{"id":10620,"date":"2023-02-09T08:12:01","date_gmt":"2023-02-09T15:12:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10620"},"modified":"2023-02-09T08:14:06","modified_gmt":"2023-02-09T15:14:06","slug":"varios-vai-de-roda-gwendal-festival-interceltico-terminou-bruxas-a-solta-no-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/02\/09\/varios-vai-de-roda-gwendal-festival-interceltico-terminou-bruxas-a-solta-no-porto\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Vai de Roda, Gwendal) &#8211; &#8220;Festival Interc\u00e9ltico Terminou &#8211; Bruxas \u00c0 Solta No Porto&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Segunda-Feira, 22.04.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Festival Interc\u00e9ltico Terminou<br \/>\nBruxas \u00c0 Solta No Porto<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Os portugueses Vai de Roda e os bret\u00f5es Gwendal fecharam, com chaves de ouro e prata, a semana da Bretanha. Os portugueses provaram que o futuro \u00e9 compat\u00edvel com a tradi\u00e7\u00e3o. Os bret\u00f5es apostaram na fus\u00e3o de estilos e no virtuosismo. Durante quatro dias, o Porto foi a capital celta.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gwendal.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"364\" class=\"alignnone size-full wp-image-10623\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gwendal.jpg 521w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gwendal-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/gwendal-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Tent\u00fagal, ficou provado, \u00e9 um perfeccionista. S\u00e1bado, no espect\u00e1culo ao vivo dos Vai de Roda, nada foi deixado ao acaso, de maneira a transformar a sala do Teatro Rivoli num pal\u00e1cio se sortil\u00e9gios. Ainda as pessoas se acomodavam nos respectivos lugares e j\u00e1, na penumbra do palco, se faziam ouvir os \u201cespanta diabos\u201d, chocalhos e assobios, a afugentar os maus esp\u00edritos e a criar a atmosfera prop\u00edcia \u00e0 vinda das \u201cbruxinhas boas\u201d.<br \/>\nTent\u00fagal (sanfona, braguesa, \u201ctin whistle\u201d, acorde\u00e3o e ponteira), Bil\u00e3o (braguesa, bandolim, \u201cbodhran\u201d e harm\u00f3nica), Tin\u00f3 (acorde\u00e3o), Cristina (sintetizadores), Emanuel (violino) e Miguel Teixeira (guitarras cl\u00e1ssica e folk, braguesa, cavaquinho e percuss\u00f5es) recriaram, no recinto, um mundo m\u00e1gico, encenado e narrado em hist\u00f3rias de encantar e lenga-lengas que evocam mem\u00f3rias ancestrais perdidas nas brumas do tempo.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de outros grupos que por aqui passaram (como os Na Lua ou os pr\u00f3prios Gwendal), nos Vai de Roda a electricidade n\u00e3o se intromete nos assuntos do esp\u00edrito, antes com ele se casa e harmoniza. Os sintetizadores manipulados pela Cristina servem a natureza e a fonte tradicional, arquitectando ventos e trovoadas ou compondo resson\u00e2ncias palacianas fundadas em ritmos nascidos das entranhas da terra-m\u00e3e digita.<br \/>\n\u201cRosinha vem-te comigo\u201d foi o tema escolhido para abrir o concerto, embalado no enovelar da sanfona e na do\u00e7ura das palavras cantadas por Tent\u00fagal, criando desde in\u00edcio, entre o p\u00fablico, um espa\u00e7o de sil\u00eancio maravilhado. P\u00fablico que no fim se rendeu completamente ao universo on\u00edrico dos Vai de Roda, culminado, de forma sublime, na interpreta\u00e7\u00e3o do tradicional transmontano \u201cLa Vitorina\u201d. Depois, impressionaram as vozes de todos os elementos masculinos da banda, juntas nas celebra\u00e7\u00f5es do \u201cS. Jo\u00e3o\u201d e a concep\u00e7\u00e3o teatral a que todo o concerto obedeceu, de modo a tornar as can\u00e7\u00f5es de \u201cTerreiro das Bruxas\u201d, numa esp\u00e9cie de livro de hist\u00f3rias a que n\u00e3o faltou sequer o toque picaresco do erotismo popular, na narra\u00e7\u00e3o dos amores proibidos entre um alho-porro e uma donzela inocente\u2026 Os Vai de Roda regressaram ao palco para um merecido \u201cencore\u201d, atrav\u00e9s do instrumental \u201cRealejo sacabruxas\u201d, de m\u00e3os dadas com o mafarrico, que deixou no ar um aroma de flores e enxofre.<br \/>\nOs Gwendal, fundamentalmente um duo constitu\u00eddo por Youenn le Berre (flauta electrificada, \u201ctin whistle\u201d e gaita-de-foles\u201d) e Robert Le Gall (violino electrificado e guitarra el\u00e9ctrica), acompanhados na ocasi\u00e3o por quatro m\u00fasicos, nos sintetizadores, baixo, guitarra el\u00e9ctrica, guitarra ac\u00fastica amplificada e bateria, interpretaram temas do seu mais recente disco \u201cGlen River\u201d, utilizando a receita habitual \u2013 t\u00e9cnica irrepreens\u00edvel de todos os executantes (com destaque para as proezas na flauta de Le Berre), electricidade \u00e0 solta e uma mistura de estilos que abrange o jazz, a m\u00fasica africana, as dan\u00e7as bret\u00e3s e os endiabrados \u201cairs\u201d e jigas irlandeses. Houve espa\u00e7o para tudo, at\u00e9 para solos de bateria e guitarradas que mais faziam lembrar os Dire Straits. Oscilando entre o bom (nos temas mais tradicionais) e o p\u00e9ssimo (nas \u201crockalhadas\u201d de bailarico de sub\u00farbio), os Gwendal disfar\u00e7aram contudo os pontos fracos com as proezas t\u00e9cnicas dos m\u00fasicos. Ainda houve quem, ao canto da sala, se atrevesse a dan\u00e7ar, mas a complexidade dos compassos e dos arranjos cedo desmotivou os atrevidos.<br \/>\nFeito o balan\u00e7o do Festival, fica a certeza de um sucesso organizativo, em termos art\u00edsticos e de bilheteira, e a promessa de, para o ano, regressar ainda com mais for\u00e7a, se poss\u00edvel, integrado, a exemplo do \u201cFantasporto\u201d, na programa\u00e7\u00e3o oficial da C\u00e2mara Municipal. A cidade e a m\u00fasica s\u00f3 teriam a lucrar.<br \/>\nUma palavra final de louvor para a organiza\u00e7\u00e3o, a cargo da Mundo da Can\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos seus mentores, Avelino Tavares e M\u00e1rio Correia, impec\u00e1veis em todos os aspectos, sem esquecer Bernard Despaumad\u00e8res (gaul\u00eas de cora\u00e7\u00e3o tripeiro), do Instituto Franc\u00eas do Porto, entidade produtora do Festival, que soube como ningu\u00e9m fazer a ponte entre a capital nortenha e a Bretanha. O mundo celta est\u00e1 de parab\u00e9ns.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Segunda-Feira, 22.04.1991 Festival Interc\u00e9ltico Terminou Bruxas \u00c0 Solta No Porto Os portugueses Vai de Roda e os bret\u00f5es Gwendal fecharam, com chaves de ouro e prata, a semana da Bretanha. Os portugueses provaram que o futuro \u00e9 compat\u00edvel com a tradi\u00e7\u00e3o. Os bret\u00f5es apostaram na fus\u00e3o de estilos e no virtuosismo. 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