{"id":10732,"date":"2023-03-17T04:59:14","date_gmt":"2023-03-17T11:59:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10732"},"modified":"2023-03-17T04:59:14","modified_gmt":"2023-03-17T11:59:14","slug":"varios-grande-bande-des-cornemuses-rosa-zaragoza-altan-segundos-encontros-musicais-da-tradicao-europeia-animam-terras-portuguesas-dancas-e-canticos-do-fundo-dos-tempos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/03\/17\/varios-grande-bande-des-cornemuses-rosa-zaragoza-altan-segundos-encontros-musicais-da-tradicao-europeia-animam-terras-portuguesas-dancas-e-canticos-do-fundo-dos-tempos-festivais\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Grande Bande des Cornemuses, Rosa Zaragoza, Altan) &#8211; &#8220;Segundos Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia Animam Terras Portuguesas &#8211; Dan\u00e7as E C\u00e2nticos Do Fundo Dos Tempos&#8221; (festivais)"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Ter\u00e7a-Feira, 09.07.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Segundos Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia Animam Terras Portuguesas<br \/>\nDan\u00e7as E C\u00e2nticos Do Fundo Dos Tempos<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Todos se encontram com todos, nestes \u201cEncontros\u201d europeus que come\u00e7am a ter tradi\u00e7\u00e3o. Ou pelo menos, todos os que n\u00e3o desprezam o passado para melhor viver o presente e projectar o futuro. Em quatro localidades do pa\u00eds, a alegria tem sido a palavra de ordem.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rosaZaragoza-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" class=\"alignnone size-medium wp-image-10733\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rosaZaragoza-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rosaZaragoza-624x436.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rosaZaragoza-100x70.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rosaZaragoza.jpg 657w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Em Guimar\u00e3es, Famalic\u00e3o, Oeiras e \u00c9vora decorrem, desde a passada quarta-feira, os Segundos Encontros Musicais da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia, at\u00e9 agora um sucesso a todos os n\u00edveis. M\u00fasica tradicional do \u201cvelho\u201d continente. A festa de m\u00e3os dadas com a cultura, numa louv\u00e1vel iniciativa que, \u00e0 semelhan\u00e7a do ano passado, voltou a apostar, e bem, na descentraliza\u00e7\u00e3o. No meio da ru\u00edna de capelinhas decr\u00e9pitas, a corrup\u00e7\u00e3o e as grandes negociatas, louve-se o despontar de novas alternativas que, como esta, d\u00eaem a conhecer outras maneiras de ver e sentir o mundo em que vivemos.<br \/>\nOs artistas vieram de regi\u00f5es afastadas pela geografia mas pr\u00f3ximas na identidade profunda e na g\u00e9nese cultural. Chegaram at\u00e9 n\u00f3s vindos da Occit\u00e2nia e Lyon, Fran\u00e7a, da Catalunha, Espanha, da Inglaterra e da Irlanda. Os portugueses c\u00e1 est\u00e3o, para mostrar tesouros e maravilhas, em desafio amig\u00e1vel com o resto da Europa.<br \/>\nHoje em Famalic\u00e3o, por exemplo, tocam os ingleses Whippersnapper e os lioneses \u201cLa Grande Bande des Cornemuses\u201d. Amanh\u00e3 ser\u00e1 a vez de Guimar\u00e3es receber os Perlinpinpin Folc. E assim por diante, numa ronda fraterna por uma Lusit\u00e2nia de s\u00fabito desperta para o seu amanhecer.<br \/>\nNo passado s\u00e1bado, a noite, apraz\u00edvel, convidava \u00e0 frui\u00e7\u00e3o. Dos prazeres do corpo e do esp\u00edrito. Aconteceu assim, no parque, muito a prop\u00f3sito chamado \u201cdos Anjos\u201d, em Alg\u00e9s, porque os dez gaiteiros de Lyon n\u00e3o cabiam no audit\u00f3rio e a noite era prop\u00edcia ao ritual.