{"id":10361,"date":"2022-11-30T08:09:12","date_gmt":"2022-11-30T15:09:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10361"},"modified":"2022-11-30T08:09:12","modified_gmt":"2022-11-30T15:09:12","slug":"fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-123-preferencias-musicais-fm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/11\/30\/fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-123-preferencias-musicais-fm\/","title":{"rendered":"Fernando Magalh\u00e3es no &#8220;F\u00f3rum Sons&#8221; &#8211; Interven\u00e7\u00e3o #123 &#8211; &#8220;Prefer\u00eancias musicais (FM)&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>#123 &#8211; &#8220;Prefer\u00eancias musicais (FM)&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n02.07.2002 160429<br \/>\nCada um tem as suas. <\/p>\n<p>Gosta-se de esta ou desta m\u00fasica, por causa de: <\/p>\n<p>1) idade<br \/>\n2) educa\u00e7\u00e3o musical (falo do gosto)<br \/>\n3) h\u00e1bitos de escuta<br \/>\n4) Maior ou menor curiosidade<br \/>\n5) personalidade que se tem <\/p>\n<p>Ou seja, gosta-se mais desta ou daquela m\u00fasica, em consequ\u00eancia, mais do que por aquilo que conhecemos, POR AQUILO QUE SOMOS. <\/p>\n<p>Ouvimos\/gostamos da m\u00fasica que nos satisfaz DE FACTO, emocional\/intelectual e fisicamente. <\/p>\n<p>Procuramos a m\u00fasica, enfim, que TEM A VER COM AQUILO QUE SOMOS. Que se adequa aos nossos ritmos e melodias interiores. Que nos preenche. Que vai ao encontro da nossa vida. Que dialoga com as nossas aspira\u00e7\u00f5es, as nossas alegrias, as nossas dores, mesmo os nossos medos. <\/p>\n<p>Mesmo quando o ecletismo impera, dentro de cada m\u00fasica, procuramos ainda ISSO que tem a ver INTIMAMENTE connosco. <\/p>\n<p>Evolui-se no gosto musical da mesma forma que se evolui na vida. Ou seja: crescemos. <\/p>\n<p>Crescer \u00e9 aprender. A ser melhor. A ouvir melhor. A tocar melhor. Um tocar que \u00e9 musical mas tamb\u00e9m um toque nos outros. <\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00fasicas que intoxicam (as mais massificantes) e m\u00fasicas que ajudam a crescer, que libertam, que provocam, que espantam. Em suma, que, desta ou daquela maneira, nos AFETAM. <\/p>\n<p>Muitas vezes, consumimos informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o m\u00fasica. E a intoxica\u00e7\u00e3o impede a clareza\/disponibilidade de nos ouvirmos a n\u00f3s pr\u00f3prios &#8211; condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a descoberta da TAL m\u00fasica &#8220;perfeita&#8221; que buscamos. <\/p>\n<p>2 <\/p>\n<p>Pessoalmente, a m\u00fasica que me toca, tem, regra geral, excentricidade e uma dimens\u00e3o de &#8220;fant\u00e1stico&#8221; (como em &#8220;cinema fant\u00e1stico&#8221;. E um elemento &#8220;c\u00f3smico&#8221; (n\u00e3o confundir com o clich\u00e9&#8230;). Uma m\u00fasica que excita a imagina\u00e7\u00e3o, on\u00edrica.<br \/>\nTamb\u00e9m procuro o experimentalismo. Pela curiosidade de saber como soa ou soar\u00e1 o que h\u00e1-de vir. O risco. O desprezo pelas conven\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Considero m\u00fasicas &#8220;c\u00f3smicas&#8221; aquelas que se op\u00f5em a m\u00fasicas &#8220;confessionais&#8221;. <\/p>\n<p>Um m\u00fasico confessional fala se si pr\u00f3prio, da sua experi\u00eancia pessoa (s\u00e3o m\u00fasicos confessionais: Tom Waits, Nick Drake, Kristin Hersch, Peter Hammill, a maioria dos singers\/songwriters). A pop, a boa pop, \u00e9 maioritariamente confessional. <\/p>\n<p>M\u00fasica c\u00f3smica, \u00e9 aquela que procura, ou tem, uma vis\u00e3o exterior ao indiv\u00edduo. Uma vis\u00e3o universalista. \u00c9 m\u00fasica c\u00f3smica a de Peter Hammill\/Van Der Graaf, Magma, Labradford&#8230; <\/p>\n<p>Repararam que o Peter Hammill figura nos dois grupos&#8230; <\/p>\n<p>O jazz, curiosamente, junta frequentemente estas duas vertentes. <\/p>\n<p>Pode-se ser um confessional experimentalista (Tim Buckley) e um c\u00f3smico experimentalista (quase todo o krautrock). <\/p>\n<p>A maior parte da m\u00fasica atual \u00e9 mais &#8220;produto musical&#8221; do que m\u00fasica com &#8220;M&#8221; grande. Fruto das press\u00f5es da ind\u00fastria e das press\u00f5es consumistas. As exce\u00e7\u00f5es est\u00e3o quase todas fora do mainstream. Porque ser\u00e1 que se fala t\u00e3o pouco de AMON TOBIN?