{"id":10637,"date":"2023-02-15T07:21:01","date_gmt":"2023-02-15T14:21:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10637"},"modified":"2023-02-15T07:29:48","modified_gmt":"2023-02-15T14:29:48","slug":"madredeus-os-madredeus-no-coliseu-dos-recreios-em-lisboa-cancoes-do-quinto-imperio-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/02\/15\/madredeus-os-madredeus-no-coliseu-dos-recreios-em-lisboa-cancoes-do-quinto-imperio-concerto\/","title":{"rendered":"Madredeus &#8211; &#8220;Os Madredeus No Coliseu Dos Recreios, Em Lisboa &#8211; Can\u00e7\u00f5es Do Quinto Imp\u00e9rio&#8221; (concerto)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Quinta-Feira, 02.05.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Os Madredeus No Coliseu Dos Recreios, Em Lisboa<br \/>\nCan\u00e7\u00f5es Do Quinto Imp\u00e9rio<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Para os Madredeus foi a consagra\u00e7\u00e3o. Para os milhares de pessoas que encheram o Coliseu, a oportunidade de reencontro com uma m\u00fasica que aprenderam a amar. Teresa Salgueiro cantou como s\u00f3 os anjos sabem. Carlos Paredes juntou-se ao grupo para \u201cmudar de vida\u201d e seguir com \u201co navio\u201d pela noite fora.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/madredeus.jpg\" alt=\"\" width=\"565\" height=\"754\" class=\"alignnone size-full wp-image-10639\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/madredeus.jpg 565w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/madredeus-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/madredeus-75x100.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Noite de ter\u00e7a-feira. Sala a abarrotar de gente de todas as idades, ansiosa para assistir \u00e0 prova de fogo da banda de Teresa Salgueiro, Pedro Ayres Magalh\u00e3es, Rodrigo Le\u00e3o, Francisco Ribeiro e Gabriel Gomes \u2013 os Madredeus \u2013 a meio de uma digress\u00e3o iniciada em Mar\u00e7o na cidade de Braga e que os levar\u00e1, j\u00e1 dia 4, ao Porto, e, no Ver\u00e3o, aos A\u00e7ores, Rio de Janeiro, Floren\u00e7a e Macau.<br \/>\nSobre o palco, desenhado pelo escultor Ant\u00f3nio Campos Rosado, uma escada e uma casa, pequena, sem paredes. Escada por onde se sobe para chegar ao c\u00e9u. C\u00e1 em baixo, na terra, a casa, transparente, portuguesa, com certeza. Ilumina\u00e7\u00e3o discreta e eficaz. A luz colorida contrastando com o negro das vestes dos m\u00fasicos. Som l\u00edmpido e potente, permitindo ouvir distintamente as palavras, projectando bem alto as notas e a clareza dos arranjos, na nave majestosa do Coliseu. Acontecimento \u00fanico que a televis\u00e3o, felizmente, gravou.<\/p>\n<p><strong>A Voz E A Guitarra<\/strong><\/p>\n<p>A sequ\u00eancia de can\u00e7\u00f5es seguiu o alinhamento prometido, a mostrar que nada foi deixado ao acaso. \u201cMatinal\u201d, \u201cA Saudade\u201d, \u201cA Pen\u00ednsula\u201d, \u201cCuidado\u201d e o hino \u201cO Ladr\u00e3o\u201d, num \u00e1pice, conquistaram o p\u00fablico. Ova\u00e7\u00f5es estrondosas, estrelinhas e isqueiros acesos, palmas de acompanhamento, a festa, enfim. E no entanto a m\u00fasica dos Madredeus sabe guardar um espa\u00e7o de sil\u00eancio. As can\u00e7\u00f5es de Pedro Ayres s\u00e3o capazes de mover multid\u00f5es ao mesmo tempo que parecem ter sido compostas especialmente para cada um de n\u00f3s. M\u00fasica fraterna e solid\u00e1ria. Esquece-se a vida a fingir, o ru\u00eddo da turba, a espuma dos dias e fica-se sozinho. Na companhia extasiada de uma voz transcendente ao corpo feminino que a sustenta, a voar nas cad\u00eancias, nossas desde sempre, de um violoncelo, um teclado, uma guitarra ac\u00fastica e um acorde\u00e3o. O uno e o m\u00faltiplo, juntos na mesma pessoa e na mesma m\u00fasica. \u201cExistir\u201d no Quinto-Imp\u00e9rio.