{"id":12277,"date":"2025-05-04T05:34:14","date_gmt":"2025-05-04T12:34:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12277"},"modified":"2025-05-04T05:38:17","modified_gmt":"2025-05-04T12:38:17","slug":"tunas-academicas-tuna-fixe-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/04\/tunas-academicas-tuna-fixe-dossier\/","title":{"rendered":"Tunas Acad\u00e9micas | Tuna da Universidade Internacional | Estudantina Universit\u00e1ria de Lisboa |  Tuna Universit\u00e1ria do Instituto Superior T\u00e9cnico | TunaMaria &#8211; &#8220;Tuna Fixe!&#8221; (dossier)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 27.07.1994<br \/>\n<strong>DOSSIER<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Tuna Fixe!<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nSerenatas ao luar. Farra at\u00e9 \u00e0s tantas. A camaradagem e o esp\u00edrito de grupo. A m\u00fasica. A borga. O reatar de tradi\u00e7\u00f5es. Quim Barreiros, o her\u00f3i. Pela alegria e pela irrever\u00eancia. S\u00e3o as tunas acad\u00e9micas, um fen\u00f3meno emergente entre a juventude universit\u00e1ria portuguesa.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna1.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"469\" class=\"alignnone size-full wp-image-12278\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna1.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna1-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna1-624x430.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna1-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Um pouco por todas as universidades do pa\u00eds os estudantes envergam de novo a capa e a batina, erguem o estandarte e tentam recuperar o verdadeiro esp\u00edrito acad\u00e9mico. Algo que se perdeu na vertigem da competi\u00e7\u00e3o e do individualismo que grassam na sociedade portuguesa actual. As tunas servem, entre outras coisas, para fortalecer o esp\u00edrito de grupo. Os tunos nascem para se divertirem mas tamb\u00e9m para conquistarem uma unidade perdida. Os estudos, nalguns casos, quando a paix\u00e3o \u00e9 maior, ressentem-se. \u00c9 preciso sacrificar num lado para celebrar no outro.<br \/>\nTudo est\u00e1 ainda no princ\u00edpio. Ensaiam-se f\u00f3rmulas e discutem-se modelos. O exemplo vem de Espanha, onde a tradi\u00e7\u00e3o das tunas \u00e9 mais antiga. Os tunantes, ou tunos, ou seja, os amigos da bo\u00e9mia, fortalecem la\u00e7os, juntam as guitarras, bandolins, cavaquinhos, contrabaixos, acorde\u00f5es e pandeiretas e cantam temas populares, melodias fortes, algumas brincalhonas, outras mesmo picantes. Est\u00e3o unidos. Nalguns casos nem tanto. H\u00e1 dissid\u00eancias, elementos que saem de uma tuna para entrar noutra. Mas a regra n\u00e3o \u00e9 essa. \u00c9-se tunante, de uma tuna que n\u00e3o pode ser nenhuma outra, at\u00e9 ao fim da vida. Com orgulho. H\u00e1 quem fale na forma\u00e7\u00e3o de uma quadratuna, tuna de veteranos.<br \/>\nEntra-se para uma tuna por uma porta estreita. O candidato a tuno submete-se a praxes. A rituais de inicia\u00e7\u00e3o. Pelo menos deveria ser assim. O mais importante \u00e9 saber se tem ou n\u00e3o o esp\u00edrito. Quem der provas entra, quem n\u00e3o se achar capaz sai. Cada tuna tem cerca de trinta elementos. Muita gente. Mas o corpo colectivo \u00e9 s\u00f3 um. As serenatas podem ser um problema. Antigamente era f\u00e1cil, no tempo dos orfe\u00e3os, considerados por alguns antepassados das tunas. Os rapazes sa\u00edam para a rua e cantavam \u00e0 janela para as donzelas. Hoje j\u00e1 h\u00e1 tunas femininas e o caso mudou de figura. Elas perderam a timidez e cantam aos rapazes. \u00c9 a mudan\u00e7a dos tempos e de mentalidades. A renova\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 normal, dizem alguns. N\u00e3o pode ser, a tuna \u00e9 coisa de homens, dizem outros, tradicionalistas ferrenhos. Mas o pior \u00e9 quando as tunas s\u00e3o mistas. A\u00ed fia mais fino. Como \u00e9? Raparigas fazendo serenatas a raparigas? Rapazes guitarrando outros rapazes? N\u00e3o pode ser. N\u00e3o fica bem. \u00c9 um problema que \u00e9 preciso resolver. H\u00e1 v\u00e1rios problemas a resolver.