{"id":12360,"date":"2025-05-26T07:42:40","date_gmt":"2025-05-26T14:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12360"},"modified":"2025-05-26T07:42:40","modified_gmt":"2025-05-26T14:42:40","slug":"isabel-leal-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/26\/isabel-leal-em-publico\/","title":{"rendered":"Isabel  Leal &#8211; &#8220;EM P\u00daBLICO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 14.09.1994<br \/>\n<strong>EM P\u00daBLICO<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ISABEL LEAL *<\/strong><br\/<<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/isabelLeal.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"825\" class=\"alignnone size-full wp-image-12361\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/isabelLeal.jpg 678w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/isabelLeal-247x300.jpg 247w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/isabelLeal-624x759.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/isabelLeal-82x100.jpg 82w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Conte-nos o seu percurso musical antes de entrar para os Jig.<\/strong><br \/>\nTalvez aos 15 anos, n\u00e3o sei bem, comecei a cantar em p\u00fablico, j\u00e1 integrada num grupo. Foi uma \u00e9poca agitada, logo ap\u00f3s 74. Juntamente com as chamadas m\u00fasicas de interven\u00e7\u00e3o, aparecia o interesse pela m\u00fasica tradicional portuguesa. Mais tarde fiz parte do grupo Vai de Roda, at\u00e9 ao aparecimento dos Jig. Nessa altura tive de escolher e escolhi o Jig. Ao mesmo tempo, e sem grandes compromissos, apenas pelo prazer que me dava, tocava guitarra e cantava em caf\u00e9s-concerto e em bares, percorrendo o mundo das can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica tradicional? \u00c9 o g\u00e9nero no qual se sente mais \u00e0 vontade a cantar ou apenas o faz por obriga\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o do grupo?<\/strong><br \/>\nDesde pequena que a m\u00fasica tradicional \u00e9 algo que est\u00e1 presente nas festas, nas viagens\u2026 Cantava-se muto em fam\u00edlia e com os amigos. A m\u00fasica tradicional tem for\u00e7a e por alguma raz\u00e3o resiste atrav\u00e9s dos anos. Muda de roupa mas est\u00e1 sempre l\u00e1. Nunca a cantei por imposi\u00e7\u00e3o do grupo. Foi uma escolha e uma inspira\u00e7\u00e3o para outros voos mais originais.<\/p>\n<p><strong>Em particular, que la\u00e7os existem, se \u00e9 que existem, entre si e a m\u00fasica tradicional irlandesa?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil explicar uma paix\u00e3o. Foi o que aconteceu quando ouvi pela primeira vez o som da Irlanda. Apaixonei-me. Quando fui com o Vai de Roda numa minidigress\u00e3o ao Canad\u00e1, toc\u00e1mos com v\u00e1rios grupos de m\u00fasica tradicional celta, nomeadamente os Reel Union, com a Dolores Keane e o marido, John Faulkner, que andaram sempre em digress\u00e3o connosco, al\u00e9m de um grupo sueco cujo nome n\u00e3o me recordo e grupos canadianos. Fomos bastante influenciados sobretudo pelos Reel Union. Gerou-se um conv\u00edvio, conhecemo-nos, cant\u00e1vamos juntos\u2026<\/p>\n<p><strong>Uma imagem da Irlanda m\u00edtica dos seus sonhos\u2026<\/strong><br \/>\nUma floresta, com fadas ruivas que dan\u00e7am no ar ao som de uma harpa. \u00c0 noite, claro, junto de um lago iluminado por pirilampos.<\/p>\n<p><strong>Como explica o entusiasmo que a juventude portuguesa reage \u00e0 m\u00fasica irlandesa e, em particular, aos espect\u00e1culos dos Jig?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica irlandesa acho que ningu\u00e9m resiste. Tanto nos faz sonhar como nos desperta para a dan\u00e7a. O p\u00fablico jovem, e n\u00e3o s\u00f3, adere com entusiasmo aos espect\u00e1culos dos Jig porque conseguimos reunir os melhores ingredientes, ou seja, algumas das m\u00fasicas mais significativas e populares. Pode estar-se apenas confortavelmente a ouvir ou, ent\u00e3o, alegremente a dan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Que sentido faz uma banda portuguesa (os Jig, ou qualquer outra) dedicar-se \u00e0 m\u00fasica de uma tradi\u00e7\u00e3o estrangeira?<\/strong><br \/>\nNeste momento n\u00e3o faz muito sentido, sobretudo m\u00fasica irlandesa. H\u00e1 oito anos, quando o Jig apareceu, a palavra \u201ccelta\u201d aparecia apenas na Hist\u00f3ria, distante da m\u00fasica. Hoje, temos c\u00e1, ao vivo, os melhores grupos de m\u00fasica celta. Os irlandeses sempre compartilharam as suas viv\u00eancias musicais com outros povos, estou a lembrar-me dos Chieftains, por exemplo, na China e na Galiza. Mas se o Jig quer compartilhar, tem de ter por seu lado algo que lhe perten\u00e7a. \u00c9 um dos motivos ali\u00e1s porque o Jig tem estado mais ou menos parado. N\u00e3o sei at\u00e9 se est\u00e1 parado ou se acabou (risos), precisamente porque ach\u00e1mos que deixou de fazer sentido tocar s\u00f3 m\u00fasica irlandesa. Temos j\u00e1 alguns temas em portugu\u00eas, falta saber se h\u00e1 garra suficiente para pegar neles e andar para a frente.