{"id":12363,"date":"2025-05-27T01:46:26","date_gmt":"2025-05-27T08:46:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12363"},"modified":"2025-05-27T01:46:26","modified_gmt":"2025-05-27T08:46:26","slug":"juan-manuel-serrat-juan-manuel-serrat-promove-novo-disco-em-portugal-coloco-me-no-lugar-proibido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/27\/juan-manuel-serrat-juan-manuel-serrat-promove-novo-disco-em-portugal-coloco-me-no-lugar-proibido\/","title":{"rendered":"Juan Manuel Serrat &#8211; &#8220;Juan Manuel Serrat Promove Novo Disco Em Portugal &#8211; &#8216;Coloco-me No Lugar Proibido'&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 20.09.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Juan Manuel Serrat Promove Novo Disco Em Portugal<br \/>\n\u201cColoco-me No Lugar Proibido\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/juanManuelSerrat.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"484\" class=\"alignnone size-full wp-image-12364\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/juanManuelSerrat.jpg 683w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/juanManuelSerrat-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/juanManuelSerrat-624x442.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/juanManuelSerrat-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A vinda de Juan Manuel Serrat a Portugal reata uma rela\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 longos anos interrompida. O cantor catal\u00e3o criador nos anos 60 da \u201cnova can\u00e7o\u201d, de resist\u00eancia \u00e0 ditadura franquista, falou do seu novo disco, \u201cNada es Perfecto\u201d, do amor, dos poetas e da anarquia. E de como mesmo a um viajante infatig\u00e1vel como ele sabe bem por vezes descansar \u00e0 sombra da figueira.<\/strong><\/p>\n<p>Define-se como um anarquista e um rom\u00e2ntico. Mas tem o cuidado de explicar o significado das palavras. Nos anos 60, criou o n\u00facleo \u201cEls Setze Jutges\u201d, impulsionador do movimento da \u201cNova can\u00e7o\u201d que nos anos 60 agitou a can\u00e7\u00e3o na Catalunha. A ditadura chegou a impedi-lo de cantar em catal\u00e3o uma can\u00e7\u00e3o festivaleira. Hoje, como ontem, Juan Manuel Serrat continua a sonhar com a utopia. E a ser do contra. \u00c9 espanhol quando querem que ele seja catal\u00e3o. \u00c9 catal\u00e3o quando lhe pedem que seja espanhol.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Esta sua vinda a Portugal significa algo mais que uma simples visita promocional?<\/strong><br \/>\nJuan Manuel Serrat \u2013 Estou aqui sobretudo para promover uma rela\u00e7\u00e3o com Portugal que nos \u00faltimos anos praticamente n\u00e3o existiu. A \u00faltima vez que estive c\u00e1 foi h\u00e1 treze anos para fazer um programa de televis\u00e3o. Cantar ao vivo, h\u00e1 mais de vinte anos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como explica uma aus\u00eancia t\u00e3o longa?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Pela rela\u00e7\u00e3o terr\u00edvel que existe, ou melhor, n\u00e3o existe entre Portugal e Espanha. Uma coisa incompreens\u00edvel, entre gente com tantas coisas em comum. Com tanta Hist\u00f3ria compartilhada. Tantas experi\u00eancias recentes parecidas. Esfor\u00e7o-me por aproximar-me dos portugueses. Considero o facto de n\u00e3o tocar em Lisboa, no Porto, em Coimbra ou em Set\u00fabal t\u00e3o grave como se n\u00e3o tocasse em Val\u00eancia, em Bilbau ou em Sevilha.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Nos \u00faltimos tempos t\u00eam vindo a Portugal sobretudo artistas do Sul, da Andaluzia\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Talvez por causa da facilidade de comunica\u00e7\u00e3o do eixo Sevilha-Badajoz-Portugal. Mas porque n\u00e3o via Salamanca, ou Galiza? N\u00e3o sei\u2026 Estou um bocado mais longe, em Barcelona\u2026 Mas o catal\u00e3o e o portugu\u00eas s\u00e3o duas l\u00ednguas muito parecidas. Ao fim e ao cabo s\u00e3o as duas latim mal falado.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Considera-se em primeiro lugar um espanhol ou um catal\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tenho passaporte espanhol e sinto-me catal\u00e3o. Se me perguntar o que \u00e9 que sinto com mais for\u00e7a, respondo que \u00e9 aquilo que n\u00e3o me deixam sentir. Quando me impedem de ser alguma das duas coisas, automaticamente coloco-me no lado proibido. S o estado espanhol me proibisse de ser catal\u00e3o, eu seria um catal\u00e3o radical. Se os meus conterr\u00e2neos me proibissem de ser espanhol, desde logo ficaria solid\u00e1rio com o resto dos povos de Espanha.