{"id":11351,"date":"2023-12-19T07:10:24","date_gmt":"2023-12-19T14:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11351"},"modified":"2023-12-19T07:10:24","modified_gmt":"2023-12-19T14:10:24","slug":"varios-polemica-entre-editoras-e-retalhistas-a-dificil-convivencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/12\/19\/varios-polemica-entre-editoras-e-retalhistas-a-dificil-convivencia\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Pol\u00e9mica Entre Editoras E Retalhistas &#8211; A Dif\u00edcil Conviv\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 07.04.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Pol\u00e9mica Entre Editoras E Retalhistas    A DIF\u00cdCIL CONVIV\u00caNCIA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Um dos pontos mais quentes e mais badalados nos \u00faltimos tempos tem sido o das (dif\u00edceis) rela\u00e7\u00f5es entre as lojas de retalhistas, as vulgares discotecas, e as editoras multinacionais com sede no nosso pa\u00eds. Todos, ou quase todos, se queixam de que o mercado est\u00e1 em recess\u00e3o e de que a galinha deixou de ser dos ovos de ouro. De ambos os lados esgrimem-se raz\u00f5es. H\u00e1 lobos e cordeiros. Ogres e bodes expiat\u00f3rios. O bolo, parece, n\u00e3o chega para todos.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"202\" class=\"alignnone size-medium wp-image-11352\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1-100x67.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1.jpg 565w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Por entre o clima de suspei\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem se mantenha \u00e0 margem, fazendo finca-p\u00e9 da sua independ\u00eancia. Discotecas como Contraverso, VGM, One-Off e Bimotor, das mais prestigiadas da capital, utilizam estrat\u00e9gias que passam ao lado das multinacionais. S\u00e3o especializadas em m\u00fasicas consideradas \u201cdif\u00edceis\u201d, mas t\u00eam uma clientela pr\u00f3pria. Quem l\u00e1 vai sabe exactamente o que procura. M\u00fasica alternativa, na Contraverso, m\u00fasica cl\u00e1ssica e Folk, na VGM, raridades dos anos 60 e 70, na One-Off, \u201cheavy metal\u201d e m\u00fasica de dan\u00e7a, na Bimotor, as principais apostas de cada uma delas.<br \/>\nEncomendas \u00e0s editoras, s\u00f3 em desespero de causa ou mesmo, no caso da One-Off, inexistentes. Orlando Leite, da VGM, pouco trabalha com as editoras \u2013 \u201cnormalmente n\u00e3o t\u00eam as coisas de que necessito\u201d. \u00c9 f\u00e1cil perceber porqu\u00ea. A loja do Pr\u00edncipe Real distribui e trabalha com os seus pr\u00f3prios cat\u00e1logos: Accent, Ricercare, New Albion, Greentrax, Claddagh, Gael-Linn\u2026<br \/>\nJos\u00e9 Guedes, da Contraverso, diz com um sorriso ir\u00f3nico nos l\u00e1bios que \u201ccompra tudo o que lhe interessa \u00e0s multinacionais\u201d. Importado directamente do estrangeiro, \u201capenas o que n\u00e3o h\u00e1 no mercado\u201d. E acrescenta, com um sorriso: \u201c\u00c9 mais conveniente.\u201d Rela\u00e7\u00f5es directas com as editoras independentes estrangeiras n\u00e3o tem \u201cnenhumas\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de pre\u00e7o\u201d, garante, \u201cn\u00e3o tenho \u00e9 paci\u00eancia para as aturar\u2026\u201d. Jos\u00e9 Guedes tem, contudo, uma opini\u00e3o concreta sobre os pre\u00e7os praticados no mercado portugu\u00eas: \u201cDevem evitar-se os descontos escondidos, que se praticam em quase todas as lojas de Lisboa.\u201d Que descontos escondiso? \u201cOs interessados sabem\u2026\u201d<br \/>\nNas lojas da cadeia Bimotor os diversos cat\u00e1logos s\u00e3o, na maioria, provenientes l\u00e1 de fora, j\u00e1 que as suas especialidades, a \u201dm\u00fasica de dan\u00e7a\u201d e o \u201cheavy\u201d, que importam em grande quantidade, n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis nas multinacionais. Para tal, a discoteca tem pessoal especializado, \u201cpessoas que est\u00e3o dentro de cada g\u00e9nero de m\u00fasica\u201d. \u201cTemos a nossa pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de mercado\u201d, diz Rui Rodrigues, da filial das Amoreiras, o que permite \u00e0 Bimotor reger-se por regras diferentes das outras lojas.