{"id":11577,"date":"2024-04-10T06:43:32","date_gmt":"2024-04-10T13:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11577"},"modified":"2024-04-10T06:43:32","modified_gmt":"2024-04-10T13:43:32","slug":"banda-do-casaco-revolucao-do-casaco-esta-na-ordem-do-dia-entrevista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/04\/10\/banda-do-casaco-revolucao-do-casaco-esta-na-ordem-do-dia-entrevista-2\/","title":{"rendered":"Banda Do Casaco &#8211; &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Do Casaco Est\u00e1 Na Ordem Do Dia&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 30.06.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>REVOLU\u00c7\u00c3O DO CASACO EST\u00c1 NA ORDEM DO DIA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Em dez anos, entre 1974 e 1984, a Banda do Casaco gravou sete \u00e1lbuns de originais. A m\u00fasica portuguesa nem antes nem depois teve algu\u00e9m que conseguisse fazer o que eles fizeram: juntar as ra\u00edzes tradicionais, o humor anarquizante e a inova\u00e7\u00e3o formal. De \u201cBenef\u00edcio dos Vendidos no Reino dos Bonif\u00e1cios\u201d ao derradeiro \u201cBanda do Casaco e Ti Chitas\u201d, passando por aquele que foi um dos discos verdadeiramente revolucion\u00e1rios da chamada \u201cm\u00fasica popular portuguesa\u201d \u2013 \u201cCoisas do Arco da Velha\u201d -, sempre fizeram quest\u00e3o em ser diferentes. Volvidos quase vinte anos, cinco dos seus principais m\u00fasicos reuniram-se para falar da reedi\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, em compacto, da obra completa. E, porque n\u00e3o, de futuras guerrilhas colectivas.<\/strong><\/p>\n<p>Nuno Rodrigues, Ant\u00f3nio Pinho, Carlos Z\u00edngaro, Celso de Carvalho e N\u00e9 Ladeiras aceitaram<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco1.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"223\" class=\"alignnone size-full wp-image-11578\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco1.jpg 675w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco1-300x99.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco1-624x206.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco1-100x33.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>reunir-se no P\u00daBLICO para falarem do passado e do futuro da Banda do Casaco. Entre o projecto de reedi\u00e7\u00e3o de todos os \u00e1lbuns e a hip\u00f3tese de grava\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es \u201chard core\u201d dos Resist\u00eancia, nada escapou ao coment\u00e1rio jocoso e a ao gosto de chocar. Ontem como hoje, as pessoas que passaram pelo grupo ocupam um lugar \u00e0 parte. Na m\u00fasica e na maneira de ser. Talvez por isso se possa entender agora melhor, \u00e0 dist\u00e2ncia, aquilo que durante dez anos andaram a tocar e a dizer.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Afinal, como \u00e9 que a Banda do Casaco come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nANT\u00d3NIO PINHO \u2013 O Nuno quis falar comigo um dia, conhecia-me de nome (se me conhecesse pessoalmente, nunca me teria telefonado\u2026) para me fazer uma proposta de trabalho. Reunimo-nos na casa dele, foi assim que nasceu o primeiro disco. Depois, quando tivemos esse disco na m\u00e3o, pens\u00e1mos: \u201cIsto agora n\u00e3o vale nada se n\u00e3o vier algu\u00e9m para tocar decentemente.\u201d Ele lembrou-se do Z\u00edngaro e do Celso, eu lembrei-me de pessoas que tinham trabalhado comigo na Filarm\u00f3nica Fraude.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Houve, no in\u00edcio do projecto, alguma orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e9-definida?<\/strong><br \/>\nA.P. \u2013 Na altura, a \u00fanica coisa em que pens\u00e1vamos era em fazer m\u00fasica. Est\u00e1vamos todos descontentes com o que se fazia na altura (ali\u00e1s, pessoalmente, continuo descontente com o que se passa hoje). Quisemos fazer coisas que chocassem um bocado com o que se fazia na altura.