{"id":10653,"date":"2023-02-19T07:41:09","date_gmt":"2023-02-19T14:41:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10653"},"modified":"2023-02-19T07:41:09","modified_gmt":"2023-02-19T14:41:09","slug":"kronos-quartet-kronos-quartet-entre-o-brilhantismo-e-o-bocejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/02\/19\/kronos-quartet-kronos-quartet-entre-o-brilhantismo-e-o-bocejo\/","title":{"rendered":"Kronos Quartet &#8211; &#8220;Kronos Quartet &#8211; Entre O Brilhantismo E O Bocejo&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Ter\u00e7a-Feira, 07.05.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Kronos Quartet<br \/>\nEntre O Brilhantismo E O Bocejo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Os Kronos Quartet tocaram domingo no Tivoli vestidos de todas as cores, \u00e0s riscas e aos quadrados. Serviram-se dos instrumentos de corda como se fossem tambores. Apanharam o comboio de Steve Reich e, no fim, quase saltaram das cadeiras, para interpretar um cl\u00e1ssico de Jimi Hendrix. A m\u00fasica de c\u00e2mara j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que era.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/kronosQuartet.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"769\" class=\"alignnone size-full wp-image-10654\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/kronosQuartet.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/kronosQuartet-243x300.jpg 243w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/kronosQuartet-81x100.jpg 81w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Sobre o palco do cinema Tivoli, em Lisboa, discretamente iluminado, tr\u00eas homens e uma mulher, de vestes garridas e pose descontra\u00edda. Dois violinos, uma viola, um violoncelo. O bastante para, mal as cordas come\u00e7aram a vibrar, fazerem desaparecer num instante as ideias preconcebidas sobre como aqueles instrumentos devem soar. De resto, os Kronos Quartet fizeram aquilo que deles se esperava, ou seja, uma demonstra\u00e7\u00e3o de diferentes abordagens \u00e0 m\u00fasica contempor\u00e2nea, filtrada pela sensibilidade muito pr\u00f3pria dos quatro m\u00fasicos e traduzida numa criteriosa e diversificada escolha de repert\u00f3rio.<br \/>\nDo programa constavam obras dos compositores africanos Dumisani Maraire e Foday Musa Suso (respectivamente \u201cMai Nozipo\u201d e \u201cTilliboyo\u201d), do nova-iorquino supers\u00f3nico John Zorn (\u201cThe Dead Man\u201d), do polaco Henrik Mikolaj Gorecki (\u201cAlready i tis Dust\u201d) e do holand\u00eas Louis Andriessen (\u201cFacing Death\u201d).<br \/>\nLogo na primeira pe\u00e7a se viu que, para David Harrington, John Sherba, Hank Dutt e Joan Jeanrenaud, o termo \u201cinstrumentos de corda\u201d n\u00e3o \u00e9 um conceito linear. As respectivas caixas de resson\u00e2ncia pareciam ter sido constru\u00eddas de prop\u00f3sito para servirem de tambores, suporte de complexos e delicados batuques. Desconfia-se que, em certas passagens, os m\u00fasicos ter\u00e3o utilizado, em cada m\u00e3o, mais um ou dois dedos sobresselentes. Em \u201cTilliboyo\u201d (\u201cP\u00f4r-do-sol\u201d) \u2013 \u00eanfase para o rendilhado de \u201cpizzicatos\u201d, criadores de intrincadas tape\u00e7arias r\u00edtmicas. A escolha destas duas obras serviu pelo menos para demosntrar a import\u00e2ncia que os Kronos Quartet d\u00e3o \u00e0s m\u00fasicas n\u00e3o-ocidentais e para convencer as sensibilidades mais empedernidas da imensaidade de notas clandestinas escondidas entre os meios-tons da nossa querida escala.