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em 1975, no M\u00e9xico, proferiu algumas declara\u00e7\u00f5es contra Franco. Depois, com o fim da ditadura, de regresso a Espanha, o seu discurso tornou-se bem mais pac\u00edfico\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A partir desse momento entrei num pa\u00eds que acabara de recuperar a liberdade. O pa\u00eds mudou, eu n\u00e3o tive necessidade. Como em 1968, quando fui for\u00e7ado a retirar-me do Festival da Eurovis\u00e3o [com o tema \u201cLa la la\u201d], porque me proibiram de cantar em catal\u00e3o. T\u00e3o pouco h\u00e1 hoje os mesmos problemas que existiam em Espanha nos anos 70 e que obrigavam os artistas a sair de Espanha para poder trabalhar. Nessa \u00e9poca fiz parte do grupo que se encerrou em Montserrat, como forma de protesto contra as condena\u00e7\u00f5es \u00e0 morte de militantes pol\u00edticos no chamado \u201cprocesso de Burgos\u201d. Entretanto a pena de morte foi abolida em Espanha. Tamb\u00e9m deixou de fazer sentido o ex\u00edlio, como aconteceu comigo em 1975. Felizmente para mim o ditador caiu nesse mesmo ano, e a ditadura no ano seguinte.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A mudan\u00e7a de regime implicou uma viragem na sua carreira? Era mais f\u00e1cil quando o inimigo era bem definido?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Jamais estarei de acordo com aqueles que pensam que \u00e9 preciso cortar a m\u00e3o para se perceber o que \u00e9 ser maneta. Prefiro ter as duas m\u00e3os. A repress\u00e3o s\u00f3 cria mais repress\u00e3o, \u00f3dio, hist\u00f3rias porcas. N\u00e3o acredito que a repress\u00e3o seja uma fonte de criatividade. A liberdade, sim. Mas \u00e9 verdade que estes tempos de liberdade coincidem com a falta de solidariedade, a intoler\u00e2ncia e a falta de respeito. A liberdade em que nos movemos \u00e9 uma liberdade intolerante. Talvez por ser ainda uma liberdade jovem.<br \/>\n<strong>P. \u2013 No seu novo disco \u201cNadie es Perfecto\u201d [edi\u00e7\u00e3o BMG] h\u00e1 v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es que falam de amor de uma maneira muito especial\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 quatro. Uma delas, \u201cPor dignidade\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de um cornudo que aceita ser cornudo para defender o seu amor. N\u00e3o \u00e9 costume escrever-se can\u00e7\u00f5es deste tipo na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Normalmente n\u00e3o vendem\u2026 Outra \u00e9 o retrato de desamor [\u201cDesamor\u201d]. Outra, \u201cMensages de amor de curso legal\u201d, fala da import\u00e2ncia do dinheiro numa rela\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 ainda \u201cEntre un hola y un adeus\u201d. Em todas elas o amor \u00e9 encarado de um ponto de vista diferente do habitual.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que motivos o levaram a gravar can\u00e7\u00f5es em Buenos Aires e no Rio de Janeiro?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Quis utilizar um \u201cbandoneon\u201d em dois temas, \u201cBenito\u201d e \u201cHistoria de vampiros\u201d, por isso fui a Buenos Aires. Se quisesse gravar uma guitarra portuguesa viria a Lisboa\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Num dos sues discos antigos, \u201cCan\u00e7ons Traditionals\u201d, recuperou a tradi\u00e7\u00e3o catal\u00e3. Po que raz\u00e3o n\u00e3o voltou a repetir a experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Nasci em Barcelona. Funciono e vivo plenamente a minha cidade. Tudo o que \u00e9 poss\u00edvel fazer hoje em dia \u00e9 recuperar a mem\u00f3ria da cidade como era h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. A m\u00fasica tradicional \u00e9 cantada hoje de forma \u201caned\u00f3tica\u201d. N\u00e3o tem nada a ver com o velho cantor que toda a vida cantou can\u00e7\u00f5es tradicionais. No caso desse disco, foi gravado em 1967, em plena ditadura. Nessa altura est\u00e1vamos todos preocupados em recuperar um tipo de can\u00e7\u00e3o que tinha sido condenada ao ostracismo pelo Governo central do general Franco. A cultura catal\u00e3 era desprezada, como se fosse inexistente. Uma das maneiras de lutar contra isso foi fazer este disco. De h\u00e1 quinze anos a esta parte venho-me dedicando a um trabalho que n\u00e3o sei se acabarei alguma vez e que poderia intitular-se \u201cA Hist\u00f3ria est\u00e1 contada\u201d. \u00c9 uma hist\u00f3ria com in\u00edcio nos s\u00e9culos X, XI e a m\u00fasica dos trovadores e dos jograis. Uma hist\u00f3ria que desde ent\u00e3o vem contando a hist\u00f3ria de um povo. \u00c9 um trabalho total. Como voltar ao col\u00e9gio e estudar tudo outra vez.