<br \/>\nE os trajes? H\u00e1 que ter cuidado. Sobretudo no caso das raparigas. Nem saias muito curtas, para n\u00e3o distrair demasiado as aten\u00e7\u00f5es e evitar os piropos dos mais atrevidos, mas muito compridas tamb\u00e9m n\u00e3o. Porque isto de cantar, vivar parte da vida numa tuna, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brincadeira, pode ser uma coisa muito s\u00e9ria. Por isso \u00e9 preciso separar as \u00e1guas e distinguir entre os verdadeiros tunos e aqueles que se fazem passar por tal como justifica\u00e7\u00e3o para a bandalheira. \u00c9 preciso trabalho, ensaios, fortalecer o tal esp\u00edrito de grupo. Existe ordem na aparente desordem de uma tuna. Tem que ser assim. As tunas viajam por Portugal e pelo estrangeiro, participam em festivais, representam uma institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTornou-se moda convidar tunas para os programas de televis\u00e3o. T\u00eam pinta, fazem n\u00famero, s\u00e3o folclore, pensam os respons\u00e1veis. Metem-nos nas primeiras filas, trajados a preceito e pedem-lhes palmas e alegria. As tunas, algumas, v\u00e3o. Em geral arrependem-se. Dizem-lhes que v\u00e3o tocar, mas mal os tunos pegam nos instrumentos e se preparam para atacar a primeira can\u00e7\u00e3o, logo surgem os irritantes gen\u00e9ricos, com a ficha t\u00e9cnica a passar depressa e as tunas a ficarem a ver navios. Tamb\u00e9m \u00e9 costume convidar tunas para colorirem homenagens a fadistas conhecidos. No \u00faltimo anivers\u00e1rio de Am\u00e1lia, n\u00e3o podiam faltar. L\u00e1 estava uma tuna. \u00c9 bom, \u00e9 mau? As pessoas falam deles e delas, vestidos de negro, a cantarem coisas que toda a gente pode cantar. S\u00e3o contagiadas pela alegria dos tunos. Voltam talvez a ter saudades do tempo em que eram estudantes. \u00c9 mesmo assim, eles e elas juram que sim: tuno at\u00e9 ao fim.<br \/>\nO P\u00daBLICO entrou no universo das tunas. Falou com elementos de algumas delas. Com os mag\u00edsteres, por exemplo, que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de chefes, organizadores, catalisadores do esp\u00edrito de cada tuna. Desfizeram-se ideias feitas. Tunos da Estudantina Universit\u00e1ria de Lisboa, da Tuna da Universidade Internacional, da Tuna Universit\u00e1ria do Instituto Superior T\u00e9cnico, e da Tuna-Maria, uma das poucas tunas femininas existentes, contaram hist\u00f3rias e segredos. As duas primeiras j\u00e1 gravaram compactos. Ficaram de fora muitas outras, de Lisboa, Porto e Coimbra. Todas elas com as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias para contar. \u00c9 um mundo mais complexo do que parece, o das tunas universit\u00e1rias. Eferre\u00e1!!<\/p>\n<p><strong>(2)<br \/>\nDe P\u00e1ra-Quedista A Pranchado<\/strong><br \/>\nO fen\u00f3meno das tunas explode nos meios acad\u00e9micos de Lisboa em 1988, com o aparecimento da Tuna da Universidade Internacional, formada por um grupo de amigos que \u201cgostava de tocar e beber uns copos\u201d. Tem 30 elementos. \u201cCom uns a sair e outros a entrar.\u201d Foi a primeira tuna mista e a primeira a fazer o ressurgimento da capa e batina em Lisboa. Mas a hist\u00f3ria vem de tr\u00e1s. \u201cAs tunas s\u00e3o origin\u00e1rias de Espanha\u201d, explica Rog\u00e9rio. O fen\u00f3meno chegou c\u00e1 \u201ccom a vinda da tuna de Santiago de Compostela a Coimbra. Surgem nessa altura, por volta de 1912, a Estudantina de Coimbra e a Tuna do Orfe\u00e3o do Porto, as duas tunas portuguesas mais antigas\u201d.<br \/>\nRog\u00e9rio diz que a Tuna da Universidade Internacional (TUI) surgiu para ressuscitar em Lisboa o esp\u00edrito das tunas. A primeira das praxes de uma tuna diz respeito ao seu nascimento. Para nascer, uma tuna tem que ser apadrinhada por outra, j\u00e1 existente. No caso da TUI o padrinho foi o Orfe\u00e3o do Porto. Ram\u00f3n \u2013 um espanhol que se transferiu de uma tuna castelhana para a TUI, ficando os dois agrupamentos geminados \u2013 critica as tunas que n\u00e3o cumprem esta praxe: \u201c\u00c9 preciso que haja uma tuna com experi\u00eancia que ensine aos candidatos o que \u00e9 ser tuno. Ningu\u00e9m nasce tuno. Aprende-se com a pr\u00e1tica.