{"id":10240,"date":"2022-10-22T09:37:51","date_gmt":"2022-10-22T16:37:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10240"},"modified":"2022-10-22T09:37:51","modified_gmt":"2022-10-22T16:37:51","slug":"king-crimson-na-corte-do-rei-carmesim-valores-selados-blitz-artigo-de-opiniao-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/10\/22\/king-crimson-na-corte-do-rei-carmesim-valores-selados-blitz-artigo-de-opiniao-dossier\/","title":{"rendered":"King Crimson &#8211; &#8220;Na Corte Do Rei Carmesim&#8221; (valores selados | blitz | artigo de opini\u00e3o | dossier)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>BLITZ 2 JANEIRO 1990 >> Valores Selados<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>KING CRIMSON<\/p>\n<p>NA CORTE DO REI CARMESIM<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson3.jpg\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"697\" class=\"alignnone size-full wp-image-10241\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson3.jpg 717w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson3-300x292.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson3-624x607.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson3-100x97.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>Ainda se cantavam a paz e o amor nos finais da d\u00e9cada marcada pela gera\u00e7\u00e3o hippie quando Robert Fripp e os seus pares entraram a matar, anunciando de forma violenta o advento do homem esquiz\u00f3ide do s\u00e9culo XXI. Era de mais para a \u00e9poca. Os King Crimson ficavam definitivamente marcados com o estigma de grupo maldito. Fripp nunca se importou muito com isso. A sua guerra era outra.<\/strong><\/p>\n<p>Muito se escreveu e historiou j\u00e1 acerca desta banda, uma das mais marcantes e decisivas na defini\u00e7\u00e3o das novas est\u00e9ticas da d\u00e9cada agora prestes a findar. Ser\u00e1 pois talvez mais interessante procurar levantar um pouco o v\u00e9u que cobre algumas das ocultas inten\u00e7\u00f5es do seu l\u00edder e mentor espiritual, Robert Fripp.<br \/>\nLogo no primeiro \u00e1lbum eram j\u00e1 vis\u00edveis alguns ind\u00edcios das principais preocupa\u00e7\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es do guitarrista e compositor do grupo. O rosto e o sinal da personagem desenhada na capa, os t\u00edtulos sintom\u00e1ticos de algumas das can\u00e7\u00f5es (entre as quais a j\u00e1 citada \u00ab21st Century Schizoid Man\u00bb e a que dava o nome ao disco: \u00abIn the court of the Crimson King\u00bb) e as tonalidades majestosas e sombrias da m\u00fasica apontavam inequivocamente para uma personagem que era nem mais nem menos que o pr\u00f3prio diabo, padrinho e mestre de Fripp.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2.jpg\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"561\" class=\"alignnone size-full wp-image-10242\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2.jpg 792w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2-768x544.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2-624x442.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson2-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Peter Sinfield, letrista e encarregado de todo o aspeto gr\u00e1fico e visual da banda, era o p\u00f3lo oposto \u00e0 negritude diab\u00f3lica daquele. A tens\u00e3o entre estas duas polaridades resultaria nalguns trabalhos fabulosos que viriam a constituir a fase inicial da banda. Depois do \u00e1lbum de estreia, \u00abIn the Wake of Poseidon\u00bb e o deslumbrante \u00abLizard\u00bb (ambos de 70) marcam o apogeu desta fase de contornos classizantes e sinf\u00f3nicos. No primeiro as tend\u00eancias mefistof\u00e9licas do guitarrista, bem expressas em temas como \u00abPictures of a City\u00bb ou \u00abThe Devil\u2019s Triangle\u00bb, s\u00e3o contrabalan\u00e7adas pelos dois poemas que abrem e fecham o disco, \u00abPeace-A Beginning\u00bb e \u00abPeace-An Ending\u00bb, da autoria de Peter Sinfield.