<br \/>\nCom John Zorn as coiss aceleram inevitavelmente. Dividido em pequenas c\u00e9lulas aut\u00f3nomas, \u201cThe Dead Man\u201d deu para tudo \u2013 serrotes com o freio nos dentes, explos\u00f5es, respira\u00e7\u00e3o asm\u00e1tica, ranger de portas, ou simplesmente a vibra\u00e7\u00e3o do ar agitado freneticamente pelos arcos dos instrumentos, foram alguns dos timbres, mais ou menos agrad\u00e1veis ao ouvido, com que os Kronos Quartet presentearam uma assist\u00eancia \u00e1vida de bizarrias. Mal imaginava ela que a \u201cpior\u201d parte estava para vir, a da m\u00fasica \u201cs\u00e9ria\u201d, sorumb\u00e1tica, de fazer descair os cantos da boca e franzir as sobrancelhas. Falemos ent\u00e3o de coisas s\u00e9rias.<br \/>\n\u201cAlready i tis dusk\u201d, assombrosa de intensidade dram\u00e1tica, mergulha nas puls\u00f5es humanas mais obscuras, progress\u00e3o majestosa pelos meandros da alma em busca da luz, culminando na total suspens\u00e3o temporal, num sil\u00eancio e paz tumulares acentuados pela ilumina\u00e7\u00e3o de palco, reduzida a um penumbra crepuscular.<br \/>\nLouis Andriessen comp\u00f5e sempre a partir de temas grandiosos. Seja no tr\u00edptico \u201cIl Duce\u201d, baseado na vida do ditador italiano, no \u201cIl Principe\u201d, de Maquiavel, no \u201cmagnum opus\u201d, \u201cDe Staat\u201d, inspirado na \u201cRep\u00fablica\u201d de Plat\u00e3o ou na \u00f3pera \u201cPassion selon Saint Matthieu, Orpheu set George Sand\u201d, h\u00e1 sempre motivos para profundas especula\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas. Foi o que aconteceu na sala do Tivoli, durante \u201cFacing Death\u201d, j\u00e1 que grande parte dos presentes baixou as p\u00e1lpebras, abandonado-se aos prazeres sopor\u00edficos da contempla\u00e7\u00e3o. A luz s\u00fabita do intervalo serviu para despert\u00e1-los do \u00eaxtase.<br \/>\n\u201cDifferent Trains\u201d, obra minimal-ferrovi\u00e1ria do compositor americano Steve Reich, ocupou integralmente a segunda parte do concerto. Encomendado pela CP, por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do tro\u00e7o Rossio \u2013 Cais do Sodr\u00e9, \u201cDifferent Trains\u201d \u00e9 uma esp\u00e9cie de contraponto erudito da \u201cAutobahn\u201d (\u201cauto-estrada\u201d) dos germ\u00e2nicos Kraftwerk ou de \u201cStation to Station\u201d de David Bowie. As cordas juntam-se a outras pr\u00e9-gravadas e a vozes aleat\u00f3rias que periodicamente v\u00e3o determinando as progress\u00f5es mel\u00f3dicas dos instrumentos ao vivo, segundo um processo semelhante e radicalmente assumido por Scott Johnson na obra-prima \u201cJohn Somebody\u201d.<br \/>\n\u201c4\/4 Tango\u201d, de Astor Piazzolla, cumpriu de forma brilhante o primeiro encore. Finalmente, no segundo e \u00faltimo, o tema por que todos esperavam \u2013 \u201cPurple Haze\u201d, de Jimi Hendrix. Del\u00edrio generalizado, dos m\u00fasicos (\u201catacaram\u201d o tema de tal forma que por pouco iam rebentando as cordas) e do p\u00fablico, infelizmente pouco numeroso. Aos Kronos Quartet s\u00f3 faltou pegarem fogo aos violinos. Bem vistas as coisas, at\u00e9 pegaram\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Ter\u00e7a-Feira, 07.05.1991 Kronos Quartet Entre O Brilhantismo E O Bocejo Os Kronos Quartet tocaram domingo no Tivoli vestidos de todas as cores, \u00e0s riscas e aos quadrados. Serviram-se dos instrumentos de corda como se fossem tambores. 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