{"id":12122,"date":"2025-02-17T07:39:47","date_gmt":"2025-02-17T14:39:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12122"},"modified":"2025-02-17T07:39:47","modified_gmt":"2025-02-17T14:39:47","slug":"miguel-teixeira-em-publico-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/02\/17\/miguel-teixeira-em-publico-dossier\/","title":{"rendered":"Miguel Teixeira (Em P\u00fablico | Dossier)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 15.06.1994<br \/>\nEM P\u00daBLICO<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>MIGUEL TEIXEIRA *<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/miguelTeixeira1.gif\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"248\" class=\"alignnone size-full wp-image-12123\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/miguelTeixeira2.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"435\" class=\"alignnone size-full wp-image-12124\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/miguelTeixeira2.jpg 620w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/miguelTeixeira2-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/miguelTeixeira2-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\nQual \u00e9 o seu percurso anterior aos Toque de Caixa?<br \/>\nComecei a tocar com 14, 15 anos, e a ouvir muita m\u00fasica sul-americana, toquei nalguns grupos que praticavam este tipo de m\u00fasica. Entretanto, comecei a interessar-me pela m\u00fasica tradicional portuguesa, com o Zeca Afonso e o Adriano \u2013 conv\u00e9m dizer que tenho 36 anos\u2026 Toquei tamb\u00e9m num grupo chamado Siga a Rusga, que durou dez anos e lan\u00e7ou dois discos. O Siga a Rusga acabou e fui convidado pelo Tent\u00fagal para fazer parte da segunda forma\u00e7\u00e3o dos Vai de Rodam e, quase ao mesmo tempo, para integrar a forma\u00e7\u00e3o do actual Toque de Caixa.<\/p>\n<p>De uma vez por todas, aceita a compara\u00e7\u00e3o que muita gente faz dos Toque de Caixa com os Vai de Roda?<br \/>\nH\u00e1 uma confus\u00e3o. O estigma de dois grupos serem id\u00eanticos em termos de arranjos. Mas as pessoas n\u00e3o se podem esquecer de que os Vai de Roda, para al\u00e9m do director musical comum com o Toque de Caixa que era o Tent\u00fagal, tinha tr\u00eas m\u00fasicos que agora est\u00e3o no Toque de Caixa. Pessoas com forma\u00e7\u00e3o musical e a tend\u00eancia para p\u00f4r a sua maneira de tocar no grupo. No meu caso, a minha forma de tocar esteve presente no Vai de Roda e em particular no \u00e1lbum \u201cTerreiro das Bruxas\u201d quando se come\u00e7ou a fazer arranjos baseados na m\u00fasica sul-americana.<\/p>\n<p>Tanto quanto se sabe as rela\u00e7\u00f5es actuais entre os dois grupos n\u00e3o s\u00e3o as melhores. Quer explicar as raz\u00f5es por que isso acontece?<br \/>\nA minha rela\u00e7\u00e3o pessoal com o Tent\u00fagal n\u00e3o \u00e9 boa nem m\u00e1, \u00e9 de \u201cbom dia, boa tarde, est\u00e1s bom, pouco gosto em ver-te e poucas vezes\u201d\u2026 Houve coisas que se passaram em rela\u00e7\u00e3o ao Manuel Tent\u00fagal e ao Vai de Roda, nomeadamente com alguns elementos do grupo que n\u00e3o foram muito correctos para com o actual Toque de Caixa. Por uma raz\u00e3o ou por outra, eles n\u00e3o tiveram um comportamento \u00e0 altura, nem de m\u00fasicos, nem de amigos que \u00e9ramos.<br \/>\nO problema concreto surgiu porque ensai\u00e1vamos todos no mesmo s\u00edtio e, a determinada altura, come\u00e7aram a surgir problemas de dinheiro, enfim, um problema de afirma\u00e7\u00e3o de um grupo perante o outro. O Manuel Tent\u00fagal achou que os m\u00fasicos deviam tocar ou num grupo ou noutro e que o local de ensaio deveria ser apenas de um deles. Houve uma op\u00e7\u00e3o do Bil\u00e3o, que na altura era o dono do espa\u00e7o onde ensai\u00e1vamos e puseram o Toque de Caixa l\u00e1 para fora. N\u00e3o aceit\u00e1mos isso com muito bons olhos e da\u00ed as rela\u00e7\u00f5es terem esfriado.