{"id":10857,"date":"2023-04-24T08:54:13","date_gmt":"2023-04-24T15:54:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10857"},"modified":"2023-04-24T08:54:13","modified_gmt":"2023-04-24T15:54:13","slug":"r-e-m-verdade-e-consequencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/04\/24\/r-e-m-verdade-e-consequencia\/","title":{"rendered":"R.E.M. &#8211; &#8220;Verdade E Consequ\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 02.10.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>VERDADE E CONSEQU\u00caNCIA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Foram comparados aos Byrds, com os quais partilham o gosto por melodias imaculadas \u2013 presentes numa guitarra despojada de artif\u00edcios que sabe recortar o essencial e numa voz de cortar o cora\u00e7\u00e3o. Para os REM, tudo se resume a um jogo em que s\u00e3o os \u00fanicos a impor as regras. Jogaram o trunfo \u201cOur Of Time\u201d e fizeram o pleno. Agora \u00e9 tempo de historiar tempos passados, atrav\u00e9s da edi\u00e7\u00e3o de um \u201cBesto f\u201d que re\u00fane algumas das suas melhores can\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/REM-300x281.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"281\" class=\"alignnone size-medium wp-image-10858\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/REM-300x281.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/REM-100x94.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/REM.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Parecem ter nascido j\u00e1 com o estatuto de cl\u00e1ssicos. Desde o som de garagem do primeiro single, \u201cRadio Free Europe\u201d, gravado em Julho de 1981, at\u00e9 \u00e0 produ\u00e7\u00e3o luxuriante do \u00e1lbum mais recente, \u201cOut of Time\u201d, sempre a mesma coer\u00eancia e firmeza de princ\u00edpios, que lhes permitiu subir a pulso a escada do sucesso e a cria\u00e7\u00e3o de um som pr\u00f3prio que, sem desprezar influ\u00eancias, soube religar passado e presente, isto \u00e9, pegar na tradi\u00e7\u00e3o do folkrock psicad\u00e9lico dos Byrds e acrescentar-lhe a energia e a carga emocional de uma voz em permanente estado de gra\u00e7a.<br \/>\nDesprende-se da m\u00fasica dos REM uma magia especial, resultado da combina\u00e7\u00e3o perfeita entre o canto, sempre emocionado, sempre fr\u00e1gil, sempre contagiante, de Michael Stipe e a guitarra, clara e incisiva, de Pater Buck. Can\u00e7\u00f5es como o j\u00e1 citado \u201cRadio free Europe\u201d, \u201cThe One I Love\u201d, \u201cTalk About The Passion\u201d, \u201cFinest Worksong\u201d ou os recentes e irresist\u00edveis (embora j\u00e1 comecem a saturar, tal a insist\u00eancia com que continuam a ser passados na r\u00e1dio e na televis\u00e3o) \u201cLosing my religion\u201d e \u201cShiny happy people\u201d colam-se facilmente ao ouvido e recordam as grandes melodias e a simplicidade da era gloriosa dos singles, nos anos 60.<br \/>\nPara Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry tem sido a ascens\u00e3o permanente em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 gl\u00f3ria, com a constante de cada \u00e1lbum que editam vender mais do que o anterior. \u201cDocument\u201d foi o primeiro, nos Estados Unidos, a alcan\u00e7ar a barreira do milh\u00e3o de exemplares vendidos. \u201cGreen\u201d ultrapassou esse n\u00famero, com vendas na ordem do milh\u00e3o e meio. \u201cOut of Time\u201d continua a vender, sem que seja poss\u00edvel prever o n\u00famero final, decerto exorbitante. N\u00fameros que n\u00e3o deixam de surpreender, se levarmos em conta que toda a carreira do grupo se tem processado por sua conta e risco, sem uma rela\u00e7\u00e3o intensa com os \u201cmedia\u201d nem disposi\u00e7\u00e3o para seguir qualquer tipo de directivas impostas pela editora. \u201cSe d\u00e9ssemos ouvidos a essas sugest\u00f5es, para utilizarmos nos v\u00eddeos raparigas em bikini ou, nos discos, uns ritmos \u2018disco\u2019, ironiza o guitarrista, \u201cdecerto que os REM j\u00e1 teriam acabado.\u201d<\/p>\n<p><strong>Introspec\u00e7\u00e3o, N\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em vez disso, preferem a alian\u00e7a inusitada entre a imediatez das melodias e o discurso cr\u00edtico das letras de Stipe, para quem o \u201cnonsense\u201d \u201cconstitui um elemento crucial nas can\u00e7\u00f5es pop\u201d. N\u00e3o deixa, neste aspecto, de ser curioso que cada ouvinte julgue encontrar nos textos refer\u00eancias autobiogr\u00e1ficas ou mensagens de profundo significado m\u00edstico, que o pr\u00f3prio Stipe se encarrega de desmistificar quando, ao vivo, substitui uma palavra por outra, de valor fon\u00e9tico equivalente. A introspec\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece, pois, ser a principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o \u2013 \u201c\u00e9 aborrecida, essa necessidade de falar sobre si pr\u00f3prio, muito anos 70\u201d. De resto, acaba por impressionar mais n\u00e3o as palavras em si, mas a maneira como Stipe as canta, com a emo\u00e7\u00e3o sempre \u00e0 flor da pele, como se se tratasse, em cada can\u00e7\u00e3o, de desafiar o destino e toda a sua vida dependesse dessa confronta\u00e7\u00e3o. \u201cLosing my religion\u201d, por exemplo, induz facilmente a tenta\u00e7\u00e3o de referir o poema \u00e0 experi\u00eancia pessoal do cantor. Ele encolhe os ombros e afirma que muitas das suas letras s\u00e3o para rir.