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Chocara, ao ponto de serem completamente diferentes de tudo o que se fizera antes na m\u00fasica portuguesa. Mas o mais curioso \u00e9 que n\u00e3o tiveram sucessores\u2026<\/strong><br \/>\nA.P. \u2013 N\u00e3o est\u00e1vamos preocupados se os discos se vendiam, se eram ou n\u00e3o promovidos\u2026 Apenas nos interessava o gozo que dava. \u00c0s vezes, pergunto-me se hoje, se quis\u00e9ssemos fazer alguma coisa, se esse esp\u00edrito conseguiria vir ao de cima outra vez. S\u00f3 experimentando\u2026 Ali\u00e1s, quando v\u00ednhamos a chegar aqui ao jornal, estivemos j\u00e1 a pensar num projecto de fazermos um \u00e1lbum, n\u00e3o sabemos ainda se triplo ou qu\u00e1drupulo, de homenagem aos Resist\u00eancia, com originais deles em vers\u00f5es \u201chard core\u201d. [risos]<br \/>\nCARLOS Z\u00cdNGARO \u2013 O projecto apareceu numa latura em que predominava a can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o, profundamente politizada, punho erguido, etc. O que se fazia na Banda do Casaco foi encarado por muitos, e de forma errada, como um derivativo, n\u00e3o s\u00e9rio, dessa vertente.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que senido faz, para voc\u00eas, passados 20 anos, uma poss\u00edvel reedi\u00e7\u00e3o da obra discogr\u00e1fica da Banda do Casaco?<\/strong><br \/>\nNUNO RODRIGUES \u2013 H\u00e1 pouco, comentava-se que n\u00e3o tinha havido sucess\u00e3o para a Banda do Casaco. Ora o que acontece \u00e9 que a maior parte do que fizemos h\u00e1 20 anos continua totalmente actual, precisamente por causa dessa aus\u00eancia de seguidores. Houve cr\u00edticos que disseram que n\u00f3s \u00e9ramos uma escola mas nunca se falou do nome dos alunos. Fic\u00e1mos sem saber se algu\u00e9m aprendeu alguma coisa. Depois podemos cair num dos paradoxos da nossa riqu\u00edssima ind\u00fastria discogr\u00e1fica, que, ao contr\u00e1rio dos outros pa\u00edses, n\u00e3o aproveitou o \u201cboom\u201d do CD. N\u00e3o h\u00e1 reedi\u00e7\u00f5es. Se houver uma reedi\u00e7\u00e3o da nossa obra, gostar\u00edamos que ela fosse bem feita, com as capas originais e n\u00e3o com um \u201clettering\u201d de computador qualquer, em v\u00e1rias cores. At\u00e9 porque as capas s\u00e3o importantes na maneira como reflectiam o comportamento da banda. Quando aparecemos seminus, a apalpar o rabo uns aos outros\u2026<br \/>\nA.P. &#8211; \u2026 j\u00e1 est\u00e1vamos a prenunciar o problema da sida. [risos] Mas n\u00e3o \u00e9 estranho que se reedite a Banda do Casaco. Estranho \u00e9 que ela n\u00e3o se encontre no mercado permanentemente, desde que desapareceu. Mas tem que se fazer isto de uma forma cuidada. J\u00e1 ouvi dizer que algumas das editoras que det\u00eam os direitos dos discos [entre elas, a Polygram e EMI-Valentim de Carvaljo] n\u00e3o fizeram arquivos de capas, duvido mesmo que algumas delas tenham arquivos de fitas\u2026 Isto mostra como, na ind\u00b4+ustria discogr\u00e1fica portuguesa, \u00e9 maltratado o fundo de cat\u00e1logo. Com o advento do CD, t\u00eam-se cometido as maiores barbaridades. Se as editoras se v\u00e3o permitir fazer essas reedi\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa revelia, com as capas abandalhadas, s\u00f3 temos uma defesa: \u00e9 considerarmos isso publicamente uma vigarice e denunci\u00e1.la.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Ser\u00e1 poss\u00edvel acontecer a ressurrei\u00e7\u00e3o da Banda do Casaco?<\/strong><br \/>\nA.P. \u2013 Essas coisas n\u00e3o se podem programar. \u00c9 preciso ter muita cautela, estamos no ano dos dinossauros, \u00e9 a Faculdade de Ci\u00eancias, o \u201cJurassic Park\u201d e o Spielberg\u2026 N\u00e3o me quero envolver nesta molhada e ouvir dizer \u201cOlha, l\u00e1 v~em aqueles dinossauros outra vez\u201d. Vinte anos na m\u00fasica equivalem aos 60 milh\u00f5es de anos dos dinossauros. Mas tenho a certeza de que as cinco pessoas que est\u00e3o aqui eram capazes de se juntar e de fazer, de novo, alguma coisa verdadeiramente revolucion\u00e1ria.