{"id":11732,"date":"2024-06-05T04:00:17","date_gmt":"2024-06-05T11:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11732"},"modified":"2024-06-05T04:00:17","modified_gmt":"2024-06-05T11:00:17","slug":"almanaque-nao-a-chula-e-ao-malhao-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/06\/05\/almanaque-nao-a-chula-e-ao-malhao-entrevista\/","title":{"rendered":"Almanaque &#8211; &#8220;N\u00e3o \u00c0 Chula E Ao Malh\u00e3o&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 13.10.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>N\u00c3O \u00c0 CHULA E AO MALH\u00c3O<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque1.jpg\" alt=\"\" width=\"615\" height=\"376\" class=\"alignnone size-full wp-image-11733\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque1.jpg 615w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque1-300x183.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque1-100x61.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Quem Diria? Os Almanaque, um dos grandes grupos de m\u00fasica tradicional portuguesa que agitaram o final dos anos 70, continuam vivos embora n\u00e3o de muito boa sa\u00fade. N\u00e3o por causa da m\u00fasica, que nunca parou de crescer, mas da ind\u00fastria, que tem a mem\u00f3ria curta e voltou as costas \u00e0 banda. Um mal que chegou altura de remediar.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque2.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"499\" class=\"alignnone size-full wp-image-11734\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque2.jpg 341w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque2-205x300.jpg 205w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque2-68x100.jpg 68w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cDesfiando Cantigas\u201d surgiu em 1984, sendo de imediato considerado um dos melhores \u00e1lbuns de recolha e adapta\u00e7\u00e3o de m\u00fasica tradicional portuguesa. Dois anos mais tarde \u00e9 editado \u201cSementes\u201d. A partir dessa data, o esquecimento e, segundo parece, tamb\u00e9m \u201calgum azar\u201d remeteram os Alamaque  &#8211; nascido a partir do Coro da Juventude Musical portuguesa e cujo nome, sugerido por Nuno Rodrigues, \u00e9 uma homenagem aos Malicorne e ao \u00e1lbum \u201cAlmanach\u201d \u2013 para o anonimato. Jos\u00e9 Manuel David, um dos fundadores e actual director art\u00edstico da banda, professor de Educa\u00e7\u00e3o Musical no ensino preparat\u00f3rio, diz que \u201c\u00e9 preciso irem \u00e0 bruxa\u201d. Mas os Almanaque n\u00e3o desistem.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Qual \u00e9 a actual forma\u00e7\u00e3o dos Almanaque?<\/strong><br \/>\nJOS\u00c9 MANUEL DAVID \u2013 Al\u00e9m de mim, que toco teclados, gaita-de-foles, flautas, percuss\u00f5es e cavaquinho, \u00e9 o Fernando Marques Gomes, estudante da escola superior de m\u00fasica, que toca guitarras, braguesa, flauta transversal, percuss\u00f5es e canta, o Miguel Pyrrait, professor de m\u00fasica na Juventude Musical Portuguesa, nas guitarras, e o Ab\u00edlio Viegas, que \u00e9 m\u00fasico profissional, no baixo el\u00e9ctrico. Ao vivo, costuma tocar connosco o Jo\u00e3o Nuno Represas, nas percuss\u00f5es.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como explica que um grupo com a import\u00e2ncia dos Alamnaque se encontre hoje praticamente votado ao esquecimento?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma esp\u00e9cie de c\u00edrculo vicioso. N\u00e3o temos discos porque n\u00e3o fazemos espect\u00e1culos e n\u00e3o fazemos espect\u00e1culos porque n\u00e3o temos discos. Costumo dizer a brincar que o grupo tem de ir \u00e0 bruxa. Depois de 1986 e da grava\u00e7\u00e3o de \u201cSementes\u201d, quando ainda nos design\u00e1vemos grupo de recolha e divulga\u00e7\u00e3o de m\u00fasica tradicional, o grupo sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o. Ach\u00e1mos que t\u00ednhamos fechado um ciclo musical e de trabalho e que aquela coisa de sermos um grupo de recolha que faz espect\u00e1culos de anima\u00e7\u00e3o musica n\u00e3o estava a resultar. Pretendemos continuar a trabalhar a m\u00fasica portuguesa, embora tiv\u00e9ssemos deixado de ser um grupo de m\u00fasica tradicional, no sentido vulgar do termo. Pass\u00e1mos tamb\u00e9m a fazer m\u00fasica nossa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Concretamente, que obst\u00e1culos encontraram?