{"id":12164,"date":"2025-03-11T07:06:42","date_gmt":"2025-03-11T14:06:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12164"},"modified":"2025-03-11T07:06:42","modified_gmt":"2025-03-11T14:06:42","slug":"varios-miguel-azguime-zingaro-montera-lovens-denis-colin-didier-petit-e-pablo-cueco-giancarlo-schiaffini-idefix-generator-ciclo-de-musica-improvisada-em-lisboa-silencio-folia-e-um-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/03\/11\/varios-miguel-azguime-zingaro-montera-lovens-denis-colin-didier-petit-e-pablo-cueco-giancarlo-schiaffini-idefix-generator-ciclo-de-musica-improvisada-em-lisboa-silencio-folia-e-um-ele\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Miguel Azguime, Z\u00edngaro \/ Mont\u00e9ra \/ Lovens, Denis Colin, Didier Petit e Pablo Cueco, Giancarlo Schiaffini, Id\u00e9fix Generator &#8211; &#8220;Ciclo De M\u00fasica Improvisada Em Lisboa &#8211; Sil\u00eancio, Folia E Um Elefante&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> quinta-feira >> 23.06.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Ciclo De M\u00fasica Improvisada Em Lisboa<br \/>\nSil\u00eancio, Folia E Um Elefante<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Muito boa m\u00fasica aconteceu no Ciclo \u201cImprovisa\u00e7\u00e3o na M\u00fasica do s\u00e9c. XX\u201d. Mas a maior, aquela que est\u00e1 para al\u00e9m das notas, teve lugar com o trio formado por Denis Colin, Didier Petit e Pablo Cueco. Solistas de outra gal\u00e1xia.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/miguelAzguime.jpg\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"837\" class=\"alignnone size-full wp-image-12165\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/miguelAzguime.jpg 684w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/miguelAzguime-245x300.jpg 245w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/miguelAzguime-624x764.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/miguelAzguime-82x100.jpg 82w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Guardamos at\u00e9 \u00e0 data na mem\u00f3ria, como paradigma do acto de improvisa\u00e7\u00e3o e entrega plena \u00e0 m\u00fasica, uma memor\u00e1vel actua\u00e7\u00e3o do grupo de Michel Portal, h\u00e1 muitos anos, num pequeno cine-teatro em Sintra. O trio de franceses liderado pelo clarinetista baixo Denis Colin andou l\u00e1 perto. Recapitulemos por\u00e9m os actos pr\u00e9vios destas \u201cimprovisa\u00e7\u00f5es\u201d que decorreram segunda e ter\u00e7a-feira no Teatro de S. Luiz em Lisboa, uma organiza\u00e7\u00e3o das Miso Produ\u00e7\u00f5es de Miguel Azguime integrada no programa de Lisboa-94.<br \/>\nNa segunda-feira, com cerca de uma centena de pessoas na sala, Miguel Azguime apresentou a pe\u00e7a \u201c\u00cdcones\u201d, para percuss\u00e3o solo. Percutiu uma escada, uma vasilha (inclusive por dentro), fez cantar um vibrafone, extraiu s\u00edlabas da luz e das palavras. Intuitivo, \u201cperformer\u201d, atento como sempre \u00e0 vibra\u00e7\u00e3o e cor dos materiais, Azguime brilhou sobretudo no j\u00e1 habitual desempenho em tr\u00eas caixas de madeira com diversas afina\u00e7\u00f5es\/resson\u00e2ncias, dele se podendo dizer que cada vez mais se assemelha, na est\u00e9tica e na postura, a Stephan Micus.<br \/>\nIrene Schweizer \u00e9 uma not\u00e1vel contadora de hist\u00f3rias. Nas cita\u00e7\u00f5es constantes a estilos e \u00e9pocas que lhe fez passear pelo teclado (e, num dos trechos, em explora\u00e7\u00e3o cavernosa nas entranhas do instrumento), a pianista sui\u00e7a mostrou uma t\u00e9cnica que enfatiza a articula\u00e7\u00e3o e o detalhe em detrimento da energia.<br \/>\nCa\u00f3tica foi, em certos momentos, a presta\u00e7\u00e3o do trio Z\u00edngaro \/ Mont\u00e9ra \/ Lovens. Mais contido do que noutras ocasi\u00f5es, o violinista portugu\u00eas acabou por ser o mais atento dos tr\u00eas e o \u00fanico que procurou p\u00f4r alguma ordem na casa. Lovens, jogando com a aleatoriedade dos gestos e dos sons, e Mont\u00e9ra, tecel\u00e3o de mil ru\u00eddos na guitarra (deitada sobre uma mesa, submetida a mil torturas, \u00e0 maneira de Fred Frith em dia de desbunda), mataram \u00e0 nascen\u00e7a qualquer ideia ou discurso articulado que surgisse, numa esp\u00e9cie de \u201ccoitus interruptus\u201d musical onde Z\u00edngaro procurou construir pontes e acrescentar poesia.