{"id":12322,"date":"2025-05-19T04:09:03","date_gmt":"2025-05-19T11:09:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12322"},"modified":"2025-05-19T04:09:03","modified_gmt":"2025-05-19T11:09:03","slug":"festa-do-avante-festa-do-avante-terminou-domingo-na-atalaia-jose-afonso-nao-foi-avante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/19\/festa-do-avante-festa-do-avante-terminou-domingo-na-atalaia-jose-afonso-nao-foi-avante\/","title":{"rendered":"Festa Do \u201cAvante!\u201d &#8211; &#8220;Festa Do &#8216;Avante!&#8217; Terminou Domingo, Na Atalaia &#8211; Jos\u00e9 Afonso N\u00e3o Foi Avante&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 06.09.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Festa Do \u201cAvante!\u201d Terminou Domingo, Na Atalaia<br \/>\nJos\u00e9 Afonso N\u00e3o Foi Avante<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/s\u00e9timalegiao.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"327\" class=\"alignnone size-full wp-image-12323\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/s\u00e9timalegiao.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/s\u00e9timalegiao-300x144.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/s\u00e9timalegiao-624x300.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/s\u00e9timalegiao-100x48.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nM\u00fasica at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, a confus\u00e3o do costume, este ano suavizada por melhores infra-estruturas, uma enorme desilus\u00e3o, dos Band of Hope, e Zeca Afonso cortado, marcaram a XVIII edi\u00e7\u00e3o da Festa do \u201cAvante!\u201d. Ningu\u00e9m se importou muito com isso, at\u00e9 porque o principal objectivo continua a ser, custe o que custar, a divers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 ponto assente que ningu\u00e9m, ou quase ningu\u00e9m, vai \u00e0 Festa do \u201cAvante!\u201d para ouvir m\u00fasica. O objectivo \u00e9 acima de tudo \u201ccurtir\u201d. Na festa do jornal do partido comunista, \u201ccurtir\u201d abrange um leque de actividades t\u00e3o vasto como dormir durante todo o tempo em que decorre um concerto, fazer mel (car\u00edcias de \u00edndole sexual) com o(a) parceiro(a) e fumar e beber exageradamente, entre outras. Continua \u201cin\u201d andar cambaleante, segurando uma lata de cerveja, com o olhar ausente e a voz arrastada e falar ao amigo(a) nesse estado, como quem diz: \u201cEstou na maior!\u201d<br \/>\nEste ano a novidade, j\u00e1 ensaiada noutras ocasi\u00f5es, foi, durante as actua\u00e7\u00f5es no palco maior, \u201c25 de Abril\u201d, lan\u00e7ar garrafas de \u00e1gua, vazias ou cheias, furiosa e indiscriminadamente em todas as direc\u00e7\u00f5es, criando, dentro do seu estilo, uma bela e curiosa coreografia inserida na chamada est\u00e9tica do caos.<\/p>\n<p><strong>Sem Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Depois de, na sexta-feira, Carlos do Carmo ter atra\u00eddo \u00e0 quinta da Atalaia um p\u00fablico mais calmo e mais velho para ouvir os fados e can\u00e7\u00f5es deste velho resistente da can\u00e7\u00e3o nacional, a festa entrou s\u00e1bado no ritmo normal, com o recinto invadido por muitos milhares de pessoas que, ano ap\u00f3s ano, v\u00eam atra\u00eddas pela ideologia, pelo espect\u00e1culo ou simplesmente para se misturar na multid\u00e3o e se divertir da melhor maneira poss\u00edvel.