{"id":11077,"date":"2023-07-22T05:06:04","date_gmt":"2023-07-22T12:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=11077"},"modified":"2023-07-22T05:06:04","modified_gmt":"2023-07-22T12:06:04","slug":"joaquim-dazurem-carlos-maria-trindade-e-nuno-canavarro-novas-musicas-para-novas-atitudes-concertos-reportagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/07\/22\/joaquim-dazurem-carlos-maria-trindade-e-nuno-canavarro-novas-musicas-para-novas-atitudes-concertos-reportagens\/","title":{"rendered":"Joaquim D\u2019Azur\u00e9m, Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro &#8211; &#8220;Novas M\u00fasicas Para Novas Atitudes&#8221; (concertos | reportagens)"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Local S\u00e1bado, 14.12.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Novas M\u00fasicas Para Novas Atitudes<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Joaquim D\u2019Azur\u00e9m, Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro escolheram ter voz pr\u00f3pria. A nova m\u00fasica portuguesa perdeu o medo de n\u00e3o ser popular. \u00c9 poss\u00edvel seguir por estradas solit\u00e1rias e retirar prazer da aventura.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Ontem \u00e0 noite, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, os tr\u00eas m\u00fasicos, mais alguns convidados, mostraram vias alternativas para a m\u00fasica portuguesa. Na sala, houve quem os acompanhasse na descoberta. E houve quem dormisse, quem n\u00e3o compreendesse. Outras formas de comunica\u00e7\u00e3o que urge aprender.<br \/>\nJoaquim D\u2019Azur\u00e9m gravou, vai para dois anos, um \u00e1lbum de \u201ctranspar\u00eancias\u201d. Ontem trouxe consigo os seus sonhos para a guitarra portuguesa. Primeiro em pe\u00e7as a solo, evocativas de um passado que \u00e9 fado, amor, luto e tradi\u00e7\u00e3o. Cruzado de refer\u00eancias \u00e0 modernidade: o etnominimalismo de Laraaji, nos \u201cclusters\u201d de cristal, no dedilhar circular, nas sobreposi\u00e7\u00f5es e nos ecos, tudo a fazer lembrar paisagens de Oriente e mediterr\u00e2nica maresia.<\/p>\n<p><strong>Ragas<\/strong><\/p>\n<p>D\u2019Azur\u00e9m pouco falou ao longo de uma actua\u00e7\u00e3o que aliou o virtuosismo \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o. Um aceno da cabe\u00e7a trouxe para o palco o primeiro convidado da noite, um bom tocador de tablas de quem gostar\u00edamos de saber o nome. Excitou e dialogou com os fraseados da guitarra, no batimento de compassos t\u00edpicos da m\u00fasica indiana. A m\u00fasica fez-se raga, distendeu-se em hipnose, vibrou segundo outras l\u00f3gicas e latitudes interiores. Percuss\u00f5es que a dado momento ficaram s\u00f3s no palco, num longo solo encantador. Depois foi a vez de Jo\u00e3o Pires de Campos (Flak, nos R\u00e1dio Macau) se juntar ao duo, arrancando da sua guitarra el\u00e9ctrica sons sintetizados como pano de fundo para as divaga\u00e7\u00f5es mel\u00f3dico \/ harm\u00f3nicas dos outros dois m\u00fasicos.<br \/>\nDe s\u00fabito, sem que nada o fizesse prever, Joaquim D\u2019Azur\u00e9m pede desculpa e abandona o palco, dando a ideia de ter de satisfazer uma necessidade urgente, qui\u00e7\u00e1 de ordem fisiol\u00f3gica. Cumprindo \u00e0 risca a m\u00e1xima do \u201cquando mija um portugu\u00eas mijam logo dois ou tr\u00eas\u201d, os outros seguem-lhe o exemplo e abandonam por sua vez o palco. Risinhos entre a assist\u00eancia, indecisa se haveria ou n\u00e3o de lhes imitar o gesto e transformar o evento em ritual de vertimento de \u00e1guas. Os m\u00fasicos regressam, mais aliviados, para o \u00faltimo n\u00famero. E afinal o intervalo viria logo a seguir\u2026<br \/>\nNo hall do S. Luiz, notava-se a presen\u00e7a de v\u00e1rios m\u00fasicos da nossa pra\u00e7a, entre eles Jos\u00e9 Cid, Ant\u00f3nio Pinho Vargas, Rodrigo Le\u00e3o, o LX-90 Rui Pregal da Cunha e os \u201cresistentes\u201d Fernando Cunha e Pedro Ayres, atentos a estas coisas alternativas.<\/p>\n<p><strong>Sedu\u00e7\u00e3o Digital<\/strong><\/p>\n<p>Chega ent\u00e3o a vez das m\u00e1quinas terem uma palavra a dizer. Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro ligam os computadores, os \u201csamplers\u201d e outros brinquedos de alta tecnologia e d\u00e3o um recital de sons \u00e9tnicos \/ ambientais extra\u00eddos do recente \u00e1lbum \u201cMr. Wollogallu\u201d (\u201cwollogallu\u201d designa um tambpr ancestral), um dos melhores discos do ano na \u00e1rea da m\u00fasica electr\u00f3nica. Explora\u00e7\u00e3o bem sucedida do universo das fus\u00f5es, na linha de nomes como os Cluster, Manuel G\u00f6ttsching ou da dupla italiana Musci \/ Venosta. Vozes tribais sequenciadas misturam-se com o piano computorizado ou com processamentos de folclores, reais ou imagin\u00e1rios. Em certos temas a m\u00fasica faz-se acompanhar pela projec\u00e7\u00e3o de imagens abstractas de computador. Mantras digitais, prenunciadores da \u201cnova idade\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 perto do final Carlos Maria Trindade desculpa-se pela falta de di\u00e1logo com o p\u00fablico. A culpa \u00e9 das \u201cexig\u00eancias da m\u00e1quina\u201d. O desprop\u00f3sito das palavras n\u00e3o chegou para apagar a sedu\u00e7\u00e3o dos sons, a predisposi\u00e7\u00e3o para a aventura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Local S\u00e1bado, 14.12.1991 Novas M\u00fasicas Para Novas Atitudes Joaquim D\u2019Azur\u00e9m, Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro escolheram ter voz pr\u00f3pria. A nova m\u00fasica portuguesa perdeu o medo de n\u00e3o ser popular. \u00c9 poss\u00edvel seguir por estradas solit\u00e1rias e retirar prazer da aventura. Ontem \u00e0 noite, no Teatro S. 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