{"id":11845,"date":"2024-07-22T04:09:25","date_gmt":"2024-07-22T11:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11845"},"modified":"2024-07-22T04:09:25","modified_gmt":"2024-07-22T11:09:25","slug":"antonio-ferro-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/07\/22\/antonio-ferro-em-publico\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Ferro &#8211; &#8220;Em P\u00fablico&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira, 08.12.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ANT\u00d3NIO FERRO*<br \/>\nEM P\u00daBLICO<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/antonioFerro.jpg\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"328\" class=\"alignnone size-full wp-image-11846\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/antonioFerro.jpg 616w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/antonioFerro-300x160.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/antonioFerro-100x53.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Depois de \u201cCrep\u00fasculo do Vinho\u201d, com o quinteto KAF, fus\u00e3o bem sucedida do jazz com temas populares portugueses, o que se segue?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1 gravado e sair\u00e1 em Dezembro um disco meu com o violinista chin\u00eas Wong On Yuen. Chama-se \u201cSinais de Yuanjo\u201d (\u201cyuanjo\u201d, p\u00e1ssaro fabuloso da China). Estive em Macau em Abril deste ano a gravar com um grupo macaense e, a partir da\u00ed, contactei o Wong On Yuen. Trouxe alguns cancioneiros de m\u00fasica chinesa, documenta\u00e7\u00e3o sobre alguns poetas chineses e foi da\u00ed que comecei a fazer este trabalho. \u00c9 uma liga\u00e7\u00e3o entre a m\u00fasica portuguesa e a m\u00fasica chinesa. Tem temas meus, temas tradicionais portugueses e dois temas tradicionais chineses. O que d\u00e1 t\u00edtulo ao \u00e1lbum \u00e9 de verdadeira fus\u00e3o: come\u00e7a por um tema tradicional chin\u00eas, passa para o \u201cGungunhana\u201d, que \u00e9 um tema tradicional do Minho, depois para uns \u201clha\u00e7os\u201d (m\u00fasica que acompanha os pauliteiros do Douro) e termina novamente num tema chin\u00eas.<\/p>\n<p><strong>De onde lhe vem esse interesse continuado pela m\u00fasica tradicional, de certa forma estranho num m\u00fasico conotado com o jazz?<\/strong><br \/>\nEste interesse vem de todo o meu trabalho anterior. Comecei a tocar nos Go Graal Blues Band. Depois da tropa estive ligado aos cantores chamados na altura \u201cde interven\u00e7\u00e3o\u201d, Lu\u00eds C\u00edlia, Janita Salom\u00e9, Vitorino, Carlos Mendes, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, uma s\u00e9rie de gente que, de alguam forma, estava perto desse g\u00e9nero musical. Estive tamb\u00e9m em certa parte ligado ao GAC, que foi um viveiro de m\u00fasicos. Todas essas inas partiram da\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Mas o seu objectivo musical \u00faltimo \u00e9 mesmo essa fus\u00e3o entre o jazz e a m\u00fasica tradicional?<\/strong><br \/>\nO que eu pretendo n\u00e3o \u00e9 bem isso. Por exemplo, no novo disco, a liga\u00e7\u00e3o entre as m\u00fasicas tradicionais portuguesa e chinesa n\u00e3o passa pelo jazz. Ou tem a ver apenas pela improvisa\u00e7\u00e3o, embora esta n\u00e3o seja exclusiva do jazz. Existe at\u00e9 na m\u00fasica antiga. Este \u00e9 o disco que eu precisava de fazer. O segundo disco \u00e9 sempre o mais dif\u00edcil e houve certas coisas do primeiro que ficaram por fazer. No primeiro disco, [\u201cCrep\u00fasculo do Vinho\u201d] dei uma imagem minha mais em termos de arranjos e agora dou mais a imagem do instrumentista, de baixista. Embora tamb\u00e9m os arranjos tenham sido todos escritos por mim. E aquilo que fa\u00e7o no baixo tem, no fim de contas, a ver com um esp\u00edrito, uma forma muito especial de encarar o instrumento. \u00c9 evidente que h\u00e1 uma s\u00e9rie de influ\u00eancias de compositores como o Charles Mingus, o Jaco Pastorius, o pr\u00f3prio Dave Holland.