<br \/>\nNoite inesquec\u00edvel para quantos trocaram o conforto das pantufas e a realidade virtual do pequeno \u00e9cran pela celebra\u00e7\u00e3o colectiva das festas da Lua e o conv\u00edvio ameno com os sons, os outros e a Natureza, ali, como que por magia, concentrada num microcosmos quadrado e empedrado, delimitado pela luz dos holofotes e pela expectativa de crian\u00e7as e gra\u00fados.<\/p>\n<p><strong>Rituais Dionis\u00edacos<\/strong><\/p>\n<p>De s\u00fabito, irrompendo por entre as conversas e a m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso que sa\u00eda dos altifalantes, a surpresa e o sobressalto, provocados pela entrada no terreiro, de uma personagem mascarada, de chifres amea\u00e7adores, percutindo um enorme tambor pendurado \u00e0 maneira um falo, a ditar o ritmo do corpo. Depois, um a um, os dez gaiteiros da \u201cGrande Bande des Cornemuses\u201d, dirigidos por Jean Blanchard e coreografados por Laurent Figui\u00e8re, foram surgindo de entre o arvoredo ou das escadarias do pal\u00e1cio, num crescendo sonoro provocado pelas gaitas-de-foles que aos poucos se iam juntando em un\u00edssona congrega\u00e7\u00e3o ao centro do recinto. Os m\u00fasicos vestidos de branco, flores, ramagens e frutos na cabe\u00e7a e \u00e0 volta da cintura, evocavam, de forma deslumbrante, as cores e os sabores dos ciclos naturais. Em louvor a Pan, o deus dos rebanhos e dos bosques.<br \/>\nDiante dos muitos olhos e ouvidos siderados com o inusitado da apresenta\u00e7\u00e3o, foram recriadas v\u00e1rias cerim\u00f3nias ancestrais, com os m\u00fasicos em constante movimento, na teatraliza\u00e7\u00e3o de mitos sobre a vida e a morte, ao mesmo tempo que as gaitas-de-foles enchiam o ar de cad\u00eancias hipn\u00f3ticas. A assist\u00eancia susteve a respira\u00e7\u00e3o, quando dois dos gaiteiros retiraram a m\u00e1scara e cortaram a longa cabeleira ao chifrudo, de maneira a simbolizar a vit\u00f3ria da energia espiritual sobre as puls\u00f5es do instinto. Ou quando Jean Blanchard incarnou o sacrificado, \u201cmorto\u201d e ressuscitado num longo solo da gaita-de-foles. Completo o ciclo, os m\u00fasicos terminaram a sua actua\u00e7\u00e3o como tinham come\u00e7ado, abandonando progressivamente o recinto at\u00e9 o som das gaitas se extinguir finalmente num recanto verde atr\u00e1s da bancada.<\/p>\n<p><strong>Calores Do Mediterr\u00e2neo<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte o programa prometia. Rosa Zaragoza actuou na primeira parte, enchendo a sala com uma voz e presen\u00e7a corporal avassaladoras. Calor e garra, nas entoa\u00e7\u00f5es vocais, nos requebros do tronco, na pose extrovertida. Os espanh\u00f3is chamam \u201csalero\u201d a este fogo. Acompanhada por quatro m\u00fasicos (um no bouzouki, outro na guitarra e violino, um percussionista e uma rapariga de decote mais que generoso, nos apoios vocais), por vezes hesitantes e de modo algum \u00e0 sua altura, Rosa interpretou temas dos seus tr\u00eas \u00e1lbuns, alternando o repert\u00f3rio sefardita em que \u00e9 especialista, com tradicionais turcos ou da Catalunha, mostrando \u00e0 saciedade porque \u00e9 considerada uma das maiores vozes actuais da m\u00fasica mediterr\u00e2nica.