\u201d<br \/>\nNa TUI para se chegar a tuno tem de se passar por tr\u00eas fases distintas. \u201cNa primeira, vemos se o candidato tem aptid\u00f5es para ser tuno\u201d, explica Ram\u00f3n. \u00c9 a fase do \u201cp\u00e1ra-quedista\u201d, em que \u201cuma pessoa ainda n\u00e3o est\u00e1 integrada na tuna, nem sobe ao palco com os outros para cantar. Vem aos ensaios para aprender. Ningu\u00e9m lhe pode tocar. \u00c9 como se fosse imaculado\u201d. Esta fase dura em geral tr\u00eas, quatro meses. \u201cQuando vemos que ele j\u00e1 est\u00e1 a tocar e a cantar bem, fazemos-lhe uma prova escrita em que ter\u00e1 de mostrar perante um j\u00fari se aprendeu ou n\u00e3o as m\u00fasicas.\u201d Se passar, torna-se caloiro e j\u00e1 poder\u00e1 subir com os outros para o palco. \u201cJ\u00e1 tem mais responsabilidade\u201d. Esta segunda fase, em que o caloiro \u00e9 denominado \u201cpranchado\u201d, costuma durar cerca de dois anos.<br \/>\nO \u201cpranchado\u201d dever\u00e1 desempenhar tarefas, como \u201ctransportar os instrumentos, comprar bebidas, fazer a limpeza depois de um ensaio, etc.\u201d. \u201cS\u00e3o os burros de carga!\u201d, diz a rir o Rog\u00e9rio. \u201c\u00c9 nessa altura que vemos se ele tem ou n\u00e3o o esp\u00edrito de camaradagem e se quer cumprir as regras do jogo.\u201d Finalmente, a \u00faltima inicia\u00e7\u00e3o, a entrada definitiva na tuna, ou seja, o \u201cbaptismo\u201d, acontece \u201cde surpresa\u201d. \u201cVamos um dia para uma fonte e \u00e9 a\u00ed que se processa o baptismo. Com o caloiro em cuequinhas\u2026\u201d Chegado a este ponto conv\u00e9m precisar que a TUI \u00e9 uma tuna mista\u2026 \u201c\u00c9 igual, elas em cuequinhas e \u2018soutien\u2019.\u201d<br \/>\nA TUI foi a primeira a organizar em Lisboa um festival de tunas, com \u201ctunas de todo o pa\u00eds e de Espanha\u201d. Em Dezembro deste ano vai realizar-se a sexta edi\u00e7\u00e3o. Mandam as regras que a tuna receba \u201ccachet\u201d pelas suas actua\u00e7\u00f5es apenas nas participa\u00e7\u00f5es em festivais nos v\u00e1rios pontos do pa\u00eds ou do estrangeiro. No \u00e2mbito das actividades acad\u00e9micas n\u00e3o se cobra.<br \/>\n\u00c9 o lado mais formal das actividades musicais. Al\u00e9m dele, a tuna \u201ctoca nas ruas e nos bares\u201d, diz Rog\u00e9rio. \u201c\u00c9 mais bo\u00e9mio, vamos para o Bairro Alto ou Mouraria, fazer serenatas.\u201d As can\u00e7\u00f5es do nosso disco [\u201cEncantos de Lisboa\u201d, editora Ova\u00e7\u00e3o] falam da vida da bo\u00e9mia, das serenatas ao luar.\u201d E as raparigas? \u201cH\u00e1 um preconceito quando se diz que as tunas t\u00eam que ser s\u00f3 masculinas ou femininas. Ningu\u00e9m tem problemas em fazer serenatas juntos.\u201d (Ver foto.)<br \/>\nUm aspecto curioso na vida das tunas \u00e9 a rivalidade existente entre elas: \u201cuma rivalidade saud\u00e1vel\u201d, garante Rog\u00e9rio. \u201cPodemos sair n\u00f3s e outra tuna qualquer e irmos para os copos juntos.\u201d A quem a TUI n\u00e3o perdoa \u00e9 \u00e0 Estudantina Universit\u00e1ria de Lisboa. \u201cFizeram uma coisa muito mal feita\u201d, comenta Ram\u00f3n. \u201cNuma altura em que j\u00e1 havia algumas tunas em Lisboa, eles, em vez de arranjarem caloiros, foram buscar elementos a outras tunas, incluindo a nossa. Aconteceu que as outras tunas que estavam a come\u00e7ar ficaram fracas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a Estudantina nunca foi convidada para nenhum festival de tuna em Portugal.\u201d<br \/>\nRog\u00e9rio e Ram\u00f3n apreciam ambos Quim Barreiros, embora sejam de opini\u00e3o de que ele \u201cn\u00e3o tem nada a ver com as tunas\u201d. Para Rog\u00e9rio, \u201co fen\u00f3meno Quim Barreiros surgiu a n\u00edvel universit\u00e1rio porque em Lisboa ou em qualquer outro lado onde h\u00e1 queima das fitas o Quim Barreiros est\u00e1 l\u00e1. Pode dizer-se que nas universidades toda a gente gosta muito dele.