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 Beira Da Cat\u00e1strofe<\/strong><\/p>\n<p>As editoras multinacionais apontam o dedo a dois intervenientes aparentemente distintos. Por um lado, aos retalhistas que passam ao lado dos seus cat\u00e1logos, indo buscar l\u00e1 fora aquilo que \u00e0 primeira vista pareceria ser mais f\u00e1cil e c\u00f3modo de obter atrav\u00e9s das editoras. Por outro, \u00e0s chamadas \u201cgrandes superf\u00edcies\u201d, os hipermercados, que p\u00f5em \u00e0 venda os discos dos artistas objecto de maior consumo, em quantidades maci\u00e7as e com margens de lucro reduzidas.<br \/>\nAs multinacionais v\u00eaem-se, deste modo, como que encurraladas entre dois fogos. Se as lojas n\u00e3o lhes compram, s\u00e3o obrigados a vender aos hipermercados, com a consequente diminui\u00e7\u00e3o na percentagem de lucros, mas como forma priorit\u00e1ria de escoamento do produto.<br \/>\nPara Francisco Vasconcelos, administrador da cadeia de lojas Valentim de Carvalho, os hipermercados s\u00e3o os principais culpados da fase descendente que a ind\u00fastria atravessa: \u201cH\u00e1 dois anos, inici\u00e1mos uma baixa de pre\u00e7os em certos t\u00edtulos escolhidos, em princ\u00edpio dos mais vendidos, ou das novidades com maior expectativa, para respondermos \u00e0 pol\u00edtica comercial dos hipermercados. Existia um movimento bastante acelerado de fuga de p\u00fablico das lojas normais para os hipermercados. Foi para tentar estancar essa sangria que come\u00e7\u00e1mos esta pol\u00edtica comercial. Estamos a trabalhar com margens de lucro normais, que rondam os vinte e tal por cento. N\u00e3o conseguimos atingir os 28 por cento, que \u00e9 a margem corrente das grandes cadeias internacionais \u2013 Virgin, HMVM, FNAC. Temos que sofrer um bocadinho e apertar o cinto.\u201d<br \/>\nNos hipermercados, \u201cas margens de lucro descem aos cinco, seis por cento\u201d, continua Francisco Vasconcelos, \u201cn\u00fameros imposs\u00edveis de atingir por qualquer loja vulgar, at\u00e9 porque, logo \u00e0 partida, se esta est\u00e1 situada num bom local, chega a pagar de renda cerca de oito ou nove por cento do valor da sua factura\u00e7\u00e3o a quem arrenda esse tipo de lugares. Pode dizer-se que h\u00e1 uma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria por tr\u00e1s de tudo isto. Se uma pessoa quiser abrir uma loja no Shopping de Cascais ou nas Amoreiras, \u00e9 quanto vai ter de pagar. Como n\u00e3o podemos atrair o p\u00fablico para uma estrada deserta nem somos um supermercado que vende batatas juntamente com cassetes v\u00eddeo e a\u00e7\u00facar, s\u00f3 discos, temos de ir para esse tipo de locais. Com sete ou oito por cento logo para o dono do espa\u00e7o, \u00e9 evidente que menos do que estes vinte e tais por cento n\u00e3o chega para pagar os ordenados das pessoas, as quebras de \u2018stock\u2019, tudo isso\u2026\u201d.<br \/>\nAinda sobre a concorr\u00eancia dos hipermercados, Francisco Vasconcelos lamenta o \u201cdesaparecimento de muitos clientes [incluindo lojas] tradicionais\u201d: \u201cQuando comecei a trabalhar nisto, havia qualquer coisa como 800 clientes. Hoje, em Portugal, n\u00e3o deve haver mais de cento e tal.\u201d Descida violenta, \u201cem parte resultado da crise econ\u00f3mica, em parte porque est\u00e3o a ser esmagados pelos hipermercados. Ou as lojas se tornam mais especializadas ou os hipermercados, cuja ac\u00e7\u00e3o tem sido verdadeiramente catastr\u00f3fica, toma conta disto tudo\u201d.