&#8230; <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>A conversa, caso haja interesse, continua&#8230; \ud83d\ude42<\/p>\n<p>FM<\/p>\n<p><strong>dubturn<\/strong><br \/>\n02.07.2002 170514<br \/>\nAcrescento (at\u00e9 podes considerar um anexo ao CRESCEMOS EM M\u00daSICA): <\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de pessoas que nos &#8220;guiem&#8221; musicalmente n\u00e3o deve ser descurada (seja ela atrav\u00e9s de revistas, de music-opinion-makers, de pessoas que dizem &#8216;gostas disto? ent\u00e3o vais gostar disto&#8230;&#8217;) <\/p>\n<p>S\u00e3o todas estas sub-ramifica\u00e7\u00f5es que ajudam tanto a que a gente cres\u00e7a musicalmente. Pode-se chegar ao mesmo s\u00edtio de tantas maneiras diferentes, o krautrock tem sentido diferente para quem vem do jazz e para quem vem do prog rock, completamente diferente. A maneira como ambas essas pessoas sentem o kraut (falo do kraut, pode ser outra coisa qq) \u00e9 diferente, porque v\u00eam de s\u00edtios diferentes. \u00c9 por isso que gosto de ouvir a opini\u00e3o dos outros, porque fazem liga\u00e7\u00f5es que eu, por mim, seria incapaz de fazer.<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n02.07.2002 170545<br \/>\nA intui\u00e7\u00e3o, a disponibilidade e a predisposi\u00e7\u00e3o jogam um papel importante na descoberta da &#8220;nossa m\u00fasica&#8221;. <\/p>\n<p>H\u00e1 for\u00e7as curiosas em jogo&#8230; : )<\/p>\n<p>Quando comecei a comprar discos, fazia-o frequentemente completamente \u00e1s cegas. Ou quase. E era neste QUASE que tudo se jogava. <\/p>\n<p>Mandava vir discos de Inglaterra, muitas vezes por uma capa que via reproduzida no &#8220;Melody Maker&#8221; ou no &#8220;NME&#8221;, pelo texto de um an\u00fancio (nos anos 70, os an\u00fancios de discos na Imprensa eram bem mais fi\u00e1veis do que hoje em dia&#8230;), pelo nome mais ex\u00f3tico de uma faixa que tirava de uns livrinhos (c\/excelente apresenta\u00e7\u00e3o) enviados pelo correio pela COB (era da\u00ed que mandava vir os discos&#8230;) aos seus clientes, onde se especificavam todas as edi\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e os respetivos alinhamentos de faixas de cada disco. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ouvia muita r\u00e1dio, claro! Descobri muitas coisas atrav\u00e9s da radio Luxembourg, nomeadamente o programa &#8220;Dimensions&#8221; do KID JENSSEN (hoje a fazer an\u00fancios a colect\u00e2neas dos anos 60 na televis\u00e3o&#8230;). <\/p>\n<p>Costumava haver interfer\u00eancias e, \u00e0s vezes, era frustrante ouvir um tema fant\u00e1stico de 20 minutos, querer saber o nome do autor ou do grupo e o ru\u00eddo radiof\u00f3nico aparecer exatamente no momento em que o locutor dizia o nome do int\u00e9rprete, impedindo de perceber uma palavra. : )<br \/>\nMas acabava sempre por saber. : )<\/p>\n<p>Hoje, s\u00e3o mais raros os media (jornais, revistas, r\u00e1dio, TV&#8230;) que arriscam a divulga\u00e7\u00e3o de m\u00fasica mais afastada dos par\u00e2metros mainstream, pelo menos em Portugal e de que eu tenha conhecimento.<br \/>\nHaver\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o porventura demasiado estreita com a Ind\u00fastria (ou uma pregui\u00e7a, n\u00e3o sei&#8230;) que impede a procura, mais do que do &#8220;novo&#8221;, do DIFERENTE. <\/p>\n<p>continua&#8230; : )<\/p>\n<p><strong>Jean<\/strong><br \/>\n02.07.2002 170509<br \/>\n&#8220;Considero m\u00fasicas &#8220;c\u00f3smicas&#8221; aquelas que se op\u00f5em a m\u00fasicas &#8220;confessionais&#8221;.