{"id":12367,"date":"2025-05-28T06:34:36","date_gmt":"2025-05-28T13:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12367"},"modified":"2025-05-28T06:34:36","modified_gmt":"2025-05-28T13:34:36","slug":"fernando-tordo-fernando-tordo-apresenta-novo-disco-no-centro-cultural-de-belem-nao-e-uma-bofetada-e-um-soco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/28\/fernando-tordo-fernando-tordo-apresenta-novo-disco-no-centro-cultural-de-belem-nao-e-uma-bofetada-e-um-soco\/","title":{"rendered":"Fernando Tordo &#8211; &#8220;Fernando Tordo Apresenta Novo Disco No Centro Cultural De Bel\u00e9m &#8211; \u2018N\u00e3o \u00c9 Uma Bofetada \u00c9 Um Soco!\u2019&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira >> 23.09.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Fernando Tordo Apresenta Novo Disco No Centro Cultural De Bel\u00e9m<br \/>\n\u2018N\u00e3o \u00c9 Uma Bofetada \u00c9 Um Soco!\u2019<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/fernandoTordo.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"482\" class=\"alignnone size-full wp-image-12368\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/fernandoTordo.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/fernandoTordo-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/fernandoTordo-624x442.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/fernandoTordo-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A aposta \u00e9 forte mas Tordo confia que os espect\u00e1culos marcados para este fim-de-semana v\u00e3o servir para quebrar a dist\u00e2ncia que nos \u00faltimos anos se cavou entre si e o p\u00fablico. Marginalizado, diz, pelo sistema, o autor de \u201cTourada\u201d reencontra-se com um dos seus primeiros amores: o jazz. Com ele vai estar no CCB a National Youth Jazz Orchestra, na apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo de \u201cS\u00f3 Ficou O Amor Por Ti\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 revolta nas palavras de Fernando Tordo. De menino-bonito nos anos 70, altura em que chegou a vencer um Festival da Can\u00e7\u00e3o com \u201cTourada\u201d, passou a ser sistematicamente ignorado pelo sistema na d\u00e9cada seguinte, por n\u00e3o abdicar das suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Hoje, considera que foi utilizado e n\u00e3o poupa cr\u00edticas a quem o empurrou para fora do conv\u00edvio com o p\u00fablico. No Centro Cultural de Bel\u00e9m (CCB), s\u00e1bado e domingo, \u00e0s 22h, vai tentar reencontr\u00e1-lo na companhia de jovens m\u00fasicos de jazz londrinos. Com o seu novo disco \u201cS\u00f3 Ficou o Amor por Ti\u201d (ed. Movieplay).<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 De onde vem o seu interesse por cantar acompanhado por uma orquestra?<br \/>\nFERNANDO TORDO \u2013 Em 1984 e 85 gravei com orquestra os discos \u201cAnticiclone\u201d e \u201cA Ilha do Canto\u201d, ambos compostos nos A\u00e7ores, na \u00e9poca em que vivia no Faial. Gravei com o Fran\u00e7ois Robert, o orquestrador de toda a carreira do Jacques Brel. S\u00e3o as \u00faltimas grava\u00e7\u00f5es de um cantor com orquestra de h\u00e1 registo em Portugal.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas o que \u00e9 que o atrai?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 muito importante para a minha m\u00fasica o colectivo. Estar com outra gente, com outros racioc\u00ednios, todos lendo partituras para um mesmo fim. \u00c9 uma vis\u00e3o muito global da m\u00fasica. Aprendi desde mi\u00fado a ouvir grandes orquestras. Ia aos Estados Unidos ouvir o Duke Ellington ou o Count Basie. Enquanto os meus colegas iam para o Algarve engatar umas mi\u00fadas, eu preferia engatar as americanas em Nova-Iorque\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Da\u00ed a sua liga\u00e7\u00e3o com o jazz\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tenho uma profunda liga\u00e7\u00e3o com o jazz atrav\u00e9s de um homem a quem ali\u00e1s, neste disco, dedico uma can\u00e7\u00e3o, \u201cO homem do jazz\u201d, o Lu\u00eds Villas-Boas. Uma pessoa que n\u00e3o me empurrou para lado nenhum, mostrou-me apenas que havia op\u00e7\u00f5es. Quando eu dizia que o Scott Walker \u00e9 que cantava bem ele contrapunha: \u201cMas j\u00e1 ouviu o Frank Sinatra?