<\/p>\n<p><strong>Considera-se ou n\u00e3o, afinal, um m\u00fasico de jazz?<\/strong><br \/>\nSituo-me como um m\u00fasico que tem influ\u00eancias do jazz, mas n\u00e3o me considero apenas um m\u00fasico de jazz. At\u00e9 porque, dentro de uma linguagem jazz\u00edstica propriamente dita, o \u201cbe-bop\u201d, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 um estilo em que me sinta muito \u00e0 vontade. Hoje em dia j\u00e1 h\u00e1 a\u00ed muita gente a tocar muito bem e pensoq eu dentro do jazz h\u00e1 um g\u00e9nero com o qual estou perfeitamente \u00e0 vontade que s\u00e3o os \u201cblues\u201d. Isso sim, se me falarem em \u201cblues\u201d, posso toc\u00e1-los l\u00e1 fora com quem quiser.<\/p>\n<p><strong>De onde lhe veio esse interesse pelos \u201cblues\u201d?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um interesse que j\u00e1 vem de muito longe. E depois tive a sorte de conhecer e de fazer parte dos Go Graal Blues Band, onde gravei o primeiro disco de \u201cblues\u201d feito em Portugal, em 1978, penso eu. Comecei logo num grupo que j\u00e1 era conhecido, fizemos as primeiras partes de uma s\u00e9rie de m\u00fasicos estrangeiros. Passei logo de uma pessoa que gostava de tocar baixo e que fazia  coisinhas para o palco de Cascais, cheio de gente, apanhei logo um impacto muito grande. Estive tamb\u00e9m com o Rui Veloso, no Festival de Jazz de Cascais, e a\u00ed veio um bocado a comprovar-se essa liga\u00e7\u00e3o aos \u201cblues\u201d. N\u00e3o me estou a ver de fatinho e gravata a tocar um tema de \u201cbe-bop\u201d\u2026<\/p>\n<p><strong>Essa n\u00e3o arruma\u00e7\u00e3o num estilo bem demarcado provoca-lhe algumas dificuldades em termos de carreira?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, porque normalmente as pessoas ligam-me sempre ao jazz. De resto at\u00e9 me traz vantagens. O facto de eu ter tocado com m\u00fasicos muito diferentes traz-me v\u00e1rias viv\u00eancias. Estive com o Lu\u00eds C\u00edlia, que talvez seja um dos m\u00fasicos que mais respeito, mas estive tamb\u00e9m com o Fernando Pereira, que \u00e9 um imitador e com quem fazia 27, 28 espect\u00e1culos por m\u00eas. Isto quer dizer alguma coisa. S\u00e3o duas pessoas completamente diferentes, para dois p\u00fablicos completamente diferentes, mas se calhar a riqueza que tirei dos dois trabalhos foi muito importante. Com o Fernando Pereira, era um trabalho de fazer arranjos e de tocar a acompanhar as sess\u00f5es que ele fazia. Isso permitiu-me ter um contacto directo com o pa\u00eds que foi muito ben\u00e9fico. \u00c9 evidente que essa m\u00fasica n\u00e3o tinha muito a ver com a minha linha de ac\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso dizer que foi numa altura da minha vida em que precisava de ganhar umas massas\u2026 Sem desprezo nenhum, aten\u00e7\u00e3o. Na cultura, h\u00e1 uma coisa um tanto ou quanto rid\u00edcula. Se est\u00e1s no BPA e passas amah\u00e3 para o Barclays Bank e dizes \u201cOlha, agora estou a ganhar mais 50 contos\u201d, toda a gente diz \u201cEh p\u00e1, fizeste bem!\u201d. Agora, se est\u00e1s num s\u00edtio e passa a cantar com um cantor e ganhas mais, dizem que j\u00e1 te vendeste. Na cultura \u00e9 assim: ou as pessoas morrem de fome ou, ent\u00e3o, nunca se sabe muito bem como \u00e9 que vivem, onde \u00e9 que arranjam dinheiro para viver.