAmai\u201d, segundo \u00e1lbum deste fadista \u201csui generis\u201d que tem o cond\u00e3o de provocar as mentalidades mais conservadoras, as palavras e os sons s\u00e3o colocados ao servi\u00e7o de uma portucalidade que o cantor afirma pelo lado mais tr\u00e1gico. T\u00e3o tr\u00e1gico que por vezes ro\u00e7a o \u201ckitsch\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m a conquista progressiva de uma liberdade de meios de express\u00e3o paralelos a um ideal est\u00e9tico e vivencial. Uma ideia que neste disco passa pelo fado, o folclore ib\u00e9rico e uma modernidade transvertida em vermelhos de paix\u00e3o fatal. Exagero? \u201cO exagero \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o daqueles que amam por perdi\u00e7\u00e3o\u201d, diz Paulo Bragan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>P\u00daBLICO \u2013 \u201cAmai\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com o anterior \u201cNotas sobre a Alma\u201d, aponta para m\u00faltiplas direc\u00e7\u00f5es. H\u00e1 algum elemento aglutinador?<\/strong><br \/>\nPaulo Bragan\u00e7a \u2013 Mais que o fado, o ponto de partida deste disco \u00e9 a voz. E uma atitude fadista. Uma atitude que procuro misturar com outras formas musicais. No fundo, tentar transmitir o estado de esp\u00edrito fadista liberto da guitarra, da viola e do baixo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Considera-se um verdadeiro fadista?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Considero. Um fadista, quando nasce no s\u00e9culo XIX \u00e9 um anarca, quase um fora-da-lei. Dentro desse esp\u00edrito, sou. Embora n\u00e3o possa ser radical a esse ponto. Sou fadista mais como porta-voz. Ser fadista \u00e9, sem cair no nacionalismo exacerbado, ter um sentimento, uma consci\u00eancia colectiva. Procuro ser porta-voz dessa alma. A alma de uma na\u00e7\u00e3o da qual canto em \u201cFado her\u00f3i\u201d: \u201cna\u00e7\u00e3o vaga, branca e brava, espectro azul, a f\u00e9 n\u00e3o voa, astro sorte aziaga, olha o grito, sobe \u00e0 proa\u201d. Tudo isto para dizer que o portugu\u00eas est\u00e1 com os olhos n\u00e3o sei onde\u2026 N\u00e3o sei se para a Europa se para o mar\u2026 Ou se para o infinito que tamb\u00e9m nos contempla de alguma forma\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em \u201cInterl\u00fadio\u201d diz que \u201cportugu\u00eas sou eu, o mar e uma grande rocha\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o \u00e9 a minha voz. \u00c9 a tal voz colectiva. Portugal a falar. \u00c9 o portugu\u00eas todo, o mar que nos dimensiona no mundo inteiro, e uma \u201cgrande rocha\u201d porque quando olho no mapa vejo neste cantinho da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica sempre a ponta de Sagres. Vejo Portugal a partir do cabo de Sagres. De resto, essa frase n\u00e3o \u00e9 minha mas de um amigo meu, o Paulo Pinho.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como reage \u00e0s cr\u00edticas de alguns sectores fadistas mais tradicionalistas?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Aceito as cr\u00edticas todas desde que sejam s\u00f3lidas. Mas tenho um relacionamento bom com a escola tradicional. Sempre que entro numa sala de fado eles imediatamente pedem-me para cantar. Tratam-me bem e n\u00e3o acho que haja nisso algum cinismo. Agora, h\u00e1 pessoas que podem ter uma discuss\u00e3o mais ou menos acesa, mas isso \u00e9 normal, porque de alguma forma eu provoco um bocadinho. Eu quero estimul\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>\u201cA Ordem \u00c9 Amar!\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cVox Populis\u201d \u00e9 um apanhado de temas tradicionais. Como chegou a esta m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tomei contacto com as ra\u00edzes \u00e9tnicas, n\u00e3o me considero um desenraizado. Esse tema \u00e9 cantado num portugu\u00eas arcaico, n\u00e3o se trata de dialecto nenhum, mas um raiano, forma de falar pr\u00f3pria da zona fronteiri\u00e7a. Ritmicamente faz lembrar a monofonia dos cantos de Tr\u00e1s-os-Montes. E tentei jogar com a ambi\u00eancia, com os guizinhos das cabras do pastor e as velhotas a cantar em casa. Debrucei-me sobre alguma m\u00fasica transmontana e a parte ib\u00e9rica que nos diz respeito. O tema poder\u00e1 ser uma viagem com come\u00e7o em Tr\u00e1s-os-Montes \u2013 uma zona de fluxo migrat\u00f3rio bastante forte, nomeadamente para Espanha \u2013 de gente que parte para a Andaluzia.