{"id":10487,"date":"2023-01-04T08:20:12","date_gmt":"2023-01-04T15:20:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10487"},"modified":"2023-01-04T08:20:12","modified_gmt":"2023-01-04T15:20:12","slug":"varios-terminou-ontem-o-ciclo-de-instrumentos-de-corda-no-teatro-da-trindade-em-lisboa-musica-sanfonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2023\/01\/04\/varios-terminou-ontem-o-ciclo-de-instrumentos-de-corda-no-teatro-da-trindade-em-lisboa-musica-sanfonica\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Terminou Ontem O Ciclo De Instrumentos De Corda, No Teatro Da Trindade, Em Lisboa &#8211; M\u00fasica Sanf\u00f3nica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Segunda-Feira, 11.02.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Terminou Ontem O Ciclo De Instrumentos De Corda, No Teatro Da Trindade, Em Lisboa<br \/>\nM\u00fasica Sanf\u00f3nica<br \/>\n(Fernando Magalh\u00e3es e Vasco C\u00e2mara)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/musicaSanfonica.jpg\" alt=\"\" width=\"469\" height=\"743\" class=\"alignnone size-full wp-image-10488\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/musicaSanfonica.jpg 469w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/musicaSanfonica-189x300.jpg 189w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/musicaSanfonica-63x100.jpg 63w\" sizes=\"auto, (max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A sanfona de Fernando Meireles e restantes Realejo encantaram, ontem, o escasso p\u00fablico presente na sala do Chiado. Na v\u00e9spera, Carlos Paredes tocou e falou da guitarra portuguesa, e as marionetas de Santo Aleixo recriaram o mundo \u00e8 escala dos sonhos.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Fernando Meireles fabrica instrumentos musicais de corda. A sanfona que tocou no Teatro da Trindade levou tr\u00eas meses a construir. Durante esse per\u00edodo n\u00e3o lhe sobrou tempo para mais nada, mas acha que valeu a pena. As paix\u00f5es s\u00e3o assim. A sua nasceu h\u00e1 cinco anos, quando principiou a investigar a documenta\u00e7\u00e3o existente sobre o instrumento, extinto no nosso pa\u00eds desde meados do s\u00e9culo passado. Viajou um pouco por todo o lado, escutando os segredos ocultos no chorar da sanfona. Depois foi s\u00f3 basear-se numa figura de pres\u00e9pio do s\u00e9c. XVII, de Machado de Castro, e confiar na intui\u00e7\u00e3o e nos seus pr\u00f3prios conhecimentos de mec\u00e2nica ac\u00fastica.<br \/>\nOntem \u00e0 tarde, perante uma assist\u00eancia de pouco mais de trinta pessoas (16h00, domingo de Carnaval, n\u00e3o seria propriamente o hor\u00e1rio ideal\u2026) Fernando Meireles apresentou-se integrado no agrupamento Realejo, formado em Coimbra o ano passado. O grupo dedica-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de m\u00fasica exclusivamente tradicional, \u201ccom arranjos instrumentais substituindo as partes cantadas e varia\u00e7\u00f5es sobre as melodias originais\u201d.<br \/>\nPara al\u00e9m do Fernando (tamb\u00e9m membro dos \u201cArs Musicae de Coimbra\u201d especializados no report\u00f3rio medieval e renascentista da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica) que toca sanfona, violino, bandolim, cavaquinho e percuss\u00e3o, fazem ainda parte dos \u201cRealejo\u201d, Amadeu Magalh\u00e3es (gaita de foles, flautas de bisel, cavaquinho e braguesa), Santos Sim\u00f5es (guitarra, bandolim e percuss\u00e3o) e Ces\u00e1rio D\u2019Assun\u00e7\u00e3o (guitarra, braguesa e percuss\u00e3o).<br \/>\nInterpretaram temas do p\u00e9riplo celta da pen\u00ednsula: melodias e dan\u00e7as da Galiza, da Bretanha e do Norte do pa\u00eds (Bragan\u00e7a, Vinhais, Amarante), como n\u00e3o poderia deixar de ser. Para Fernando Meireles esta \u00e9 a m\u00fasica que mais tem a ver consigo, aquela que o \u201ctoca de perto\u201d. Nota-se \u2013 no brilho dos olhos, quando faz girar a manivela e os seus dedos deslizam sobre as teclas de madeira antiga da sanfona.<br \/>\nSe por vezes se tornam percept\u00edveis algumas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da parte dos m\u00fasicos, nem por isso \u00e9 menor o prazer extra\u00eddo da audi\u00e7\u00e3o dos sons e cad\u00eancias ancestrais que fazem vibrar a mem\u00f3ria de um povo, apelando para uma raiz colectiva que j\u00e1 quase esquecemos, perdida na voragem do s\u00e9culo.