{"id":10475,"date":"2022-12-30T07:27:32","date_gmt":"2022-12-30T14:27:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10475"},"modified":"2022-12-30T07:27:32","modified_gmt":"2022-12-30T14:27:32","slug":"fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-139-hammill-um-manifesto-marioz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/12\/30\/fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-139-hammill-um-manifesto-marioz\/","title":{"rendered":"Fernando Magalh\u00e3es no &#8220;F\u00f3rum Sons&#8221; &#8211; Interven\u00e7\u00e3o #139 &#8211; &#8220;Hammill &#8211; um manifesto (M\u00e1rioZ)&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>#139 &#8211; &#8220;Hammill &#8211; um manifesto (M\u00e1rioZ)&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e1rioZ<\/strong><br \/>\n08.11.2002 160455<br \/>\nDeparei com um texto-manifesto do Peter Hammill algures na net e decidi post\u00e1-lo aqui. Acho que exprime com felicidade a ess\u00eancia do que \u00e9 o seu trabalho. Originalmente o texto &#8211; manuscrito &#8211; foi publicado como introdu\u00e7\u00e3o a uma compila\u00e7\u00e3o qualquer, creio que ainda nos anos 70. <\/p>\n<p>Vision <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>The aspects of vision are many,<br \/>\nand in addition there are reflections, illusions and hallucinations.<br \/>\nIf some can be shared that makes us less alone.<br \/>\nIf the dark can be faced, that makes us less afraid.<br \/>\nIf we accept sight, that makes us more visible. <\/p>\n<p>I feel the city caging me like an animal;<br \/>\nI am crushed by the weight of the system,<br \/>\nbut I can still raise a &#8211; human- shout against it.<br \/>\nI feel the tension of doubt surge in me,<br \/>\nthe release of eye-on-eye love,<br \/>\nthe loss of childhood idols and aspirations; <\/p>\n<p>I clutch the transitory prizes of knowledge and unspoken faith.<br \/>\nI feel the torch in my hand,<br \/>\nThe spark in my heart,<br \/>\nand I must carry both as long as I can.<br \/>\nWe all have our torches;<br \/>\nbut lone flame-bearers do not make a procession of humanity. <\/p>\n<p>It has been, and remains, my hope that through songs<br \/>\nvision can be shared and enhanced.<br \/>\nAs for me, disappearing like the Cheshire Cat<br \/>\nwith hardly even my smile intact,<br \/>\nI can still look at you only through the camera.<br \/>\nThere is more urgent vision than that.<br \/>\nListen to yourself. <\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>M\u00e1rio <\/p>\n<p>__________________<br \/>\nIf I gave you just a little song<br \/>\nwould that be enough<br \/>\nto save your life<br \/>\nor is the knife already turning in my hand?<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n08.11.2002 170526<br \/>\nCaro M\u00e1rio <\/p>\n<p>Est\u00e1 aqui tudo, de facto, sen\u00e3o relativamente aos &#8220;conte\u00fados&#8221; (esses que o tempo e a experi\u00eancia v\u00e3o moldando e transformando), pelo menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s inten\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00e3o geral da obra de PH. <\/p>\n<p>O texto \u00e9, nesse aspeto, luminoso. <\/p>\n<p>O problema com que j\u00e1 te deves ter deparado (o mesmo com que eu me deparei e deparo, de resto&#8230;) tem a ver com um &#8220;problema&#8221; com que todos os f\u00e3s de Hammill se debatem: por um lado a vontade imensa de partilhar esta luz imensa que jorra da obra musical e po\u00e9tica do autor em quest\u00e3o, por outro, e isto pode ser frustrante, a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 imposs\u00edvel conseguir esta partilha com quem ainda n\u00e3o INTERIORIZOU todo o universo hammilliano que, em \u00faltima an\u00e1lise, sendo de uma UNIVERSALIDADE quase heroica, come\u00e7a por ser uma EXPERI\u00caNCIA PESSOAL INTENS\u00cdSSIMA, de COMUNICA\u00c7\u00c3O com as palavras e a m\u00fasica. <\/p>\n<p>Como tu bem disseste aqui h\u00e1 dias, a