\u201d Quando isto acontece aos 17 anos, \u00e9 importante, porque a gente depois vai ouvir. A partir a\u00ed fazia o meu investimento, o dinheiro que ganhava nos conjuntos, nos bares e nas festas de finalistas, gastava-o numa viagem e ia com ele para os Estados Unidos ouvir m\u00fasica. Admiro os grandes m\u00fasicos de jazz. Um m\u00fasico de jazz teve que aprender antes tudo o que estava pelo caminho. \u00c9 algu\u00e9m que funciona em n\u00edveis superiores, preparado para tocar todo o tipo de m\u00fasica. Como eles, tamb\u00e9m estou totalmente liberto de preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica que fa\u00e7o. Tem sido sempre assim nos 30 anos que levo de profiss\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como se deu o seu encontro com a National Youth Jazz Orchestra?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 tr\u00eas anos vieram tocar ao Festival de Jazz de Cascais. Pediram ao promotor, o Duarte Mendon\u00e7a, que enviasse uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es portuguesas para brindar o p\u00fablico com um tema instrumental. Escolheram o \u201cAdeus Tristeza\u201d. Fui apresentado ao maestro, com quem falei para a\u00ed uns quinze segundos. \u201cQuando for a Inglaterra, e tal, disponha da orquestra!&#8230;\u201d. T\u00e3o f\u00e1cil quanto isto.<\/p>\n<p><strong>Sobreviver \u00e0 Marginaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 Ap\u00f3s a morte de Ary dos Santos, com quem fez dupla nos anos 70, a sua carreira ao longo da d\u00e9cada seguinte esteve um pouco na sombra\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O primeiro disco \u2013 desde que interrompi o meu trabalho com o Jos\u00e9 Carlos Ary dos Santos \u2013 chama-se \u201cAdeus tristeza\u201d, um \u201cstandard\u201d da m\u00fasica portuguesa, que escrevi por inteiro. Logo a seguir gravei com o Fran\u00e7ois Robert outro disco, o \u201cAnticiclone\u201d, que ganhou todos os pr\u00e9mios \u2013 inclusive o Sete de Ouro \u2013 que havia para receber em Portugal. Meses depois ganhei outra vez com \u201cA Ilha do Canto\u201d. N\u00e3o houve um apagamento mas antes, por raz\u00f5es v\u00e1rias, uma falta de informa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do meu trabalho.<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o h\u00e1 nas suas palavras algum ressentimento?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 inevitavelmente um ressentimento! Toda a d\u00e9cada de 80 foi uma d\u00e9cada negra para a nossa m\u00fasica, com tentativas de fazer cair no esquecimento indiv\u00edduos que j\u00e1 tinham uma obra. Fiz o \u201cCavalo \u00e0 solta\u201d, tinha 19 anos. Era suposto ser uma can\u00e7\u00e3o para se escrever depois dos 50\u2026 Em 1973 ajudei no aban\u00e3o do pa\u00eds, fui \u00e0 televis\u00e3o assumir uma coisa imposs\u00edvel, com a censura, cantar a \u201cTourada\u201d. Mas o que est\u00e1 em causa \u00e9 a exist\u00eancia de algo que tem a ver com o processo pol\u00edtico. Nos anos 80, qualquer indiv\u00edduo que estivesse ligado ao PCP era para a bater e eu estive 18 anos ligado ao partido. Eu, e outros como eu, tivemos que sobreviver \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAbandonei o partido h\u00e1 quatro anos. Reconhe\u00e7o que o facto de ter sido militante me foi prejudicial em termos de carreira. Vinha do per\u00edodo anterior ao 25 de Abril com o estatuto de vedeta, desde 69, quando fui pela primeira vez cantar ao Festival da Can\u00e7\u00e3o, em 71, com o \u201cCavalo \u00e0 solta\u201d. N\u00e3o precisei da pol\u00edtica nem da revolu\u00e7\u00e3o para me afirmar. Mas sinto uma m\u00e1goa grande por ter sido aproveitado desmedidamente, estupidamente. De ter servido de trampolim, enquanto vedeta, a alguns indiv\u00edduos da pol\u00edtica.