<br \/>\nDo \u00e1lbum \u201cCan\u00e7\u00f5ns de noces dels jueus catalans, \u201cSir-Hasir la-hatan\u201d ou \u201cDia de shabat\u201d, evocativo do inc\u00eandio de Sal\u00f3nica, constitu\u00edram momentos altos de uma actua\u00e7\u00e3o que cedo a todos surpreendeu pela positiva. A parte final foi preenchida por temas do mais recente \u201cLes nenes bon\u00e9s van al cel, les dolents atot arreu\u201d, o tal das meninas m\u00e1s que, em vez do c\u00e9u, v\u00e3o para \u201ctodo o lado\u201d\u2026 Destaque para \u201cGlosses contra la celebraci\u00f3 del V centenari\u201d, dedicada aos \u00edndios americanos e \u201cBaga biga higa\u201d, com letra retirada da tradi\u00e7\u00e3o oral basca, em que vestiu a pele de uma feiticeira a lan\u00e7ar o sortil\u00e9gio. Pelo sim pelo n\u00e3o, avisou os presentes, n\u00e3o fosse algu\u00e9m transformar-se, ali mesmo, num insecto.<br \/>\nRegressou ao palco para dois \u201cencores\u201d: \u201cAi, quina alegria\u2026\u201d onde se congratulou por n\u00e3o se Madonna nem ter uma m oradia em Miami Beach e, a fechar, uma can\u00e7\u00e3o de embalar, cantada em solo absoluto.<\/p>\n<p><strong>Ritmos Endiabrados<\/strong><\/p>\n<p>Com a entrada em cena dos irlandeses Altan, tudo despareceu para dar lugar \u00e0 vertigem da dan\u00e7a. Insuper\u00e1veis executantes nos respectivos instrumentos, com relevo para os dois violinistas, Paul O\u2019Shaughnessy e Mairead Ni Mhaonaigh, uma loura angelical, toda de branco, e para o flautista Frankie Kennedy. Como quase sempre acontece e \u00e9 t\u00edpico dos irlandeses, sobretudo quando bem bebidos, o humorn\u00e3o podia faltar. Nunca perdendo o ar circunspecto, Frankie, flautista e um dos contadores de hist\u00f3rias de servi\u00e7o, provocou ami\u00fade a hilariedade, com constantes apartes e refer\u00eancias \u00e0 boa cerveja portuguesa ou ao nome dos alfinetes que confeccionaram os trajes (vulgar\u00edssimos) de cena.<br \/>\nNuma presta\u00e7\u00e3o que incidiu sobretudo nos \u201creels\u201d e \u201cjigs\u201d instrumentais, as baladas interpretadas por Mairead (por ora ainda distante da excel\u00eancia de grandes damas como Dolores Keane, Triona O\u2019Dohmnaill ou Catherine Ann-MacPhee) criaram, por contraste, momentos de intimismo e decompress\u00e3o que logo davam lugar a mais uma sequ\u00eancia de ritmos endiabrados. O homem do bouzouki, partiu uma das cordas do instrumento, no entusiasmo da refrega. Mairead sorria de olhos brilhantes, incr\u00e9dula comm a receptividade e a crescente loucura do p\u00fablico, e ligava o \u201cturbo\u201d do violino, acelerando ainda mais a desafiar os outros que, por sua vez, a ultrapassavam.<br \/>\nAlguns jovens n\u00e3o resistiram, saltando das cadeiras para se entregarem, sem preconceitos, \u00e0 dan\u00e7a, perante o olhar complacente dos mais velhos. A festa, enfim. Total e libertadora, fazendo esquecer esse outro ritmo, por vezes mon\u00f3tono e enfadonho, do dia a dia.<br \/>\n\u00c0 sa\u00edda houve quem reparasse no som solit\u00e1rio de uma gaita-de-foles, gemendo a um canto afastado do bar. Um dos \u201csonneurs de cornemuse\u201d, muito jovem, evocava, de olhos cerrados, em profundo transe alco\u00f3lico, a beleza indiz\u00edvel de uma m\u00fasica que toca onde poucos ousam tocar. Houve quem se risse. Houve quem calasse, comovido, e sa\u00edsse para a noite c\u00e1lida, a sonhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Ter\u00e7a-Feira, 09.07.1991 Segundos Encontros Musicais Da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia Animam Terras Portuguesas Dan\u00e7as E C\u00e2nticos Do Fundo Dos Tempos Todos se encontram com todos, nestes \u201cEncontros\u201d europeus que come\u00e7am a ter tradi\u00e7\u00e3o. Ou pelo menos, todos os que n\u00e3o desprezam o passado para melhor viver o presente e projectar o futuro. 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