{"id":11810,"date":"2024-07-05T04:26:58","date_gmt":"2024-07-05T11:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11810"},"modified":"2024-07-05T04:26:58","modified_gmt":"2024-07-05T11:26:58","slug":"egberto-gismonti-egberto-gismonti-compoe-para-novo-espectaculo-de-ricardo-pais-onde-ninguem-ri-nem-chora-sozinho-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/07\/05\/egberto-gismonti-egberto-gismonti-compoe-para-novo-espectaculo-de-ricardo-pais-onde-ninguem-ri-nem-chora-sozinho-entrevista\/","title":{"rendered":"Egberto Gismonti &#8211; &#8220;Egberto Gismonti Comp\u00f5e Para Novo Espect\u00e1culo De Ricardo Pais &#8211; &#8216;Onde Ningu\u00e9m Ri Nem Chora Sozinho'&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> sexta-feira, 19.11.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Egberto Gismonti Comp\u00f5e Para Novo Espect\u00e1culo De Ricardo Pais<br \/>\n\u201cOnde Ningu\u00e9m Ri Nem Chora Sozinho\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/egbertoGismonti.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"421\" class=\"alignnone size-full wp-image-11811\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/egbertoGismonti.jpg 611w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/egbertoGismonti-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/egbertoGismonti-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A sobreviv\u00eancia da humanidade passa pela sobreviv\u00eancia da Amaz\u00f3nia, diz o compositor brasileiro Egberto Gismonti, que Ricardo Pais convidou para musicar a leitura de Lu\u00edsa Costa Gomes dos \u201cSerm\u00f5es\u201d do Padre Vieira. Em \u201cClamor\u201d, espect\u00e1culo a estrear at\u00e9 Mar\u00e7o de 1994 inclu\u00eddo na programa\u00e7\u00e3o de Lisboa 94.<\/strong><\/p>\n<p>Com a mesma convic\u00e7\u00e3o com que defende o actual Governo brasileiro e ataca a inconsci\u00eancia e os interesses estrangeiros na Amaz\u00f3nia, Egberto Gismonti faz da sua m\u00fasica um manifesto po\u00e9tico em defesa de uma causa que \u00e9 universal. A m\u00fasica que far\u00e1 para os \u201cSerm\u00f5es\u201d voltar\u00e1 a falar de uma quest\u00e3o que \u00e9 de princ\u00edpio e de sobreviv\u00eancia.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 De que modo se processou a sua leitura, do ponto de vista do compositor, dos textos do Padre Ant\u00f3nio Vieira?<\/strong><br \/>\nEGBERTO GISMONTI \u2013 Li-os e reli-os no Brasil. Seria imposs\u00edvel n\u00e3o gostar dos \u201cSerm\u00f5es\u201d de Vieira. Ali\u00e1s n\u00f3s conhecemos Vieira no Brasil ao ponto de adopt\u00e1-lo como brasileiro. Da mesma maneira que gostamos tanto de Fernando Pessoa que j\u00e1 o citamos no nosso quotidiano, tamb\u00e9m como se ele fosse brasileiro.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Sobre que bases vai escrever a partitura para a pe\u00e7a?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Cerca de noventa por cento da m\u00fasica j\u00e1 est\u00e1 marcada. Isto quer dizer que nos pontos A, B, C, etc temos j\u00e1 um ponto de refer\u00eancia que nos diz que aqui deve haver a m\u00fasica X, do tipo tal. N\u00e3o foi dif\u00edcil para um director que conhece e gosta do que eu fa\u00e7o, como \u00e9 o caso do Ricardo Pais, usar todos esses conhecimentos como sugest\u00e3o. Acontece que depois de ler o texto no Brasil seleccionei do material que tenho gravado nos \u00faltimos dois anos com orquestras sinf\u00f3nicas cerca de uma hora de m\u00fasica que dei a ouvir ao Ricardo e que ele aceitou imediatamente.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Parece evidente que a tem\u00e1tica do missionarismo e das civiliza\u00e7\u00f5es \u00edndias presente nos textos de Vieira foi determinante para a sua chamada, uma vez que este tema tem sido uma constante do seu trabalho, nomeadamente nos recentes \u00e1lbuns \u201cKuarup\u201d, \u201cAmaz\u00f3nia\u201d e, de forma mais subtil, no novo \u201cM\u00fasica de Sobreviv\u00eancia\u201d. \u00c9 uma quest\u00e3o vital para si?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Produzi a respeito deste assunto muito menos do que gostaria. Gostaria de ter produzido cem discos!&#8230; E que todos eles, independentemente dos direitos de autor, tivessem chegado a 500 milh\u00f5es de pessoas, porque todos eles tratam do que mais me estimula e sensibiliza nessa cultura: o respeito, a dignidade, o afecto\u2026 Felizmente tive a sorte de ver de perto uma sociedade digna, equilibrada onde ningu\u00e9m sorri nem chora sozinho. \u00c9 o que me sustenta h\u00e1 15 anos, desde o meu primeiro contacto com os \u00edndios da Amaz\u00f3nia, em 1978.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O texto po\u00e9tico que acompanha 2Kuarup\u201d deu lugar, em \u201cAmaz\u00f3nia\u201d, a outro, bastante mais politizado, no qual o chefe \u00edndio Ailton Kernak diz: \u201cPrecisamos nos lembrar sempre que as 180 tribos existentes no Brasil hoje s\u00e3o apenas as sobreviventes das 900 na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas existentes quando o branco chegou aqui\u201d. Houve alguma reac\u00e7\u00e3o da parte do governo brasileiro?