<\/p>\n<p><strong>Na altura em que saiu \u201cCrep\u00fasculo do Vinho\u201d houve quem o criticasse por ter escolhido temas demasiado popularuchos, em vez de fazer uma recolha mais profunda no cancioneiro tradicional. F\u00ea-lo por facilidade, por op\u00e7\u00e3o ou por humor?<\/strong><br \/>\nFoi propositado. Pelo seguinte: esta experi\u00eancia da m\u00fasica tradicional com o jazz n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que acontece. H\u00e1 um m\u00fasico que \u00e9 um pouco esquecido, o Jos\u00e9 Eduardo, contrabaixista, que foi das primeiras pessoas que eu me lembro de ter feito essa liga\u00e7\u00e3o. Lembro-me de assistir a concertos dele em que utilizava gaitas de amolador. Mas o facto de ter come\u00e7adopelas coisas mais popularuchas explica-se porque, na altura nenhum dos m\u00fasicos que trabalhavam comigo percebi amuito bem o que \u00e9 que se estava a passar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica portuguesa. Havia, de certa forma, que educa-los na m\u00fasica portuguesa. Al\u00e9m de que, da parte do p\u00fablico, como aconteceu por exemplo num concerto \u00e0s tr\u00eas da tarde antes de um discurso do Cunhal, as pessoas por vezes s\u00f3 captam o tema, a melodia principal. Se eu tocar o \u201cFado Vit\u00f3ria\u201d ou o \u201cPovo que lavas no rio\u201d, as pessoas reconhecem os temas, mas a partir da\u00ed, os solos, j\u00e1 n\u00e3o percebem nada. O que eu quis foi ent\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o por uma quest\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o, mas para elas verem que j\u00e1 ouviram muitas vers\u00f5es daquelas m\u00fasicas mas se calhar nunca da nossa maneira.<br \/>\nSe no segundo disco continuasse no mesmo caminho, isso \u00e1i j\u00e1 n\u00e3o. Uma coisa que acontece no novo trabalho, com o Wong On Yuen, \u00e9 que se calhar s\u00f3 alguns entendidos \u00e9 que v\u00e3o perceber que h\u00e1 l\u00e1 melodias portuguesas. Tamb\u00e9m fiquei um bocado cheio daquela quantidade de grupos que apareceram com a mulher do que tocava guitarra a tocar bombo\u2026 \u00c0s vezes dava uma imagem da m\u00fasica tradicional um bocado de \u201ccoitadinhos\u201d. Da parte de alguns grupos de m\u00fasica tradicional h\u00e1 muito a tend\u00eancia de se fazer a recolha o mais fielmente poss\u00edvel. O que traz alguns problemas. Uma vez falei com um senhor do Alentejo que me disse que tinha l\u00e1 ido um grupo desses fazer uma recolha e n\u00e3o se tinham a percebido de que os m\u00fasicos locais se tinham enganado. O senhor estranhava que n\u00e3o tivessem reparado que eles se tinham enganado. Criaram uma m\u00fasica t\u00e3o fiel que ta\u00e9 tem um engano e tudo\u2026<\/p>\n<p>*Compositor, arranjador e baixista do quinteto KAF. Actual respons\u00e1vel na zona norte do projecto \u201cmultim\u00e9dia\u201d de informa\u00e7\u00e3o e publicidade M-24. Fez parte dos Go Graal Blues Band e tocou, entre outros, com Lu\u00eds C\u00edlia, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Rui Veloso e Vitorino. \u00c9 director art\u00edstico do festival Guimar\u00e3es-Jazz que decorreu nessa cidade desde o dia 20 at\u00e9 ao dia 27 do m\u00eas passado, onde actuou com a nova forma\u00e7\u00e3o do KAF no passado dia 22.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 08.12.1993 ANT\u00d3NIO FERRO* EM P\u00daBLICO Depois de \u201cCrep\u00fasculo do Vinho\u201d, com o quinteto KAF, fus\u00e3o bem sucedida do jazz com temas populares portugueses, o que se segue? J\u00e1 est\u00e1 gravado e sair\u00e1 em Dezembro um disco meu com o violinista chin\u00eas Wong On Yuen. 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