{"id":10560,"date":"2023-01-30T06:53:01","date_gmt":"2023-01-30T13:53:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10560"},"modified":"2023-01-30T06:53:01","modified_gmt":"2023-01-30T13:53:01","slug":"varios-discotecas-recusam-vender-discos-da-upav-boicote-a-cooperativa-marginal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/01\/30\/varios-discotecas-recusam-vender-discos-da-upav-boicote-a-cooperativa-marginal\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Discotecas Recusam Vender Discos da UPAV &#8211; Boicote \u00c0 Cooperativa &#8216;Marginal'&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Ter\u00e7a-Feira, 02.04.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Discotecas Recusam Vender Discos da UPAV<br \/>\nBoicote \u00c0 Cooperativa \u201cMarginal\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Uma cooperativa cultural UPAV queixa-se que algumas discotecas do pa\u00eds n\u00e3o compram os seus discos. Fala-se mesmo de boicote. Noutras lojas, os discos da UPAV vendem-se bem. Prontos a sair, com o selo \u201cPlay On\u201d, vocacionado para as \u00e1reas da m\u00fasica alternativa, est\u00e3o discos de Jos\u00e9 Peixoto (\u201cEl Fad\u201d), Cal Viva e do compositor cabo-verdiano Vasco Martins. Resultados encorajadores de uma ideia peregrina.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/jmb.jpg\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"600\" class=\"alignnone size-full wp-image-10561\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/jmb.jpg 647w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/jmb-300x278.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/jmb-624x579.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/jmb-100x93.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 l\u00edmpido no neg\u00f3cio dos discos. Em Fevereiro \u00faltimo, a UPAV, Uni\u00e3o Portuguesa de Artistas de Variedades, lan\u00e7ou no mercado uma s\u00e9rie de \u00e1lbuns de m\u00fasica portuguesa. Alguns retalhistas recusam-se a compr\u00e1-los, alegando terem sido gravados numa editora \u201cmarginal\u201d.<br \/>\nO conceito de \u201cmarginalidade\u201d prende-se aqui a uma nova maneira de encarar a edi\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica da m\u00fasica portuguesa e a protec\u00e7\u00e3o aos seus artistas, segundo estrat\u00e9gias inovadoras que escapam aos tent\u00e1culos das multinacionais (ver P\u00daBLICO de 18 de Fevereiro).<br \/>\nPara Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, m\u00fasico e s\u00f3cio fundador da UPAV, a quest\u00e3o reveste-se de alguma gravidade \u2013 \u201ctem havido discotecas, algumas bastante importantes, n\u00e3o s\u00f3 em Lisboa, que pura e simplesmente n\u00e3o compram os nossos discos. S\u00f3 por si, isso n\u00e3o teria grande import\u00e2ncia, embora pensemos que deveria haver um esfor\u00e7o para acarinhar a m\u00fasica portuguesa, muito desfavorecida em termos de mercado.<\/p>\n<p><strong>Interesses Ocultos<\/strong><\/p>\n<p>Admito at\u00e9 que haja discotecas especializadas que entendem haver determinados tipos de m\u00fasica que n\u00e3o lhes interessa vender. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso. Muitas vezes, algumas lojas grandes, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o compram os discos como t\u00eam atitudes que achamos desonestas. Mais grave ainda \u00e9 o facto de muitas dessas discotecas n\u00e3o terem os discos \u00e0 venda e induzirem em erro o cliente, dizendo que ainda n\u00e3o sa\u00edram ou pura e simplesmente que est\u00e3o esgotados\u201d.