m\u00fasica e os poemas de PH revelam-se no contacto direto (interior), na sensa\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o que se estabelece entre ele, autor, e cada um de n\u00f3s, recetor\/ouvinte\/leitor. <\/p>\n<p>S\u00f3 se gosta verdadeiramente da obra de PH e dos VDGG quando chegamos aquele ponto em que achamos que esta m\u00fasica e estas palavras nos pertencem, nos transmitem qualquer coisa de vital, como se fossem um espelho da nossa pr\u00f3pria humanidade. <\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel apreci\u00e1-los de FORA, como tamb\u00e9m decerto j\u00e1 te apercebeste. Podemos achar a m\u00fasica interessante, original, forte, etc etc etc, mas o clique apenas acontece quando tem lugar o tal sentimento de identifica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Hammill atinge o inconsciente (Jung chamou-lhe o ULTRA-consciente&#8230;). O milagre est\u00e1 em que a sua voz, a sua poesia e o seu g\u00e9nio enquanto compositor (e, j\u00e1 agora, pianista, guitarrista&#8230;), constituem as ferramentas ideais para a transmiss\u00e3o dessa tal VIS\u00c3O enunciada no texto que transcreveste. <\/p>\n<p>De resto, tudo o que acabei de escrever, est\u00e1 bem expl\u00edcito nesse manifesto &#8211; o desejo de partilha, mas tamb\u00e9m a dist\u00e2ncia, a solid\u00e3o e o isolamento&#8230; <\/p>\n<p>Penso que, por esta altura, j\u00e1 compreendes os motivos que me levam a considerar o Peter Hammill o maior m\u00fasico\/compositor da m\u00fasica popular dos tempos atuais (numa edi\u00e7\u00e3o da Mojo comparavam-no, em import\u00e2ncia, ao F. Zappa e a&#8230;Picasso!!!). <\/p>\n<p>Tudo o mais \u00e9 segredo. Sagrado. Ou&#8230; <\/p>\n<p>&#8220;the least we can do is wave to each other&#8221; <\/p>\n<p>sauda\u00e7\u00f5es hammillianas <\/p>\n<p>FM<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n08.11.2002 170531<br \/>\nFaltou acrescentar que esta identifica\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o a que me refiro \u00e9 de uma natureza algo diferente, e mais profunda, do que aquela que em geral se estabelece com a obra da maioria dos m\u00fasicos (por melhores que sejam) pop. <\/p>\n<p>Ela funciona ao n\u00edvel do mito, dos arqu\u00e9tipos ps\u00edquicos do homem, da\u00ed a &#8220;pancada&#8221; que sentimos no embate (no bom sentido) com os sons e as palavras de Hammill. <\/p>\n<p>&#8220;A Plague of lighthouse keepers&#8221; (e, numa outra perspetiva, a sequ\u00eancia &#8220;Gog\/Magog&#8221;, de &#8220;In Camera&#8221;) leva-nos a subir at\u00e9 \u00e0 mais alta das montanhas, \u00e0 mais alta das solid\u00f5es (&#8220;The tower&#8221;, repara&#8230;). Nietzsche, de resto, tamb\u00e9m esteve l\u00e1. <\/p>\n<p>FM<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n08.11.2002 180626<br \/>\nPassando do PH para os MAGMA, estou curioso em saber a tua rea\u00e7\u00e3o. O CHRISTIAN VANDER \u00e9 outra figura (e esta assumidamente Nietzschiana&#8230;), mas no sentido da magia negra (pela qual, diga-se de passagem, o PH tamb\u00e9m se interessou nos primeiros anos de carreira, parece que os outros m\u00fasicos dos VDGG andavam um bocado assustados, como j\u00e1 li algures&#8230;). A m\u00fasica dos MAGMA (que o PH ouvia e apreciava) \u00e9 totalit\u00e1ria e assustadora, mas num sentido diferente da do PH. Imagina se Wagner fizesse parte de um grupo rock&#8230; <\/p>\n<p>Depois h\u00e1 a l\u00edngua inventada por ele, os concertos de oito horas, os solos arrasadores de bateria, a vertente Coltraniana&#8230; <\/p>\n<p>J\u00e1 ouviste alguma coisa? <\/p>\n<p>FM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>#139 &#8211; &#8220;Hammill &#8211; um manifesto (M\u00e1rioZ)&#8221; M\u00e1rioZ 08.11.2002 160455 Deparei com um texto-manifesto do Peter Hammill algures na net e decidi post\u00e1-lo aqui. Acho que exprime com felicidade a ess\u00eancia do que \u00e9 o seu trabalho. 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