<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o deixa de ser curioso que v\u00e1 cantar ao CCB, uma sala do regime\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Mas n\u00e3o lhes fico a dever nada porque pago o aluguer! N\u00e3o pedi nada ao secret\u00e1rio de Estado. Nem ao CCB. Vou l\u00e1 porque a sala \u00e9 muito boa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 uma bofetada com luva branca?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o \u00e9 uma bofetada, \u00e9 um soco! Vou ao CCB pagar o aluguer que qualquer grande empreendimento americano, ingl\u00eas ou alem\u00e3o, com uma orquestra, paga. Nasci h\u00e1 46 anos, ajudei a pagar o CCB, tamb\u00e9m pago impostos\u2026 A produ\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo \u00e9 minha. Procurei, em v\u00e3o, patroc\u00ednios\u2026 O banco, o meu banco, de que sou cliente, patrocina no mesmo dia do meu primeiro espect\u00e1culo outro no Est\u00e1dio do Restelo! Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sala h\u00e1 coisas surpreendentes. Acredita que uma sala com aquele prest\u00edgio n\u00e3o tem som? Que se paga um aluguer de 600 contos por dia e n\u00e3o tem som? Pago o aluguer da sala e ainda vou ter que pagar o aluguer do som! N\u00e3o sonhava que isto fosse poss\u00edvel!<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que est\u00e1 em jogo nestes espect\u00e1culos?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Mais uma vez na minha carreira vou pelo caminho das pedras. \u00c9 a primeir\u00edssima vez que um cantor portugu\u00eas traz uma orquestra. H\u00e1 um risco mas tamb\u00e9m a necessidade absoluta de fazer isto. Quero desbloquear a cabe\u00e7a das pessoas, unindo v\u00e1rias linguagens e culturas. O que me proponho \u00e9 juntar uma orquestra que ainda por cima \u00e9 de jazz (na primeira parte v\u00e3o tocar a m\u00fasica deles) com uma m\u00fasica, a minha, que \u00e9 totalmente portuguesa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Ser\u00e1 uma tentativa de procura do \u201ctempo perdido\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Em \u201cAdeus tristeza\u201d escrevi: \u201cNa minha vida tive palmas e fracassos, fui amargura feita notas e compassos, aconteceu-me estar no palco, atr\u00e1s do pano, tive a promessa de um contrato por uma ano\u2026\u201d O que gostava \u00e9 que estes espect\u00e1culos fossem um reflexo de tudo o que tenho feito. E dizer: isto tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel fazer para n\u00e3o me deixar sufocar por este ambiente que estrangula o pa\u00eds. Sinto uma necessidade profunda de comunica\u00e7\u00e3o, de partilha com o p\u00fablico. \u00c9 doloroso quando h\u00e1 factores exteriores que impedem isso violentamente durante anos a fio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira >> 23.09.1994 Fernando Tordo Apresenta Novo Disco No Centro Cultural De Bel\u00e9m \u2018N\u00e3o \u00c9 Uma Bofetada \u00c9 Um Soco!\u2019 A aposta \u00e9 forte mas Tordo confia que os espect\u00e1culos marcados para este fim-de-semana v\u00e3o servir para quebrar a dist\u00e2ncia que nos \u00faltimos anos se cavou entre si e o p\u00fablico. 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