{"id":12269,"date":"2025-05-01T07:11:24","date_gmt":"2025-05-01T14:11:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12269"},"modified":"2025-05-01T07:12:24","modified_gmt":"2025-05-01T14:12:24","slug":"pink-floyd-pink-floyd-esgotam-duas-noites-em-alvalade-confortavelmente-entorpecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/05\/01\/pink-floyd-pink-floyd-esgotam-duas-noites-em-alvalade-confortavelmente-entorpecidos\/","title":{"rendered":"Pink Floyd &#8211; &#8220;Pink Floyd Esgotam Duas Noites Em Alvalade &#8211; Confortavelmente Entorpecidos&#8221; (cr\u00edtica de concerto | reportagem)"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> domingo >> 24.07.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Pink Floyd Esgotam Duas Noites Em Alvalade<br \/>\nConfortavelmente Entorpecidos<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Pink Floyd em Portugal. J\u00e1 n\u00e3o era sem tempo. O espect\u00e1culo dos espect\u00e1culos, dizia-se. Afinal, fumos, luzes, \u201clasers\u201d, porcos, quadrifonia, efeitos especiais, tudo somado foi igual a nada. O que significa que a m\u00e1quina funcionou em pleno. \u201cWelcome to the Machine.\u201d Cento e vinte mil embarcaram, felizes.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pinkFloyd.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"503\" class=\"alignnone size-full wp-image-12270\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pinkFloyd.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pinkFloyd-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pinkFloyd-624x462.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pinkFloyd-100x74.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 sabido que ningu\u00e9m vai a concertos de est\u00e1dio para ouvir m\u00fasica mas sim para receber est\u00edmulos de outra ordem. Visuais, emocionais, sejam quais forem desde que proporcionem a ilus\u00e3o de estar a participar num acontecimento importante. Em Alvalade, Lisboa, na primeira de duas noites, sexta e s\u00e1bado, que levaram ao est\u00e1dio do Sporting uma multid\u00e3o de gente \u00e1vida de ouvir e, sobretudo, ver os Pink Floyd, n\u00e3o se passou rigorosamente nada. Opini\u00e3o que decerto as 120 mil pessoas presentes n\u00e3o partilham.<br \/>\nUm monte de esterco com dez metros de altura \u00e9 melhor que um monte de esterco com cinco cent\u00edmetros de altura? \u00c9 evidente que n\u00e3o, dir\u00e1 toda a gente em coro. E um monte de esterco com dez metros de altura enfeitado com bolas de Natal, perfumado para n\u00e3o se sentir o cheiro e envolvido num aparato tecnol\u00f3gico com o dobro do tamanho, \u00e9 melhor que um monte de esterco, vulgar, de cinco cent\u00edmetros de altura? Alto e p\u00e1ra o baile! A\u00ed j\u00e1 h\u00e1 que olhar para os dois montes de esterco com aten\u00e7\u00e3o. Se ainda por cima os bilhetes para observar o monte de esterco maior custarem uma pipa de massa, as d\u00favidas ent\u00e3o desaparecem: o monte de esterco maior \u00e9 de facto melhor.<br \/>\nOs Pink Floyd da actualidade s\u00e3o do esterco mais fino e sofisticado que h\u00e1. Provaram-no \u00e0 saciedade (e \u00e0 melhor sociedade, presente na sala dos VIPs) no est\u00e1dio de Alvalade, com lota\u00e7\u00e3o esgotada nas duas noites, embora sem rebentar pelas costuras.<br \/>\nEsperavam-se mundos e fundos deste espect\u00e1culo, no aparato visual. Qualquer coisa de cortar a respira\u00e7\u00e3o, esmagadora, que abafasse por completo a raz\u00e3o e atenuasse o sacrif\u00edcio de ter que se ouvir a m\u00fasica. Que desapontamento! N\u00e3o se passou nada que os portugueses n\u00e3o tivessem j\u00e1 presenciado em anteriores concertos, com a \u00fanica diferen\u00e7a de os Pink Floyd trazerem mais e maior. A evolu\u00e7\u00e3o da actual forma\u00e7\u00e3o de David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason traduz-se hoje em termos quantitativos e n\u00e3o qualitativos. Mais holofotes, mais pot\u00eancia, mais \u201clasers\u201d, mais luzes acesas ao mesmo tempo. Al\u00e9m dos itens descritos apareceram dois porcos (melhor dizendo, dois javardos) a balou\u00e7arem-se no ar, um de cada lado do gigantesco palco em forma de concha.