&#8221; <\/p>\n<p>acrescentaria que a dimens\u00e3o c\u00f3smica tem dois sentidos, o positivo e o negativo &#8211; referindo-se a ciclos e arqu\u00e9tipos universais como o ying\/yang. <\/p>\n<p>a inten\u00e7\u00e3o positiva tende a experimentar mais, a procurar novos caminhos e a abri-los para todos. <\/p>\n<p>penso que a m\u00fasica como qualquer est\u00edmulo sensorial deve ser aproveitada da melhor maneira poss\u00edvel seja no processo de cria\u00e7\u00e3o seja no de perce\u00e7\u00e3o. est\u00e1 como o Fernando Magalh\u00e3es diz, intimamente ligada ao q somos. conscientemente ou n\u00e3o, escolhemos uma dire\u00e7\u00e3o. quanto mais consciente, respons\u00e1vel e livre for mais v\u00e1lida se torna.<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n02.07.2002 170554<br \/>\nIsso j\u00e1 s\u00e3o contas de outro ros\u00e1rio : ) Ou do mesmo, mas a outro n\u00edvel&#8230; : )<\/p>\n<p>Eu diria que h\u00e1 duas formas de audi\u00e7\u00e3o, uma YANG, outa YIN, podendo (e devendo&#8230;) coincidir. <\/p>\n<p>Chamo uma audi\u00e7\u00e3o (um de atitude de escuta) YANG, aquela ATIVA, no sentido de que quem est\u00e1 a ouvir a m\u00fasica, est\u00e1, no fundo, a REPRODUZIR (diria mesmo, a tocar&#8230;) em si mesmo o que os seus sentidos\/c\u00e9rebro\/alma recebem. OUVIR e FAZER m\u00fasica coincidem. <\/p>\n<p>\u00c9 uma atitude de TENS\u00c3O. Aten\u00e7\u00e3o. A-tens\u00e3o. <\/p>\n<p>Uma escuta YIN \u00e9 uma escuta mais passiva, no sentido de estrita frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da m\u00fasica, independentemente da coincid\u00eancia entre as energias em jogo do emissor musical e do recetor. \u00c9 a escuta do prazer, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escuta YANG, que at\u00e9 pode ser dolorosa&#8230;<\/p>\n<p><strong>Clone<\/strong><br \/>\n02.07.2002 170559<br \/>\nPeter Hammill rules!!!!!<br \/>\nAre you already in &#8220;Autumn&#8221;&#8230;or else, in &#8220;This side of the looking glass&#8221;? (n.p. &#8211; isto continua a dar arrepios) I hope not&#8230; (a pergunta \u00e9 ret\u00f3rica, n\u00e3o precisas de ser confessional).<\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n02.07.2002 180632<br \/>\nO espelho, felizmente, tem mais do que dois lados. <\/p>\n<p>Escapar \u00e0 dial\u00e9tica \u00e9 meio caminho andado para conquistar a liberdade. <\/p>\n<p>Todavia, o lado da dor (e da loucura&#8230;), esse conhe\u00e7o-o bem&#8230; <\/p>\n<p>&#8220;This Side of the looking glass&#8221; (e o &#8220;Over&#8221; em geral) \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de facto&#8230;eu diria que TOCANTE&#8230; <\/p>\n<p>A escrita po\u00e9tica do PH tem essa caracter\u00edstica \u00fanica, de conseguir fazer universais, experi\u00eancias pessoal\u00edssimas.<br \/>\nClaro &#8211; ele soube atingir a camada mais funda da psique humana &#8211; a\u00ed onde os mitos pertencem a todos &#8211; O Jung chamou-lhe Inconsciente (inconsciente?) coletivo&#8230; <\/p>\n<p>Durante anos eu (e muitos mais, decerto, al\u00e9m de mim, ou talvez nem tantos como isso, quem sabe.. eu n\u00e3o sei&#8230;) houve uma coincid\u00eancia absoluta entre o percurso interior do PH e o meu, isto porque, embora sejam divergentes as vidas de cada um, h\u00e1 pontes, mares, portos, tempestades comuns&#8230; <\/p>\n<p>Seguir cada poema era como &#8211; l\u00e1 est\u00e1 &#8211; olhar para um espelho. Um espelho das profundezas. <\/p>\n<p>Lembro-me quando, ap\u00f3s a 1\u00aa extin\u00e7\u00e3o do grupo, ouvi o regresso, o \u00e1lbum &#8220;Godbluff&#8221;. Era a sequ\u00eancia absolutamente l\u00f3gica do que ficara para tr\u00e1s &#8211; a viagem mantivera a sua absoluta integridade e&#8230; eu continuava a &#8220;estar l\u00e1&#8221;. <\/p>\n<p>O &#8220;Over&#8221;, claro, est\u00e1 marcado pela dor da rutura amorosa. Mas o fator &#8220;c\u00f3smico&#8221;\/mitol\u00f3gico continua presente, embora &#8220;dilu\u00eddo&#8221; na tal escrita mais &#8220;confessional&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>#123 &#8211; &#8220;Prefer\u00eancias musicais (FM)&#8221; Fernando Magalh\u00e3es 02.07.2002 160429 Cada um tem as suas. 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