<\/p>\n<p>O vosso primeiro \u00e1lbum, \u201cHist\u00f3rias do Som\u201d, pode considerar-se bastante experimental, dentro do campo da chamada m\u00fasica de raiz tradicional. Como se processa a rela\u00e7\u00e3o do grupo com a tradi\u00e7\u00e3o?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 nada complicada. Como j\u00e1 disse, o meu percurso tem a ver com a m\u00fasica tradicional portuguesa e da Am\u00e9rica latina. No grupo, procuramos dar um determinado cariz \u00e0 m\u00fasica tradicional, com um tipo de arranjos que estejam de acordo com a nossa forma de sentir actual. N\u00e3o estamos muito preocupados em pegar em temas tradicionais e em trata-los de forma a que as pessoas achem ou n\u00e3o fiel. Embora neste campo tenhamos muita coisa recolhida, desde material escrito em pauta, recolhido de livros, coisas que vamos buscar aos alfarrabistas, muito antigas e que pouca gente conhece, at\u00e9 grava\u00e7\u00f5es que tanto podem ser feitas por n\u00f3s em locais que visitamos como de grava\u00e7\u00f5es pr\u00e9-existentes, caso dos discos do Giacometti.<\/p>\n<p>No seu caso e na qualidade de principal compositor do grupo, como articula a sua escrita com o material tradicional?<br \/>\nH\u00e1 sempre qualquer coisa naquilo que componho que \u00e9 \u201ctradicional\u201d, na forma que tenho de ver a m\u00fasica. \u00c9 uma coisa que est\u00e1 dentro do corpo. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 outro tipo de m\u00fasicas que v\u00e3o entrando\u2026<\/p>\n<p>Como a dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra, por exemplo, uma das influ\u00eancias \u00f3bvias do Toque de Caixa?<br \/>\n\u00c9 capaz de ser normal porque \u00e9 um grupo que, se repararmos bem, tem tamb\u00e9m uma influ\u00eancia \u2013 nomeadamente com a introdu\u00e7\u00e3o do \u201cCuatro\u201d \u2013 dos ritmos e baixos sul-americanos. \u00c9 um tipo de m\u00fasica onde eu pessoalmente me sinto \u00e0 vontade, porque o facto de ter tocado e ouvido durante tantos anos m\u00fasica sul-americana me d\u00e1 um grande \u00e0-vontade em termos de tempos e contratempos \u2013 esse tipo de coisas. Ainda agora acabei de oferecer, como presente de anivers\u00e1rio a um dos membros do grupo \u2013 o Hor\u00e1cio -, um disco da Linda Ronstadt, da fase em que ela cantava m\u00fasica sul-americana. Sempre que posso, aprendo com os sul-americanos, nomeadamente em termos de ritmo instrumental.<\/p>\n<p>Concorda que a m\u00fasica dos Toque de Caixa privilegia um certo classicismo formal, em detrimento da espontaneidade que, por regra, se associa aos grupos ligados \u00c0 m\u00fasica tradicional?<br \/>\nPenso que ainda h\u00e1 muito pouco \u00e0-vontade\u2026 este \u00e9 o primeiro disco gravado pelo Toque de Caixa. Al\u00e9m disso, o conceito de est\u00fadio p\u00f5e \u00e0s pessoas um problema que \u00e9 o de ter de trabalhar o mais depressa poss\u00edvel, porque o est\u00fadio \u00e9 caro. Nos grupos de m\u00fasica tradicional, isto torna-se ainda mais evidente. Sentimos que em est\u00fadio somos mais pressionados. Fora isso, os arranjos que fazemos s\u00e3o igualmente para serem tocados em est\u00fadio e ao vivo. \u00c9 evidente que ao vivo as coisas resultam de outra forma. Por exemplo, no disco, o tema \u201cAula de M\u00fasica\u201d, com a mi\u00fada a cantar. Experiment\u00e1mos duas vezes ao vivo e n\u00e3o resultou, porque a mi\u00fada n\u00e3o estava \u00e0 vontade. Ent\u00e3o pass\u00e1mos a ser n\u00f3s a fazer essa parte, com um grande berreiro. O que, em est\u00fadio, n\u00e3o resultou, porque ningu\u00e9m conseguiu reproduzir esse ambiente de festa. Pelo contr\u00e1rio, em est\u00fadio, a voz da mi\u00fada resultou perfeitamente.