{"id":11571,"date":"2024-04-05T03:17:51","date_gmt":"2024-04-05T10:17:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11571"},"modified":"2024-04-05T03:17:51","modified_gmt":"2024-04-05T10:17:51","slug":"al-di-meola-paco-de-lucia-john-mclaughlin-vicente-amigo-corrida-de-guitarras-no-campo-pequeno-em-lisboa-meola-o-triunfador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2024\/04\/05\/al-di-meola-paco-de-lucia-john-mclaughlin-vicente-amigo-corrida-de-guitarras-no-campo-pequeno-em-lisboa-meola-o-triunfador\/","title":{"rendered":"Al Di Meola, Paco De Lucia, John McLaughlin, Vicente Amigo &#8211; &#8220;Corrida De Guitarras No Campo Pequeno, Em Lisboa Meola, O Triunfador&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 27.06.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Corrida De Guitarras No Campo Pequeno, Em Lisboa<br \/>\nMeola, O Triunfador<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Mais de cinco horas foi quanto durou a maratona de guitarras realizada na noite de sexta-feira, em Lisboa. Vicente Amigo e Paco de Lucia acenderam os \u00e2nimos com o fogo do flamenco. John McLaughlin deu uma triste imagem do guitarrista inflamado que no passado tamb\u00e9m foi. Melhor faena deu Al Di Meola, que acabou por ser o grande triunfador na monumental do Campo Pequeno.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alDiMeola.jpg\" alt=\"\" width=\"617\" height=\"516\" class=\"alignnone size-full wp-image-11572\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alDiMeola.jpg 617w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alDiMeola-300x251.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/alDiMeola-100x84.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 617px) 100vw, 617px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Vinham aureolados de mestres da guitarra: Vicente Amigo, Paco de Lucia, Al Di Meola e John McLaughlin. Dos quatro, s\u00f3 McLaughlin traiu as expectativas, frecebendo vaias e gritos de \u201cvai-te embora\u201d, enquanto os outros arrancaram aplausos e, no caso de Al Di Meola, o entusiasmo delirante.<br \/>\nVicente Amigo, acompanhado de um quarteto (diga-se desde j\u00e1 que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o forneceu, nem antes nem durante o espect\u00e1culo, qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o nome dos m\u00fasicos), foi o primeiro a actuar numa pra\u00e7a do Campo Pequeno a abarrotar de gente, com outra tanta a protestar do lado de fora, no desespero de quem n\u00e3o conseguiu comprar bilhete. Mesmo assim bvoltaram a acontecer cenas que se est\u00e3o a tornar habituais nos espect\u00e1culos ao vivo em Portugal, devido ao n\u00famero de bilhetes impressos exceder largamente a lota\u00e7\u00e3o do recinto (ver caixa).<br \/>\nSem que a organiza\u00e7\u00e3o tivesse feito alguma apresenta\u00e7\u00e3o e quase sem se dar por isso, Amigo deu in\u00edcio \u00e0 sua actua\u00e7\u00e3o, por entre o ru\u00eddo e as movimenta\u00e7\u00f5es da assist\u00eancia, preocupada em arranjar um lugar, \u00e0 custa de muita persist\u00eancia e algumas cotoveladas.<br \/>\nTocou sozinho o primeiro par de temas. De forma virtuos\u00edstica, compensando com garra e toneladas de t\u00e9cnica o que ainda lhe falta em interioriza\u00e7\u00e3o e ouvido para o sil\u00eancio. Aos poucos juntaram-se-lhe um segundo guitarrista\/flautista, um percussionista, um dan\u00e7arino e uma cantora. Bons os dois primeiros, espalhafatoso em demasia o bailarino \u2013 pesad\u00e3o, martelador do estrado, mais em jeito de carro de assalto que de toureiro citando a fera imagin\u00e1ria. Quanto \u00e0 cantora, sofreu os efeitos de uma amplifica\u00e7\u00e3o que lhe tornou demasiado estridente a voz, tyransformando os t\u00edpicos \u201cayayayayays\u201d ciganos em sirene de alarme. Mas foi agrad\u00e1vel sentir a emo\u00e7\u00e3o levada a tal extremo, os cabelos da nuca a eri\u00e7arem-se, os t\u00edmpanos recolhyendo-se em s\u00fabita introspec\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPaco de Lucia foi tudo isto e muito mais: mais m\u00fasicos em palco \u2013 seis, fora ele \u2013 mais sentimento, mais profundidade, mais m\u00fasica, em suma. O flamaneco serviu-lhe de base para infind\u00e1veis (por vezes demasiado infind\u00e1veis) divaga\u00e7\u00f5es pelos terrenos do jazz, com chegadas e partidas constantes. Destoou a intromiss\u00e3o de um saxofone soprano, morno e sem grandes explica\u00e7\u00f5es a dar. O dan\u00e7arino de servi\u00e7o fez o que o outro, antes dele, n\u00e3o conseguira: voou, entrou em choque com o solo e com o ar, dan\u00e7ou com o corpo inteiro. Do que Paco de Lucia conseguiu fazer da guitarra, estamos conversados: simplesmente tudo.