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Afinal, \u00e9 um revolucion\u00e1rio ou um tradicionalista?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sou a favor da tradi\u00e7\u00e3o verdadeira, n\u00e3o da que existe hoje em Portugal. O importante \u00e9 voltar \u00e0s nossas ra\u00edzes e descobrir o verdadeiro posicionamento de Portugal no mundo, o estado da na\u00e7\u00e3o. Sou revolucion\u00e1rio na medida em que busco a tradi\u00e7\u00e3o na sua fonte e a procuro redimensionar.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que raz\u00e3o o levou a incluir os tr\u00eas excertos instrumentais, funcionando quase como separadores?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 S\u00e3o muito cl\u00e1ssicos. Foram escritos por Rui Vaz, um novo compositor. Quanto \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o, prende-se com a inten\u00e7\u00e3o de este disco ter um princ\u00edpio, um meio \u2013 uma pausa para se poder reflectir \u2013 e um fim. Com cabe\u00e7a, tronco e membros definidos, embora n\u00e3o seja um \u201cconcept album\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cO esp\u00edrito da carne\u201d \u00e9 descaradamente comercial, com piscadelas de olho a um certo som na moda, uma mistura dos Madredeus e dos Enigma, com um toque de vozes b\u00falgaras. Uma coisa \u201cmoderna\u00e7a\u201d que contradiz um pouco o resto do \u00e1lbum\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Vai ser o \u201csingle\u201d. \u00c9 o tema que se calhar pode espantar mais. \u00c9 uma salsada que poder\u00e1 ser como que uma s\u00edntese dos outros temas todos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A vers\u00e3o de \u201cSorrow\u2019s child\u201d, de Nick Cave, parece-me bastante pouco conseguida. N\u00e3o estar\u00e1 deslocada num \u00e1lbum que, como diz, pretende reflectir uma certa portucalidade?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi um compromisso que assumi para comigo pr\u00f3prio e para com algumas pessoas. Costum\u00e1vamos ouvir o Nick Cave\u2026 N\u00e3o acho que esteja deslocada. A letra tem uma rela\u00e7\u00e3o, \u201cO filho da tristeza, da amargura\u201d. Poder\u00e1 ser um ep\u00edlogo que se relaciona bem com o tema seguinte, \u201cCansa\u00e7o\u201d, um fado \u201ca capella\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 uma pessoa amargurada?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sou pessimista. Nem triste. Gosto de ac\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas o \u00e1lbum \u00e9 triste.<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 triste. Um reflexo do estado de esp\u00edrito do que me rodeia. Do mundo \u00e0 minha volta. \u00c9 um estado real daquilo que se passa., que n\u00e3o est\u00e1 realmente para grandes festas. N\u00e3o se pensa nas coisas como se deve pensar. Este disco vai ser um alerta. Por isso a ordem \u00e9: amar!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Portanto a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 no amor. N\u00e3o receia que dito desta maneira corre o risco de cair no lugar-comum?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Amar na globalidade. Numa perspectiva universal. Em \u201cPecado I\u201d falo de uma mulher, Claudine, francesa, mecenas da arte, que conheci em Paris. \u00c9 uma mulher que luta por uma forma de amar universal. Neste tema digo \u201ccom certeza que \u00e9 pecado, dizem eles, eu amar desta maneira singular\u201d. Sem especificar mais nada. Eu amo as coisas no seu todo. Acho que uma cebola \u00e9 importante, por exemplo. O meu CD, a cassete-master, dormia sempre com ela. \u00c9 uma forma de amar estranha\u2026<\/p>\n<p><strong>\u201cMorro E Nas\u00e7o Todos Os Dias\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 Em \u201cBaloi\u00e7o\u201d, toda a constru\u00e7\u00e3o r\u00edtmica e mel\u00f3dica e uma frase em particular, \u201cestou farto, o que eu preciso n\u00e3o sei, eu sei l\u00e1, \u00e9 do que h\u00e1-de vir ao Deus dar\u00e1\u201d, lembra de imediato Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es. Uma identifica\u00e7\u00e3o consciente?