<br \/>\n<strong>P. \u2013 S\u00f3 com as mesmas pessoas? A banda sempre teve a fama de elitista\u2026<\/strong><br \/>\nA.P. \u2013 Era reservado o direito de admiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>T\u00e1cticas De Choque<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 Enquanto durou, a Banda do Casaco teve arte e engenho para chocar as pessoas. N\u00e3o receiam que, passados todos estes anos, essa componente passe despercebida ou que seja encarada como mera curiosidade, na obra discogr\u00e1fica?<\/strong><br \/>\nN.R. \u2013 Sociologicamente, este pa\u00eds \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o, o comportamento das pessoas \u00e9 aberrante. H\u00e1 20 anos, s\u00f3 havia ou pirosos ou revolucion\u00e1rios. Agora, h\u00e1 os grupos que enchem est\u00e1dios e os pirosos. \u00c9 uma aberra\u00e7\u00e3o. Confunde-se os grupos de sucesso com os representantes da boa m\u00fasica portuguesa. Por isso, brinc\u00e1vamos h\u00e1 bocado com os Resist\u00eancia, um mau exemplo daquilo que pode ser feito em qualquer s\u00edtio do mundo.<br \/>\nA.P. \u2013 Eu tiro o chap\u00e9u e aplaudo. O que me parece errado \u00e9 que a cr\u00edtica deste pa\u00eds embarque nisto. As pessoas embarcaram como se aquilo viesse mudar alguma coisa na m\u00fasica portuguesa. H\u00e1 um bom comportamento institu\u00eddo na moderna m\u00fasica portuguesa que me chateia um bocado. Se calhar, a reedi\u00e7\u00e3o da Banda do Casaco, se fosse feita com grandes parangonas e campanhas de televis\u00e3o, com os v\u00eddeos que fizemos, teria o mesmo resultado. Os v\u00eddeos ainda hoje iriam chocar muita gente\u2026 Lembro-me de uma vez, na televis\u00e3o, em que \u201cmat\u00e1mos\u201d o T\u00f3 Pinheiro da Silva, que fazia o papel do sindicalista, e ele permaneceu \u201cmorto\u201d durante toda a entrevista. Se fosse a Sinead O\u2019 Connor a cantar tradicionais da Irlanda de cabelo rapado, com umas botas \u201cpunk\u201d, a cr\u00edtica aplaudiria, pela irrever\u00eancia. O portugu\u00eas n\u00e3o pode fazer isso porque somos um pa\u00eds de brandos costumes.<br \/>\nN.R. \u2013 Na altura, as pessoas pensavam que \u00e9ramos comunistas. Hoje, o grave na nossa sociedade \u00e9 que as pessoas n\u00e3o se chocam \u2013 e porqu\u00ea? Porque est\u00e3o demasiado evolu\u00eddas ao ponto de n\u00e3o se chocarem? Ou porque n\u00e3o t\u00eam bases nenhumas para se chocarem? Penso que seja isto, que as pessoas t\u00eam hoje menos bases. Uma das minhas filhas tem 13 anos. N\u00e3o posso ligar a televis\u00e3o, n\u00e3o por causa dos filmes pornogr\u00e1ficos mas por causa dos atrasados mentais que l\u00e1 aparecem. Por exemplo, uma imagem da Assembleia [da Rep\u00fablica]: o que \u00e9 que eu vou dizer? Meu filho, tenta estudar para te tornares um burgesso como aquele deputado, que est\u00e1 ali apenas por se ter inscrito na merda de um partido qualquer. Neste momento, vamos bater em qu\u00ea? N\u00e3o vale a pena andar aos tiros \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, isto \u00e9, anarquicamente.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco2.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"429\" class=\"alignnone size-full wp-image-11579\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco2.jpg 614w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco2-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/bandaDoCasaco2-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA<\/strong><br \/>\n1974 \u2013 Do Benef\u00edcio dos Vendidos no Reino dos Bonif\u00e1cios *<br \/>\n1976 \u2013 Coisas do Arco da Velha *<br \/>\n1977 \u2013 Hoje H\u00e1 Conquilhas, Amanh\u00e3 N\u00e3o Sabemos **<br \/>\n1978 \u2013 Contos da Barbearia ***<br \/>\n1981 \u2013 No Jardim da Celeste ***<br \/>\n1982 \u2013 Tamb\u00e9m Eu ***<br \/>\n1984 \u2013 Banda do Casaco e Ti Chitas ****<\/p>\n<p>* \tDireitos da Polygram<br \/>\n** \tDireitos de Nuno Rodrigues e Ant\u00f3nio Pinho<br \/>\n***  \tDireitos da EMI-Valentim de Carvalho<br \/>\n**** \tDireitos da CNM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 30.06.1993 REVOLU\u00c7\u00c3O DO CASACO EST\u00c1 NA ORDEM DO DIA Em dez anos, entre 1974 e 1984, a Banda do Casaco gravou sete \u00e1lbuns de originais. 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