{"id":12015,"date":"2024-12-11T06:44:51","date_gmt":"2024-12-11T13:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=12015"},"modified":"2024-12-11T06:44:51","modified_gmt":"2024-12-11T13:44:51","slug":"quim-barreiros-quim-barreiros-deu-show-na-aula-magna-e-lisboa-cheirou-o-bacalhau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/12\/11\/quim-barreiros-quim-barreiros-deu-show-na-aula-magna-e-lisboa-cheirou-o-bacalhau\/","title":{"rendered":"Quim Barreiros &#8211; &#8220;Quim Barreiros Deu &#8216;Show&#8217; Na Aula Magna &#8211; E Lisboa Cheirou O Bacalhau&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> quarta-feira >> 28.01.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Quim Barreiros Deu \u201cShow\u201d Na Aula Magna<br \/>\nE Lisboa Cheirou O Bacalhau<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quimBarreiros.jpg\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"708\" class=\"alignnone size-full wp-image-12016\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quimBarreiros.jpg 451w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quimBarreiros-191x300.jpg 191w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/quimBarreiros-64x100.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A cultura portuguesa sofreu na noite de quarta-feira, na Aula Magna, um forte aban\u00e3o. Nada voltar\u00e1 a ser como dantes. Quim Barreiros, desde anteontem, tornou-se uma lenda viva das artes nacionais. E Lisboa mostrou aquilo que \u00e9. Uma grande aldeia de chinela no p\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p>Muito antes do espect\u00e1culo reinava no templo cultural da Universidade portuguesa um ambiente calmo, distinto mesmo, como se fosse um qualquer concerto da Gulbenkian. Mas os cora\u00e7\u00f5es saltavam impacientes no peito das senhoras de meia-idade forradas com casacos de peles e nos peitilhos dos senhores de tr\u00eas quartos de idade que as acompanhavam. Adolescentes excitados saboreavam com antecipa\u00e7\u00e3o as sugest\u00f5es de ordinarice. Estudantes, muitos, divertiam-se \u00e0 grande, alguns trazendo na cabe\u00e7a chap\u00e9us \u201c\u00e0 Quim Barreiros\u201d que se vendiam no exterior, outros com pandeiretas. Ria-se muito. Toda a gente \u00e0 espera da festa.<br \/>\nE a festa aconteceu. Primeiro com a Tuna Acad\u00e9mica do Instituto Superior T\u00e9cnico. Vinte e quatro rapazes de batina negra, armados de guitarras, cavaquinhos, um acorde\u00e3o e boa disposi\u00e7\u00e3o. Come\u00e7aram por homenagear o Quim, \u201co \u00eddolo dos estudantes\u201d antes de tocarem tr\u00eas temas pr\u00f3prios, , \u201cVida de estudante\u201d, \u201cA marcha do caloiro\u201d e 2Serenata ao luar\u201d. Depois avacalharam e lan\u00e7aram-se num \u201cmedley\u201d de marchas e modinhas lisboetas, terminando em f\u00e1lica apoteose, com \u201cA pilinha\u201d e todos os elementos da tuna a fazerem \u201cmovimentos holog\u00e9nicos com as ancas\u201d.<br \/>\nNada melhor que a hologenia para acolher a preceito Quim Barreiros, na sua entrada triunfal numa Aula Magna hist\u00e9rica e \u00e0 cunha. Quim, o rei, surgiu trajado com a fatiota do costume, camisa branca, cal\u00e7as, colete, chap\u00e9u e bigode negros, todo ele folclore e malandrice.<br \/>\nN\u00e3o houve maneira de lhe resistir. Quim atacou forte e feio, com \u201cO sorveteiro (chupa Teresa)\u201d (que um nosso colega vespertino, dando mostras de uma espantosa lubricidade, ainda maior que a do mestre, transformou em \u201cChupa 13\u201d, ali, logo de uma vez). \u201cToda a gente a chupar\u201d, atirou de imediato. Logo a seguir, \u201cLi\u00e7\u00e3o de Dactilografia\u201d, o tal da \u201cprofessora a ensinar\u201d e ele \u201ca bater por letra\u201d, \u201cTodos a baterem!\u201d, pois claro!