{"id":12195,"date":"2025-03-26T04:55:36","date_gmt":"2025-03-26T11:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12195"},"modified":"2025-03-26T04:55:36","modified_gmt":"2025-03-26T11:55:36","slug":"anabela-anabela-lirica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/03\/26\/anabela-anabela-lirica\/","title":{"rendered":"Anabela &#8211; &#8220;Anabela L\u00edrica&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira >> 06.07.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Anabela L\u00edrica<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/anabela.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"802\" class=\"alignnone size-full wp-image-12196\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/anabela.jpg 530w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/anabela-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/anabela-66x100.jpg 66w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nOs Mler Ife Dada s\u00e3o coisa do passado. O fado, um ponto de passagem. Hoje, Anabela Duarte \u00e9 uma cantora l\u00edrica que n\u00e3o quer ouvir falar em m\u00fasica ligeira. J\u00e1 cantou o \u201cRequiem\u201d de Verdi e, no futuro, pensa trabalhar numa esp\u00e9cie de opereta baseada na tem\u00e1tica do fant\u00e1stico. Actualmente, prepara uma s\u00e9rie de recitais, a realizar em Setembro \u2013 primeiro nos arredores de Lisboa, depois no cora\u00e7\u00e3o da capital, ainda sem local nem datas certas -, de voz e piano. A sua voz, \u201cum instrumento suficientemente male\u00e1vel e h\u00edbrido\u201d, e o piano de Jos\u00e9 Colorado, que al\u00e9m de acompanhante neste instrumento toca fagote na Orquestra da Gulbenkian. Longe v\u00e3o os fonemas que caracterizavam a sua presta\u00e7\u00e3o na banda de Nuno Rebelo. Nestes concertos, o report\u00f3rio consta, na primeira parte, de \u201cLieder\u201d e operetas de compositores como Richard Strauss, Offenbach e Lecocq, enquanto a segunda vai ser preenchida com a \u00f3pera propriamente dita e pe\u00e7as de Puccini, Wagner, Verdi e Catalani.<br \/>\nAnabela Duarte escolheu, de h\u00e1 quatro anos para c\u00e1, o canto l\u00edrico, \u201cque n\u00e3o tem que ser for\u00e7osamente cl\u00e1ssico\u201d, como forma de express\u00e3o, porque, diz, al\u00e9m de \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 \u201cuma t\u00e9cnica altamente sofisticada\u201d. Mas n\u00e3o se pense que Anabela Duarte \u00e9 uma cantora l\u00edrica qualquer, do tipo obeso e voz lancinante que ficou imortalizado em banda desenhada por Herg\u00e9 na personalidade de Madame Castafiore.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, hoje como antes, Anabela Duarte procura a diferen\u00e7a, sen\u00e3o mesmo uma certa subvers\u00e3o do \u201cstatu quo\u201d reinante no seio dos meios art\u00edsticos acad\u00e9micos: \u201cUm problema de estruturas, o problema dos conservat\u00f3rios, das academias de m\u00fasica, que criam muito medo nas pessoas. Ao n\u00edvel do canto, como dos instrumentistas. Um medo de se afirmarem, de fazer coisas\u201d.<br \/>\nOpini\u00e3o que decerto n\u00e3o deve ser muito bem aceite nesses meios. \u201cO facto de eu vir de um canto diferente e de me atrever a fazer coisas que as outras cantoras l\u00edricas n\u00e3o fazem cria atritos. Por exemplo, algu\u00e9m atrever-se a fazer uma \u2018Lady Macbeth\u2019 neste pa\u00eds \u00e9 uma heresia. E nesta terra ningu\u00e9m se atrevera antes a fazer o \u2018Requiem\u2019 de Verdi com um grupo coral amador e com cantores solistas nossos. Em Portugal considera-se que s\u00f3 os solistas estrangeiros \u00e9 que s\u00e3o bons e podem fazer as grandes obras. A minha luta \u00e9 contra as mentalidades tacanhas. E contra o tipo de t\u00e9cnica que se aprende nos conservat\u00f3rios.\u201d<br \/>\nE Anabela pormenoriza: \u201cPor exemplo, a da chamada \u2018voz de peito\u2019. Dizem que a voz de peito n\u00e3o se pode fazer, que estraga a voz. O que acontece \u00e9 que as cantoras cl\u00e1ssicas em Portugal n\u00e3o sabem usar a voz de peito. Em parte porque os professores de c\u00e1 n\u00e3o a sabem fazer. E se n\u00e3o sabem tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00e3o saber ensin\u00e1-la. \u00c9 assim que se criam tabus.\u201d<br \/>\nA conclus\u00e3o a extrair de tudo isto \u00e9 clara: \u201c\u00c9 este provincianismo que corta as pernas \u00e0s pessoas.\u201d<br \/>\nAnabela Duarte tem pernas e uma voz para andar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 06.07.1994 Anabela L\u00edrica Os Mler Ife Dada s\u00e3o coisa do passado. O fado, um ponto de passagem. Hoje, Anabela Duarte \u00e9 uma cantora l\u00edrica que n\u00e3o quer ouvir falar em m\u00fasica ligeira. 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