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica Animal<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte, a assist\u00eancia era ainda menos numerosa do que na v\u00e9spera. Mas as pouco mais de 70 pessoas presentes assistiram ao milagre. Partindo de pe\u00e7as compostas, Denis Colin, Didier Petit e Pablo Cueco deram uma li\u00e7\u00e3o, a v\u00e1rios n\u00edveis. Tocando embora para um p\u00fablico diminuto, entregaram-se totalmente \u00e0 m\u00fasica, numa procura incessante de al\u00e9m, na ultrapassagem constante de si pr\u00f3prios. Fizeram teatro, no sentido mais nobre do termo, como o entendia Artaud.: n\u00e3o como uma imita\u00e7\u00e3o da vida mas sim a pr\u00f3pria vida enquanto teatraliza\u00e7\u00e3o, encena\u00e7\u00e3o nua, sem filtros nem barreiras.<br \/>\nDidier Petit \u00e9 um monge. O modo como cria no violoncelo faz dele um asceta. Orquestrador de sentimentos e dos diferentes planos do real, cantou literalmente e subiu, subiu at\u00e9 regi\u00f5es insuspeitadas da m\u00fasica. Inesquec\u00edvel a maneira como se \u201cintroduziu\u201d num solo de Cueca no \u201czarb\u201d (tambor de toque algures entre a \u201cdarbouka\u201d e as tablas), fazendo-o apenas com movimentos (no sentido mais lato, m\u00fasica \u00e9 movimento, os sons nascem depois) do instrumento e do arco, em arquitectura gestual que provou de uma vez por todas que o sil\u00eancio (fonte e t\u00e9rmino da m\u00fasica) pode ser moldado e aud\u00edvel.<br \/>\nDenis Colin \u00e9 um prod\u00edgio. De t\u00e9cnica (percorre com a agilidade de um \u201cflaneur\u201d todas as alturas, da estrid\u00eancia ao telurismo abissal) e de \u201cfeeling\u201d. O(s) seu(s) discurso(s) \u00e9 percorrido pelo fogo. O corpo agita-se-lhe em folia criativa. Lirismo, humor, for\u00e7a, recolhimento, segundo os ditames do momento. Metamorfose. Ao ponto de numa fase em que a m\u00fasica inflectiu em pulsa\u00e7\u00e3o tribal, primitiva, quase de batuque, se transformar num elefante em f\u00faria, soltando bramidos pavorosos, abanando o clarinete baixo como uma tromba. Naquele momento, Denis Colin era um elefante, da mesma forma que um xam\u00e3 confunde a sua alma humana com a dos animais.<br \/>\nCueco \u00e9 um percussionista ao estilo homem-aranha de Glen Velez, criando imperceptivelmente teias de solu\u00e7os, s\u00edncopes, explos\u00f5es, filamentos de ar, d\u00favidas tornadas certezas, pedras, batimentos card\u00edacos. Os tr\u00eas juntos, s\u00f3 visto. Ainda por cima tinham \u201cswing\u201d!. Sa\u00edram do palco como entraram, discretamente, por uma porta aberta no enorme painel em metal que na ocasi\u00e3o substituiu o pano de cena, encimado pela frase \u201cevitai o p\u00e2nico\u201d.<br \/>\nPerdoem-me ent\u00e3o finalmente Giancarlo Schiaffini e as suas impressionantes manipula\u00e7\u00f5es t\u00edmbricas e harm\u00f3nicas realizadas no trombone com a ajuda de \u201clive electronics\u201d. Algures nas imedia\u00e7\u00f5es de Stuart Dempster (na cria\u00e7\u00e3o de tempos de reverbera\u00e7\u00e3o artificiais), J. A. Deane (no massacre sonoro) e Terry Riley (em certas circularidades evocativas do tema \u201cPoppy nogood and the Phantom band\u201d de \u201cA Rainbow in Curved Air\u201d). Fecharam os portugueses Id\u00e9fix Generator numa onda de jazz rock bem tocado mas sem rasgos, com o saxofonista Paulo Curado em muito bom n\u00edvel, por vezes em curiosa interioriza\u00e7\u00e3o do universo de John Lurie. Lisboa 94 nem deve ter reparado, mas alguma da melhor m\u00fasica ao vivo deste ano esteve nestas \u201cimprovisa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> quinta-feira >> 23.06.1994 Ciclo De M\u00fasica Improvisada Em Lisboa Sil\u00eancio, Folia E Um Elefante Muito boa m\u00fasica aconteceu no Ciclo \u201cImprovisa\u00e7\u00e3o na M\u00fasica do s\u00e9c. XX\u201d. Mas a maior, aquela que est\u00e1 para al\u00e9m das notas, teve lugar com o trio formado por Denis Colin, Didier Petit e Pablo Cueco. Solistas de outra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1069,369,841,81,413,14,1754,50,12,24],"tags":[3780,3781,3778,3782,3120,3763,3777,1828,2832,2819,2684,3779],"class_list":["post-12164","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1994","category-avant-gard","category-concertos","category-contemporanea","category-em-portugal","category-experimental","category-improvisacao","category-instrumental","category-jazz","category-portugueses","tag-denis-colin","tag-didier-petit-e-pablo-cueco","tag-giancarlo-schiaffini","tag-idefix-generator","tag-lisboa-94","tag-miguel-azguime","tag-miso-producoes","tag-s-luiz","tag-teatro-municipal-de-s-luiz","tag-teatro-municipal-s-luiz","tag-teatro-s-luiz","tag-zingaro-montera-lovens"],"views":230,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12166,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12164\/revisions\/12166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}