<br \/>\nAlguns textos partem, com efeito, de situa\u00e7\u00f5es concretas: \u201cWelcome to the occupation\u201d diz respeito \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar americana na Am\u00e9rica Central. \u201cFall on me\u201d n\u00e3o est\u00e1 longe de constituir uma den\u00fancia ecol\u00f3gica sobre as chuvas \u00e1cidas. \u201cSitting still\u201d tem que ver com o conv\u00edvio da irm\u00e3 de Stipe com crian\u00e7as surdas. \u201cCamera\u201d poderia ser um \u201czoom\u201d sobre um acidente de carro de um amigo. O resultado final, contudo, assume contornos de uma ilegibilidade enigm\u00e1tica, como se Stipe procurasse a todo o custo ocultar o lado mais aparente das coisas, preferindo sugerir em vez de mostrar, confundir em vez de explicar. \u201cN\u00e3o sou nenhum Billy Bragg\u201d, diz, \u201cn\u00e3o tenho nenhuma mensagem a transmitir.\u201d<\/p>\n<p><strong>As Apar\u00eancias Iludem<\/strong><\/p>\n<p>Deste modo, resta ao ouvinte reconstruir em particular esse universo imagin\u00e1rio, juntar as pe\u00e7as do \u201cpuzzle\u201d segundo a intui\u00e7\u00e3o ou a disposi\u00e7\u00e3o do momento. Os REM n\u00e3o escondem essa atrac\u00e7\u00e3o pelo enigma e pelos trocadilhos conceptuais. \u201cFables of the Reconstruction \/ Reconstruction of the Fables\u201d (1985) passa por ser, por um lado, um manifesto surrealizante sobre a reconstru\u00e7\u00e3o do Sul p\u00f3s-guerra civil e, por outro, uma tentativa de recupera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o oral desse mesmo Sul. Michael Stipe diz que talvez, mas que a inspira\u00e7\u00e3o partiu essencialmente de uma conversa com o pai, sobre carpintaria. Em \u201cReckoning\u201d (1984) indicam que o disco deve ser arquivado \u201cunder water\u201d. Uma das can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum \u201cSo. Central Rain (I\u2019m Sorry)\u201d conta uma situa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o passada numa tarde de chuva, em Athens, Georgia, pequena cidade de onde Stipe \u00e9 natural. \u201cDocument\u201d (1987), pelo contr\u00e1rio, deve ser arrumado \u201cunder fire\u201d. A inclus\u00e3o, neste disco, de \u201cIt\u2019s the end of the world as we know it\u201d sugere um apocalipse de chamas castigadoras. Um jogo cont\u00ednuo de \u201cverdade e consequ\u00eancia\u201d, em que cada significado sugere sempre outro, at\u00e9 ao infinito.<br \/>\nAo todo, os REM jogam num tabuleiro formado, at\u00e9 agora, por sete \u00e1lbuns de originais: \u201cMurmur\u201d, \u201cReckoning\u201d, \u201cFables of the Reconstruction \/ Reconstruction of the Fables\u201d, \u201cLife\u2019s Rich Pageant\u201d, \u201cDocument\u201d, \u201cGreen\u201d e \u201cOut Of Time\u201d. Neles h\u00e1 mat\u00e9ria mais do que suficiente para decifrar uma infinidade de mist\u00e9rios. Com os REM nada \u00e9 o que parece ser o que na verdade \u00e9. Cada can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201ctrompe l\u2019oeil\u201d em que sons, palavras e imagens (os clips fornecem pistas ou baralham ainda mais?) confluem na cria\u00e7\u00e3o de ambientes insond\u00e1veis, abertos \u00e0 frui\u00e7\u00e3o pura. Talvez resida a\u00ed o segredo.<br \/>\nA colect\u00e2nea \u201cThe Best of REM\u201d, agora editada pela Emi-Valentim de Carvalho, faz o historial do grupo, por ordem cronol\u00f3gica, desde \u201cMurmur\u201d de 1983 (primeiro \u00e1lbum oficial, se descontarmos o mini \u201cChronic Town\u201d) at\u00e9 \u201cDocument\u201d, de 1987, ou seja, todo o per\u00edodo de grava\u00e7\u00f5es para a IRS, anterior a \u201cGreen\u201d e \u201cOut of Time\u201d, j\u00e1 com o selo Warner Bros. Na capa interior v\u00eam inclu\u00eddas notas explicativas sobre cada tema. Excelenete oportunidade para se come\u00e7ar a jogar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 02.10.1991 VERDADE E CONSEQU\u00caNCIA Foram comparados aos Byrds, com os quais partilham o gosto por melodias imaculadas \u2013 presentes numa guitarra despojada de artif\u00edcios que sabe recortar o essencial e numa voz de cortar o cora\u00e7\u00e3o. Para os REM, tudo se resume a um jogo em que s\u00e3o os \u00fanicos a impor as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[868,726,107,44,105,10],"tags":[919,1126],"class_list":["post-10857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1991","category-colectanea","category-new-wave","category-pop","category-post-punk","category-rock","tag-r-e-m","tag-rem"],"views":350,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10857"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10859,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10857\/revisions\/10859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}