{"id":1122,"date":"2009-11-09T09:09:25","date_gmt":"2009-11-09T16:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1122"},"modified":"2009-11-09T09:09:25","modified_gmt":"2009-11-09T16:09:25","slug":"mafalda-arnauth-%e2%80%93-dar-voz-as-palavras-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/11\/09\/mafalda-arnauth-%e2%80%93-dar-voz-as-palavras-2\/","title":{"rendered":"Mafalda Arnauth \u2013 Dar Voz \u00c0s Palavras"},"content":{"rendered":"<p>16.03.2001<br \/>\nMafalda Arnauth \u2013 Dar Voz \u00c0s Palavras<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mafaldaanimado.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mafaldaanimado.gif\" alt=\"mafaldaanimado\" title=\"mafaldaanimado\" width=\"210\" height=\"210\" class=\"alignnone size-full wp-image-1123\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mafaldaanimado.gif 210w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mafaldaanimado-150x150.gif 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Hyc2cB-wDD0&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Hyc2cB-wDD0&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Em \u201cEsta Voz Que Me Atravessa\u201d, Mafalda Arnauth faz a travessia entre a voz e a poesia, saboreando tudo o que existe pelo meio. Am\u00e9lia muge, senhora das palavras, produz.<\/p>\n<p>Mafalda Arnauth \u00e9 uma das estrelas mais brilhantes da nova constela\u00e7\u00e3o do fado cantado no feminino. Depois de um \u00e1lbum de estreia promissor, a fadista apadrinhada no in\u00edcio de carreira por Jo\u00e3o Braga, acaba de lan\u00e7ar um segundo trabalho, \u201cEsta Voz Que Me Atravessa\u201d, onde s\u00e3o vis\u00edveis o amadurecimento, quer da voz, quer da composi\u00e7\u00e3o. E uma maior aten\u00e7\u00e3o posta nas palavras e nos segredos e prazeres que estas encerram.<br \/>\nDito de outro modo, Mafalda Arnauth ouve-se melhor a si pr\u00f3pria. A produ\u00e7\u00e3o do novo disco foi entregue, com alguma surpresa, a Jos\u00e9 Martins e Am\u00e9lia Muge, com quem a fadista estabeleceu uma rede de empatia e cumplicidades.<br \/>\nDois anos depois de \u201cMafalda Arnauth\u201d, a atitude perante a m\u00fasica, o fado e a grava\u00e7\u00e3o de um disco \u00e9 tudo mais espont\u00e2neo mas tamb\u00e9m mais verde\u201d. A uma produ\u00e7\u00e3o diferente correspondeu \u201cuma exig\u00eancia mais forte em termos musicais, o que acabou por colocar outro peso na forma de cantar, outra dimens\u00e3o\u201d. Enquanto o primeiro disco pretendia dizer \u201cisto \u00e9 o que eu sou, e como transporto neste momento isto que eu sou para um disco\u201d, em \u201cEsta Voz Que Me Atravessa\u201d a diferen\u00e7a come\u00e7a logo pelo menor n\u00famero de composi\u00e7\u00f5es assinadas em nome pr\u00f3prio, sinal de um ano de trabalho \u201cem cheio\u201d mas tamb\u00e9m de uma vontade de n\u00e3o escrever por escrever. \u201cN\u00e3o quero escrever de prop\u00f3sito para poder dizer que as coisas s\u00e3o minhas\u201d. Em \u201cesta Voz Que Me Atravessa\u201d Mafalda Arnauth encontrou quem as dissesse da mesma forma que ela as teria dito: H\u00e9lia Correia, Am\u00e9lia Muge, M\u00e1rio Rainho, H\u00e9lder Moutinho e\u2026 Fausto, presente no tema \u201cLusitana\u201d. Ela mesmo diz a tradi\u00e7\u00e3o de Alfredo Marceneiro, em \u201cAt\u00e9 Logo, meu Amor\u201d.<\/p>\n<p>Cumplicidades<br \/>\nAm\u00e9lia e Mafalda encontraram-se atrav\u00e9s de Caman\u00e9, para quem a autora de \u201cTaco a Taco\u201d escrevera uma composi\u00e7\u00e3o. Logo a\u00ed a fadista se sentiu impelida a trabalhar com ela e o seu parceiro de h\u00e1 muito, Jos\u00e9 Martins. \u201cUm e outro funcionaram como estudiosos\u201d, diz Mafalda, \u201cpreocupando-se em ver o que \u00e9 o fado, em saber deste universo e, respeitando o tradicional, debru\u00e7ando-se sobre as suas fronteiras\u201d.<br \/>\n\u201cO que me impressionou acima de tudo na Am\u00e9lia foi esse lado de ir ao fundo das coisas, al\u00e9m de ser uma pessoa com as emo\u00e7\u00f5es \u00e0 flor da pele\u201d. As duas olharam-se e \u201cdescortinaram-se\u201d uma \u00e0 outra. Da\u00ed at\u00e9 se estabelecer uma empatia foi um \u00e1pice.