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna2.jpg\" alt=\"\" width=\"527\" height=\"388\" class=\"alignnone size-full wp-image-12279\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna2.jpg 527w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna2-300x221.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna2-100x74.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna3.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"422\" class=\"alignnone size-full wp-image-12280\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna3.jpg 564w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna3-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna3-100x75.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>(3)<br \/>\nA Tuna Institucional<\/strong><br \/>\nA Estudantina Universit\u00e1ria de Lisboa (EUL) foi formada em 1992. \u00c9 uma esp\u00e9cie de supertuna, ou tuna das tunas, integrando elementos de v\u00e1rias faculdades da capital. \u201cDas universidades p\u00fablicas e privadas e privadas, da medicina \u00e0 inform\u00e1tica, h\u00e1 praticamente elementos de todos os cursos\u201d, diz Lu\u00eds Jer\u00f3nimo, \u201cmag\u00edster\u201d da EUL, que tem cerca de 30 elementos. A tuna j\u00e1 apareceu na televis\u00e3o ao lado de Herman Jos\u00e9 e colaborou recentemente no anivers\u00e1rio p\u00fablico de Am\u00e1lia. Nela, ao contr\u00e1rio de outras tunas, n\u00e3o h\u00e1 praxes de entrada. Para Lu\u00eds Jer\u00f3nimo, \u201c\u00e9 um processo natural\u201d: \u201cAs pessoas v\u00e3o aparecendo, \u00e9 \u00f3bvio que t\u00eam que ter determinados requisitos \u2013 ser estudante universit\u00e1rio, saber tocar um instrumento e cantar. Depois v\u00e3o andando connosco, v\u00e3o aos ensaios. Se virmos que eles entraram bem no estilo das m\u00fasicas e que tocam razoavelmente, come\u00e7am a acompanhar-nos como caloiros.\u201d<br \/>\nAlvo de v\u00e1rias cr\u00edticas, nomeadamente por ter \u201croubado\u201d elementos a outras tunas, Lu\u00eds Jer\u00f3nimo, que foi um dos fundadores da Tuna da Universidade Internacional, uma das que se sentem mais lesadas, defende-se: \u201cQuando h\u00e1 cr\u00edticas, das duas uma, ou h\u00e1 alguma coisa muito m\u00e1 e muito grave ou h\u00e1 alguma coisa muito boa. N\u00e3o fomos buscar ningu\u00e9m \u00e0 Tuna da Universidade Internacional. Eles vieram de livre vontade. Foi a\u00ed que surgiu a ideia da Estudantina. Depois, como este era um projecto que agradava a muitas pessoas, pessoas que j\u00e1 pertenciam a outras tunas, estas juntaram-se por sua vez \u00e0 Estudantina. N\u00e3o havia qualquer pretens\u00e3o de \u2018roubar\u2019 seja quem fosse.\u201d<br \/>\nOutra das cr\u00edticas relaciona-se com a falta do chamado \u201cesp\u00edrito de tuna\u201d na EUL, encarada como um grupo onde, de facto, em termos art\u00edsticos, os seus elementos s\u00e3o excelentes, mas onde a camaradagem \u00e9 menor e a vida de bo\u00e9mia mais controlada. Em suma, uma tuna mais bem-comportada. \u201cN\u00e3o aceitamos que digam isso. At\u00e9 porque, para contradizer essa opini\u00e3o, posso dizer que estivemos na P\u00e1scoa em Paris, durante 15 dias e, al\u00e9m dos espect\u00e1culos marcados, aproveit\u00e1mos para conviver uns com os outros, acertar ideias, discutir projectos, fazer m\u00fasicas, enfim, mas tamb\u00e9m um bocado de bo\u00e9mia, de copos, etc.\u201d, replica Lu\u00eds Jer\u00f3nimo.<br \/>\nJ\u00e1 com um compacto no mercado, editado pela Vidisco, \u201cEstudantina Universit\u00e1ria de Lisboa\u201d e um segundo em prepara\u00e7\u00e3o. A EUL \u00e9, a par da Tuna da Universidade Internacional e, anteriormente, das tunas de Coimbra e do Orfe\u00e3o da Universidade do Porto, uma das poucas que tem a sua m\u00fasica gravada. Sem a preocupa\u00e7\u00e3o de seguir modelos ou a tradi\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o existe uma verdadeira tradi\u00e7\u00e3o, porque a tradi\u00e7\u00e3o implica muitos anos passados sobre uma mesma realidade. A tradi\u00e7\u00e3o das tunas em Portugal n\u00e3o existe, est\u00e1 a fazer-se agora. Existiram a Estudantina de Coimbra e a Tuna do Orfe\u00e3o Universit\u00e1rio do Porto, no in\u00edcio do s\u00e9culo, mas depois essa tradi\u00e7\u00e3o apagou-se.