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Penso que h\u00e1 muito pouca cultura deste tipo de m\u00fasica em Portugal\u2026<br \/>\n<strong>P. &#8211; \u2026 O que n\u00e3o impediu que grupos como os Vai de Roda ou a Brigada Victor Jara tivessem lan\u00e7ado discos que, ao que parece, at\u00e9 venderam bem\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Qundo cheg\u00e1mos \u00e0 cooperativa UPAV, de que nos torn\u00e1mos s\u00f3cios, j\u00e1 l\u00e1 estavam os Vai de Roda e a Brigada. Logo de in\u00edcio disse ao Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco que n\u00e3o v\u00ednhamos tirar o lugar a ningu\u00e9m. Al\u00e9m disso, a UPAV n\u00e3o \u00e9 prioritariamente uma editora de discos e tem as dificuldades inerentes a quem pretende editar. Os artistas t\u00eam que procurar fora da UPAV os seus financiamentos. O disco dos Vai de Roda saiu num pacote de discos que j\u00e1 estavam a ser financiados quando n\u00f3s entr\u00e1mos. Quanto \u00e0 Brigada, conseguiu aquilo que n\u00f3s n\u00e3o conseguios, um financiamento externo, al\u00e9m de que tinham o trabalho facilitado por n\u00e3o ser preciso gravar, visto tratar-se de uma colect\u00e2nea. O que \u00e9 sempre mais barato do que ir para um est\u00fadio e passar l\u00e1 um m\u00eas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Por outro lado, t\u00eam proliferado novas bandas sem qualquer qualidade que embarcaram na onda do oportunismo, do \u201c\u00e9 o que est\u00e1 a dar\u201d, aos quais foi dada oportunidade de gravarem discos\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Essa pergunta \u00e9 mais para fazer \u00e0s editoras\u2026 Pelo nosso lado, fal\u00e1mos com muita gente que n\u00e3o nos aceitou o trabalho alegando que n\u00e3o d\u00e1 para bater o p\u00e9 \u00e0 primeira\u2026 Houve quem dissesse: \u201cIsto \u00e9 muito bom, mas \u00e9 chato.\u201d Quando as pessoas me dizem que \u00e9 chato, eu tiro as minhas conclus\u00f5es. O que se tem de fazer quando se pensa em m\u00fasica popular portuguesa \u00e9 meter uns bombos e tal, uns bandolins, uns ritmos meio \u00e0 chula. A nossa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Qual \u00e9 ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O nosso trabalho com a m\u00fasica portuguesa passa por v\u00e1rias sonoridades e influ\u00eancias, com refer\u00eancias por exemplo \u00e0 m\u00fasica irlandesa, da Galiza, da Bretanha, at\u00e9 ritmos indianos e africanos. Na Galiza, chamar-nos-iam simplesmente \u201cum grupo folk\u201d. Por exemplo, a refer\u00eancia que fazemos aos ritmos indianos, na abordagem aos romances tradicionais portugueses, \u00e9 algo que fazemos aproveitando o facto de o Jo\u00e3o Nuno Represas tocar \u201ctablas\u201d nos nossos concertos. As \u201ctablas\u201d passaram a ter import\u00e2ncia no som dos Almanaque, mas em conjunto com os outros instrumentos, os adufes ou os bombos pequenos, chamados \u201cde rusga\u201d, o que d\u00e1 uma riqueza t\u00edmbrica e de ambientes bastante grande.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Um grupo de fus\u00e3o, portanto?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Um pouco, sim. Tem havido ali\u00e1s alguns desaires em termos de concertos por causa disso. Quando dizemos que somos um grupo de m\u00fasica popular as pessoas acham que obviamente temos que tocar umas chulas ou uns malh\u00f5es para o pessoal bater o p\u00e9\u2026 Temos que ter direito \u00e0 diferen\u00e7a.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que mudou, para melhor ou para pior, dos anos 80 at\u00e9 hoje, na m\u00fasica tradicional portuguesa?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Houve uma escolha, uma selec\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sei se j\u00e1 estar\u00e1 acabada. Nos anos 80 havia muito entusiasmo e pouco \u201csavoir faire\u201d. Nessa altura at\u00e9 costumava dizer a brincar que quem queria entrar para um grupo de m\u00fasica tradicional e n\u00e3o soubesse tocar nada, tocava bombo. Ou ent\u00e3o, se tocasse um bocadinho de cordas, fazia sol e d\u00f3 na braguesa\u2026 Hoje h\u00e1 mais profissionalismo, mesmo entre os m\u00fasicos amadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 13.10.1993 N\u00c3O \u00c0 CHULA E AO MALH\u00c3O Quem Diria? Os Almanaque, um dos grandes grupos de m\u00fasica tradicional portuguesa que agitaram o final dos anos 70, continuam vivos embora n\u00e3o de muito boa sa\u00fade. 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