<br \/>\nM\u00fasicas houve, como de costume, n\u00e3o de todos os g\u00e9neros nem para todos os gostos mas ainda assim em quantidade suficiente para satisfazer diversas camadas de p\u00fablico. Dos nomes grandes em cartaz, o \u00eaxito maior pertenceu a Johnny Clegg com os Savuka, que fecharam a noite de s\u00e1bado. Um ritmo impar\u00e1vel, can\u00e7\u00f5es por vezes pr\u00f3ximas do estilo de Paul Simon e movimenta\u00e7\u00f5es de palco esfuziantes, aliadas a uma t\u00f3nica interventiva, com alus\u00f5es a Nelson Mandela ou \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em Mo\u00e7ambique, trouxeram sonoridades quentes e algum exotismo (presente nomeadamente na concertina \u201czulu\u201d que Clegg tocou por diversas ocasi\u00f5es) pelo branco mais negro da \u00c1frica do Sul. Os cubanos Guajira Habanera, ao contr\u00e1rio do que estava anunciado, n\u00e3o actuaram, sendo substitu\u00eddos pelo grupo da sua compatriota e cantora Omara Portuondo, sem deslumbramento. C\u00e2ndido Mota, o apresentador, ainda tentou politizar, incentivando a mole humana a gritar o slogan \u201cCuba sim, bloqueio n\u00e3o!\u201d, mas al\u00e9m da resposta n\u00e3o ser animadora ainda teve a agravante daquela jovem que gritou l\u00e1 de tr\u00e1s: \u201cE viva Salazar!\u201d<br \/>\nDomingo, no palco 1\u00ba de Maio, os Hollmes Brothers dispararam sobre uma assist\u00eancia entusi\u00e1stica, amontoada sob uma gigantesca tenda de circo, doses maci\u00e7as de energia, com os seus \u201cblues\u201d e \u201cgospels\u201d el\u00e9ctricos que mais n\u00e3o necessitaram para se fazer entender do que uma guitarra, um baixo e uma bateria que acreditam e vivem em absoluto o que t\u00eam para dizer. O mesmo n\u00e3o aconteceu com os Band of Hope, uma superbanda de folk inglesa \u201cdo melhorio\u201d, nas palavras de C\u00e2ndido Mota, que chegou atrasada e aproveitou o primeiro tema para fazer o ensaio de som. Som que esteve p\u00e9ssimo do princ\u00edpio ao fim e nunca permitiu escutar em condi\u00e7\u00f5es o virtuosismo instrumental de Dave Swarbrick, no violino e bandolim, Martin Carthy, guitarra (mal se ouviu) e voz, e John Kirkpatrick, acorde\u00e3o e concertina, tr\u00eas monstros sagrados da m\u00fasica tradicional brit\u00e2nica, coadjuvados pelas cordas, percuss\u00f5es e as \u201cuillean pipes\u201d irlandesas de Stefan Hanninggan, que deste modo passaram por Portugal perante a indiferen\u00e7a e algum fastio de parte do p\u00fablico para quem a \u201cfolk\u201d continua a ser sin\u00f3nimo de copos e desbunda.<br \/>\nA m\u00fasica, na maioria constitu\u00edda por baladas \u2013 cantadas de forma superior por Roy Bailey, outro nome importante da folk inglesa, e um dos mais empenhados na cr\u00edtica social e pol\u00edtica do seu pa\u00eds, conhecido em Portugal sobretudo pelo seu trabalho em duo com Leon Rosselson \u2013 narrando situa\u00e7\u00f5es e personagens da hist\u00f3ria recente da Inglaterra (o desemprego, o problema da habita\u00e7\u00e3o, etc.) obteve fraca receptividade da assist\u00eancia que aos poucos se foi desmobilizando e abandonando o recinto. Desilus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Zeca Fica Para Depois<\/strong><\/p>\n<p>Do lado nacional, as v\u00e1rias bandas que escut\u00e1mos, na generalidade cumpriram. Laurent Filipe e os seus Sons de Mundo iluminaram a noite de sexta com o seu etno-jazz picante, bem musculado de sopros e percuss\u00f5es. Os Meninos da Av\u00f3 gozaram \u00e0 farta numa volta musical a Portugal, que meteu vozes foleiras, o \u201cSobe sobe bal\u00e3o sobe\u201d de Manuela Bravo e a \u201cMula da cooperativa\u201d de Max. Os Peste &#038; Sida arrasaram com o seu rock &#038; roll \u00e0 beira de um ataque de nervos, sempre em velocidade m\u00e1xima com passagem obrigat\u00f3ria pelo \u201cHomem da Gaita\u201d de Jos\u00e9 Afonso. Uma estalada no conformismo dada, como j\u00e1 \u00e9 h\u00e1bito, por uma banda que n\u00e3o se cansa de se enfurecer. Um Nuno Guerreiro afinad\u00edssimo na Ala dos Namorados p\u00f4s \u00e1gua na fervura, lan\u00e7ando sobre a noite um manto pop tecido sobre madrigais e arabescos vocais que, por mais de uma vez, recordaram os trejeitos e algumas notas de Wim Mertens.