<br \/>\nRecorde-se que os discos entretanto lan\u00e7ados pela UPAV, \u201cCorrespond\u00eancias\u201d, de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, \u201cFado \u2013 Hist\u00f3rias, Baladas e Lendas\u201d, de Rodrigo, \u201cAqui e Agora\u201d, de Dina, \u201cMaria Guinot\u201d, de Maria Guinot, \u201cPoemas de Bibe\u201d, de M\u00e1rio Viegas e Manuel ade Freitas, \u201cJorge Lomba\u201d, de Jorge Lomba e \u201cTerreiro das Bruxas\u201d, dos Vai de Roda, s\u00e3o distribu\u00eddos pela Mundo da Can\u00e7\u00e3o, do Porto. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco assegura que tanto a UPAV como a distribuidora \u201cvisitaram todas as discotecas do pa\u00eds, solicitando-lhes que pusessem os nossos discos \u00e0 venda\u201d.<br \/>\nN\u00e3o se citam nomes, para evitar que a situa\u00e7\u00e3o se torne \u201cainda pior\u201d, j\u00e1 que para aquele m\u00fasico, \u201cexistem interesses ocultos e m\u00e1 vontade da parte de alguns negociantes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sons De Hoje<\/strong><\/p>\n<p>Mas na UPAV a palavra de ordem \u00e9 \u201cac\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, j\u00e1 depois de amanh\u00e3, \u00e0s seis e meia da tarde, v\u00e3o ser apresentados no audit\u00f3rio da Sociedade Portuguesa de Autores, dois novos discos de m\u00fasica portuguesa, gravados para a etiqueta subsidi\u00e1ria da Uni\u00e3o. \u201cPlay On\u201d, vocacionada para a m\u00fasica contempor\u00e2nea, jazz\u00edstica, aquela que mais foge dos esquemas comerciais e que todos na UPAV designam pelo lema \u201csons de hoje\u201d.<br \/>\n\u201cEl Fad\u201d, de Jos\u00e9 Peixoto e um \u00e1lbum hom\u00f3nimo dos Cal Viva (constitu\u00eddo por Peixoto, Carlos Bica, Jos\u00e9 Salgueiro e Martin Fredebeul) s\u00e3o as primeiras realiza\u00e7\u00f5es da \u201cPlay On\u201d na \u00e1rea do jazz. Prevista ainda a edi\u00e7\u00e3o, em Maio pr\u00f3ximo, de dois CDs do compositor cabo-verdiano Vasco Martins.<\/p>\n<p><strong>Circuitos Alternativos<\/strong><\/p>\n<p>Outra das preocupa\u00e7\u00f5es dos membros da UPAV \u00e9 o circuito das actua\u00e7\u00f5es ao vivo. \u201cDentro daquela ideia geral que \u00e9 a gest\u00e3o integrada da carreira art\u00edstica, estamos a tentar fazer um trabalho de fundo que consiste em criar circuitos regulares de \u201ctourn\u00e9es\u201d no nosso pa\u00eds. Coisa que n\u00e3o existe\u2026\u201d. A ideia consiste em criar uma esp\u00e9cie de rede de espect\u00e1culos, previamente negociados com mas C\u00e2maras Municipais das diversas localidades, a percorrer posteriormente pelos m\u00fasicos. Noites musicais, com dois artistas (s\u00f3cios ou n\u00e3o da UPAV) destinadas a p\u00fablicos espec\u00edficos. O \u201ccachet\u201d, negociado para toda a \u201ctourn\u00e9e\u201d \u00e9 sponsorizado ou mesmo pago em regime de mecenato.<br \/>\n\u00c0s C\u00e2maras cabe cobrir as despesas relativas \u00e0 estadia da caravana, fornecer a sala (com lota\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de 800 espectadores) e comprometer-se a comprar os bilhetes n\u00e3o vendidos, o que na pr\u00e1tica significa que \u00e0 partida est\u00e3o asseguradas sempre lota\u00e7\u00f5es esgotadas. Aqui reside o aspecto mais revolucion\u00e1rio do sistema, j\u00e1 que esse dinheiro se destina a pagar todas as despesas de produ\u00e7\u00e3o (t\u00e9cnicos, luzes, viagens, cartazes), libertando assim os artistas deste encargo.<br \/>\nCompreende-se que as C\u00e2maras tenham todo o interesse em que os espect\u00e1culos sejam um \u00eaxito. \u201cQuanto mais bilhetes venderem, menos pagam e podem at\u00e9 n\u00e3o gastar nada se trabalharem bem, em termos de promo\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da difus\u00e3o, apoio, sponsoriza\u00e7\u00e3o local ou regional, publicidade na imprensa e r\u00e1dios locais, em empresas da regi\u00e3o, etc.