<br \/>\nE mesmo assim, Al Di Meola, em trio com um segundo guitarrista e um percussionista, conseguiu fazer melhor. Sentado, sem ostentar a m\u00ednima pose de malabarista, o autor do recente \u201cHeart of the Immigrants\u201d deixou-se habitar pelo g\u00e9nio que, anos antes, John McLaughlin encarnara. M\u00fasico de fus\u00e3o, sem d\u00favida, mas sempre em fuga aos lugares comuns, que teve em Di Meola int\u00e9rprete inspirado. Ora em velocidade, ora na revela\u00e7\u00e3o do segredo mais \u00edntimo, o guitarrista passou do telurismo \u00e0 levita\u00e7\u00e3o, percorrendo o calor latino, as escalas indianas, mostrando um dom\u00ednio completo do tempo e das possibilidades do contraponto. Teve nos seus dois companheiros parceiros \u00e0 altura, com destaque para o percussionista, pr\u00f3ximo da escola de Airto Moreira e Nan\u00e1 Vasconcelos.<\/p>\n<p><strong>Toque De Finados<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 passava das duas horas da madrugada quando John McLaughlin deu in\u00edcio a uma presta\u00e7\u00e3o que viria a ser desastrosa. Envelhecido, encenando poses de \u201cguitar hero\u201d despropositadas, o que mais chcou neste homem que no passado em parceirou com Miles Davis e ajudou a criar o \u201cjazz rock\u201d foi uma imensa tristeza, a aus\u00eancia de chama, a imagem de um corpo e de gestos reduzidos a cinzas. Como se o fogo que ateara os Mahavishnou Orchestra e, mais tarde, nos Shakti, o tivesse consumido.<br \/>\nDepois, a sua banda tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou. Um organista (e numa ocasi\u00e3o que se pretendeu de \u201cgrande jazz intimista\u201d, na trompete) \u201clouco\u201d, no velho Hammond, sem controle nos dedos, e um baterista quadrado deram a ideia de uma \u201cjam session\u201d, quase de um ensaio, \u00e0 boa maneira do que nos anos 60 se realizavam no clube de Ronnie Scott, em Londres. Chegou a ser confrangedor assistir ao modo penoso como o guitarrista tentava alinhar um solo, ao ponto de, numa das vezes, desistir, intimidado com os apupos e os gritos de \u201cvai-te embora!\u201d do p\u00fablico, refugiando-se na retaguarda do palco. A tentaiva desesperada de cativar o p\u00fablico agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do recurso a truques que j\u00e1 n\u00e3o enganam ningu\u00e9m: o \u00f3rg\u00e3o \u00e0 procura do \u201crhythm \u2018n\u2019 blues\u201d, a bateria em descontrole total num solo dos longos (\u00e0quela hora, caiu mal), dos que d\u00e3o direito a ir tomar uma bica e a passar pelas brasas antes que algo de interessante aconte\u00e7a. Foi tanta a f\u00faria de agradar que o baterista derrubou um dos pratos, perante a hilariedade geral. McLaughlin ainda agradeceu, titubeante, abandonando o palco sem gl\u00f3ria nem proveiro.<br \/>\nAinda haveria tempo para um \u00faltimo equ\u00edvoco. Quando o p\u00fablico pediu a reuni\u00e3o final dos quatro guitarristas, possibilidade que a organiza\u00e7\u00e3o deixara em aberto e que acabou por n\u00e3o se concretizar, e McLaughlin percebeu mal, julgando, na sua alucina\u00e7\u00e3o, que o pedido lhe era dirigido. Claro que mal regressou ao palco foi recebido com mais uma monumental assobiadela. Coitado. Um fim triste para uma corrida diferente que teve duas confirma\u00e7\u00f5es, a \u201cmorte\u201d de um mito e um grande triunfador. Afinal sempre houve vencedores e vencidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 27.06.1993 Corrida De Guitarras No Campo Pequeno, Em Lisboa Meola, O Triunfador Mais de cinco horas foi quanto durou a maratona de guitarras realizada na noite de sexta-feira, em Lisboa. Vicente Amigo e Paco de Lucia acenderam os \u00e2nimos com o fogo do flamenco. 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