<br \/>\nCoube \u00e0 S\u00e9tima Legi\u00e3o, com os Gaiteiros de Lisboa, encerrarem no palco grande a Festa do \u201cAvante!\u201d Mais alegres e soltos que no passado, a S\u00e9tima parece ter entrado na sua fase mais \u201c\u00e9tnica\u201d de sempre, percorrendo a seu modo o eixo que une os extremos \u00e1rabe e celta da m\u00fasica tradicional. Os Gaiteiros, \u00e9 claro, ajudaram, sem terem estado brilhantes, com as gaitas-de-foles, tambores e flautas casando ou intercalando bem com a sensibilidade pop do grupo principal.<br \/>\nAbsurdo foi o que aconteceu mesmo ao cair do pano, no Audit\u00f3rio 1\u00ba de Maio, onde a \u201chonra\u201d do fecho das festividades foi entregue ao quinteto do  saxofonista Carlos Martins e ao seu projecto \u201cTocar (n)o Zeca\u201d, sobre can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso. S\u00f3 que, devido aos atrasos sucessivos do programa e ao adiantado da hora, a banda \u2013 Carlos Martins, Claus Nymark, trombone (ambos excelentes nos solos e di\u00e1logos contrapont\u00edsticos), M\u00e1rio Delgado, guitarra, Carlos Barreto, contrabaixo e Alexandre Fraz\u00e3o, bateria \u2013 viu-se for\u00e7ado a tocar apenas quatro temas, sob a amea\u00e7a de corte de energia, truncando deste modo um espect\u00e1culo e um conceito que vivem de um todo que n\u00e3o se compadece com acidentes deste tipo. Carlos Martins soube, mesmo assim, contornar o obst\u00e1culo com ironia, entrando o colectivo em for\u00e7a com \u201cO que faz falta\u201d, que, como toda a gente sabe mas o l\u00edder da banda fez quest\u00e3o de frisar, \u201c\u00e9 avisar a malta\u201d. Seguiram-se uma vers\u00e3o \u201ccoltraniana\u201d de \u201cMaio, maduro Maio\u201d, \u201cTens\u00e3o\u201d \u2013 um original do guitarrista M\u00e1rio Delgado \u2013 e uma \u201cGr\u00e2ndola, vila morena\u201d, \u201ccheia de utopias\u201d e \u201csem partido pol\u00edtico\u201d. Quem quiser ficar a saber como o jazz toca na m\u00fasica de Zeca Afonso ter\u00e1 agora que deslocar-se, na pr\u00f3xima sexta-feira, ao caf\u00e9 Luso, no Bairro Alto, em Lisboa, onde o quinteto de Carlos Martins apresentar\u00e1 na \u00edntegra este projecto.<br \/>\nConsumados a festa e o inferno consequente, nos acessos de regresso \u00e0 ponte, onde longas filas de autom\u00f3veis esperaram at\u00e9 altas horas da madrugada, ficou a imagem daqueles artistas de que ningu\u00e9m fala, tocando quase escondidos nos palcos min\u00fasculos espalhados pelo recinto: S\u00f3nia Mosca, \u201corganista de baile\u201d, mini-saia e decote t\u00edmidos, um rosto espantado, uma caixa-de-ritmos, alguns pares perdidos noutra dan\u00e7a, em cena digna de um filme de David Lynch. Ou a Orquestra Ligeira de Pinhal de Frades, mini-filarm\u00f3nica de adolescentes com direc\u00e7\u00e3o do Sr. Maur\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira >> 06.09.1994 Festa Do \u201cAvante!\u201d Terminou Domingo, Na Atalaia Jos\u00e9 Afonso N\u00e3o Foi Avante M\u00fasica at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, a confus\u00e3o do costume, este ano suavizada por melhores infra-estruturas, uma enorme desilus\u00e3o, dos Band of Hope, e Zeca Afonso cortado, marcaram a XVIII edi\u00e7\u00e3o da Festa do \u201cAvante!\u201d. 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