{"id":11308,"date":"2023-11-17T03:40:16","date_gmt":"2023-11-17T10:40:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11308"},"modified":"2023-11-17T03:40:16","modified_gmt":"2023-11-17T10:40:16","slug":"varios-amelia-muge-jose-mario-branco-nill-cruz-paodemonio-festa-anti-racista-o-trabalho-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/11\/17\/varios-amelia-muge-jose-mario-branco-nill-cruz-paodemonio-festa-anti-racista-o-trabalho-da-liberdade\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Am\u00e9lia Muge + Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco + Nill Cruz + P\u00e3odem\u00f3nio) &#8211; &#8220;Festa Anti-Racista &#8211; O Trabalho D\u00e1 Liberdade&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> ter\u00e7a-feira, 23.03.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Festa Anti-Racista<\/p>\n<p>O Trabalho D\u00e1 Liberdade<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\u201cO ESTADO, n\u00e3o s\u00f3 enquanto soberano de popula\u00e7\u00f5es semi-b\u00e1rbaras mas tamb\u00e9m enquanto deposit\u00e1rio da autoridade social, n\u00e3o deveria ter nenhum escr\u00fapulo de obrigar e, se necess\u00e1rio, for\u00e7ar estes negros da \u00c1frica, esses p\u00e1rias ignorantes da \u00c1sia, a trabalhar, quer dizer, a aperfei\u00e7oar-se pelo trabalho, a adquirir melhores meios de exist\u00eancia pelo trabalho, a civilizarem-se pelo trabalho\u201d. Rezava assim um texto publicado pelo Comiss\u00e1rio Real da \u00c1frica portuguesa, em 1898, afixado em exposi\u00e7\u00e3o numa galeria do Teatro da Comuna. A escravatura em Portugal acabara 19 anos antes, em 1869, no papel. Em seu lugar, surgira o trabalho for\u00e7ado, de modo a garantir a m\u00e3o-de-obra barata necess\u00e1ria \u00e0 sobreviv\u00eancia da ind\u00fastria em Portugal, incapaz de responder ao desafio tecnol\u00f3gico lan\u00e7ado pela Inglaterra no princ\u00edpio do s\u00e9culo. \u201cO trabalho d\u00e1 liberdade\u201d, \u201carbeit macht frei\u201d, anunciava-se \u00e0 entrada dos campos de concentra\u00e7\u00e3o na Alemanha, durante a II Guerra Mundial.<br \/>\nFruto de preconceitos culturais e sociais, de m\u00e3os dadas com factores econ\u00f3micos, o racismo parte de uma asser\u00e7\u00e3o \u201cfilos\u00f3fica\u201d fundamental: de que o racionalismo (de Arist\u00f3teles a Descartes e ao idealismo alem\u00e3o, e, como consequ\u00eancia, o materialismo) \u00e9 a express\u00e3o mais elevada do esp\u00edrito humano. Como este racionalismo nasceu historicamente confinado ao Ocidente, \u00e0 Europa e \u00e0 ra\u00e7a branca caucasiana, daqui se inferiu que todas as restantes cores, estruturas sociais e modos diferentes de pensar s\u00e3o inferiores.<br \/>\n\u00c9 assim que, prestes a chegar ao final do s\u00e9culo XX, a praga do racismo continua por eliminar e, pior do que isso, a fazer v\u00edtimas. Como aconteceu em Sharpville, neste mesmo dia, a 21 de Mar\u00e7o de 1960, em que dezenas de manifestantes negros foram chacinados por protestarem contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial \u2013 prova de que a dem\u00eancia humana \u00e9 infinita.<br \/>\nDomingo de tarde, dia mundial de luta contra o racismo, no Teatro da Comuna, um punhado de gente voltou a rebelar-se contra este estado de coisas. Haveria m\u00fasica no programa, comes e bebes, e exposi\u00e7\u00f5es alusivas ao tema. Os lucros da iniciativa (se os houve: os bilhetes custavam 1000 escudos, as despesas foram muitas) reverteram a favor das entidades organizadoras, o MAR-Movimento Anti-Racista, a Survie e o Comit\u00e9 Palestina. O pequeno recinto da Pra\u00e7a de Espanha encheu-se de pessoas que preferiram dizer n\u00e3o \u00e0 indiferen\u00e7a, em plena tarde de mais um Benfica-Sporting.<br \/>\nOs meios eram poucos mas a vontade muita. Apertados sobre o palco min\u00fasculo, os m\u00fasicos amadores angolanos do Verdadeiro Acad\u00e9mica M\u00fasica actuaram em primeiro lugar, trazendo consigo os ritmos e o calor de \u00c1frica. Am\u00e9lia Muge e o brasileiro Nill Cruz vieram em seguida, lado a lado, alternando vozes e alertas. A autora de \u201cM\u00fagicas\u201d apresentou o in\u00e9dito \u201cImp\u00e9rio das fomes\u201d e uma adapta\u00e7\u00e3o \u201ctropical\u201d de \u201cBarro negro\u201d, de Jos\u00e9 Afonso. O brasileiro p\u00f4s toda a gente a cantar a \u00fanica cor que importa, a \u201ccor da alma\u201d. Depois, tempo de farsa, com o grupo P\u00e3odem\u00f3nio na apresenta\u00e7\u00e3o do \u201csketch\u201d \u201cApoio \u00e0 v\u00edtima\u201d. Pol\u00edcias de ventre saliente e gesto bo\u00e7al, metidos a rid\u00edculo, numa cr\u00edtica mordaz ao autoritarismo e ao servilismo burocr\u00e1tico, mais importantes que o sofrimento e as queixas da v\u00edtima, o negro Possid\u00f3nio. Por fim, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco \u2013 \u201cpodem contar sempre comigo para este g\u00e9nero de iniciativas\u201d \u2013 cantou, emocionado-se e amocionando, com a \u201cQueixa das jovens almas censuradas\u201d, de Nat\u00e1lia Correia, e a \u201cInquieta\u00e7\u00e3o\u201d que procura a ideia certa e a ac\u00e7\u00e3o que modelam o futuro. Despediu-se de punho erguido.<br \/>\nA seguir ao jantar, com os Verdadeiro Acad\u00e9mica M\u00fasica de novo sobre o palco, o baile durou at\u00e9 \u00e0s tantas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> ter\u00e7a-feira, 23.03.1993 Festa Anti-Racista O Trabalho D\u00e1 Liberdade \u201cO ESTADO, n\u00e3o s\u00f3 enquanto soberano de popula\u00e7\u00f5es semi-b\u00e1rbaras mas tamb\u00e9m enquanto deposit\u00e1rio da autoridade social, n\u00e3o deveria ter nenhum escr\u00fapulo de obrigar e, se necess\u00e1rio, for\u00e7ar estes negros da \u00c1frica, esses p\u00e1rias ignorantes da \u00c1sia, a trabalhar, quer dizer, a aperfei\u00e7oar-se pelo trabalho, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1018,841,179,28,68],"tags":[524,880,2917,2918,2915,23],"class_list":["post-11308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1993","category-concertos","category-etno","category-folk","category-world","tag-amelia-muge","tag-jose-mario-branco","tag-nill-cruz","tag-paodemonio","tag-teatro-da-comuna","tag-varios"],"views":330,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11309,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11308\/revisions\/11309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}