{"id":12057,"date":"2025-01-06T09:17:47","date_gmt":"2025-01-06T16:17:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12057"},"modified":"2025-01-06T09:17:47","modified_gmt":"2025-01-06T16:17:47","slug":"dolores-keane-kathryn-tickell-musica-celta-no-coliseu-uma-estrela-ascende-outra-cai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2025\/01\/06\/dolores-keane-kathryn-tickell-musica-celta-no-coliseu-uma-estrela-ascende-outra-cai\/","title":{"rendered":"Dolores Keane + Kathryn Tickell &#8211; &#8220;M\u00fasica Celta No Coliseu &#8211; Uma Estrela Ascende, Outra Cai&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira >> 09.05.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>M\u00fasica Celta No Coliseu<br \/>\nUma Estrela Ascende, Outra Cai<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>H\u00e1 vozes que envelhecem bem. A de Dolores Keane envelheceu mal. Fosse do \u00e1lcool, por estar gr\u00e1vida ou do ambiente gelado do Coliseu o facto \u00e9 que a cantora irlandesa foi uma sobra de si pr\u00f3pria. Kathryn Tickell, pelo contr\u00e1rio, mostrou que o futuro da folk brit\u00e2nica passa por ela.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/KathrynTickell.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"484\" class=\"alignnone size-full wp-image-12058\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/KathrynTickell.jpg 682w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/KathrynTickell-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/KathrynTickell-624x443.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/KathrynTickell-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Est\u00e1 bem que a m\u00fasica folk \u00e9 das mais f\u00e9rteis mas n\u00e3o exageremos. \u00c9 que as cantoras desta \u00e1rea musical que nos \u00faltimos tempos nos t\u00eam visitado andam a exagerar. S\u00f3 falta fazerem de Portugal uma maternidade. M\u00e1rta Sebestyen, no recente Interc\u00e9ltico, tinha acabado de dar \u00e0 luz. Foi o que se (n\u00e3o) ouviu: a voz por um fio e os Muzsikas a salvarem, de que maneira, a honra do convento. S\u00e1bado \u00e0 noite, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em espect\u00e1culo integrado na programa\u00e7\u00e3o de Lisboa-94, Dolores Keane apresentou-se por sua vez com uma barriga de quase nove meses. J\u00e1 n\u00e3o bastava a Maria do Amparo!&#8230;<br \/>\nFosse por este ou por outro motivo qualquer \u2013 fortes ind\u00edcios apontam para o \u00e1lcool como principal agente de deteriora\u00e7\u00e3o das cordas vocais da senhora ou n\u00e3o fosse ela da melhor cepa irlandesa \u2013 a actua\u00e7\u00e3o da m\u00edtica Dolores Keane saldou-se numa enorme desilus\u00e3o. Se o report\u00f3rio \u2013 uma mistura de can\u00e7\u00f5es de autores e proveni\u00eancias variadas servidas por arranjos bacocos e m\u00fasicos bastante pouco inspirados \u2013 at\u00e9 nem surpreendeu, confirmando ao vivo as debilidades dos seus \u00faltimos \u00e1lbuns a solo, j\u00e1 a voz, uma voz que aprend\u00earamos a amar desde quando Dolores era a jovem vocalista dos De Danann, deu uma p\u00e1lida imagem da grandeza do passado. Dolores cantou em esfor\u00e7o. O seu vozeir\u00e3o, com aquela gravidade rouca que o whiskey concede aos seus lacaios ao fim de anos de bons servi\u00e7os, n\u00e3o teve por\u00e9m o controlo de uma June Tabor, por exemplo, mostrando-se impotente para respirar com a naturalidade que seria leg\u00edtimo esperar. O som, met\u00e1lico e estridente, tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou, destruindo o timbre vocal da irlandesa. Ali\u00e1s, sempre que Dolores se afastava do microfone, logo a voz se lhe suavizava e tornava mais humana.<br \/>\nEnfim, a dama gr\u00e1vida (esta ter\u00e1 sido de resto a sua derradeira apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo antes do parto) cantou sobretudo can\u00e7\u00f5es do \u00faltimo \u00e1lbum \u201cSolid Ground\u201d e autores como Kieran Alpen, Mick Hanly, Linda Thompson e Paul Brady entre v\u00e1rias \u201cimmigrant songs\u201d, um exerc\u00edcio de \u201cmouth music\u201d e temas de influ\u00eancia \u201ccountry\u201d, um dos quais da tradi\u00e7\u00e3o dos Apalaches com refer\u00eancias a Doc Watson e aos Carter Family. Por duas ocasi\u00f5es Dolores Keane trocou o canto por uma flauta, nuns \u201creels\u201d, \u201cjigs\u201d e uma valsa mal amanhados mas que serviram para quebrar a monotonia.<br \/>\nSobre a banda \u2013 guitarras, baixo, bateria e teclados \u2013 que acompanhou Dolores Keane a Lisboa pouco h\u00e1 a dizer. Vulgar como qualquer grupo de baile. Nem John Faulkner, marido da cantora e m\u00fasico de renome, escapou ao cinzent\u00e3o. A voz n\u00e3o parecia a mesma de um \u00e1lbum com a qualidade de \u201cKind Providence\u201d. Quanto ao que mostrou na guitarra, bouzouki e violino, s\u00f3 na Irlanda h\u00e1 hoje centenas de putos capazes de fazerem melhor. Mas pronto, melhores dias vir\u00e3o e o que mais desejamos \u00e9 felicidades para o casal e para o futuro rebento.<br \/>\nFelizmente tivemos na primeira parte Kathryn Tickell. Uma jovem instrumentista digna de se ver e de se ouvir que, aos 25 anos, \u00e9 j\u00e1 uma das maiores int\u00e9rpretes de gaita-de-foles em Inglaterra. Com ela veio a sua nova banda, tudo gente novinha, merecendo destaque o guitarrista Ian Carr e a agilidade digital de Karen Tweed, a acordeonista de la\u00e7arote vermelho na cabe\u00e7a com ar de Pipi das meias altas. Kathryn alternou as \u201cNorthumbrian pipes\u201d com o violino, rubricando neste instrumento \u201creels\u201d em que deixou patente mais eleg\u00e2ncia do que virtuosismo. Mas foi nas \u201cpipes\u201d que a jovem mostrou todas as suas capacidades. Nem tanto nas acelera\u00e7\u00f5es, apoiadas numa utiliza\u00e7\u00e3o inteligente das escalas descendentes e dos meios tons que no final levaram parte da assist\u00eancia a ir para a frente do palco dan\u00e7ar, como sobretudo num espantoso lamento enriquecido por um jogo de ornamenta\u00e7\u00f5es, todo ele s\u00edncopes e \u201cswing\u201d, ao n\u00edvel do que escut\u00e1ramos antes e ao vivo em Paul James, no concerto para iniciados que este m\u00fasico deu h\u00e1 uns anos em Alg\u00e9s com Nigel Eaton, ou no gaiteiro dos Perlinpinpin Folc.<br \/>\nKathryn Tickell tem tudo para se tornar uma estrela: talento e fotogenia, a par de uma sensibilidade pop e de uma energia que transformam, sem a trair, a linguagem folk em qualquer coisa de excitante para outro tipo de audi\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira >> 09.05.1994 M\u00fasica Celta No Coliseu Uma Estrela Ascende, Outra Cai H\u00e1 vozes que envelhecem bem. 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