{"id":11756,"date":"2024-06-14T03:31:03","date_gmt":"2024-06-14T10:31:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11756"},"modified":"2024-06-14T03:31:03","modified_gmt":"2024-06-14T10:31:03","slug":"realejo-muisica-tradicional-de-camara-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/06\/14\/realejo-muisica-tradicional-de-camara-entrevista\/","title":{"rendered":"Realejo &#8211; &#8220;M\u00faisica Tradicional De C\u00e2mara&#8221;  (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira, 20.10.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>M\u00daSICA TRADICIONAL DE C\u00c2MARA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>No centro dos Realejo est\u00e1 a sanfona, instrumento ancestral que entrou em decl\u00ednio a partir do s\u00e9culo XVIII, mas que, um pouco por toda a Europa, uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos tem vindo a recuperar. Os Realejo tocam e constroem as suas.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Realejo.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"788\" class=\"alignnone size-full wp-image-11757\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Realejo.jpg 542w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Realejo-206x300.jpg 206w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Realejo-69x100.jpg 69w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Fernando Meireles toca e constr\u00f3i sanfonas. E bem. Como n\u00e3o h\u00e1 escolas de construtores de instrumentos tradicionais em Portugal, Fernando Meireles foi obrigado a ler e a ver como se fazia l\u00e1 fora. Aprendeu sozinho e meteu m\u00e3os \u00e0 obra. \u201cObradoiro\u201d solit\u00e1ria, \u00e0 portuguesa. Da\u00ed, os Realejo, que actuaram com \u00eaxito na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o dos \u201cEncontros da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia\u201d, partiram \u00e0 descoberta de outros sons. Entre o tradicional e a m\u00fasica de C\u00e2mara.<br \/>\nAl\u00e9m de Fernando Meireles, que \u00e9 professor de m\u00fasica e toca sanfona, bandolim e cavaquinho, fazem parte do grupo Ces\u00e1rio Assun\u00e7\u00e3o, igualmente construtor de instrumentos (de corda), que tem a profiss\u00e3o de t\u00e9cnico de som e toca guitarra; Manuel Rocha, professor de m\u00fasica, que toca violino e bandolim; e Amadeu Magalh\u00e3es, estudante num curso de Educa\u00e7\u00e3o Musical, que toca sanfona, cavaquinho, braguesa, gaita-de-foles, flautas e bandolim.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Quando surgiu o Realejo?<\/strong><br \/>\nFERNANDO MEIRELES \u2013 Em 1990, na altura em que acabei de construir a primeira sanfona.<br \/>\n<strong>P. \u2013 De onde lhe veio o interesse pela sanfona, ao ponto de aprender a sua constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nF. M. \u2013 A sanfona tinha desaparecido completamente em Portugal durante o s\u00e9culo XIX. Quando conheci o instrumento, achei-o fascinante e que era um disparate estar perdido. Prpopus-me ent\u00e3o reconstituir o instrumento. Fiz um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que me levou cerca de quatro anos, tendo-me baseado sobretudo em figuras de pres\u00e9pio dos s\u00e9c. XVII e XVIII. Em 1990, tinha a minha primeira sanfona.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como explica o ressurgimento geral deste instrumento na Europa?<\/strong><br \/>\nF. M. \u2013 Tem a ver com um interesse generalizado das pessoas pelas tradi\u00e7\u00f5es dos seus pa\u00edses. Depois, a sanfona tem caracter\u00edsticas muito interessantes e chamativas. Fica-se encantado. Quem v\u00ea de perto uma sanfona nunca mais a esquece.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O tipo de sonoridades de grupos como o vosso, em que predomina a combina\u00e7\u00e3o sanfona \/ gaita-de-foles, vai um pouco contra a corrente geral, onde as cordas dominam\u2026<\/strong><br \/>\nF. M. \u2013 O report\u00f3rio do Realejo est\u00e1 de facto vocacionado para a sanfona. O que temos feito at\u00e9 agora \u00e9 tocar toda a m\u00fasica que existe para sanfona, desde a Idade M\u00e9dia, passando pelos rom\u00e2nticos do s\u00e9c. XVIII, os compositores franceses que escreveram para sanfona e a m\u00fasica tradicional. A pouco e pouco, temos vindo a adoptar outra esp\u00e9cie de caminho, com composi\u00e7\u00f5es nossas.