<br \/>\nQuim estava lan\u00e7ado e nunca mais parou, em ritmo de chula, em ritmo de acorde\u00e3o-expresso, ao ritmo de um piquenic\u00e3o selecto, na antec\u00e2mara do palavr\u00e3o. \u201cEst\u00e1 a nascer um neg\u00f3cio na tua cabe\u00e7a\u201d, \u201cFestival da can\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cTanqui\u00fa v\u00e9ri muche\u201d, agradece Quim, maroto. Nesta altura j\u00e1 os da tuna desfilavam em cord\u00e3o brasileiro pela sala, enquanto aos cantos desta se amontoavam as latas de cerveja. \u201cRock da Miquelina\u201d, um tema de Fernando Pereira, causou o del\u00edrio, com Quim, o artista completo, de \u00f3culos escuros, encarnando Bill Haley em \u201cRock around the clock\u201d. Mais cl\u00e1ssicos: \u201cO grilinho\u201d e o mais cl\u00e1ssico de todos, \u201cBacalhau \u00e0 portuguesa\u201d, o tal que meia Lisboa, que digo, meio Portugal canta enlouquecido. Com a estudantada j\u00e1 a dan\u00e7ar na clareira que fica situada entre a plateia da plebe e a plateia dos VIPS, o cantor de Vila Praia de \u00c2ncora mostra a sua costela \u00e9tnica, num tema dedicado a Coina, \u201co s\u00edtio onde gosta mais de ir\u201d: \u201cOh vamos a Coina, rapaziada, vamos a todas, n\u00e3o escapa nada.\u201d<br \/>\n\u201cPicada de enfermeiro\u201d antecedeu uma homenagem a Greta Garbo, feita de forma sentida e delicada: \u201cVamos \u00e0 Greta, todos querem ver a Greta, beijar a Greta\u2026\u201d, estava-se no verbo ir. Cada um ia para onde a sua imagina\u00e7\u00e3o mandava. Nada de muito profundo sup\u00f5e-se\u2026<br \/>\n\u201cRecebi um convite \u00c0 casa da Jaquina\u201d, primeira can\u00e7\u00e3o cantada por Quim Barreiros, em 1972, trouxe para a Aula Magna um momento de nostalgia. \u201cComi a sobra\u201d, \u201cDeixa botar s\u00f3 a cabe\u00e7a\u201d. A poesia fluiu livre, em \u201cAbre as pedras\u201d. \u201cAbre as pedras meu amor, que \u00e9 onde se esconde o peixe quando v\u00ea o pescador\u201d. \u201cA Little thing called love\u201d, dos Queen\u201d, voltou a mostrar o artista internacional. Queen Barreiros. Por fim, porque tudo tem um fim, n\u00e3o h\u00e1 mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe, um \u201cmedley\u201d que repescou parte de todos os \u201chits\u201d, perante uma assist\u00eancia que j\u00e1 tinha levado a sua dose. \u201cChupa Teresa\u201d acabou a fun\u00e7\u00e3o como come\u00e7ara \u2013 \u201ceu termino sempre como come\u00e7o\u201d, cabendo o fecho definitivo a um \u201cfunky\u201d instrumental. Como diria Serafim Saudade, um grande momento de \u201cmusic-hall\u201d.<br \/>\nNo fundo, muito no fundo, por detr\u00e1s do riso, esconde-se a trag\u00e9dia. Mas mais fundo ainda, por detr\u00e1s a trag\u00e9dia, esconde-se o riso. N\u00e3o \u00e9, Mariazinha?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> quarta-feira >> 28.01.1994 Quim Barreiros Deu \u201cShow\u201d Na Aula Magna E Lisboa Cheirou O Bacalhau A cultura portuguesa sofreu na noite de quarta-feira, na Aula Magna, um forte aban\u00e3o. Nada voltar\u00e1 a ser como dantes. Quim Barreiros, desde anteontem, tornou-se uma lenda viva das artes nacionais. E Lisboa mostrou aquilo que \u00e9. Uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1069,138,841,179,229,1023,24,68],"tags":[2981,3013,1024],"class_list":["post-12015","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1994","category-cantautor","category-concertos","category-etno","category-mpp","category-pimba","category-portugueses","category-world","tag-aula-magna","tag-aula-magna-da-reitoria-da-universidade-de-lisboa","tag-quim-barreiros"],"views":612,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12015"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12015\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12017,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12015\/revisions\/12017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}