{"id":11616,"date":"2024-04-29T08:04:15","date_gmt":"2024-04-29T15:04:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11616"},"modified":"2024-04-29T08:04:15","modified_gmt":"2024-04-29T15:04:15","slug":"varios-ron-kavana-xutos-pontapes-madredeus-comunistas-celebram-na-atalaia-os-dois-rostos-de-uma-festa-reportagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/04\/29\/varios-ron-kavana-xutos-pontapes-madredeus-comunistas-celebram-na-atalaia-os-dois-rostos-de-uma-festa-reportagem\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Ron Kavana, Xutos &#038; Pontap\u00e9s, Madredeus) &#8211; &#8220;Comunistas Celebram Na Atalaia &#8211; Os Dois Rostos De Uma Festa&#8221; (reportagem)"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira, 06.09.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Comunistas Celebram Na Atalaia<br \/>\nOs Dois Rostos De Uma Festa<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>De um dia para o outro, pode-se mudar a fisionomia de uma festa. Entre o inc\u00f3modo e o prazer, nem a m\u00fasica escapou \u00e0 dial\u00e9ctica dos contrastes. Ron Kavana abriu as portas do c\u00e9u. Assim se v\u00ea a for\u00e7a do PC.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Inferno e c\u00e9u, por esta ordem, aconteceram no s\u00e1bado e no domingo a 17\u00aa Festa do \u201cAvante!\u201d, a acusar cada vez mais sinais evidentes de um gigantismo incontrolado, j\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o continua a acorrer em n\u00famero impressionante a este certame que o Partido Comunista Portugu\u00eas organiza anualmente. O que \u00e9 uma foice de dois gumes, uma vez que as infra-estruturas existentes, acabam por n\u00e3o resistir ao dil\u00favio e aos estragos provocados pelas massas. Assim aconteceu mais uma vez, mas s\u00f3 no s\u00e1bado. Um inferno. O inferno de Dante, comparado com o inferno do \u201cAvante!\u201d, \u00e9 um jardim no P\u00f3lo Norte.<\/p>\n<p><strong>Uma Esta\u00e7\u00e3o No Inferno<\/strong><\/p>\n<p>Chegava-se l\u00e1 a p\u00e9, de carro ou de camioneta, ap\u00f3s bichas intermin\u00e1veis que come\u00e7avam logo \u00e0 entrada da ponte, para quem vinha de Lisboa. Na altura, o facto causou alguma irrita\u00e7\u00e3o. A lentid\u00e3o, o calor, a inala\u00e7\u00e3o do fumo dos escapes, tudo parecia contriba infernizar a vida, ainda antes de chegarmos ao teatro das opera\u00e7\u00f5es. Puro engano. Compreendemos depois tratar-se de um plano previamente tra\u00e7ado, com o objectivo de chamar-nos a aten\u00e7\u00e3o para a beleza natural do eixo Almada-Fogueteiro-Atalaia.<br \/>\nMostrada a tradicional EP, entr\u00e1mos no santu\u00e1rio. \u00c9 preciso confessar que a primeira vis\u00e3o que dele tivemos foi do tipo das que durante a Renascen\u00e7a assombraram a pintura de Hyeronimus Bosch. Um mar compacto de gente, de onde emergia todo o tipo de alucina\u00e7\u00f5es com formato humano, engoliu-nos de imediato. Adiante a quest\u00e3o dos sanit\u00e1rios sem \u00e1gua \u2013 um bem que no passado n\u00e3o soubemos entender. At\u00e9 porque a \u00e1gua, se virmos, bem n\u00e3o \u00e9 precisa para nada numa festa com estas caracter\u00edsticas. Pode-se muito bem lavar as m\u00e3os com cerveja ou mesmo vinho, excluindo oo tinto carrasc\u00e3o.<br \/>\nRelva, houve sim senhor, embora n\u00e3o resistisse muito tempo \u00e0 sanha esmagadora dos p\u00e9s assassinos. Chegou, no entanto, para p\u00f4r em respeito a terra, mantendo-se no lugar que lhe compete, junto ao ch\u00e3o.<br \/>\nTent\u00e1mos a m\u00fasica. No palco grande 25 de Abril, com bom som, boas luzes, e pouco tempo de intervalo entre cada actua\u00e7\u00e3o, o que fez com que o hor\u00e1rio se cumprisse sem grandes altera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao previsto. Rock duro, boa presen\u00e7a e muita energia foram os ingredientes trazidos pelos Xutos &#038; Pontap\u00e9s, num espect\u00e1culo cujas caracter\u00edsticas casam bem com o ambiente da festa do \u201cAvante!