<br \/>\nMas seria com \u00abLizard\u00bb que os King Crimson atingiriam o ponto culminante da sua arte. A imprensa brit\u00e2nica, deslumbrada, comparava-os com os grandes autores da m\u00fasica cl\u00e1ssica. O Rock (seria?) alcan\u00e7ava, com os Crimson e outras bandas importantes da ent\u00e3o designada \u00abM\u00fasica Progressiva\u00bb, o estatuto e as honras da maioridade e paridade em rela\u00e7\u00e3o aos seus vizinhos eruditos.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1.jpg\" alt=\"\" width=\"743\" height=\"741\" class=\"alignnone size-full wp-image-10243\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1.jpg 743w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1-624x622.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/crimson1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 743px) 100vw, 743px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00abLizard\u00bb \u00e9 tamb\u00e9m o \u00e1lbum mais \u00abbranco\u00bb de toda a sua discografia. Por uma vez o diabo ficava fora da jogada. Memor\u00e1vel o combate travado entre a guitarra demon\u00edaca de Fripp e a voz celestial de Jon Anderson, convidado especial no tema \u00e9pico que ocupa a totalidade do segundo lado. Do outro, a entrada grandiosa do Mellotron e do sax de Mel Collins (mais tarde nos Camel) em \u00abCircus\u00bb, as perturbantes sonoridades e alus\u00f5es ao free-jazz de \u00abIndoor Games\u00bb, a subtil par\u00f3dia aos Beatles em \u00abHappy Family\u00bb e a balada de tons medievais que \u00e9 \u00abLady of the Dancing Water\u00bb. Produ\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel, arranjos esplendorosos e executantes excecionais (que incluem como convidado o pianista de jazz, Keith Tippett) d\u00e3o a esta obra o cunho da perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm \u00abIslands\u00bb (71) Fripp ultrapassa os limites, tornando-se como compositor de m\u00fasica cl\u00e1ssica \u00aba s\u00e9rio\u00bb. O tom geral torna-se demasiado \u00f3bvio, com a inclus\u00e3o da soprana de \u00d3pera, Paulina Lucas e um prel\u00fadio instrumental de m\u00fasica de c\u00e2mara com Fripp tocando \u00f3rg\u00e3o de pedais.<br \/>\n\u00abEarthbound\u00bb, gravado ao vivo nos E.U.A., sofre de um som p\u00e9ssimo mas tem a vantagem de nos dar a perceber toda a energia que a banda desenvolvia em palco, com a guitarra de Fripp arrasando tudo e todos em torrentes el\u00e9tricas demenciais. A nova vers\u00e3o de \u00ab21st Century Schizoid Man\u00bb causa arrepios.<br \/>\nOs King Crimson fecham entretanto para balan\u00e7o. Fripp viria a ressurgir alguns anos mais tarde, orientando definitivamente a sua m\u00fasica segundo as diretivas do senhor das trevas. \u00abLarks\u2019 Tongues in Apic\u00bb (73), \u00abStarless and Bible Black\u00bb (74) e \u00abRed\u00bb (74) constituem a fase mais negra da banda. Entram e saem constantemente novos m\u00fasicos, incapazes de suportarem a tens\u00e3o acumulada e a tremenda energia exigida nas presta\u00e7\u00f5es ao vivo. Apenas Fripp se mant\u00e9m inexor\u00e1vel, cumprindo escrupulosamente as ordens do chefe. \u00abRed\u00bb tem momentos quase insustent\u00e1veis, com a guitarra el\u00e9trica e a sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica formada pelo baixo de John Wetton e a bateria de Bill Bruford sem darem um minuto de descanso, numa esp\u00e9cie de Heavy-Metal mais sofisticado. Com \u00abRed\u00bb os King Crimson atingem novo ponto cr\u00edtico e novamente \u00e9 dado o toque a dispersar, n\u00e3o sem entes editarem mais um disco gravado ao vivo nos E.U.A., intitulado obviamente \u00abU.S.A.\u00bb.