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O Governo est\u00e1 agindo da melhor forma poss\u00edvel, de um ano e meio, dois anos para c\u00e1, que \u00e9 expulsando os estrangeiros da Amaz\u00f3nia. O Governo brasileiro n\u00e3o precisa de explorar a Amaz\u00f3nia\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas autoriza que os estrangeiros o fa\u00e7am\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Autorizou. Atrav\u00e9s dos seus Governos militares e corruptos do passado. Mas \u00e0 medida que os brasileiros come\u00e7aram a tomar consci\u00eancia do problema da Amaz\u00f3nia chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que 89 por cento deles eram os estrangeiros. E que os outros 11 por cento, a consequ\u00eancia de brasileiros que procuram a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. A\u00ed sim, j\u00e1 se trata de um problema social e governamental brasileiro. Mas mesmo esses foram estimulados a ir para regi\u00f5es da Amaz\u00f3nia para trabalhar pelas grandes ind\u00fastrias estrangeiras.<br \/>\n<strong>P. \u2013 No mesmo texto pode ler-se a seguir: \u201cO que n\u00f3s exigimos \u00e9 que cada tribo possa ter, dentro do seu territ\u00f3rio, na sua regi\u00e3o, uma proposta de autonomia, de autogest\u00e3o do seu territ\u00f3rio e dos seus recursos naturais, estabelecer programas e metas pr\u00f3prias\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O Governo brasileiro est\u00e1 a ser bombardeado por partidos reaccion\u00e1rios por demarcar as \u00e1reas dos \u00edndios com a imensid\u00e3o necess\u00e1ria. N\u00e3o existe uma quest\u00e3o de merecimento. \u00c9 uma coisa irrevog\u00e1vel. Na medida em que voc\u00eas chegaram ao Brasil, acabou o princ\u00edpio dos \u00edndios. E tudo come\u00e7ou com a invas\u00e3o \u2013 n\u00e3o foi descobrimento, n\u00e3o \u2013 que trouxe a reboque os grandes ladr\u00f5es, ingleses e espanh\u00f3is que assalataram o pa\u00eds desde o in\u00edcio. Voc\u00eas at\u00e9 assaltaram pouco\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Qual \u00e9 afinal o problema principal da Amaz\u00f3nia?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Os problemas reais da Amaz\u00f3nia ficaram demonstrados na ECO 92, a prop\u00f3sito da biodiversidade. O alimento de que este mundo necessita, no s\u00e9culo XX, n\u00e3o \u00e9 de comida mas de medicamentos. Medicamento surgiu sempre da biodiversidade. N\u00e3o nasce na Floresta Negra na Alemanha, muito bonitinha e boa para tirar fotografia mas que n\u00e3o presta para o ser humano. O problema n\u00e3o est\u00e1 em o brasileiro tomar conta da Amaz\u00f3nia, mas nesses pa\u00edses que a destroem sem nenhum questionamento a ponto de, nessa \u00e9poca, o pr\u00f3prio Presidente norte-americano, George Bush, n\u00e3o ter assinado o acordo sobre a biodiversidade, assim como os ingleses. A sobreviv\u00eancia do ser humano est\u00e1 determinada pela sobreviv\u00eancia da floresta. N\u00e3o se pode sequer falar da expuls\u00e3o dos \u00edndios da floresta, mas dos \u00edndios com a floresta. Eles s\u00e3o a mesma coisa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O seu novo \u00e1lbum, \u201cM\u00fasica de Sobreviv\u00eancia\u201d aborda o mesmo assunto de uma forma bastante mais subtil, em particular na longa litania \u201cNatura, festa do interior\u201d, que surge precedido pelo conselho de leitura, cinco minutos antes da audi\u00e7\u00e3o, de um bel\u00edssimo texto de Manuel de Barros inclu\u00eddo no folheto, \u201cVesperal de Chuva\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A m\u00fasica pretende exactamente o mesmo que o texto. O Manuel de Barros fala das coisas que ningu\u00e9m v\u00ea. Meu Deus, ele escreve prosa da melhor qualidade apenas para dizer: \u201cVai chover!\u201d. Esses cinco minutos s\u00e3o uma sugest\u00e3o de reflex\u00e3o. Para dizer que a Vida n\u00e3o \u00e9 uma linha recta entre dois pontos. Essa \u00e9 a dos neg\u00f3cios. Para a vida n\u00e3o presta. \u201cM\u00fasica de Sobreviv\u00eancia\u201d \u00e9 o t\u00edtulo mais sint\u00e9tico que consegui achar para exprimir as sensa\u00e7\u00f5es antag\u00f3nicas que s\u00e3o o desespero, a tristeza, o aborrecimento, a decep\u00e7\u00e3o da humanidade e, por outro lado, a for\u00e7a de determinados sectores dessa humanidade para manter animadas e estimuladas a vida e a procura da vida. Sobreviv\u00eancia \u00e9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> sexta-feira, 19.11.1993 Egberto Gismonti Comp\u00f5e Para Novo Espect\u00e1culo De Ricardo Pais \u201cOnde Ningu\u00e9m Ri Nem Chora Sozinho\u201d A sobreviv\u00eancia da humanidade passa pela sobreviv\u00eancia da Amaz\u00f3nia, diz o compositor brasileiro Egberto Gismonti, que Ricardo Pais convidou para musicar a leitura de Lu\u00edsa Costa Gomes dos \u201cSerm\u00f5es\u201d do Padre Vieira. 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