\u201d<br \/>\nUma das ideias avan\u00e7adas por Lu\u00eds Jer\u00f3nimo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de \u201cuma institui\u00e7\u00e3o nacional que regulamentasse um bocadinho a realidade das tunas\u201d, no sentido de definir normas e defender a qualidade art\u00edstica delas.: \u201cUma tuna n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 juntar 20 ou 30 indiv\u00edduos em cima de um palco. O esp\u00edrito acad\u00e9mico, toda a gente fala nele mas pouca cumpre. H\u00e1 uma rivalidade est\u00fapida entre as v\u00e1rias tunas, n\u00e3o h\u00e1 uma amizade, uma coes\u00e3o, uma for\u00e7a. A rivalidade tem que pressupor o respeito entre uns e outros e isso n\u00e3o se verifica. Aquilo que cada tuna quer dar a entender \u00e9 uma coisa, o esp\u00edrito \u00e9 a capacidade de ser tuno, de se dar bem, de ir para os copos, sem se embebedar.\u201d<br \/>\nE o \u201cmagister\u201d da EUL explica: \u201cQuando as pessoas ouvem falar em tuno, bo\u00e9mia, copos, tudo isto lhes faz confus\u00e3o e, devido \u00e0 m\u00e1 imagem criada pelos estudantes nestes \u00faltimos anos, nomeadamente nas manifesta\u00e7\u00f5es ou nas semanas acad\u00e9micas, em que passam nos carros completamente b\u00eabedos, v\u00e3o para o hospital em estado de coma alco\u00f3lico, tudo junto cria na consci\u00eancia das pessoas que bo\u00e9mia \u00e9 sin\u00f3nimo de bebedeira. N\u00e3o \u00e9. A magia dos copos n\u00e3o quer dizer estar ali numa mesa a beber at\u00e9 cair para o lado. Os copos encerram em si toda uma m\u00edstica muito importante que \u00e9 o conv\u00edvio e a amizade.\u201d<br \/>\nSobre as tunas mistas, Lu\u00eds Jer\u00f3nimo tem ideias formadas: \u201cN\u00e3o faz sentido raparigas estarem a cantar para raparigas ou rapazes para rapazes. \u00c9 problem\u00e1tico. Uma pessoa quer usar palavr\u00f5es pr\u00f3prios, \u00e0s vezes, entre os homens. Com meninas\u2026 se bem que as mulheres que fazem parte das tunas tenham, digamos assim, uma personalidade diferente da das outras raparigas estudantes, mais para a frente, tamb\u00e9m gostam de beber o seu copo. Agora, concordo e acho que \u00e9 de incrementar a exist\u00eancia de tunas femininas.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna4.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"537\" class=\"alignnone size-full wp-image-12281\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna4.jpg 681w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna4-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna4-624x492.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna4-100x79.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>(4)<br \/>\nDez Horas A Jogar Matraquilhos<\/strong><br \/>\nVinte e oito elementos formam a Tuna Universit\u00e1ria do Instituto Superior T\u00e9cnico. Manuel Correia toca pandeireta e \u00e9 \u201co principal\u201d, j\u00e1 que na TUIST n\u00e3o se emprega o termo \u201cmagister\u201d, de origem espanhola. \u201cTentamos puxar \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es portuguesas o mais poss\u00edvel e n\u00e3o imitar os espanh\u00f3is. Procuramos investigar o que havia h\u00e1 50 anos atr\u00e1s, o que faziam as estudantinas e orfe\u00f5es da altura.\u201d A data oficial de forma\u00e7\u00e3o da tuna \u00e9 20 de Mar\u00e7o de 1993, embora alguns dos seus elementos se tenham reunido h\u00e1 mais tempo. Actuaram na primeira parte do espect\u00e1culo recente de Quim Barreiros na Aula Magna de Lisboa. Foram apadrinhados pela Tuna do Liceu de \u00c9vora, a \u00fanica liceal do p\u00e1is e uma das mais antigas, formada em 1902. \u201cMantiveram-se at\u00e9 hoje e usam capa e batina.\u201d<br \/>\nNas inten\u00e7\u00f5es do grupo esteve desde o in\u00edcio a vontade de serem diferentes, \u201cn\u00e3o em ser uma bandalheira mas sim uma tuna no verdadeiro sentido\u201d. \u201cFizemos recolha sobre as caracter\u00edsticas das tunas. Tentamos, al\u00e9m disso, adaptar o nosso report\u00f3rio aos dias de hoje, embora procurando manter particularidades como as praxes, o traje, etc.