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lojas da concorr\u00eancia, a cadeia Valentim de Carvalho optou por as combater com as mesmas armas montando um departamento de m\u00fasica independente \u00e0 base de importa\u00e7\u00f5es directas, procurando, em simult\u00e2neo, uma melhoria de servi\u00e7os e de atendimento ao p\u00fablico, partindo do princ\u00edpio de que o cliente prefere pagar mais e ser mais bem atendido do que abastecer-se de discos a granel e entalados no mesmo pacote das couves e do detergente.<br \/>\nSegundo Francisco Vasconcelos, \u201cas lojas de discos que lidam com produtos de entretenimento devem ser locais atraentes, onde as pessoas se deviam divertir e aprender. Vamos ter que tornar as lojas mais interessantes. Neste aspecto, a loja do Rossio teve um grande impacte no mercado\u201d.<\/p>\n<p>Ros\u00e1rio De Pecados<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Se as lojas Valentim de Carvalho pensam j\u00e1 na resposta a dar \u00e0 concorr\u00eancia dos \u201ch\u00edper\u201d, outras h\u00e1 que elegeram um tipo de \u201cinimigo\u201d diferente, como \u00e9 o caso da One-Off, que recusa a trabalhar com as distribuidoras \/ editoras portuguesas. Rui Sp\u00falveda, respons\u00e1vel pela importa\u00e7\u00e3o dos compactos desta discoteca instalada nas Amoreiras, v\u00ea na editora EMI (aut\u00f3noma das lojas) \u2013 Valentim de Carvalho, \u201cque domina o mercado nacional\u201d, o culpado de v\u00e1rios males.<br \/>\nAntes, por\u00e9m, Rui Sep\u00falveda come\u00e7a por atacar as editoras em geral: \u201cAndam pelos jornais e pela televis\u00e3o a lamentar-se de que as vendas do passado ca\u00edram n\u00e3o sei quantos por cento e que este ano ser\u00e1 ainda pior, quando o que se passa \u00e9 que foram apenas elas que deixaram de vender\u201d, j\u00e1 que \u201ctodas as boas lojas de Lisboa, que trabalham com importa\u00e7\u00f5es directas, venderam melhor\u201d. Vai mais longe: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil arranjar c\u00e1 aquilo que se pretende. As editoras, a maioria das vezes, n\u00e3o t\u00eam o que queremos e, quando t\u00eam, fazem a chamada \u2018panelinha\u2019 \u2013 primeiro \u00e9 para as lojas deles [e aqui Rui Sep\u00falveda passa a referir-se em particular \u00e0 EMI \u2013 Valentim de Carvalho], s\u00f3 o que sobra \u00e9 que vai para as outras lojas. H\u00e1 um boicote aut\u00eantico.\u201d<br \/>\nEmbalado, conta um caso acontecido h\u00e1 dois anos, \u201cno Natal de 91, quando da sa\u00edda do disco de Rui Veloso \u2018Auto da Pimenta\u2019\u201d, que deu origem a uma aut\u00eantica \u201cguerra de pre\u00e7os\u201d: \u201cA Valentim de Carvalho decidiu p\u00f4r este disco \u00e0 venda, nas suas lojas, com 15, 20 por cento de desconto, o que, sendo um disco de grandes vendas que poderia ajudar v\u00e1rias lojas a recuperar de meses menos bons, obrigou toda a gente a baixar as margens de lucro. Nessa altura chegou a aventar-se a hip\u00f3tese de se formar uma associa\u00e7\u00e3o de lojas que boicotassem a Valentim de Carvalho.\u201d<br \/>\nPor estas e por outras, a One-Off voltou as costas \u00e0s multinacionais, que acusa de, por vezes, incorrerem em estrat\u00e9gias menos l\u00edmpidas. Rui Sep\u00faveda conta, a prop\u00f3sito, certos rumores que, segundo ele, correm em diversas discotecas sobre o lan\u00e7amento, no ano passado, de \u201cRock In Rio Douro\u201d, dos GNR: \u201cUm m\u00eas antes de o disco sair, iam todos os dias dezenas de mi\u00fados \u00e0s lojas, pagos ou n\u00e3o pela editora, pedir o disco, dizendo que j\u00e1 tinha sa\u00eddo, e perguntar por que \u00e9 que n\u00e3o estava \u00e0 venda.\u201d<br \/>\nNa opini\u00e3o de Rui Sep\u00falveda, tratava-se de uma forma de press\u00e3o para for\u00e7ar o retalhista a compras antecipadas e em grande quantidade. \u201cSe o lojista n\u00e3o se precavesse\u201d, argumenta, \u201ccomparava logo uns 500 discos, que depois ficavam em casa.