<br \/>\nFripp confessa-se ent\u00e3o \u00e0 beira da loucura e retira-se para um mosteiro para receber os ensinamentos de J.G. Bennett, disc\u00edpulo de Gurdjieff, cujas doutrinas esot\u00e9ricas eram o suporte te\u00f3rico ideal para os seus futuros projetos musicais.<br \/>\nPr\u00e1ticas m\u00e1gicas e rituais, exerc\u00edcios de auto-disciplina e a aprendizagem de novas t\u00e9cnicas (de guitarra e n\u00e3o s\u00f3\u2026) impelem o m\u00fasico para uma atitude agora declaradamente luciferina. Dom\u00ednio da dor, o sofrimento como forma de ascese ou a utiliza\u00e7\u00e3o fria e sistem\u00e1tica da intelig\u00eancia em detrimento das emo\u00e7\u00f5es conduzir\u00e3o a partir de agora toda a sua vida e obra.<br \/>\nO modo como Fripp toca a sua guitarra \u00e9 exemplar desta nova atitude. A energia \u00e9 agora perfeitamente canalizada e contida, jamais explodindo em cl\u00edmaxes libertadores. Exerc\u00edcio t\u00e2ntrico. Toda a energia, sexual ou emocional, \u00e9 contida e dirigida para os centros mentais superiores. Como consequ\u00eancia, o aumento de poder e de uma certa forma de lucidez e o crescente controlo que o m\u00fasico vai progressivamente adquirindo, sobre si pr\u00f3prio e (mais subliminarmente) sobre os outros.<br \/>\nGrava entretanto, juntamente com Brian Eno, os \u00e1lbuns \u00abNo Pussyfootin\u2019\u00bb (74) e \u00abEvening Star\u00bb (75), utilizando pela primeira vez a t\u00e9cnica das \u00abFrippertronics\u00bb. \u00abEvening Star\u00bb \u00e9, ainda hoje, para quem o souber escutar e perceber, dos \u00e1lbuns mais terr\u00edveis e diab\u00f3licos que alguma vez foram gravados. \u00abIndex of Metals\u00bb desvela-nos implacavelmente a beleza gelada do mais terr\u00edvel dos Infernos, os da intelig\u00eancia que se auto-devora nos labirintos do seu pr\u00f3prio orgulho e desmesura. Fripp foi ainda um dos precursores das t\u00e9cnicas de invers\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o quero para j\u00e1 adiantar mais sobre este assunto. A eletricidade e a m\u00fasica sempre foram bons condutores para a passagem de energia, seja ela positiva ou negativa. Magia, pois claro, neste caso melhor dizendo escuro, pois que de magia negra se trata. O trivial, nos tempos que correm, em algumas das correntes da m\u00fasica atual. Quanto ao resultado final de tudo isto s\u00f3 Deus o decidir\u00e1.<br \/>\nA trilogia final dos King Crimson, novamente reciclados para os anos oitenta, \u00e9 constitu\u00edda por mais tr\u00eas \u00e1lbuns: \u00abDiscipline\u00bb (81), \u00abBeat\u00bb (82) e \u00abThree of a Perfect Pair\u00bb (84). Fripp \u00e9 ultrapassado pela rapidez dos acontecimentos e pelos seus disc\u00edpulos, nas artes diab\u00f3licas. Os citados \u00e1lbuns s\u00e3o \u00abapenas\u00bb bons, reunindo como sempre excelentes executantes, como Tony Levin ou Adrian Belew.<br \/>\nHoje \u00e9 um pacato cidad\u00e3o casado com a senhora Toyah Wilcox e d\u00e1 aulas regularmente na sua Winbourne natal.<br \/>\nUma refer\u00eancia final para os \u00e1lbuns a solo, excetuando o primeiro, \u00abExposure\u00bb, exerc\u00edcios de estilo de \u00abFrippertronics\u00bb apoiados em manifestos te\u00f3ricos de tom apocal\u00edptico e prof\u00e9tico. Duas vozes d\u00e3o vida e entusiasmo aos dois primeiros trabalhos: as de Peter Hammill em \u00abExposure\u00bb e de David Byrne em \u00abGod Save the Queen\/Under Heavy Manners\u00bb. Dos restantes que venha o diabo e escolha\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLITZ 2 JANEIRO 1990 >> Valores Selados KING CRIMSON NA CORTE DO REI CARMESIM Ainda se cantavam a paz e o amor nos finais da d\u00e9cada marcada pela gera\u00e7\u00e3o hippie quando Robert Fripp e os seus pares entraram a matar, anunciando de forma violenta o advento do homem esquiz\u00f3ide do s\u00e9culo XXI. 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