\u201d o mais dif\u00edcil, na forma\u00e7\u00e3o de uma tuna, diz M\u00e1rio Fernandes, guitarrista da TUIST, \u201cn\u00e3o \u00e9 arranjar cem pessoas que toquem bem viola, \u00e9 arranjar vinte pessoas com uma boa atitude\u201d.<br \/>\nManuel Correia n\u00e3o concorda com a exist\u00eancia de festivais que, segundo ele, seguem o modelo espanhol, com atribui\u00e7\u00e3o, por exemplo, de pr\u00e9mios aos melhores solistas. \u201cNas nossas tunas n\u00e3o h\u00e1 solistas. S\u00f3 nas espanholas, que t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o muito mais forte. As tunas portuguesas copiam-nas. Na TUIST n\u00e3o h\u00e1 solistas.\u201d O \u201cprincipal\u201d acha igualmente que \u201c\u00e9 grave haver tunas em que metade do seu report\u00f3rio \u00e9 composto por m\u00fasicas espanholas\u201d. A tuna do T\u00e9cnico toca apenas temas pr\u00f3prios, embora \u201ccom ra\u00edzes na m\u00fasica popular portuguesa\u201d.<br \/>\nManuel Correia critica tamb\u00e9m o facto de algumas tunas se estarem a virar \u201cpara o lado comercial, em vez de o fazerem para o mais importante, que \u00e9 o esp\u00edrito. O disco, por exemplo, dever\u00e1 ser uma consequ\u00eancia de v\u00e1rios anos de exist\u00eancia\u201d. \u201cDe todos os discos gravados por tunas portuguesas \u2013 garante Manuel Correia -, s\u00f3 conhe\u00e7o um em que realmente transparece o esp\u00edrito acad\u00e9mico e a raiz portuguesa, o primeiro da Estudantina de Coimbra. O segundo j\u00e1 \u00e9 mais comercial, v\u00ea-se que foi feito por contrato.\u201d<br \/>\nTorna-se evidente que a TUIST n\u00e3o quer ser, de facto, uma tuna igual \u00e0s outras. \u201cSer tuno n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vestir a capa e a batina. \u00c9 uma maneira de estar\u201d, diz M\u00e1rio Fernandes. \u201cO mais importante \u00e9, pr exemplo \u2013 embora tenhamos todos namoradas -, podermos estar juntos num jantar ou ir para a feira jogar matraquilhos. Chega estarmos l\u00e1, sem ser preciso apanhar bebedeiras.\u201d<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil entrar para a TUIST? \u201cN\u00e3o pomos barreiras \u00e0 entrada de algumas pessoas. S\u00f3 que, pela especificidade do grupo, s\u00f3 gente com este esp\u00edrito \u00e9 que se adapta. Quem n\u00e3o gostar de estar dez horas a jogar matraquilhos\u2026 Uma vez no dia 31 de Julho do ano passado, est\u00e1vamos reunidos e resolvemos que t\u00ednhamos que ir passar f\u00e9rias a qualquer lado. Junt\u00e1mo-nos no dia seguinte em Santa Pol\u00f3nia e apanh\u00e1mos o primeiro comboio!&#8230;<br \/>\nA quem quiser entrar, levamo-lo a um jantar e vemos se alinha nas brincadeiras, para estudarmos a personalidade da pessoa. O ano passado tivemos o caso de algu\u00e9m que nem sequer sabia tocar. Lev\u00e1mo-lo a jantar, pass\u00e1mos uma noite divertida com ele e pronto entrou logo na tuna. Demos mais import\u00e2ncia a esta maneira de estar\u2026 \u00c9 muito mais f\u00e1cil entrar um rapaz que saiba tocar s\u00f3 o d\u00f3 e sol mas que tenha o esp\u00edrito do que um gajo que seja um maestro mas n\u00e3o tenha esse esp\u00edrito.\u201d<br \/>\nFazem a apologia de Quim Barreiros: \u201cPode l\u00e1 ter todos os defeitos mas ele \u00e9 de facto um \u00eaxito, porque \u00e9 bem portugu\u00eas. Aquilo \u00e9 Portugal. Damo-nos muito bem com ele.\u201d Mas advertem: \u201cO perigo est\u00e1 em que as pessoas associem as tunas ao Quim Barreiros. H\u00e1 muitas tunas que entram na onda. N\u00e3o sabem ter o seu espa\u00e7o e v\u00e3o atr\u00e1s do Quim Barreiros. Entram na fase da brejeirice mas n\u00e3o sabem faz\u00ea-lo bem. O Quim Barreiros sabe ser brejeiro. \u00c9 diferente de ser ordin\u00e1rio e mal-criado.