<\/p>\n<p><strong>A Regra Dos Tr\u00eas Ter\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>As C\u00e2maras come\u00e7am a perceber que lhes conv\u00e9m lidar directamente com os artistas\u201d. Em princ\u00edpio, o protocolo assinado com as entidades camar\u00e1rias prev\u00ea sempre a realiza\u00e7\u00e3o de pelo menos seis espect\u00e1culos. S\u00f3 neste ano a UPAV tem agendados, a n\u00edvel nacional, cerca de 180 espect\u00e1culos.<br \/>\nMas, se nos espect\u00e1culos ao vivo, o artista tem direito a receber dez por cento do \u201ccachet\u201d l\u00edquido (\u201cao contr\u00e1rio do praticado no mercado, em que essa percentagem incide sobre o \u201ccachet\u201d bruto, cabendo normalmente ao artista pagar as despesas de produ\u00e7\u00e3o\u2026\u201d) j\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos lucros provenientes da venda de discos o pagamento se processa de maneira diferente, de acordo com a chamada \u201cregra dos tr\u00eas ter\u00e7os\u201d. O princ\u00edpio \u00e9 de que a mais valia de um disco pertence ao seu autor. A regra que escolhemos \u2018obriga-o\u2019, por\u00e9m, a oferecer um ter\u00e7o dos resultados l\u00edquidos \u00e0 cooperativa. No fundo beneficia disso porque ele pr\u00f3prio \u00e9 s\u00f3cio. O segundo ter\u00e7o vai para o bolso do artista e ningu\u00e9m tem nada com isso. O terceiro ter\u00e7o continua a ser propriedade do artista, mas ter\u00e1 que ser obrigatoriamente investido num fundo editorial gerido pela UPAV, destinado a financiar novas produ\u00e7\u00f5es\u201d.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o aos discos j\u00e1 lan\u00e7ados no mercado, h\u00e1 casos (como os de M\u00e1rio Viegas \/ Manuela de Freitas e de Rodrigo) em que, mesmo antes de serem gravados, j\u00e1 estavam a dar lucro, tendo em conta as vendas antecipadas (na ordem dos tr\u00eas mil exemplares, para cada um dos sete discos editados). Mas se as produ\u00e7\u00f5es mais baratas rentabilizam rapidamente, outras como as \u201cCorrespond\u00eancias\u201d de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco levam mais tempo a recuperar os investimentos \u2013 \u201cs\u00e3o muitas horas de est\u00fadio, muitos m\u00fasicos, capa dispendiosa\u201d \u2013 como faz quest\u00e3o de afirmar o seu autor -, \u201cportanto n\u00e3o espanta que o saldo continue negativo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Novos Valores<\/strong><\/p>\n<p>A UPAV n\u00e3o os esquece os novos valores. Se por um lado as portas permanecem sempre abertas \u00e0 admiss\u00e3o de novos s\u00f3cios (Paulo de Carvalho aderiu recentemente), nem por isso os novos nomes s\u00e3o deixados de lado. Para Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco um dos objectivos priorit\u00e1rios da cooperativa passa mesmo pelo lan\u00e7amento, todos os anos, de \u201cdois ou tr\u00eas m\u00fasicos desconhecidos que aparecem com as primeiras obras\u201d.<br \/>\nAssim, para al\u00e9m da edi\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dos dois trabalhos de Jos\u00e9 Peixoto, preparam-se j\u00e1 as estreias discogr\u00e1ficas de Am\u00e9lia Muge ou, numa veia mais comercial, de Adriano. Se a deixarem, a UPAV h\u00e1-de continuar saud\u00e1vel, a crescer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Ter\u00e7a-Feira, 02.04.1991 Discotecas Recusam Vender Discos da UPAV Boicote \u00c0 Cooperativa \u201cMarginal\u201d Uma cooperativa cultural UPAV queixa-se que algumas discotecas do pa\u00eds n\u00e3o compram os seus discos. Fala-se mesmo de boicote. Noutras lojas, os discos da UPAV vendem-se bem. 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