<br \/>\nRespira\u00e7\u00f5es e outras coisas \u201cb\u00e1sicas\u201d como esta, al\u00e9m de pormenores subtis, como a forma de sentir e interpretar a m\u00fasica, e uma maior concentra\u00e7\u00e3o na musicalidade e significado dos poemas \u2013 \u201cpor vezes o facto de se ter na voz um bom instrumento, distrai a for\u00e7a dos poemas. Neste disco tive a preocupa\u00e7\u00e3o de saborear melhor os seus sentidos\u201d \u2013 sofreram altera\u00e7\u00f5es. Mas a audi\u00e7\u00e3o de \u201cEsta Voz que em Atravessa\u201d prova que a colabora\u00e7\u00e3o foi acertada.<br \/>\nRicardo Rocha, na guitarra portuguesa, Jos\u00e9 Elmiro Nunes, na guitarra de fado, e Paulo Paz, no contrabaixo, acompanham Mafalda Arnauth. Nada de inova\u00e7\u00f5es instrumentais, nenhum violino, nem um piano para amostra, apenas os instrumentos tradicionais do fado. Por aqui, pelo fado, as mudan\u00e7as ter\u00e3o que surgir sempre de dentro, da capacidade da personalidade de quem canta se moldar \u00e0s curvas do tempo. E \u00e9 assim que Mafalda Arnauth acha que deve ser. A contesta\u00e7\u00e3o na contra-corrente do esc\u00e2ndalo e do folclore que outros fazem gala em exibir. Mafalda, a contestat\u00e1ria. Com classe e devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Novo Fado?<br \/>\nE \u00e9 assim que outras das vozes femininas do fado surgidas nos \u00faltimos tempos \u2013 para al\u00e9m de Arnauth, tamb\u00e9m Cristina Branco, Ana Sofia Varela, Joana Amendoeira ou C\u00e1tia Guerreiro \u2013 t\u00eam procedido, deste modo garantindo, sem cair no paradoxo, a renova\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero musical que apenas o \u00e9 enquanto existir uma certa forma de ser-se e sentir-se portugu\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 \u201cnovo fado\u201d, mas novas (e novos) fadistas, outras formas, renovadas mas sempre ancoradas na saudade (sem ela o fado \u00e9 sombra sem corpo), de o (re)descobrir e cantar.<br \/>\nTodas elas insuflaram na alma do fado a sua pr\u00f3pria alma. Vozes e sensibilidades diferentes a explodirem num c\u00e9u que, depois da morte de Am\u00e1lia, se desanuviou, mostrando qu\u00e3o imenso era e ocupado estava. Porque Am\u00e1lia era toda ela o c\u00e9u. A estrela que ocupava todo o espa\u00e7o e tudo ofuscava. Extinta essa luz, outras lentamente se foram e v\u00e3o acendendo e \u00e9 o seu brilho que cada vez mais se vai firmando. \u201cNovas Am\u00e1lias\u201d n\u00e3o h\u00e1 nem poder\u00e1 haver. E o fado est\u00e1 agora mais dividido.<br \/>\n\u201ccom o desaparecimento real de Am\u00e1lia Rodrigues as pessoas deram-se conta que estavam a perder as suas ra\u00edzes. E aconteceu a descoberta que se l\u00e1 fora lhe prestavam tanta aten\u00e7\u00e3o era porque algo lhes estava a escapar. Ap\u00f3s a sua morte apareceram boas vozes, mas s\u00f3 o tempo definir\u00e1 a sua qualidade ou n\u00e3o, consoante a sua receptividade por parte do p\u00fablico\u201d.<br \/>\nPorque os tempos agora s\u00e3o outros e as dist\u00e2ncias maiores, torna-se dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, juntar estas vozes num qualquer movimento ou est\u00e9tica organizada. Hoje Mafalda Arnauth, Cristina Branco ou Ana Sofia Varela s\u00e3o mais facilmente divulgadas e ouvidas no estrangeiro do que qualquer fadista nas d\u00e9cadas de Am\u00e1lia. \u201cN\u00e3o \u00e9 como antigamente, quando as fadistas se juntavam nas casas de fado\u201d.<br \/>\nMas talvez o mais importante n\u00e3o seja essa partilha. E aquilo que une, afinal, todas estas vozes que reivindicam o futuro do fado pode ser sintetizado nas palavras de Mafalda Arnauth: \u201cEmbora cada uma trabalhe na sua pr\u00f3pria realidade, toda a gente tem a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer sempre o seu melhor\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>16.03.2001 Mafalda Arnauth \u2013 Dar Voz \u00c0s Palavras Em \u201cEsta Voz Que Me Atravessa\u201d, Mafalda Arnauth faz a travessia entre a voz e a poesia, saboreando tudo o que existe pelo meio. Am\u00e9lia muge, senhora das palavras, produz. Mafalda Arnauth \u00e9 uma das estrelas mais brilhantes da nova constela\u00e7\u00e3o do fado cantado no feminino. 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