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas comuns a muitos grupos portugueses da vossa \u00e1rea \u00e9 o n\u00famero elevado de elementos dos grupos, como \u00e9 o vosso caso. Na Irlanda, por exemplo, dois ou tr\u00eas chegam para fazer muito boa m\u00fasica. A que se deve tal facto? N\u00e3o ser\u00e1 uma dificuldade adicional? Ou, pelo contr\u00e1rio, serve para disfar\u00e7ar insufici\u00eancias t\u00e9cnicas?<br \/>\nSim, provoca algumas dificuldades, nomeadamente log\u00edsticas. Temos sempre o problema de sermos nove elementos, para ir a qualquer s\u00edtio. Mas \u00e9 de facto um apan\u00e1gio dos grupos portugueses, terem sete, oito m\u00fasicos. Quanto ao aspecto de execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como sabe, nem o Toque de Caixa, nem a maioria dos grupos portugueses s\u00e3o formados por m\u00fasicos profissionais. Da\u00ed n\u00e3o podermos ensaiar todos os dias, nem sequer dia sim dia n\u00e3o.<br \/>\nA esse n\u00edvel, h\u00e1 de facto falta de ensaios, se levarmos em conta que um grupo profissional tem pelo menos que ensaiar todos os dias, estar agarrado ao instrumento umas horas por dia. Talvez seja essa uma das raz\u00f5es e n\u00f3s tenhamos que nos apoiar, podendo haver um m\u00fasico que colmata as dificuldades do outro. Mas n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto isso n\u00e3o ser\u00e1 um falso problema, porque dentro deste g\u00e9nero de grupos existem muito bons instrumentistas. Mas ao vivo h\u00e1 de facto que ter mais cuidado, s\u00e3o muitas pessoas, com cabos, problemas de equil\u00edbrio de som. A\u00ed sim, \u00e9 pior.<\/p>\n<p>Como se explica que o Toque de Caixa seja um dos grupos portugueses ligados \u00e0 m\u00fasica tradicional que mais actua nos estrangeiro?<br \/>\nA Etnia tem sido at\u00e9 agora uma das vias que nos tem permitido chegar mais facilmente ao estrangeiro. Mas temos tocado bastante em Espanha, ou em Fran\u00e7a, sem termos nada que ver com a Etnia. Temos os nossos canais privados e enviamos discos a pessoas que conhecemos e est\u00e3o bem colocadas ao n\u00edvel da organiza\u00e7\u00e3o de concertos e festivais. O facto de o Toque de Caixa ter uma postura agrad\u00e1vel em palco talvez tamb\u00e9m ajude.<\/p>\n<p>Depois de \u201cHist\u00f3rias de Som\u201d t\u00eam j\u00e1 algum novo projecto em perspectiva?<br \/>\nEstamos a pensar muito seriamente em come\u00e7ar a gravar o segundo disco no in\u00edcio do ano que vem. J\u00e1 estamos a fazer ensaios, a trabalhar nos arranjos. S\u00f3 estamos \u00e0 espera que a editora [Num\u00e9rica, do Porto] em Janeiro d\u00ea o sim ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>* Director musical e multi-instrumentista dos Toque de Caixa que recentemente editaram o \u00e1lbum \u201cHist\u00f3rias do Som\u201d e actuaram com sucesso no Festival Interc\u00e9ltico do Porto.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 15.06.1994 EM P\u00daBLICO MIGUEL TEIXEIRA * Qual \u00e9 o seu percurso anterior aos Toque de Caixa? Comecei a tocar com 14, 15 anos, e a ouvir muita m\u00fasica sul-americana, toquei nalguns grupos que praticavam este tipo de m\u00fasica. Entretanto, comecei a interessar-me pela m\u00fasica tradicional portuguesa, com o Zeca Afonso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1069,413,179,28,24,68],"tags":[1072,1073],"class_list":["post-12122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1994","category-em-portugal","category-etno","category-folk","category-portugueses","category-world","tag-miguel-teixeira","tag-toque-de-caixa"],"views":261,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12122"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12125,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12122\/revisions\/12125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}