{"id":10296,"date":"2022-11-09T09:02:15","date_gmt":"2022-11-09T16:02:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10296"},"modified":"2022-11-09T09:02:15","modified_gmt":"2022-11-09T16:02:15","slug":"mao-morta-coracoes-felpudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/11\/09\/mao-morta-coracoes-felpudos\/","title":{"rendered":"M\u00e3o Morta &#8211; &#8220;Cora\u00e7\u00f5es Felpudos&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 26 SETEMBRO 1990 >> Pop Rock<br \/>\n<center><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maoMorta.jpg\" alt=\"\" width=\"421\" height=\"399\" class=\"alignnone size-full wp-image-10297\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maoMorta.jpg 421w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maoMorta-300x284.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/maoMorta-100x95.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/><\/p>\n<p><strong>O APELO DO SANGUE <\/p>\n<p>M\u00c3O MORTA<br \/>\nCora\u00e7\u00f5es Felpudos<br \/>\nLP, Fungui<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nSangue, muito sangue! \u2013 clamam, sedentos, os M\u00e3o Morta. A banda de Adolfo Lux\u00faria Canibal n\u00e3o faz a coisa por menos: faixa sim, faixa n\u00e3o, escorre hemoglobina a rodos, tornando o cora\u00e7\u00e3o mais felpudo numa massa ensopada de vermelho. A ideia que t\u00eam das atividades geralmente designadas de &#8220;amorosas&#8221; consiste basicamente em espetar facas na barriga do parceiro(a). Tudo \u00e9 escurid\u00e3o e terror. &#8220;Cora\u00e7\u00f5es Felpudos&#8221; (t\u00edtulo sugerindo coisas como Gremlins sequinhos ou bichos de peluche) esconde horrores inomin\u00e1veis, abomin\u00e1veis, pervers\u00f5es. &#8220;Gritos e l\u00e2minas afiadas \/ tingem de sangue os len\u00e7\u00f3is&#8221;, crimes, reais ou sublimando uma sexualidade cruel, em que o prazer se alcan\u00e7a inevitavelmente pela dor. &#8220;Este punhal uma ilus\u00e3o \/ que seguro firme contra o corpo \/ metal frio de carne sedento&#8221;. Enquanto os Xutos se divertem e enriquecem \u00e0 custa da Pepsi e os UHF militam no combate a velhos fantasmas &#8211; os M\u00e3o Morta encarnam a viol\u00eancia e o vazio urbanos do final do s\u00e9culo.<br \/>\nAdolfo Lux\u00faria Canibal n\u00e3o canta \u2013 berra, vocifera, blasfema, esbofeteia os preconceitos auditivos, destila \u00f3dio, como no tema do mesmo nome, um dos melhores do disco, fazendo de cada palavra uma faca, cada entoa\u00e7\u00e3o uma punhalada dirigida ao \u00e2mago das pequenas e grandes coisas que fazem da vida um inferno. No limite do \u00f3dio, a paranoia absoluta &#8211; &#8220;As trevas est\u00e3o por a\u00ed escondidas \/ \u00e0 espera que eu apague a luz \/ para se lan\u00e7arem sobre mim&#8221; ou a viol\u00eancia ritual exemplificada no tribalismo onomatopaico de &#8220;\u00c9 Uma Selvajaria&#8221; (outro dos grandes temas do disco). &#8220;Facas em Sangue&#8221; sumariza na perfei\u00e7\u00e3o as cores prevalecentes: negro e vermelho, o sangue e a noite, onde se gritam blasf\u00e9mias e se ama at\u00e9 ao aniquilamento. &#8220;Das trevas nasce a luz \/ mas a luz sempre \u00e0s trevas regressa&#8221; \u2013 eterna e c\u00edclica viagem sem reden\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, que s\u00f3 a morte liberta.<br \/>\nMusicalmente, &#8220;Cora\u00e7\u00f5es Felpudos&#8221; investe no furor das guitarras, no ru\u00eddo controlado, na repeti\u00e7\u00e3o angustiada, na brutalidade dos arranjos. Em alguns temas notam-se algumas influ\u00eancias ou meras semelhan\u00e7as, nada de grave, se considerarmos a excel\u00eancia das mesmas: Pere Ubu (o desfalecimento das guitarras nos instrumentais &#8220;Olho da M\u00e1scara&#8221; e &#8220;Santana Menho&#8221;), Einsturzende Neubauten (nalgumas vocaliza\u00e7\u00f5es de A.L. Canibal e na organiza\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo, como em &#8220;Ventos Animais&#8221;) ou, curiosamente, Snakefinger (em &#8220;Freamunde, Acapulco&#8221; e no instrumental final &#8220;Arlequim&#8221;).<br \/>\nCom &#8220;Cora\u00e7\u00f5es Felpudos&#8221; os M\u00e3o Morta situam-se definitivamente do lado mais negro e marginal do rock portugu\u00eas. Onde outros procuram a claridade dos tops, alcan\u00e7ada quase sempre \u00e0 custa de ced\u00eancias, Adolfo Lux\u00faria Canibal, Joaquim Pinto, Z\u00e9 dos Eclipses, Carlos Fortes e Miguel Pedro escolhem deliberadamente mergulhar no abismo. Acompanh\u00e1-los no mergulho pode ser penoso. Como apertar a m\u00e3o a um cad\u00e1ver e senti-la latejar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 26 SETEMBRO 1990 >> Pop Rock O APELO DO SANGUE M\u00c3O MORTA Cora\u00e7\u00f5es Felpudos LP, Fungui Sangue, muito sangue! \u2013 clamam, sedentos, os M\u00e3o Morta. 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