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A m\u00fasica \u00e9 do Carlos Maria Trindade e a letra minha. Letra cuja rela\u00e7\u00e3o com Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es \u00e9 de certa forma consciente. Escutei e acompanhei a sua obra. O Carlos Maria Trindade tamb\u00e9m produziu um disco do Varia\u00e7\u00f5es. Penso que a cumplicidade ser\u00e1 mais dele.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cPecado II\u201d e \u201cCansa\u00e7o\u201d s\u00e3o os dois \u00fanicos temas que n\u00e3o se afastam em demasia do fado tradicional. Teve receio de uma ruptura definitiva?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Gosto muito de cantar os fados antigos. \u00c0 minha maneira. No caso de \u201cPecado II\u201d, tem um certo esp\u00edrito coimbr\u00e3o, no arrastar das guitarras, nas pausas, na utiliza\u00e7\u00e3o do baixo. De certa forma \u00e9 um fado de Coimbra estilizado. \u201cCansa\u00e7o\u201d \u00e9 um fado tradicional cantado, entre outros, pela Am\u00e1lia. O fado deve ter rasgos, deve ser batido, saltado, rasgado, esquartejado. E ter uma ambi\u00eancia polivalente.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Cansa\u00e7o de qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 As palavras de Lu\u00eds Macedo, que eu gostaria de ter escrito, dizem: \u201cda\u00ed que tudo quanto fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 feito s\u00f3 por mim\u201d. A pessoa est\u00e1 cansada se calhar porque tudo n\u00e3o \u00e9 feito s\u00f3 por ela. N\u00e3o sei.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A generalidade dos arranjos n\u00e3o \u00e9 inocente. \u201cAmai\u201d aposta no mercado internacional?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Totalmente. Apresentei esta m\u00fasica em Paris, num \u201ccaf\u00e9 th\u00e9\u00e2tre\u201d \u201cunderground\u201d por onde j\u00e1 passou por exemplo a Nina Hagen, e a aceita\u00e7\u00e3o foi boa. Com este disco quis mostrar que podia conjugar o fado em diversas perspectiva. Mas n\u00e3o foi nenhum laborat\u00f3rio qu\u00edmico de experi\u00eancias. No terceiro pode ser que v\u00e1 a \u201cAmai\u201d e selecione alguns caminhos. Com menos diversidade e uma postura mais linear.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Quer dizer, com menos exagero? N\u00e3o vai prosseguir o enunciado feito no \u201cEp\u00edlogo\u201d: \u201co exagero \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o daqueles que amam por perdi\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tinha algumas frases que podiam encerrar o disco, pass\u00edveis de v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es. Quando escrevi isso n\u00e3o tive a pretens\u00e3o de ser poeta, de transmitir algo de novo. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 p\u00f4r as pessoas a pensar. A perdi\u00e7\u00e3o \u00e9 o destino. J\u00e1 estou a aceitar de antem\u00e3o que devo amar. Nasce-se para isso. Quanto ao disco \u00e9 de facto exagerado. N\u00e3o um exagero barroco mas da alma. Morro e nas\u00e7o todos os dias e acordo sempre com esse esp\u00edrito. Uma vez escrevi \u201cai se enquanto ao menos eu pudesse de mim sair\u201d. Gosto de sair de mim. N\u00e3o podemos ser livres de n\u00f3s. N\u00e3o quero estar preso a nada.<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o pensou em cantar as palavras de poetas portugueses conhecidos?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Escrevo desde sempre. Em \u201cPecado II\u201d escrevi \u201co pecado reina em mim, fugaz me trespassa a alma, n\u00e3o tenham pena de mim, nela s\u00f3 reina a calma\u201d, tinha 17 anos. N\u00e3o foi posto no primeiro \u00e1lbum porque acharam que eu n\u00e3o podia escrever coisas assim com aquela idade. Gosto de escrever para mim mesmo. Sou um homem de ac\u00e7\u00e3o. Gostava de poder realizar um filme. Preciso \u00e9 de estar a fazer coisas e escrever \u00e9 uma delas. Mas o que eu gostaria mesmo de fazer, se pudesse, era ter um grande est\u00fadio em casa e ficar l\u00e1 sempre a escrever.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>AMAR EM FRENTE AO ESPELHO<\/p>\n<p>PAULO BRAGAN\u00c7A<br \/>\nAmai<br \/>\nEd. Polygram<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca2.