\u201d \u00c9 que, ainda segundo o homem forte da One-Off, \u201cquando o disco saiu de facto, as compras n\u00e3o chegaram sequer a dez por cento do n\u00famero daqueles pseudopedidos\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cUm Perfeito Disparate\u201d<\/strong><\/p>\n<p>David Ferreira, administrador da editora EMI-VC, contactado pelo P\u00daBLICO, prontificou-se desde logo a comentar as \u201cacusa\u00e7\u00f5es\u201d que sobre a sua casa reaca\u00edam.<br \/>\nDo \u201ccaso GNR\u201d \u00e0s hipot\u00e9ticas press\u00f5es \u00e0s discotecas, David Ferreira garante que \u201c\u00e9 totalmente mentira\u201d. E garante que s\u00f3 n\u00e3o processa o autor de tais afirma\u00e7\u00f5es por \u201cfalta de tempo\u201d: \u201cAl\u00e9m de ser mentira, \u00e9 um perfeito disparate.\u201d Para refor\u00e7ar esta afirma\u00e7\u00e3o avan\u00e7a valores oficiais: \u201cO disco saiu em Junho do ano passado e vendeu, s\u00f3 no m\u00eas de sa\u00edda, 28.547 \u00e1lbuns. As vendas totais at\u00e9 esta altura est\u00e3o em 76.131, ou seja, o valor de sa\u00edda praticamente triplicou. Isto fala por si. Estes dados s\u00e3o facilmente comprov\u00e1veis na Sociedade Portuguesa de Autores. Al\u00e9m de que ser\u00edamos parvos se estiv\u00e9ssemos a perder tempo num estratagema t\u00e3o complicado com artistas que claramente n\u00e3o nos levantam grandes problemas para atingir grande factura\u00e7\u00e3o. \u00c9 absurdo.\u201d<br \/>\nQuanto ao hipot\u00e9tico favoritismo dado pela editora \u00e0s lojas Valentim de Carvalho, David Ferreira desmente-o igualmente de forma categ\u00f3rica: \u201cTamb\u00e9m \u00e9 mentira. Tratamos de igual maneira os clientes que visitamos. A One-Off, tanto quanto me lembro, teve uma altura em que estava com os pagamentos em atraso. \u00c9 evidente que uma loja nestas condi\u00e7\u00f5es deixa de ser visitada. Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de favoritismo \u2013 as editoras vendem, n\u00e3o oferecem. Em rela\u00e7\u00e3o a qualquer disco, o que se passa \u00e9 que n\u00f3s, pelo contr\u00e1rio, temos uma pol\u00edtica de sa\u00edda simult\u00e2nea de novidades e, quando os pedidos excedem as quantidades em \u2018stock\u2019, fazemos um rateio para que as exist\u00eancias, assim como as faltas, sejam distribu\u00eddas com justi\u00e7a.\u201d Sobre o pretenso boicote na forma de descontos despropositados nas lojas Valentim de Carvalho, do disco \u201cAuto da Pimenta\u201d, de Rui Veloso, David Ferreira classifica-o como \u201coutro disparate!\u201d.<br \/>\n\u201cA lei portuguesa\u201d, explica, \u201cn\u00e3o permite \u00e0s editoras discogr\u00e1ficas fixarem pre\u00e7os de venda ao p\u00fablico. N\u00f3s temos um pre\u00e7o de revenda, que \u00e9 o que consta na tabela, vendemos ao mesmo pre\u00e7o de revenda a todos os nossos clientes. O que acontece \u00e9 que nessa altura a loja Valentim de Carvalho praticava, como continua a praticar, uma pol\u00edtica de pre\u00e7os de uma s\u00e9rie de refer\u00eancias que \u00e9 a mesma dos hipermercados e que consiste em haver sempre uma lista de t\u00edtulos em que se abdica das margens de lucro habituais. N\u00e3o se trata de um desconto feito pela EMI \u2013 Valentim de Carvalho \u00e0 Valentim de Carvalho loja, mas de um desconto feito pela Valentim de Carvalho aos clientes, o chamado pre\u00e7o VC aplicado a discos de artistas de todas as editoras, do Sting ou da Whitney Houston, por exemplo. A\u00ed eu n\u00e3o tenho qualquer interfer\u00eancia. A Valentim tem os pre\u00e7os que tem, os hipermercados t\u00eam o pre\u00e7o que t\u00eam, a One-Off tem os pre\u00e7os que tem. Temos tabelas transparentes, em vigor para todos. A partir da\u00ed, n\u00e3o h\u00e1 nada que possa viciar a concorr\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p><strong>CAIXA<br \/>\nEM BUSCA DO DISCO PERDIDO<\/strong><br \/>\nEnquanto lojas e editoras se digladiam, o consumidor nem sempre encontra nas bancas o disco que procura. Fomos a quatro discotecas da capital em busca dos t\u00edtulos que tiveram honras de destaque nas sec\u00e7\u00f5es de m\u00fasica dos jornais \u201cBlitz\u201d, \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d (suplemento \u201cCompacto\u201d) e P\u00daBLICO (suplemento Pop Rock), nas tr~es semanas compreendidas entre 2 e 17 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/2-300x265.