{"id":12370,"date":"2025-05-29T05:00:29","date_gmt":"2025-05-29T12:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12370"},"modified":"2025-05-29T05:00:29","modified_gmt":"2025-05-29T12:00:29","slug":"varios-miguel-graca-moura-orquestra-metropolitana-de-lisboa-xutos-e-pontapes-diario-de-noticias-festeja-aniversario-com-musica-a-que-vem-a-seguir-e-mais-facil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/29\/varios-miguel-graca-moura-orquestra-metropolitana-de-lisboa-xutos-e-pontapes-diario-de-noticias-festeja-aniversario-com-musica-a-que-vem-a-seguir-e-mais-facil\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios  (Miguel Gra\u00e7a Moura, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Xutos e Pontap\u00e9s) &#8211;  \u201c&#8217;Di\u00e1rio De Not\u00edcias&#8217; Festeja Anivers\u00e1rio Com M\u00fasica &#8211; &#8216;A Que Vem A Seguir \u00c9 Mais F\u00e1cil!'&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira >> 26.09.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u201cDi\u00e1rio De Not\u00edcias\u201d Festeja Anivers\u00e1rio Com M\u00fasica<br \/>\n\u201cA Que Vem A Seguir \u00c9 Mais F\u00e1cil!\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/miguelGracaMoura.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"498\" class=\"alignnone size-full wp-image-12371\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/miguelGracaMoura.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/miguelGracaMoura-300x219.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/miguelGracaMoura-624x456.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/miguelGracaMoura-100x73.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nO jazz, o rock, os ritmos \u00e9tnicos e a m\u00fasica sinf\u00f3nica juntaram for\u00e7as num espect\u00e1culo de \u201cM\u00fasica em festa\u201d em jeito de reconcilia\u00e7\u00e3o. S\u00f3 foi pena as jact\u00e2ncias do maestro. Na noite em que pela primeira vez os \u201cContentores\u201d dos Xutos e Pontap\u00e9s tiveram o brilho de uma orquestra.<\/p>\n<p>\u201cEsta m\u00fasica \u00e9 preciso merec\u00ea-la\u201d, lan\u00e7ou do alto da c\u00e1tedra o maestro Miguel Gra\u00e7a Moura \u00e0 popula\u00e7a, antes de mergulhar no labirinto complexo da \u201cm\u00fasica erudita\u201d, acolitado pela orquestra metropolitana de Lisboa, convicto da menoridade mental dos cerca de sete, oito mil jovens que acorreram na noite de s\u00e1bado ao relvado do Restelo para ouvir em primeiro lugar os Xutos e Pontap\u00e9s.<br \/>\nN\u00e3o poderiam ter come\u00e7ado de pior forma as comemora\u00e7\u00f5es musicais do 130\u00ba anivers\u00e1rio do \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d, subordinados ao tema \u201cM\u00fasica em Festa\u201d. O despropositado das palavras de Gra\u00e7a Moura, que ao longo da noite proferiria outras barbaridades como \u201ctenham calma, a que vem a seguir \u00e9 mais f\u00e1cil\u201d, \u201cSejam civilizados e n\u00e3o aplaudam entre os andamentos\u201d, concluindo com um apelo dram\u00e1tico, \u201cVamos l\u00e1 ver se v\u00e3o curtir agora a 2\u00aa parte de uma maneira mais civilizada\u201d, s\u00e3o pr\u00f3prias de um provincianismo que se escuda no fraque e na batuta e uma trai\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio esp\u00edrito do acontecimento. N\u00e3o ficaria mal ao hoje maestro, que os mais velhos recordam do tempo dos Pop Five Music Incorporated e, mais tarde, dos Smoog (inesquec\u00edvel aquela primeira parte do espect\u00e1culo de B. B. King no Coliseu dos Recreios em Lisboa, em que MGM se embeveceu a tirar sons do vento do seu \u201cmini Moog\u201d acabado de desembrulhar\u2026) aproveitar o exemplo dado por Leonard Bernstein nos seus famosos concertos \u201cpromenade\u201d que a televis\u00e3o portuguesa transmitiu h\u00e1 alguns anos.