\u201d. Seguiram-se os Sitiados, na mesma linha populista que lhes granjeou o triunfo no ano passado. Desta feita n\u00e3o resultou da mesma maneira porque a inova\u00e7\u00e3o foi nula, com as mesmas can\u00e7\u00f5es, as mesmas palavras de apresenta\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos no final (o acorde\u00e3o m\u00e1gico de Sandra Baptista, a bateria aty\u00f3mica, etc.,) e a previs\u00edvel sequ\u00eancia de \u201cencores\u201d, com a \u201cA cabana do pai Tom\u00e1s\u201d), um tema de Ant\u00f3nio Mafra (\u201ca melhor banda do Porto\u201d) e o hino \u201cEsta vida de marinheiro\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m os Madredeus apresentaram o report\u00f3rio do costume, sendo a \u00fanica novidade a presen\u00e7a de Jos\u00e9 Peixoto na guitarra, que h\u00e1 poucos meses substitui o fundador te\u00f3rico da banda, Pedro Ayres de Magalh\u00e3es. M\u00fasica de introspec\u00e7\u00e3o que o p\u00fablico, excitado, respeitou, at\u00e9 \u00e0 conclus\u00e3o, em tom festivo, com \u201cO Pastor\u201d. A fechar a noite os escoceses Wolfstone desiludiram. Folk rock sem imagina\u00e7\u00e3o, muito sd\u00e9cibeis a disfar\u00e7ar os poucos requisitos t\u00e9cnicos dos executantes e um lote de can\u00e7\u00f5es e instrumentais revivalistas, no mau sentido (c\u00f3pia de formas, nula assimila\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica que deu frutos no in\u00edcio dos anos 70) p\u00f4s um ponto final sem gl\u00f3ria num dia em que Rimbaud n\u00e3o desdenharia de incluir nas suas alucina\u00e7\u00f5es. Adiado para o dia seguinte ficou o espect\u00e1culo de \u201crap\u201d com bandas nacionais, devido \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas alegadas pelos m\u00fasicos.<\/p>\n<p><strong>Kavana No C\u00e9u<\/strong><\/p>\n<p>Domingo abriram-se as portas do c\u00e9u. Menos, bastante menos gente, transformou o recinto por completo, tornado-o num local quase apraz\u00edvel.<br \/>\nMais espa\u00e7o, mais ar, circula\u00e7\u00e3o livre em todos os sentidos, restaurantes dispon\u00edveis e at\u00e9, \u201ch\u00e9las\u201d, a \u00e1gua que voltou \u00e0s torneiras dos sanit\u00e1rios, mudaram o rosto da festa para qualquer coisa de muito melhor onde o prazer se instalou pela primeira vez.<br \/>\nNo 25 de Abril a banda do irland\u00eas (e comunista, n\u00e3o se furtou a gritar um \u201cViva o Partido Comunista Portugu\u00eas!\u201d) Ron Kavana assinou uma actua\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel, mostrando que a electricidade e a m\u00fasica tradicional n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis quando resultam de um trabalho de profundidade.<br \/>\nO p\u00fablico entusiasmou-se, os m\u00fasicos deixaram-se empolgar e tocaram cada vez mais r\u00e1pido e melhor \u2013 excelenete Kavana, no bandolim electrificado, e a sua mulher Miriam Vandenbosch na rabeca. Pena n\u00e3o se ter ouvido melhor o tocador de \u201cuillean pipes\u201d \u2013 o p\u00fablico por sua vez come\u00e7ou a delirar, e aos poucos o frenesim instalou-se: dan\u00e7a colectiva e incontrol\u00e1vel, alegria esfuziante em cima e em frente do palco, ritual de comunica\u00e7\u00e3o dionis\u00edaca que atingiu o auge com a invas\u00e3o pac\u00edfica de centenas de jovens que empunhavam bandeiras vermelhas do partido, rec\u00e9m-chegados para assistir ao com\u00edcio que se desenrolaria a seguir, com a presen\u00e7a de \u00c1lvaro Cunhal.<br \/>\nA m\u00fasica fechou em apoteose, aos gritos de \u201cAssim se v\u00ea a for\u00e7a do PC!\u201d. Cavaco e o PSD que se acautelem. O perigo vem da Irlanda\u2026 (Ver p\u00e1g. 4.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira, 06.09.1993 Comunistas Celebram Na Atalaia Os Dois Rostos De Uma Festa De um dia para o outro, pode-se mudar a fisionomia de uma festa. 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