{"id":11980,"date":"2024-11-18T09:15:43","date_gmt":"2024-11-18T16:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11980"},"modified":"2024-11-18T09:15:43","modified_gmt":"2024-11-18T16:15:43","slug":"celso-de-carvalho-em-publico-rubrica-serie-dossier-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/11\/18\/celso-de-carvalho-em-publico-rubrica-serie-dossier-entrevista\/","title":{"rendered":"Celso de Carvalho &#8211; &#8220;EM P\u00daBLICO&#8221; (rubrica | s\u00e9rie | dossier | entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 19.01.1994<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>EM P\u00daBLICO (rubrica \/ s\u00e9rie)<\/p>\n<p>CELSO DE CARVALHO *<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso1.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"92\" class=\"alignnone size-full wp-image-11981\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso1.jpg 218w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso1-100x42.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><br \/>>br\/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso2.jpg\" alt=\"\" width=\"566\" height=\"503\" class=\"alignnone size-full wp-image-11982\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso2.jpg 566w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso2-300x267.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/celso2-100x89.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>Por onde come\u00e7ou, pelo jazz, pelo rock, por outras m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nA minha primeira boa experi\u00eancia de m\u00fasica foi no liceu, em 1965, tinha quinze anos. Houve um concurso que o meu grupo ganhou. O pr\u00e9mio, al\u00e9m de uma ta\u00e7a simb\u00f3lica, era ir \u00e0 Emissora Nacional gravar dois temas \u00e0 escolha. Lembro-me que fomos gravar dois temas instrumentais dos Shadows. Tocava piano e viola ritmo. O grupo chamava-se Misters. O Plexus formou-se mais tarde, em 1968. Da sua primeira forma\u00e7\u00e3o faziam parte, al\u00e9m de mim, o Jos\u00e9 Teixeira Lopes, que j\u00e1 vinha dos Misters, o Carlos Z\u00edngaro, o Jorge Valente, o Lu\u00eds Pedro Fonseca. Grav\u00e1mos um disco de quatro temas na garagem do Jos\u00e9 Cid. Depois veio o fantasma da tropa e cada um seguiu para seu lado. Consegui meter-me numa banda militar, n\u00e3o sa\u00ed de c\u00e1. Tocava violoncelo na banda da GNR, por influ\u00eancia do meu pai. [Imposs\u00edvel n\u00e3o recordar aqui a figura de Woody Allen, em \u201cO Inimigo P\u00fablico\u201d, desfilando em parada a arrastar pela rua a cadeira e o violoncelo\u2026] Dois anos mais tarde o Plexus reformou-se, comigo, o Z\u00edngaro, o Jorge Valente e novos m\u00fasicos.<\/p>\n<p><strong>Que motivos levaram \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do Plexus?<\/strong><br \/>\nEu e o Paulo Gil pretend\u00edamos uma direc\u00e7\u00e3o musical mais aberta, enquanto o Z\u00edngaro queria manter-se na anterior linha, mais vanguardista. Separ\u00e1mo-nos. A confus\u00e3o toda que houve a seguir deve-se a que a coisa foi mal explicada. O Z\u00edngaro resolveu continuar o Plexus, mas n\u00e3o disse nada. Ele depois fez umas coisas esquisitas. Primeiro quis ficar detentor do nome, e isso irritou-me na altura. Foi um assunto que nunca ficou bem esclarecido.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Z\u00edngaro entretanto partiu para uma carreira no estrangeiro bem sucedida. Por que raz\u00e3o n\u00e3o tentou o mesmo? Por uma quest\u00e3o de feitio?<\/strong><br \/>\nQuando o Plexus acabou, quis tocar outro tipo de m\u00fasica, na altura j\u00e1 estava um bocado farto do \u201cfree jazz\u201d. Sempre houve em mim uma componente rock. No liceu gostava dos Beatles, dos Stones e por a\u00ed fora. Mais tarde, nos anos 70, interessei-me pelos King Crimson, pelo rock progressivo, a escola de Canterbury\u2026 O Z\u00edngaro n\u00e3o, al\u00e9m de que ter\u00e1 come\u00e7ado a sentir que j\u00e1 n\u00e3o era ele s\u00f3 o \u201cdirector\u201d, a figura-chave do grupo. Senti que houve um bocado de ci\u00fames musicais da parte dele\u2026 Depois do Plexus acabar fiquei a fazer cinco ou mais coisas simult\u00e2neas: a orquestra do S\u00e3o Carlos, ainda estava na banda da GNR, mais a Band do Casaco, o R\u00e3o Kyao e de vez em quando ainda era chamado para fazer sess\u00f5es de est\u00fadio\u2026<\/p>\n<p><strong>Essa diversidade n\u00e3o o ter\u00e1 prejudicado, na medida em que impediu uma orienta\u00e7\u00e3o definida para a sua carreira?