{"id":10225,"date":"2022-10-18T07:12:25","date_gmt":"2022-10-18T14:12:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10225"},"modified":"2022-10-18T07:12:25","modified_gmt":"2022-10-18T14:12:25","slug":"madredeus-a-eternidade-suspensa-concerto-blitz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/10\/18\/madredeus-a-eternidade-suspensa-concerto-blitz\/","title":{"rendered":"Madredeus &#8211; &#8220;A Eternidade Suspensa&#8221; (concerto | blitz)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>BLITZ 5 DEZEMBRO 1989 >> Ao Vivo<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>MADREDEUS<\/p>\n<p>A ETERNIDADE SUSPENSA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Chovia. Chovia muito. (\u00c9 j\u00e1 um lugar-comum come\u00e7ar um artigo desta maneira, mas chovia de facto muito nessa noite). Atravessei o mais rapidamente que pude a alameda enlameada e entrei na Gulbenkian dos pobres. Cheguei atrasado (maldita chuva). Como a sala estava cheia fui obrigado a ficar de p\u00e9. Paci\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Apenas consegui escutar os dois temas finais da dupla Carlos Maria Trindade\/Nuno Canavarro. Um em frente ao outro, no palco, lembrando a postura inicial do ent\u00e3o duo Kraftwerk. Uma pan\u00f3plia de teclados e um computador feericamente iluminado davam o conveniente ar \u00abHigh-Tech\u00bb ao acontecimento. No intervalo contaram que a coisa foi chata. Pela amostra, n\u00e3o achei nada. Pelo menos, os dois referidos temas mostraram como utilizar a tecnologia eletr\u00f3nica mais sofisticada com \u00f3ptimos resultados. Os dois m\u00fasicos completaram-se na perfei\u00e7\u00e3o soando a m\u00fasica \u00e0 escola japonesa da ala Isao Tomita (na faceta mais cl\u00e1ssica) ou a Masahide Sakuma (nos arrojos mais experimentalistas). O lirismo digital foi uma constante. Final apote\u00f3tico com o p\u00fablico de p\u00e9 pedindo bis e os m\u00fasicos a n\u00e3o corresponderem ao pedido. Guardado estava o peda\u00e7o para o que haveria de vir.<br \/>\nIntervalo e os encontros e conversas do costume. \u00abEnt\u00e3o, gostaste?\u00bb e o \u00abnem por isso\u00bb blas\u00e9 do costume mesmo que se tenha adorado. Um bar miser\u00e1vel funcionando ao mesmo tempo como bengaleiro, provido unicamente de \u00abSagres\u00bb e Coca-colas de litro, n\u00e3o convidava a grandes liba\u00e7\u00f5es. Cumpridos os rituais sociais com colegas de of\u00edcio, amigos ou simples conhecidos destas ocasi\u00f5es, chegou finalmente o momento ansiado por todos.<br \/>\nOs Madredeus entraram em palco e tinham vencido mesmo antes de tocarem uma \u00fanica nota. Sauda\u00e7\u00e3o monumental. Teresa Salgueiro, a diva de vestes e pose fadista (mantidos ao longo de toda a sua irrepreens\u00edvel atua\u00e7\u00e3o), foi recebida em del\u00edrio com gritos e alguns piropos. Percebi imediatamente que os milhares de pessoas que apinhavam a sala eram todos amigos \u00edntimos da cantora. Senti-me t\u00edmido e deslocado, eu que nunca tivera a oportunidade de trocar qualquer palavra com a senhora. Encolhi-me o mais que pude na cadeira embora nesse momento continuasse de p\u00e9.<br \/>\nOs m\u00fasicos dispuseram-se em concha sobre o palco. Da esquerda para a direita, descrevendo um arco: Rodrigo Le\u00e3o, nos teclados, Gabriel Gomes no violoncelo, Pedro Ayres na guitarra ac\u00fastica e Francisco Ribeiro no acorde\u00e3o. Ao centro, no meio da concha, a p\u00e9rola, A voz. Depois, bem, depois foram o sil\u00eancio, as palavras, a m\u00fasica e o Sentimento de uma portucalidade antiga vivida e encenada por cinco jovens da grande cidade.<br \/>\nOs Madredeus tocam fado de c\u00e2mara. Do fado, para al\u00e9m das evidentes entoa\u00e7\u00f5es vocais de Teresa Salgueiro, ret\u00eam o sentido tr\u00e1gico, a profundidade comovida e a Saudade. Da m\u00fasica de c\u00e2mara, o intimismo e a conce\u00e7\u00e3o instrumental. Ou ent\u00e3o falemos de m\u00fasica tradicional no seu sentido mais lato e profundo. Entre o granito e as estrelas, Passado e Futuro s\u00e3o saudosamente festejados ou sofridos na Cruz do Presente. Tocaram cerca de vinte temas, poderiam ter sido mais outros tantos ou s\u00f3 um. No tempo da Madre Deus, cantou-se, tocou-se e bailou-se por dentro, fora do Tempo. Apenas um momento da eternidade suspenso na voz infinita de Teresa, nos abismos escuros e solenes do violoncelo de Gabriel, na c\u00e2mara e sal\u00f5es palacianos dos teclados de Rodrigo, nas cintila\u00e7\u00f5es e sorrisos tristes da guitarra de Pedro, nas dan\u00e7as e nas aldeias presentes no acorde\u00e3o de Francisco. Tocaram temas do seu magn\u00edfico duplo-\u00e1lbum de estreia, com novos e inspirados arranjos.<br \/>\nQuase se torna sup\u00e9rfluo diz\u00ea-lo: todos os presentes, cada um \u00e0 sua maneira, viveram e participaram nesta cerim\u00f3nia celebrada em noite de chuva. Sim, chovia. Chovia muito. L\u00e1 fora ou talvez ainda mais para alguns por dentro. N\u00e3o se sabia, mas \u00e9 assim: na Felicidade confundem-se e coincidem Tristeza e Alegria. Ri-se de tristeza e chora-se de alegria. O que \u00e9 ent\u00e3o a m\u00fasica? O que \u00e9 a Felicidade? Minha M\u00e3e, meu Deus, quando eu era pequenino\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLITZ 5 DEZEMBRO 1989 >> Ao Vivo MADREDEUS A ETERNIDADE SUSPENSA Chovia. Chovia muito. (\u00c9 j\u00e1 um lugar-comum come\u00e7ar um artigo desta maneira, mas chovia de facto muito nessa noite). Atravessei o mais rapidamente que pude a alameda enlameada e entrei na Gulbenkian dos pobres. Cheguei atrasado (maldita chuva). 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