<br \/>\nSituados \u00e0 margem do \u201cFolklore com K\u201d, para turista ver, com \u2018trajezinhos\u2019 e, na maior parte das vezes, os instrumentos miseravelmente tocados\u201d \u2013 como Fernando Meireles faz quest\u00e3o de frisar, os Realejo encaram a m\u00fasica como um acto de entrega amorosa. Para al\u00e9m das modas e oportunismos, longe da ignor\u00e2ncia e in\u00e9pcia oficiais, ficam \u201caqueles que gostam mesmo disto e acham que vale a pena lutar\u201d.<\/p>\n<p><strong>O Para\u00edso Dos Bonecos<\/strong><\/p>\n<p>As Marionetas de Santo Aleixo, os t\u00edteres tradicionais do Alto Alentejo, abriram o programa de s\u00e1bado, dia 9, com o \u201cAuto da Cria\u00e7\u00e3o do Mundo\u201d. Constru\u00eddos em madeira e corti\u00e7a e de dimens\u00f5es muito pequenas \u2013 20 a 40 cent\u00edmetros \u2013 os bonecos, propriedade do Centro Cultural de \u00c9vora, s\u00e3o manipulados no ret\u00e1bulo, que \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o em miniatura de um palco tradicional, com cen\u00e1rios pintados em papel\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o a candeia de azeite.<br \/>\nO \u201cAuto da Cria\u00e7\u00e3o do Mundo\u201d \u00e9 a recria\u00e7\u00e3o, popular, brejeira, mas tamb\u00e9m tr\u00e1gica, da par\u00e1bola b\u00edblica da queda de Ad\u00e3o e Eva do para\u00edso, expulsos por um Deus avaro que contava os frutos do pomar do para\u00edso terrestre. Nos v\u00e1rios quadros, cujo elemento de liga\u00e7\u00e3o era um coro de anjos impertinentes e tontos que esvoa\u00e7avam sobre o pequeno cen\u00e1rio, foi constante, durante os 45 minutos de representa\u00e7\u00e3o, a provoca\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo com a assist\u00eancia. Um pouco \u00e0 maneira da revista \u00e0 portuguesa: \u201cComo se chama esta avezinha?\u201d. \u201cPomba\u201d, responde algu\u00e9m do p\u00fablico. \u201cEnt\u00e3o meta aqui a tromba!\u201d.<br \/>\nA fraca ilumina\u00e7\u00e3o projectava no fundo negro do palco do Teatro da Trindade as enormes sombras dos cinco manipuladores das marionetas, acentuando o lado tr\u00e1gico desta farsa de que s\u00e3o protagonistas Deus, Ad\u00e3o e Eva \u2013 \u201cduas carnes e um s\u00f3 osso\u201d \u2013 Caim e Abel.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria Da Guitarra<\/strong><\/p>\n<p>Estes bonecos tradicionais, os textos, das pe\u00e7as, de transmiss\u00e3o oral e o suporte musical come\u00e7aram a ser divulgados pelo etn\u00f3logo Michel Giacometti a partir do final da d\u00e9cada de 60. Juntamente com Mestre Manuel Jaleca, \u201cgrande guitarrista de \u00c9vora\u201d, a figura de Giacometti foi lembrada por Carlos Paredes no pequeno recital \u2013 pouco mais de meia-hora \u2013 que deu a seguir \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dos t\u00edteres alentejanos.<br \/>\nFoi uma curta viagem pela hist\u00f3ria da guitarra portuguesa, desde o seu antepassado mais recuado, a citola, at\u00e9 ao modelo que o m\u00fasico usou no recital, e que foi definido no s\u00e9culo XVIII. As pe\u00e7as que Paredes interpretou \u2013 \u201cDan\u00e7a dos Camponeses\u201d, \u201cVaria\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cVerdes Anos\u201d \u2013 serviram-lhe para explicar as v\u00e1rias facetas do instrumento, capaz de exprimir o fatalismo e a saudade mas tamb\u00e9m o vigor e a viol\u00eancia. Oportunidade para Carlos Paredes lembrar o pai, Artur Paredes, o criador de um g\u00e9nero novo, a guitarra de Coimbra.<br \/>\nNo final houve direito a um \u201cencore\u201d pedido pela assist\u00eancia que n\u00e3o enchia a plateia do Teatro da Trindade, e que era constitu\u00edda, na sua maioria, por s\u00f3cios do INATEL, com direito a desconto de 50 por cento nos 1200 escudos que era o pre\u00e7o do bilhete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Segunda-Feira, 11.02.1991 Terminou Ontem O Ciclo De Instrumentos De Corda, No Teatro Da Trindade, Em Lisboa M\u00fasica Sanf\u00f3nica (Fernando Magalh\u00e3es e Vasco C\u00e2mara) A sanfona de Fernando Meireles e restantes Realejo encantaram, ontem, o escasso p\u00fablico presente na sala do Chiado. 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