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"265\" class=\"alignnone size-medium wp-image-11353\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/2-300x265.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/2-100x88.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/2.jpg 610w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>A lista de obras procuradas era a seguinte: \u201cO Canto da Cidade\u201d (Daniela Mercury), \u201cSo Tough\u201d (St. Etienne), \u201cSweet, Oblivion\u201d (Screaming Trees), \u201cTalking Loud II\u201d (colect\u00c2nea), \u201cDuran Duran\u201d (Duran Duran), \u201cField Guide\u201d (Timbuk 3), \u201cLive in Theatre 1988\u201d (David Sylvian), \u201cStory of my Life\u201d (Pere Ubu), \u201cSongs of Faith and Devotion\u201d (Depeche Mode), \u201cStar\u201d (Belly), \u201cFrank Black\u201d (Frank Black), \u201cSenhas\u201d (Adriana Calcanhoto), \u201cVorony\u201d (Ukrainians), \u201cVox de Nube\u201d (Noirin N\u00ed Riain) e a reedi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie Earthworks.<br \/>\nDispon\u00edveis nas quatro discotecas s\u00f3 estavam os Duran Duran, Depeche Mode e Belly. A estreia a solo de Frank Black apenas n\u00e3o figurava numa discoteca. Os St. Etienne apareciam em duas lojas. Com presen\u00e7as solit\u00e1rias em apenas uma loja estavam os Screaming Trees, a colect\u00e2nea \u201cTalking Loud II\u201d, Timbuk 3, David Sylvian e Pere Ubu. De uma \u00e1rea mais espec\u00edfica, Ukrainians, Noirin N\u00ed Riain e s\u00e9rie Earthworks n\u00e3o figuravam em nenhuma discoteca.<br \/>\nDois casos particulares, os discos das artistas brasileiras Adriana Calcanhoto e Daniella Mercury. No primeiro, o \u00e1lbum ainda n\u00e3o saiu. Uma das discotecas j\u00e1 o teve \u00e0 venda numa edi\u00e7\u00e3o esgotada obtida atrav\u00e9s de uma distribuidora. O segund apenas existe nos formatos de vinilo e cassete, estando o compacto, de momento, esgotado na editora. Nos casos dos t\u00edtulos em falta, ou eram desconhecidos ou nunca foram pedidos. Os Timbuk 3 tinham-se esgotado numa discoteca.<br \/>\nAs conclus\u00f5es a extrair s\u00e3o as de que apenas os t\u00edtulos mais sonantes estavam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do comprador. O factor cr\u00edtica, para todas as discotecas consultadas, n\u00e3o \u00e9 relevante ou \u00e9-o pouco, obedecendo as encomendas ou importa\u00e7\u00f5es antes a crit\u00e9rios pr\u00f3prios de cada loja, segundo uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o sobre o que vende e o que n\u00e3o vende proporcionada pela experi\u00eancia dos respectivos funcion\u00e1rios e\/ou propriet\u00e1rios.<br \/>\nNo caso de discos esgotados, o \u201cstock\u201d \u00e9 renovado, a maioria das vezes, num prazo reduzido ou n\u00e3o chega a ser reposto, porque as previs\u00f5es apontam para uma n\u00e3o-continua\u00e7\u00e3o da procura. O argumento da \u201cfalta de interesse\u201d volta a ser invocado para os discos que nunca chegaram aos escaparates. \u00c9 a retrac\u00e7\u00e3o, compreens\u00edvel, em tempo de vacas magras e forte concorr\u00eancia. O comprador de discos, quando busca algo mais particular e fora do grande consumo, tem de procurar bem antes de encontrar o pretendido.