{"id":12228,"date":"2025-04-14T04:36:08","date_gmt":"2025-04-14T11:36:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12228"},"modified":"2025-04-14T04:36:08","modified_gmt":"2025-04-14T11:36:08","slug":"oumou-sangare-taraf-de-haidouks-v-encontros-musicais-da-tradicao-europeia-haidouks-rock-critica-de-concertos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/04\/14\/oumou-sangare-taraf-de-haidouks-v-encontros-musicais-da-tradicao-europeia-haidouks-rock-critica-de-concertos-festivais\/","title":{"rendered":"Oumou Sangare + Taraf De Haidouks &#8211; &#8220;V Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia &#8211; Haidouks Rock&#8221; (cr\u00edtica de concertos | festivais)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira >> 11.07.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>V Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia<br \/>\nHaidouks Rock<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Valeu a pena esperar por s\u00e1bado, em Alg\u00e9s. A cantora do Mali, Oumou Sangare, e os ciganos da Rom\u00e9nia, Taraf de Haidouks, trouxeram a melhor m\u00fasica dos Encontros deste ano. A primeira com o calor e a sensualidade africanos. Os romenos com um \u201ccocktail\u201d explosivo de velocidade, t\u00e9cnica e paix\u00e3o de \u201cbandidos\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/oumouSangare.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"467\" class=\"alignnone size-full wp-image-12229\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/oumouSangare.jpg 680w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/oumouSangare-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/oumouSangare-624x429.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/oumouSangare-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cHaidouk\u201d era o nome dado na Rom\u00e9nia medieval ao \u201cbandido\u201d justiceiro que lutava nos campos contra a tirania do senhor feudal. Her\u00f3i nacional, esp\u00e9cie de Robin dos Bosques do Leste, o \u201chaidouk\u201d simbolizava a demanda da liberdade e da justi\u00e7a social. Esse esp\u00edrito reviveu no jardim do Pal\u00e1cio dos Anjos, em Alg\u00e9s, na noite de s\u00e1bado, quando por obra e gra\u00e7a de uma fam\u00edlia de ciganos todos os acidentes de percurso dos espect\u00e1culos anteriores destes Encontros foram perdoados.<br \/>\nOs novos Haidouks lutaram desta feita contra  a j\u00e1 habitual falta de qualidade do som e pela liberta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica: uma combina\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica de alegria, empenhamento e, quase n\u00e3o se conseguiu respirar por causa disso, uma velocidade de execu\u00e7\u00e3o estonteante dos m\u00fasicos que chegou a sugerir ataques de epilepsia.<br \/>\nAntes, com meia hora de atraso sobre o hor\u00e1rio previsto, j\u00e1 o grupo da cantora maliniana Oumou Sangare preparara os esp\u00edritos e o terreno para uma noite que ficar\u00e1 na mem\u00f3ria dos Encontros. Duas bailarinas, flauta, \u201crigoni\u201d (cordofone da fam\u00edlia do Kora), percuss\u00f5es, baixo el\u00e9ctrico, guitarra e bateria entrela\u00e7aram-se em cad\u00eancias hipn\u00f3ticas que aos poucos transformaram o arvoredo domesticado do jardim em selva de lux\u00faria. Oumou, a diva africana, surgiu de vestido longo, primeiro em verde floresta, depois em refulg\u00eancias de negro e luar. Dan\u00e7ou com a voz, acompanhada pelas duas bailarinas que dan\u00e7avam com o corpo e faziam os apoios vocais. Trindade feminina envolvida num movimento \u00fanico. Acentuando o ritmo da m\u00fasica, a tr\u00eas lan\u00e7avam ao ar cestas, com conchas e pedras pendendo dos lados que se entrechocavam em perfeita sintonia. M\u00fasica, fala e gesto fundidos num ritual de uni\u00e3o, simbolizando uma \u00e9poca em que os diversos mundos n\u00e3o se haviam apartado. Nem sido apanhados na armadilha do racionalismo.