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 n\u00edtido. Lembro-me de que uma vez fomos em excurs\u00e3o a um festival em Ch\u00e2teau-Vallon, em Fran\u00e7a, onde assisti a semin\u00e1rios com m\u00fasicos como o Steve Potts ou o Barre Philips, mas, se em algumas coisas ainda encontrei algum \u201cfeedback\u201d, noutras vi que j\u00e1 n\u00e3o era o que me interessava. Pelo contr\u00e1rio, o Z\u00edngaro encontrou logo ali a linha-mestra daquilo que queria fazer. Foram duas op\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p><strong>Na Band do Casaco encontrou a m\u00fasica que lhe interessava?<\/strong><br \/>\nNo princ\u00edpio havia uma magia grande, de facto. Os dois primeiros discos resultaram muito bem. Mas envolvi-me mais na Banda do Casaco sobretudo nos \u00faltimos tempos. O Pinho tinha sa\u00eddo e a minha participa\u00e7\u00e3o j\u00e1 podia ser mais de compositor e produtor. A princ\u00edpio eram s\u00f3 o Nuno Rodrigues e o Pinho que tinham as decis\u00f5es finais.<\/p>\n<p><strong>Com a extin\u00e7\u00e3o da Banda do Casaco o seu nome desapareceu tamb\u00e9m\u2026<\/strong><br \/>\nPois, na passagem dos anos 70 para os 80 queimei os fus\u00edveis, em termos de rentabilidade. Vi que era um disparate ter tido todos aqueles projectos ao mesmo tempo. N\u00e3o dava. Foi nessa altura que comecei a compor. Tamb\u00e9m lamento n\u00e3o ter tentado h\u00e1 mais tempo p\u00f4r essas m\u00fasicas a funcionar, em vez de as ter guardado. Da parte das editoras tamb\u00e9m n\u00e3o houve \u201cfeedback\u201d. Das v\u00e1rias que contactei, s\u00f3 tive resposta de duas: uma foi a Valentim de Carvalho, onde me disseram que tinham achado a m\u00fasica interessante mas um bocado de dif\u00edcil audi\u00e7\u00e3o (na altura, ainda me desafiaram para fazer trabalho de produ\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 agora n\u00e3o aconteceu nada\u2026), a outra foi a Num\u00e9rica, onde me disseram que estavam numa fase de recess\u00e3o e n\u00e3o previam um projecto como o meu. O que \u00e9 que uma pessoa pode fazer?<\/p>\n<p><strong>Mas h\u00e1 alguma dificuldade espec\u00edfica na sua m\u00fasica que impe\u00e7a de todo a sua audi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO meu drama se calhar \u00e9 ser muito individualista. Toco v\u00e1rios instrumentos e consigo fazer sozinho aquilo que idealizo. Outro drama \u00e9 n\u00e3o ter feitio para andar a pedir batatinhas, a percorrer as capelinhas todas a tentar impingir o meu trabalho. Depois tamb\u00e9m me isolo muito. N\u00e3o ponho os p\u00e9s num Hot Clube h\u00e1 uma d\u00fazia de anos, deixei de me interessar ainda no tempo em que tocava l\u00e1. Era sempre o mesmo p\u00fablico, e cansei-me sobretudo daquele p\u00fablico mais conservador.<\/p>\n<p><strong>No Plexus , como na Banda do Casaco, pensa que ter\u00e1 havido alguma azar em ter ficado sempre \u00e0 sombra das individualidades?&#8230;<\/strong><br \/>\nOs instrumentos que tocava, em particular o contrabaixo, predispunham um bocado essa situa\u00e7\u00e3o. Senti isso sobretudo com o R\u00e3o Kyao. O R\u00e3o Kyao usava muito um esquema que era tocar um tema baseado numa ou duas tonalidades, algo que tem a ver com a m\u00fasica indiana. Est\u00e1vamos dez minutos a tocar a \u00e0s tantas sentia que estava a fazer o meu melhor, mas no fundo pensava em qual era a utilidade do que estava a fazer. Estava sempre a servir de suporte para a \u201cestrela\u201d brilhar. Era um papel subalterno.<\/p>\n<p><strong>E em rela\u00e7\u00e3o ao violoncelo?<\/strong><br \/>\nA minha voz, de facto, \u00e9 o violoncelo, \u00e9 como comunico melhor. No violoncelo liberto-me desse papel subalterno.