\u201d<br \/>\nA TUIST orgulha-se de ter contribu\u00eddo para o ressurgimento do esp\u00edrito acad\u00e9mico no T\u00e9cnico: \u201cHavia uma grande sede. As festas no T\u00e9cnico, h\u00e1 dez anos, eram no estilo dos marinheiros do Cais do Sodr\u00e9. S\u00f3 iam homens e acabava sempre me naifas e facada. Agora t\u00eam mil pessoas, o ambiente \u00e9 outro, e as pessoas v\u00eam de todo o lado para nos ver. Mas ainda h\u00e1 quem nos ache exibicionistas. Por andarmos de capa e batina. A capa e batina s\u00e3o o traje autorizado para os estudantes universit\u00e1rios de Portugal e n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para o Porto ou Coimbra. S\u00f3 falta arranjar um concurso p\u00fablico, como aconteceu na Universidade Nova, e escolher um estilista para fazer os fatos, com apresenta\u00e7\u00e3o na Gare Tejo\u2026\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna5.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"842\" class=\"alignnone size-full wp-image-12282\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna5.jpg 495w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna5-176x300.jpg 176w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna5-59x100.jpg 59w\" sizes=\"auto, (max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>(5)<br \/>\nAt\u00e9 Ao Outro Dia De Manh\u00e3<\/strong><br \/>\nDa cis\u00e3o na tuna mista da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia nasceu, em Novembro do ano passado, a TunaMaria, uma das raras tunas femininas existentes em Portugal. Em finais de Abril deram o primeiro espect\u00e1culo, num festival de tunas. S\u00e3o 30 e tocam os instrumentos habituais numa tuna: acorde\u00e3o, bandolins, cavaquinhos, guitarras, pandeiretas, flautas. Sandra Isabel toca acorde\u00e3o. Ana Teresa, pandeireta.<br \/>\nCome\u00e7aram por ser recebidas pelas pessoas e pelas tunas masculinas, como elas pr\u00f3prias dizem, \u201ccom um p\u00e9 atr\u00e1s\u201d. \u201cAt\u00e9 porque as duas tunas femininas mais antigas s\u00e3o pouco conhecidas \u2013 diz a Sandra, que desempenha no grupo a fun\u00e7\u00e3o de magister -, a tuna feminina do Orfe\u00e3o do Porto e outra, da Covilh\u00e3.\u201d<br \/>\nSandra e Ana s\u00e3o ainda muito novas, 21 e 20 anos, respectivamente. Para elas, como para outros elementos da TunaMaria, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil sair para as noites de bo\u00e9mia. \u201c\u00c9 dif\u00edcil, aqui em Lisboa. Normalmente s\u00f3 a seguir a um espect\u00e1culo\u201d, observa Sandra. \u201cH\u00e1 pessoas que moram com os pais, outras na outra banda.\u201d Mas quando se juntam n\u00e3o brincam em servi\u00e7o: \u201cSomos capazes de estar at\u00e9 ao outro dia de manh\u00e3.\u201d O esp\u00edrito de tuna \u201cfoi crescendo\u201d. No que diz respeito a serenatas, a TunaMaria anda a preparar aquilo que \u00e9 a sua obriga\u00e7\u00e3o: \u201cAinda n\u00e3o fizemos. Mas os rapazes tamb\u00e9m h\u00e3o-de gostar. Mas primeiro que tudo \u00e9 preciso arranjar um report\u00f3rio para isso.\u201d Um report\u00f3rio que, nas actua\u00e7\u00f5es normais, inclui can\u00e7\u00f5es \u201cmexidas\u201d, temas populares, por enquanto sem composi\u00e7\u00f5es originais.<br \/>\nPraxes v\u00e3o \u201cpassar a ter\u201d. Por serem uma tuna muito recente, n\u00e3o t\u00eam ainda caloiras. O traje adoptado \u00e9 o cl\u00e1ssico saia-casaco, com um pormenor extra, o chap\u00e9u alentejano, de aba larga. \u201c\u00c9 o nosso s\u00edmbolo, o que nos distingue. As pessoas acham piada.\u201d Preferem seguir o modelo portugu\u00eas, embora n\u00e3o se importem de tocar m\u00fasicas espanholas, \u201cat\u00e9 italianas, que s\u00e3o mais dif\u00edceis\u201d. De resto, tunas femininas em Espanha, s\u00e3o coisa recente e as que existem \u201cn\u00e3o gozam de muito boa fama\u201d. \u201c\u00c9 a tal coisa de raparigas bonitas e mal-comportadas\u201d (risos). Na TunaMaria, passa-se por cima dos preconceitos: \u201cApanhamos bebedeiras se for preciso, como os rapazes.\u201d Mas h\u00e1 um conservadorismo na atitude que nem Sandra nem Ana negam. \u201cDentro da nossa tuna estabelecemos uma certa altura para a saia. No Porto elas usam abaixo do joelho. Em Coimbra, mais ou menos a meio do joelho. N\u00f3s escolhemos acima do joelho.