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Tem o gosto pelas palavras dos poetas\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Pretendo n\u00e3o tanto divulgar a palavra dos poetas, seria demasiado ambicioso, mas divulgar o nome dos poetas. As palavras dos poetas t\u00eam a sua poesia pr\u00f3pria. Est\u00e3o nos livros, n\u00e3o est\u00e3o nas can\u00e7\u00f5es que eu possa cantar. H\u00e1 pessoas que dizem que conhecem Antonio Machado porque ouviram um disco em que cantei poemas dele. \u00c9 a mesma coisa que pretender conhecer um filme apenas por ter visto a apresenta\u00e7\u00e3o. Limito-me a pegar em textos j\u00e1 escritos que correspondem a coisas que eu pr\u00f3prio penso.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como se processou a sua rela\u00e7\u00e3o com o movimento da \u201cNova can\u00e7o\u201d catal\u00e3 dos anos 60? Foi ou n\u00e3o conflituosa?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Fiz parte do n\u00facleo fundador da \u201cNova can\u00e7o\u201d, chamado \u201cEls Setze Jutges\u201d. Eu era o \u201cjutge\u201d n\u00famero tr\u00eas. Se n\u00e3o tivesse existido uma ditadura nunca teria existido um fen\u00f3meno como aquele. Claro que, com o desaparecimento da ditadura, desapareceu o movimento. Tamb\u00e9m por desgaste, porque os seus elementos sofreram uma esp\u00e9cie de selec\u00e7\u00e3o natural. Houve aqueles que passaram a ter um emprego e outros que continuaram como m\u00fasicos profissionais. Os movimento existem para nascer, funcionar, crescer e desaparecer. Tudo o que se perpetua acaba por se tornar uma merda. Foi o que aconteceu com a \u201cnova can\u00e7\u00e3o\u201d, de resto um r\u00f3tulo curioso, porque de nova tinha pouco, era antes uma via de recupera\u00e7\u00e3o. A consequ\u00eancia negativa da morte do ditador, com a chegada da liberdade, foi o triunfo na Catalunha de um Governo de centro-direita que n\u00e3o tinha muito interesse em que a can\u00e7\u00e3o catal\u00e3 funcionasse. Entre todos os elementos importantes da \u201cnova can\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o havia nenhum que fosse simpatizante do grupo pol\u00edtico fiel ao Governo, o que produziu um grave retrocesso intelectual. Apenas pod\u00edamos sobreviver. E os que sobreviveram s\u00e3o poucos: Maria del Mar Bonnet, Lu\u00eds Llach e eu. Alguns passaram mal. Como Ramon, no in\u00edcio o mais importante de todos, que passou anos dif\u00edceis.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Define-se como um anarquista?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A anarquia, o socialismo libert\u00e1rio \u00e9 um dos posicionamentos ideol\u00f3gicos mais l\u00edmpidos que conhe\u00e7o. Reconhe\u00e7o que \u00e9 de dif\u00edcil aplica\u00e7\u00e3o no mundo em que vivemos. Mas como sistema te\u00f3rico-pol\u00edtico permite aprender muito. Creio que a utopia \u00e9 o \u00fanico caminho que permite aos homens avan\u00e7arem. A utopia n\u00e3o \u00e9 um lugar para se chegar. \u00c9 um caminho. Como um farol a indicar o caminho a seguir.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Nunca teve receio, em termos art\u00edsticos, de estagnar, de se contentar com o que j\u00e1 conquistou?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Claro que sinto essa tenta\u00e7\u00e3o. E \u00e0s vezes sento-me. Mas quando me sento aborre\u00e7o-me muito. Sinto-me pior, como se estivesse morto. E descubro que \u00e9 melhor continuar a caminhar. Mas tamb\u00e9m \u00e9 bom sentarmo-nos de vez em quando \u00e0 sombra da figueira a saborear os figos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 um rom\u00e2ntico?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 preciso ter cuidado com o significado pejorativo do termo. Sou rom\u00e2ntico \u00e0 maneira de Larra [Mariano Jos\u00e9 de, 1809\/1837], um escritor espanhol que se suicidou. N\u00e3o sou rom\u00e2ntico como nas telenovelas. Sou um rom\u00e2ntico como Larra, que cr\u00ea no homem, no humanismo, na luz, no individualismo e na solidariedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 20.09.1994 Juan Manuel Serrat Promove Novo Disco Em Portugal \u201cColoco-me No Lugar Proibido\u201d A vinda de Juan Manuel Serrat a Portugal reata uma rela\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 longos anos interrompida. 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