<br \/>\nQuando Carlos Paredes, acompanhado por Lu\u00edsa Amaro, t\u00edmido como sempre e \u00e9 caracter\u00edstico da sua pessoa excepto na m\u00fasica que faz, subiu ao palco, sentiu-se no ar a emo\u00e7\u00e3o dos grandes momentos. S\u00f3, dobrado sobre o seu corpo verdadeiro \u2013 a guitarra \u2013 interpretou \u201cMudar de Vida\u201d. A seguir, j\u00e1 acompanhado por todos os m\u00fasicos da banda, improvisou ao sabor do \u201cCanto de Embalar\u201d (m\u00fasica sua, letra de Pedro Ayres) e de \u201cO Navio\u201d. Retirou-se debaixo de uma monstruosa salva de aplausos. Haveria de voltar. Antes do intervalo, a extrovers\u00e3o e alegria de \u201cO pastor\u201d, can\u00e7\u00e3o vivida pelo cr\u00edtico de forma apocal\u00edptica, rendido \u00e0 for\u00e7a da m\u00fasica e ao magnetismo da multid\u00e3o, enquanto um \u201carrumador de retardat\u00e1rios\u201d lhe apontava um foco de lanterna aos olhos e berrava obscuras s\u00e9ries alg\u00e9bricas. Aos ouvidos aturdidos chegavam, incertas, as palavras do poema: \u201cao largo ainda arde a fila L, n\u00fameros 22 e 24, a barca da fantasia \/ e o meu sonho mostre-me os seus bilhetes por favor acaba tarde \/ acordar \u00e9 o lugar ao lado que eu n\u00e3o queria\u201d.<br \/>\n\u201cAs Ilhas dos A\u00e7ores\u201d, instrumental de colora\u00e7\u00f5es eruditas, abriu serenamente a segunda parte do espect\u00e1culo. Rui Machado, poeta a\u00e7oriano, escreveu a prop\u00f3sito: \u201cNa ilha o (deus do tempo dorme entre pedras e flores\u201d. Ilhas dos A\u00e7ores, do Esp\u00edrito Santo, Ilha dos Amores. Depois, sempre em crescendo, as can\u00e7\u00f5es guardadas no cora\u00e7\u00e3o: \u201cVontade de Mudar\u201d, a suite \u201cA Sombra\u201d \/ \u201cSolst\u00edcio\u201d (instrumental com novo e inspirado arranjo) \/ \u201cEstrada do monte\u201d e finalmente a explos\u00e3o da \u201cVaca de Fogo\u201d \u2013 vaca deleite.<\/p>\n<p><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o Sublime<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Paredes regressou no \u201cencore\u201d, para a segunda interpreta\u00e7\u00e3o da noite de \u201cAs Ilhas dos A\u00e7ores\u201d, fazendo contrastar o tom arrebatado e as cicatrizes da sua guitarra com a flu\u00eancia e o vigor jovial dos outros instrumentos. J\u00e1 no segundo regresso ao palco, Teresa Salgueiro, iluminada por um foco intenso de luz branca e bem apoiada pela guitarra de Pedro Ayres e o violoncelo de Francisco Ribeiro, interpretou de forma sublime, \u201cO Menino\u201d \u2013 momento de pura religiosidade, com a multid\u00e3o, suspensa do canto de uma mulher, escutando-se e vivendo-se a si pr\u00f3pria no corpo cr\u00edstico do infante.<br \/>\n\u201cMindelo\u201d e de novo \u201cVaca de Fogo\u201d fecharam em apoteose um concerto inesquec\u00edvel. Depois da noite de anteontem a m\u00fasica portuguesa ficou um pouco mais pr\u00f3xima de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Quinta-Feira, 02.05.1991 Os Madredeus No Coliseu Dos Recreios, Em Lisboa Can\u00e7\u00f5es Do Quinto Imp\u00e9rio Para os Madredeus foi a consagra\u00e7\u00e3o. Para os milhares de pessoas que encheram o Coliseu, a oportunidade de reencontro com uma m\u00fasica que aprenderam a amar. 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