\u201d \u201cLogo acima do joelho\u201d, apressam-se a acrescentar. Mesmo assim \u201couvem-se coment\u00e1rios\u201d. Mesmo da parte de outras tunas, \u201cse algu\u00e9m aparece com uma mini-saia\u201d. \u201cTemos muito cuidado com o comportamento que temos\u201d, diz a magister da TunaMaria, \u201cat\u00e9 mesmo em palco\u201d. \u00c9 que \u201cenquanto os rapazes podem mandar piadas \u00e0s raparigas\u201d, \u00e0s raparigas \u201cn\u00e3o conv\u00e9m\u201d faz\u00ea-lo, \u201cpor causa da imagem que se d\u00e1 para fora e porque as pessoas \u00e0 vezes interpretam isso de maneira errada\u201d. Os copos, esses, n\u00e3o constituem problema, \u201cat\u00e9 d\u00e3o uma certa alegria quando uma pessoa sobe para o palco. N\u00e3o ir b\u00eabedo, claro, mas alegre. Uma alegria que pode ser contagiante\u201d.<br \/>\nProblema real s\u00e3o os estudos, que ami\u00fade passam para segundo plano. H\u00e1 quem \u201cdeixe de estudar um bocadinho\u201d, para se entregar \u00e0s actividades da tuna, como h\u00e1 quem fa\u00e7a o contr\u00e1rio e n\u00e3o esteja disposta a sacrificar os estudos. Quando h\u00e1 um teste, por exemplo. A Ana Teresa, a partir de certa altura, \u201cs\u00f3 via a tuna \u00e0 frente\u201d. A Sandra afirma que j\u00e1 sacrificou bastante o curso. Os professores n\u00e3o d\u00e3o qualquer apoio. \u201cAlguns acham giro mas n\u00e3o d\u00e3o qualquer ajuda. Mesmo da parte da faculdade, que n\u00f3s representamos, ningu\u00e9m facilita, por exemplo, no aspecto das faltas. Simplesmente n\u00e3o ligam nenhuma.\u201d<br \/>\nApesar de tantas dificuldades, a TunaMaria ensaia duas vezes por semana, na Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia. Tr\u00eas, quando h\u00e1 espect\u00e1culo. Todos os dias, antes do primeiro espect\u00e1culo.<br \/>\nNuma coisa a TunaMaria n\u00e3o difere das tunas masculinas. Na admira\u00e7\u00e3o por Quim Barreiros. Ao ponto de inclu\u00edrem no seu report\u00f3rio \u201cBacalhau \u00e0 Portuguesa\u201d. \u201cPor brincadeira. Os espanh\u00f3is adoram esta m\u00fasica.\u201d \u201d A tuna chegou mesmo a fazer uma primeira parte de um espect\u00e1culo do popular acordeonista. \u201cEu, pessoalmente, n\u00e3o gostava dele\u201d, diz Sandra. \u201cMas depois de conviver com ele, v\u00ea-se que h\u00e1 nele uma alegria que contagia. Fala com as pessoas de uma maneira c\u00f3mica. E as m\u00fasicas t\u00eam imensa piada.\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna6.jpg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"392\" class=\"alignnone size-full wp-image-12283\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna6.jpg 603w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna6-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tuna6-100x65.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 27.07.1994 DOSSIER Tuna Fixe! Serenatas ao luar. Farra at\u00e9 \u00e0s tantas. A camaradagem e o esp\u00edrito de grupo. A m\u00fasica. A borga. O reatar de tradi\u00e7\u00f5es. Quim Barreiros, o her\u00f3i. Pela alegria e pela irrever\u00eancia. S\u00e3o as tunas acad\u00e9micas, um fen\u00f3meno emergente entre a juventude universit\u00e1ria portuguesa. Um pouco por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1069,3720,1070,1023,24],"tags":[3823,3827,3825,1024,3822,3824,3826],"class_list":["post-12277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1994","category-dossiers-1994","category-entrevistas-1994","category-pimba","category-portugueses","tag-estudantina-universitaria-de-lisboa","tag-luis-jeronimo","tag-manuel-correia","tag-quim-barreiros","tag-tuna-da-universidade-internacional","tag-tuna-universitaria-do-instituto-superior-tecnico","tag-tunamaria"],"views":335,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12277"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12277\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12286,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12277\/revisions\/12286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}