<br \/>\nMiguel Gra\u00e7a Moura deve lembrar-se. At\u00e9 porque foi precisamente Leonard Bernstein, com as suas dan\u00e7as sinf\u00f3nicas de \u201cWest Side Story\u201d, o primeiro compositor \u2013 \u201cdif\u00edcil\u201d \u2013 a merecer honras de interpreta\u00e7\u00e3o pelo mestre, perd\u00e3o, maestro, portuense. N\u00e3o menos \u201cdif\u00edceis\u201d \u2013 o p\u00fablico sentiu-se ami\u00fade angustiado, incapaz de entender o que via e ouvia, confundido com tanta gente sobre o palco a tocar instrumentos desconhecidos \u2013 foram os \u201cDialogues for Jazz Quartet and Orchestra\u201d, de Howard Brubeck. M\u00e1rio Laginha, solista convidado, fez os poss\u00edveis para n\u00e3o se destacar em demasia do colectivo orquestral e parece ter-se divertido.<br \/>\nA excita\u00e7\u00e3o e os primeiros sons verdadeiramente interessantes ocorreram durante a execu\u00e7\u00e3o de uma obra para percussionistas e orquestra, da autoria de Pedro Os\u00f3rio. O batuque, por um grupo de percuss\u00f5es angolano, e uma concep\u00e7\u00e3o c\u00edclica, intuitiva da m\u00fasica, de um lado, aposta \u00e0 discursividade hist\u00f3rica e ao rigor matem\u00e1tico, do outro, travaram lutas, estabeleceram pontes de di\u00e1logo, entraram pelos t\u00faneis do tempo. Conseguiram o mais dif\u00edcil: uma s\u00edntese e morfologia coerentes rigorosas e ao mesmo tempo deixando transparecer um gozo imenso.<br \/>\n\u201cE pronto\u201d\u201d, suspirou MGM por fim, \u201ca\u00ed vem quem muitos de voc\u00eas estavam \u00e0 espera\u201d. Eram os Xutos, na sua primeira experi\u00eancia sinf\u00f3nica, repetindo o \u201cIn Concert\u201d dos Deep Purple, \u00e0 entrada dos anos 70, com a Royal Philharmonic Orchestra. N\u00e3o deixa de ser curioso e mat\u00e9ria de reflex\u00e3o o facto de serem eles, arautos da revolta juvenil e suburbana do pa\u00eds, a darem esta reviravolta de 180 graus, inflectindo numa vertente que \u00e0 partida parecia estar distante dos seus horizontes. Mais curioso ainda \u00e9 que a coisa resultou. \u201cContentores\u201d, \u201cJogo do empurra\u201d, \u201cPequenina\u201d (com um solo \u201cGilmouriano\u201d de Jo\u00e3o Cabeleira e toda a presta\u00e7\u00e3o dos Xutos a fazer lembrar os Pink Floyd\u2026) e \u201cRemar remar\u201d trouxeram de volta os anos 70 e a ideia, para muitos perigosa, de que o rock liga bem com o sinfonismo. O \u00faltimo tema dos Xutos, \u201cPo\u00e7o da salva\u00e7\u00e3o\u201d foi de apoteose. Miguel Gra\u00e7a Moura, que nesta altura atirara j\u00e1 para as urtigas a pose e a compostura, bamboleou-se de sorriso nos l\u00e1bios, ao ritmo da m\u00fasica, a batuta fremente de emo\u00e7\u00e3o, incapaz de conter a desbunda geral de todos os participantes, entretanto reunidos em palco.<br \/>\nComo se vem tornando h\u00e1bito nestas ocasi\u00f5es, a noite fechou com uma sess\u00e3o de fogo de artif\u00edcio que algu\u00e9m, ao acender inadvertidamente uma torre de ilumina\u00e7\u00e3o, quase ia estragando. Mais. O programa anunciava quinze minutos de fogo quando na realidade durou apenas quatorze! Tem a palavra a Defesa dos Consumidores (DECO). Ao \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d, os nossos parab\u00e9ns!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira >> 26.09.1994 \u201cDi\u00e1rio De Not\u00edcias\u201d Festeja Anivers\u00e1rio Com M\u00fasica \u201cA Que Vem A Seguir \u00c9 Mais F\u00e1cil!\u201d O jazz, o rock, os ritmos \u00e9tnicos e a m\u00fasica sinf\u00f3nica juntaram for\u00e7as num espect\u00e1culo de \u201cM\u00fasica em festa\u201d em jeito de reconcilia\u00e7\u00e3o. S\u00f3 foi pena as jact\u00e2ncias do maestro. 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