<\/p>\n<p><strong>Nos Jig, procura imitar, na medida do poss\u00edvel, as t\u00e9cnicas tradicionais de canto irland\u00eas, ou, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1-se nas tintas e procura antes adaptar essa m\u00fasica (a irlandesa) a um estilo pessoal de interpreta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me estou nas tintas! Mas \u00e9 verdade que n\u00e3o penso muito, quando canto, em determinadas formas de cantar para depois escolher uma. \u00c9 intuitivo. Mas houve pessoas irlandesas que nos ouviram e acharam que havia muito em comum. \u00c0s vezes at\u00e9 pensavam que eu era irlandesa. N\u00e3o era for\u00e7ado, devia ser por causa do sotaque que eu \u00e0s vezes exagerava. Era como me soava bem e era assim que sa\u00eda.<\/p>\n<p><strong>Dos quatro instrumentos paradigm\u00e1ticos da m\u00fasica tradicional irlandesa, cada um corresponde a um dos quatro elementos, com qual sente maiores afinidades: \u201cTin whistle\u201d (ar), rabeca \/ \u201cfiddle\u201d (fogo), \u201cuillean pipes\u201d (terra), harpa (\u00e1gua)? Justifique e divague \u00e0 vontade.<\/strong><br \/>\nHarpa, para que a voz possa navegar livremente. No entanto, todos os outros elementos s\u00e3o bem-vindos, desde que n\u00e3o asfixiem, queimem ou enterrem.<\/p>\n<p><strong>Admitindo que passava a cantar s\u00f3 em portugu\u00eas, que poetas escolheria para cantar? O que encontra em cada um deles?<\/strong><br \/>\nEscolhia os poetas m\u00fasicos, como Zeca Afonso ou S\u00e9rgio Godinho. Em cada um deles encontro-me muitas vezes. Quando escrevem \u00e9 j\u00e1 com a fun\u00e7\u00e3o de musicarem. Ou o contr\u00e1rio, no caso do S\u00e9rgio Godinho, que, segundo creio, escreve depois. Esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para uma can\u00e7\u00e3o. Podes pegar num poema do Fernando Pessoa que seja lind\u00edssimo, mas acaba por ser dif\u00edcil pegar nele e conseguir uma certa unidade. Os poemas mais bonitos se calhar j\u00e1 est\u00e3o musicados. Andei uns tempos a ler imensos livros de poesia em casa, at\u00e9 de Cam\u00f5es \u2013 Cam\u00f5es j\u00e1 \u00e9 mais f\u00e1cil\u2026 &#8211; e custava-me imenso encontrar poemas que n\u00e3o estivessem j\u00e1 musicados e eu pudesse cantar. Ou seja, que aquilo que os poetas dizem pudesse ser eu a dizer.<\/p>\n<p><strong>Escolha para si um caminho musical fora dos Jig. Como gostaria que fosse? Onde quereria ou gostaria de chegar?<\/strong><br \/>\nNunca defini as minhas ambi\u00e7\u00f5es. Fui-me envolvendo com a m\u00fasica e vou continuando enquanto gostar de ouvir a minha voz. Agora mais do que nunca, depois dos Madredeus, cantar em portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 uma barreira. Gostava de seguir o meu caminho. Sem destino. \u00c9 verdade que houve alturas em que j\u00e1 estive mais convencida de que a m\u00fasica era mesmo o que eu queria. Fa\u00e7o muitas outras coisas, dar aulas por exemplo, que me tiram tempo e disponibilidade, mesmo mental. Sobretudo em tempo de aulas fico muito absorvida. Falta acrescentar que mesmo nas aulas que dou, no ensino prim\u00e1rio, ensino muitas coisas atrav\u00e9s de can\u00e7\u00f5es que gravo e levo para as aulas. Aproveito sempre o facto de cantar.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m desse aspecto, \u00e9-lhe ent\u00e3o dif\u00edcil conciliar a sua actividade enquanto professora com a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco complicado e, por vezes, tenho que optar. Quando isso acontece, a m\u00fasica fica para segundo plano. Preciso urgentemente de tempo.<\/p>\n<p>Vai ou n\u00e3o aparecer um segundo disco dos Jig?<br \/>\nN\u00e3o sei se vai aparecer, nem sei mesmo, como j\u00e1 disse, se o Jig ainda existe. No entanto, a vontade de criar n\u00e3o se perdeu e, quem sabe, a qualquer momento estamos de novo a\u00ed.<br \/>\n<strong>* vocalista dos Jig.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 14.09.1994 EM P\u00daBLICO ISABEL LEAL *<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1069,722,3124,1070,179,28,229,24,68],"tags":[2757,2389],"class_list":["post-12360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1994","category-celtica","category-em-publico","category-entrevistas-1994","category-etno","category-folk","category-mpp","category-portugueses","category-world","tag-isabel-leal","tag-jig"],"views":191,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12360"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12362,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12360\/revisions\/12362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}