<br \/>\nManuel Rocha \u2013 H\u00e1 um aspecto interessante na fus\u00e3o da gaita-de-foles com a sanfona. As melodias de Tr\u00e1s-os-Montes s\u00e3o extremamente mold\u00e1veis a este tipo de combina\u00e7\u00e3o. Por isso n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil partir dessas sonoridades para entendermos aquilo que deve ser o caminho de um instrumento como a sanfona. \u00c9 preciso tamb\u00e9m dizer que no Realejo h\u00e1 uma exig\u00eancia t\u00e9cnica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o instrumental na sanfona. A m\u00fasica tradicional em Portugal sofre um bocado por haver muito poucos executantes \u00e1geis, digamos assim \u2013 com agilidade suficiente para p\u00f4r o instrumento a tocar por si.<br \/>\nPenso que no Realejo existe essa agilidade, de maneira a mostrar a m\u00fasica da sanfona n\u00e3o apenas pelo seu lado pitoresco, mas pelo seu lado musical. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma rodinha a ranger: nhek, nhek, tchuik [risos]\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Onde \u00e9 que v\u00e3o buscar o report\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nAmadeu e F. M. (em coro) \u2013 \u00c0 Fran\u00e7a! E ouvimos bons discos, para percebermos a t\u00e9cnica. Por exemplo, do Nigel Eaton [Ancient Beatbox, Blowzabella, Scarp].<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que pensam de um int\u00e9rprete como Valentin Clastrier?<\/strong><br \/>\nF. M. \u2013 \u00c9 um excelenete instrumentista de m\u00fasica contempor\u00e2nea. Contribuiu para o desenvolvimento da sanfona, na vers\u00e3o electroac\u00fastica.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Ser\u00e1 poss\u00edvel alguma vez recuperar ou reconstituir o report\u00f3rio portugu\u00eas para sanfona?<\/strong><br \/>\nF. M. \u2013 \u00c9 dif\u00edcil. Encontrei em alguns cancioneiros de Pedro Fernandes Tom\u00e1s algumas notas em rodap\u00e9 sobre m\u00fasica que poderia ser tocada em sanfona\u2026<br \/>\nA. \u2013 O que \u00e9 poss\u00edvel fazer \u00e9 transcrever a m\u00fasica. A sanfona tem duas oitavas e um tipo espec\u00edfico de fraseado. Pelas pautas podemos logo ver se a m\u00fasica pode ser adaptada ou n\u00e3o \u00e0 sanfona e \u00e0 sua digita\u00e7\u00e3o. Do que podemos ter a certeza \u00e9 que os romances portugueses, em determinada altura, eram acompanhados por sanfona.<br \/>\nF. M. \u2013 Sanfona que acabou nas m\u00e3os de cegos e pedintes\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Parece-me que o Realejo est\u00e1 longe de poder ser considerado apenas um grupo de m\u00fasica tradicional, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/strong><br \/>\nM. R. \u2013 Normalmente as pessoas t\u00eam uma determinada expectativa, quando v\u00eaem um grupo com uma braguesa, um cavaquinho e uma gaita-de-foles. Dizem: \u201cPronto, vai ser m\u00fasica tradicional.\u201d<br \/>\nEm Portugal a no\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00fasica tradicional\u201d est\u00e1 muito standardizada, diz respeito a um certo barulho, um ru\u00eddo caracter\u00edstico, que as pessoas associam \u00e0 m\u00fasica tradicional. A sonoridade do Realejo \u00e9 de facto a de um grupo de c\u00e2mara. At\u00e9 a gaita-de-foles est\u00e1 preparada para tocar baixinho para poder ombrear com a sanfona\u2026 Digamos que a m\u00fasica do grupo est\u00e1 no limiar daquilo que entendemos por m\u00fasica de c\u00e2mara, e a m\u00fasica tradicional, porque os sons s\u00e3o de facto de instrumentos tradicionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 20.10.1993 M\u00daSICA TRADICIONAL DE C\u00c2MARA No centro dos Realejo est\u00e1 a sanfona, instrumento ancestral que entrou em decl\u00ednio a partir do s\u00e9culo XVIII, mas que, um pouco por toda a Europa, uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos tem vindo a recuperar. Os Realejo tocam e constroem as suas. 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