<br \/>\n\u00c1frica derrotou a Europa no primeiro assalto. Mas a seguir veio um furac\u00e3o de Leste e nada ficou de p\u00e9. Os Hedningarna fizeram sensa\u00e7\u00e3o nos Encontros do ano passado? Ivo Papasov provou ser inultrapass\u00e1vel quando toca a acelera\u00e7\u00f5es? Os Muzsikas s\u00e3o senhores incontestados da folk do Leste actual? Qual qu\u00ea! Os Taraf de Haidouks destilam mais energia num minuto do que os suecos numa hora, metem mais uma velocidade que o b\u00falgaro e s\u00f3 n\u00e3o deixam a perder de vista os h\u00fangaros porque n\u00e3o t\u00eam uma senhora chamada M\u00e1rta nem querem ser embaixadores de coisa nenhuma.<br \/>\nS\u00e3o tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es em palco, dos 74 anos j\u00e1 feitos de Ion Manole \u00e0 impetuosidade dos mais novos. Ao todo uma d\u00fazia de \u201chaidouks\u201d da Val\u00e1quia, ardendo num fogo comum. Ao contr\u00e1rio do que fizeram recentemente os Vents d\u2019 Est no S. Luiz, em Lisboa, os Taraf de Haidouks, de acordo com o significado de \u201cTaraf\u201d \u2013 grupo de geometria e forma\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel \u2013 dividiram-se por diversos n\u00facleos e tocaram separadamente. Sa\u00eda um violinista veterano para dar lugar ao filho ou ao neto. Os \u201ccymbalons\u201d (salt\u00e9rios) e acorde\u00f5es passavam de m\u00e3o em m\u00e3o, enquanto o incans\u00e1vel Ionica Tanase mantinha no contrabaixo uma pulsa\u00e7\u00e3o sempre acelerada em malhas do que poder\u00edamos designar por rock \u2018n\u2019 roll \u201chaidouk\u201d. Uma flauta apaziguava por momentos o frenesim, cavando na vertigem um nicho onde a voz do fundo dos tempos de Ion cantava ou narrava hist\u00f3rias de opress\u00e3o, festa e liberta\u00e7\u00e3o, como na \u201cBalada do ditador\u201d que os Taraf de Haidouks \u201cdedicaram\u201d a Ceausescu, acompanhada por um \u201cViva a revolu\u00e7\u00e3o!\u201d gritado de muito fundo.<br \/>\nFoi qualquer coisa de diferente que abanou toda a gente at\u00e9 muito depois da hora permitida para actua\u00e7\u00f5es no jardim. A pol\u00edcia chegou mesmo a lan\u00e7ar alguns avisos, mas ningu\u00e9m foi capaz de parar os \u201cbandidos\u201d. O concerto terminou com os doze haidouks finalmente juntos em palco, numa derradeira e formid\u00e1vel acelera\u00e7\u00e3o colectiva. Mas hora e picos de actua\u00e7\u00e3o, para quem est\u00e1 habituado a tocar dias e dias em baptizados e casamentos de aldeia, n\u00e3o \u00e9 nada. J\u00e1 com os instrumentos a serem transportados para o interior do cami\u00e3o, os dois acordeonistas continuaram a tocar no meio da assist\u00eancia, possu\u00eddos pelo dem\u00f3nio da m\u00fasica, incapazes de parar, sempre mais depressa, sem uma falha, olhando-se mutuamente noutro lugar. Em transe. Ningu\u00e9m queria acreditar. Os irlandeses costumam fazer o mesmo, com a ajuda dos copos. Os Taraf de Haidouks foram mais longe. Deram a impress\u00e3o que morrem se deixarem de tocar.<br \/>\nOs Encontros continuam hoje em Coimbra, com Oumou Sangare, e em Guimar\u00e3es, com Taraf de Haidouks e Fia na Roca, terminando ter\u00e7a-feira, em Coimbra com os Fia na Roca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira >> 11.07.1994 V Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia Haidouks Rock Valeu a pena esperar por s\u00e1bado, em Alg\u00e9s. A cantora do Mali, Oumou Sangare, e os ciganos da Rom\u00e9nia, Taraf de Haidouks, trouxeram a melhor m\u00fasica dos Encontros deste ano. A primeira com o calor e a sensualidade africanos. Os romenos com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1069,841,179,1467,28,68],"tags":[3034,3771,1152,3789],"class_list":["post-12228","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1994","category-concertos","category-etno","category-festivais","category-folk","category-world","tag-encontros-musicais-da-tradicao-europeia","tag-oumou-sangare","tag-taraf-de-haidouks","tag-v-encontros-musicais-da-tradicao-europeia"],"views":246,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12228"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12230,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12228\/revisions\/12230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}