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"328\" class=\"alignnone size-full wp-image-12396\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca2.jpg 462w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca2-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/oauloBraganca2-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>In\u00fatil falar de fado, pelo menos se n\u00e3o deitarmos para tr\u00e1s das costas as ideias feitas, a prop\u00f3sito do segundo \u00e1lbum do cantor descal\u00e7o. \u201cAmai\u201d \u00e9 um conjunto de experi\u00eancias cujo eixo passa pela voz de Paulo Bragan\u00e7a e em redor da qual se aglutinam ideias e sons, alguns deles originais, outros a ro\u00e7arem o lugar-comum.<br \/>\nGoste-se ou n\u00e3o da sua atitude \u201cprovocat\u00f3ria\u201d, o que n\u00e3o se pode negar \u00e9 a apet\u00eancia do cantor pelo risco, pelo teste constante das suas possibilidades, tacteando os limites da voz e o significado que tem, ou n\u00e3o tem, estender uma atitude, por ele ainda definida como \u201cde fadista\u201d, a \u00e1reas aparentemente incompat\u00edveis com o fado. H\u00e1 em \u201cAmai\u201d pretens\u00f5es que poder\u00e3o ser tomadas por pretensiosismo.<br \/>\n\u00c9 um \u00e1lbum barroco, florido, que vive dos sentidos que se lhe quiser emprestar. Cl\u00e1ssico a rondar o \u201ckitsch\u201d, como nos tr\u00eas excertos instrumentais \u201cPrel\u00fadio\u201d, \u201cInterl\u00fadio\u201d e \u201cEp\u00edlogo\u201d, ou investigando a capacidade de resist\u00eancia da m\u00fasica tradicional, como em \u201cVox Populis\u201d \u2013 tema digno de um Marc Almond, que vai da inoc\u00eancia do pastor \u00c0 sanguinol\u00eancia do matador -, \u201cAmai\u201d, a cada momento, se por um lado desafia o convencionalismo, por outro n\u00e3o consegue evitar recorrer a certas f\u00f3rmulas de produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o escondem o desejo de um som politicamente correcto e export\u00e1vel.<br \/>\nTemas como \u201cO esp\u00edrito da carne\u201d ou as duas variantes de \u201cFado her\u00f3i\u201d v\u00e3o por onde \u00e9 mais f\u00e1cil, por caminhos abertos por outros, de Rodrigo Le\u00e3o aos Madredeus, isto para fazermos de conta que ningu\u00e9m andou a ouvir Michael Nyman. Tomemos por brincadeira a vers\u00e3o de \u201cSorrow\u2019s Child\u201d de Nick Cave, cantada em ingl\u00eas. Ou como mais uma provoca\u00e7\u00e3o, neste caso n\u00e3o muito bem sucedida. Tais pecados s\u00e3o por\u00e9m compensados pelo modo como Paulo Bragan\u00e7a d\u00e1 um rosto novo a can\u00e7\u00f5es como \u201cAdeus\u201d, dos Her\u00f3is do Mar, ou ilumina o espa\u00e7o deixado vago por Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es em \u201cO baloi\u00e7o\u201d.<br \/>\n\u201cO farol\u201d, outro dos momentos altos de \u201cAmai\u201d, confirma a import\u00e2ncia de Carlos Maria Trindade como produtor e compositor, enquanto em \u201cPecado I\u201d \u00e9 o pr\u00f3prio Paulo Bragan\u00e7a a revelar as suas capacidades de composi\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso esperar at\u00e9 \u201cPecado II\u201d e pela interpreta\u00e7\u00e3o \u201ca capella\u201d de \u201cCansa\u00e7o\u201d \u2013 escurecido pela sombra de Am\u00e1lia \u2013 para o fado se libertar do luxo de roupagens que por vezes lhe ficam demasiado pesadas e transformam a riqueza em ostenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTalvez seja esta, de resto, a perdi\u00e7\u00e3o maior de \u201cAmai\u201d: um gosto pelo excesso que se torna numa faca de dois gumes. Evidentemente, Paulo Bragan\u00e7a, na assun\u00e7\u00e3o desse exagero, tem consci\u00eancia do perigo que corre. Nem todos conseguir\u00e3o engolir a espampan\u00e2ncia nem levar a s\u00e9rio a portugalidade afirmada de forma amb\u00edgua, por vezes perversa, ao longo desta conjuga\u00e7\u00e3o muito pessoal do verbo amar. A Paulo Bragan\u00e7a falta derrotar o mais tem\u00edvel Adamastor \u2013 o narcisismo \u2013 para conquistar o mar. <strong>(7)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 12.10.1994 Paulo Bragan\u00e7a Subverte as Conven\u00e7\u00f5es Em \u201cAmai\u201d \u201cO Fado Deve Ser Batidos, Rasgado, Esquartejado\u201d Fado \u00e9 Portugal. Fado \u00e9 para Paulo Bragan\u00e7a isto, mas tamb\u00e9m um pretexto para afirmar o gosto por muitas outras m\u00fasicas. Portuguesas, mas com os olhos postos al\u00e9m. 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