<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0s suas composi\u00e7\u00f5es, v\u00e3o ficar para sempre na gaveta?<\/strong><br \/>\nEste ano vai sair um disco meu, nem que seja em edi\u00e7\u00e3o de autor. Tenho tudo pronto, escrito em pauta. At\u00e9 o t\u00edtulo, que vai ser \u201cVioloncelo\u201d. Vou precisar de um teclista que esteja bem batido nas programa\u00e7\u00f5es de computador. Falei com o Ant\u00f3nio Emiliano e ele mostrou-se interessado. A minha vontade era tamb\u00e9m fazer concertos, s\u00f3 fazer o disco n\u00e3o tem piada. Se o Emiliano tiver disponibilidade\u2026 O grupo ter\u00e1 mais um baterista e um baixista. Eu vou tocar violoncelo e alguns teclados. Tenho um \u201calter ego\u201d. Sou um guitarrista frustrado. Sempre fui influenciado pelos guitarristas, do Satriani ao Steve Vai ou, mais jazz\u00edsticos, o Allan Holdsworth ou o Scott Henderson, j\u00e1 para n\u00e3o falar no Stanley Jordan. Como no violoncelo n\u00e3o poso fazer o que eles fazem, arranjei o tal \u201calter ego\u201d, uma guitarra simulada, a que chamo \u201cfake guitar\u201d, que \u00e9 um registo feito num sintetizador que tenho em casa.<br \/>\nTer ou n\u00e3o sucesso \u00e9 uma quest\u00e3o que o preocupa?<br \/>\nN\u00e3o quero ter sucesso em termos de popularidade da minha pessoa, mas sim de a minha m\u00fasica come\u00e7ar a ser conhecida.<\/p>\n<p><strong>Precisamente, num meio pequeno como o portugu\u00eas, atendendo \u00e0s especificidades da sua m\u00fasica, n\u00e3o teria sido prefer\u00edvel seguir um percurso semelhante ao do Carlos Z\u00edngaro ou Maria Jo\u00e3o, e procurar fazer carreira no estrangeiro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o quero, como acontece com os nomes que cita, ter de me manter fiel a uma linha musical. N\u00e3o gosto de sentir amarras. Prefiro estar em v\u00e1rias \u00e1reas. Quem tem a sorte de ter uma carreira internacional depois tem que se manter um bocado fiel a essa carreira.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o parece que a Maria Jo\u00e3o e o Z\u00edngaro estejam muito condicionados na m\u00fasica que fazem\u2026<br \/>\nMas isso \u00e9 porque j\u00e1 t\u00eam um nome e a partir da\u00ed \u00e9 uma bola de neve.<\/p>\n<p><strong>Sim, mas n\u00e3o lhe parece que eles tiveram de lutar at\u00e9 conseguirem esse estatuto?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o as tais quest\u00f5es de aproveitar ou n\u00e3o aproveitar as oportunidades.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o gostaria, por exemplo, de voltar a tocar com o Carlos Z\u00edngaro?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. O tal problema pessoal, ou mal-entendido, \u00e9 ele que tem de o resolver, n\u00e3o sou eu. Se ele quiser falar comigo, tudo bem. N\u00e3o sei o que se passa na cabe\u00e7a dele.<\/p>\n<p><strong>Nunca se interrogou sobre se o problema n\u00e3o ser\u00e1 afinal devido \u00e0 sua maneira de ser?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, sempre fui muito aberto, nunca impus a minha opini\u00e3o. Normalmente as pessoas querem logo marcara a sua posi\u00e7\u00e3o, mostrar que s\u00e3o isto ou aquilo, mas acabam por s\u00f3 fazer asneiras. Ou ent\u00e3o mostram logo tudo de repente e depois n\u00e3o acontece mais nada. Eu n\u00e3o. Acho que sou espont\u00e2neo. O meu problema ser\u00e1 talvez o de n\u00e3o conviver com as pessoas.<\/p>\n<p><strong>* Violoncelista, contrabaixista e compositor. Tocou com os Plexus, R\u00e3o Kyao, N\u00e9 Ladeiras e Banda do Casaco. Prepara o lan\u00e7amento do seu primeiro \u00e1lbum a solo, intitulado \u201cVioloncelo\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira >> 19.01.1994 EM P\u00daBLICO (rubrica \/ s\u00e9rie) CELSO DE CARVALHO * >br\/> Por onde come\u00e7ou, pelo jazz, pelo rock, por outras m\u00fasicas? A minha primeira boa experi\u00eancia de m\u00fasica foi no liceu, em 1965, tinha quinze anos. Houve um concurso que o meu grupo ganhou. 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