<br \/>\nH\u00e1 quem conhe\u00e7a o territ\u00f3rio e quem o desconhe\u00e7a. Os primeiros fecjham-se em copas, n\u00e3o v\u00e1 algu\u00e9m antecipar-se e comprar o compacto desejado antes de si (as quantidades s\u00e3o pequenas e a rapidez de aquisi\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui um factor importante). Os segundos, se n\u00e3o quiserem andar de loja em loja, desistem ou resignam-se ao que h\u00e1. Alguns encolher\u00e3o os ombros e pensar\u00e3o que, procura por procura, t\u00eam ali mais \u00e0 m\u00e3o o hipermercado.<\/p>\n<p><em>READY MADE E P\u00d3S<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-300x230.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"230\" class=\"alignnone size-medium wp-image-11354\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-300x230.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-100x77.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3.jpg 417w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Nova forma\u00e7\u00e3o dos Pop Dell\u2019Arte: Jo\u00e3o Peste, Lu\u00eds San Payo, Pedro Alvim, Paulo Monteiro, e Jo\u00e3o Lu\u00eds II<br \/>\nO LAN\u00c7AMENTO DO \u00daLTIMO TRABALHO DOS Pop Dell\u2019Arte, \u201cReady Made\u201d, terceira edi\u00e7\u00e3o da Variodisc, esperado h\u00e1 cerca de um ano, vai finalmente concretizar-se na pr\u00f3xima segunda-feira, 12 de Abril, mas a banda promete j\u00e1 outro \u00e1lbum. \u201cReady Made\u201d vai ser editado em formato vinil, com seis temas, e em CD, no qual figuram ainda duplas vers\u00f5es de \u201c2002\u201d e \u201cMc Holly\u201d. Ambos t\u00eam uma edi\u00e7\u00e3o limitada de \u201cready mades\u201d, adaptados ao formato, assinados pelos membros dos Pop Dell\u2019Arte, quando da grava\u00e7\u00e3o do disco.<br \/>\nA nova forma\u00e7\u00e3o dos Pop Dell\u2019Arte \u2013 que inclui, desde o final do ano passado, al\u00e9m do trio sobrevivente (composto pelo vocalista Jo\u00e3o Peste, o baterista Lu\u00eds San Payo e o baixista Pedro Alvim), outros dois novos membros, Paulo Monteiro, ex-Croix Saint, na guitarra, e Jo\u00e3o Lu\u00eds II, na guitarra e manipula\u00e7\u00e3o de fitas \u2013 apresenta integralmente ou temas do novo \u00e1lbum (com excep\u00e7\u00e3o de \u201c808 loop\u201d, dia 17 de Abril, na Voz do Oper\u00e1rio, em Lisboa, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de temas novos do per\u00edodo p\u00f3s \u201cReady Made\u201d. T\u00eam como convidado especial General D e a primeira parte do concerto ser\u00e1 assegurada pelos Lulu Blind.<br \/>\n\u201cse, mais uma vez adiamentos imprevistos impedirem a sa\u00edda do disco, ser\u00e1 por exclusiva responsabilidade da Varidisc, j\u00e1 que este \u00e1lbum est\u00e1 conclu\u00eddo h\u00e1 muito tempo e n\u00f3s n\u00e3o abdicamos da data do concerto de apresenta\u00e7\u00e3o em Lisboa, que est\u00e1 prometido desde o final do ano passado\u201d, referiu o mentor da banda, Jo\u00e3o Peste. O atraso na edi\u00e7\u00e3o de \u201cReasdy Made\u201d n\u00e3o impediu a banda de preparar novos temas que, segundo Jo\u00e3o Peste, \u201cj\u00e1 justificam um outro \u00e1lbum\u201d. \u201cMy super Analana\u201d, \u201cH27\u201d, \u201cA sex machine (with hands to kill)\u201dBe hop\u201d e \u201cRacismo \u00e9 est\u00fapido\u201d s\u00e3o alguns desses temas, num conjunto de 13 que a nova forma\u00e7\u00e3o dos Pop Dell\u2019Arte se tem ocupado nos \u00faltimos seis meses. Esperamos que este futuro \u00e1lbum viva dias melhores, com uma edi\u00e7\u00e3o atempada.<br \/>\nCristina Carvalho?\/Concei\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 07.04.1993 Pol\u00e9mica Entre Editoras E Retalhistas A DIF\u00cdCIL CONVIV\u00caNCIA Um dos pontos mais quentes e mais badalados nos \u00faltimos tempos tem sido o das (dif\u00edceis) rela\u00e7\u00f5es entre as lojas de retalhistas, as vulgares discotecas, e as editoras multinacionais com sede no nosso pa\u00eds. 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