<\/p>\n<p><strong>Lucy Aposentou-se<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico efeito digno de registo foi uma desmesurada bola de espelhos localizada sobre uma torre no centro do relvado que, durante o \u00faltimo tema do concerto, \u201cConfortably numb\u201d (\u201cconfortavelmente entorpecido, ou estupidificado), disparou sobre todos os pontos do est\u00e1dio torrentes de luz branca, antes de se desfolhar como uma flor murcha. E pronto. O resto n\u00e3o passou de \u201clasers\u201d apontados ao calhas, luzes de todas as cores e feitios, uns fogachos de pirotecnia no final e o j\u00e1 habitual ecr\u00e3 circular suspenso para se ir vendo uns telediscos da banda. Ainda tent\u00e1mos fazer como num auto-estereograma e focar os olhos para al\u00e9m do est\u00e1dio, \u00e0 procura de dimens\u00f5es extra de espectacularidade, mas em v\u00e3o. L\u00e1 vinha sempre a mesma imagem dos bonecos espetados no palco e o som monoc\u00f3rdico e unidimensional.<br \/>\nQuanto \u00e0 m\u00fasica, aplique-se-lhe a tal met\u00e1fora do esterco. N\u00e3o chega a ser m\u00fasica. S\u00e3o sons prim\u00e1rios, pesad\u00f5es, tocados a metro e ao segundo. Em cerros casos aut\u00eanticas caricaturas das vers\u00f5es originais. Os Pink Floyd limita-se hoje \u2013 e limitar-se-\u00e3o at\u00e9 \u00e0 eternidade, pois n\u00e3o \u00e9 de prever que a banda alguma vez acabe \u2013 a mimar o seu passado e a reproduzir o lado mais superficial de um pretenso \u201csom Pink Floyd\u201d. A m\u00fasica de Gilmour, Wright e Mason, acolitados pelos restantes m\u00fasicos e meninas do coro acompanhantes, foi em Alvalade t\u00e3o est\u00e1tica como a pose dos executantes ao longo do concerto. A viagem h\u00e1 muito que chegou ao fim. O \u00e1cido esgotou a validade. Lucy aposentou-se e faz tric\u00f4 em pantufas em frente \u00e0 televis\u00e3o. A sigla secreta do LSD deixou de ser \u201cLucy in the Sky with Diamonds\u201d para passar a ser \u201cLucy in the Sofa with Donuts\u201d. \u201cWelcome to the Machine\u201d, adivinhou-se algures uma voz a dizer. 120 mil entraram este fim-de-semana na m\u00e1quina e gostaram.<br \/>\nOuviram-se (que rem\u00e9dio1) 21 can\u00e7\u00f5es, menos uma do que a do alinhamento previsto, com algumas altera\u00e7\u00f5es pontuais na ordem de apresenta\u00e7\u00e3o. Dividido em duas partes, pela primeira passaram na maioria temas do \u00faltimo \u00e1lbum dos Floyd, \u201cThe Division Bell\u201d, o seu pior de sempre. Ao vivo soaram ainda piores. As excep\u00e7\u00f5es aconteceram na abertura e no fecho desta primeira sequ\u00eancia de bocejos. Com \u201cAstronomy Domine\u201d, onde a assinatura de Barrett n\u00e3o ficou demasiado desbotada, e \u201cOne of these days\u201d, de \u201cMeddle\u201d, a recordar que nessa altura, 1973, os Pink Floyd ainda eram uma banda decente.<br \/>\n\u201cShine on you Crazy Diamond\u201d, \u201cBreathe\u201d, \u201cTime\u201d (aumentado com efeitos de quadrifonia, de ru\u00eddos de rel\u00f3gio girando em volta das bancadas), \u201cWish you were here\u201d, \u201cThe great gig in the sky\u201d (com um solo vocal de fugir de uma das meninas do coro), \u201cUs and them\u201d, \u201cMoney\u201d e \u201cAnother Brick in the wall\u201d foram alguns dos \u00eaxitos antigos que preencheram a segunda parte. A assist\u00eancia correspondeu de forma delirante, aplaudindo e gritando com mais for\u00e7a sempre que se acendia mais uma luz ou um \u201claser\u201d desenhava um arabesco no c\u00e9u. Quando a tal bola de espelhos deu in\u00edcio ao seu minuto de espalhafato deu-se a explos\u00e3o de histeria. Que continuou pelos dois \u201cencores\u201d previstos, \u201cHey you\u201d e \u201cRun like hell\u201d. Era imposs\u00edvel pedir mais.<br \/>\nO espect\u00e1culo dos Pink Floyd foi uma coisa bonita de se ver e teve a virtude de n\u00e3o cheirar mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo >> 24.07.1994 Pink Floyd Esgotam Duas Noites Em Alvalade Confortavelmente Entorpecidos Pink Floyd em Portugal. J\u00e1 n\u00e3o era sem tempo. O espect\u00e1culo dos espect\u00e1culos, dizia-se. Afinal, fumos, luzes, \u201clasers\u201d, porcos, quadrifonia, efeitos especiais, tudo somado foi igual a nada. 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