{"id":10182,"date":"2022-10-12T07:27:11","date_gmt":"2022-10-12T14:27:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10182"},"modified":"2022-10-12T07:27:11","modified_gmt":"2022-10-12T14:27:11","slug":"can-canibalismo-2a-parte-dossier-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/10\/12\/can-canibalismo-2a-parte-dossier-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Can &#8211; &#8220;Canibalismo &#8211; 2\u00aa Parte&#8221; (dossier | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>BLITZ 3 OUTUBRO 1989 >> Valores Selados<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>CANIBALISMO<br \/>\n2\u00aa PARTE<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2.jpg\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"476\" class=\"alignnone size-full wp-image-10183\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2.jpg 792w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2-768x462.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2-624x375.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can2-100x60.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Depois de uma s\u00e9rie de obras magistrais, \u00abSaw Delight\u00bb marca o in\u00edcio da decad\u00eancia. Holger Czukay, pe\u00e7a essencial no xadrez Can, abandona o grupo. Para o seu lugar entra Rosko Gee acompanhado do percussionista Rebop Kwaku Baah, ambos vindos dos Traffic. Com a sa\u00edda de Czukay perdia-se para sempre o lado genial e exc\u00eantrico, ao mesmo tempo que se desfazia uma das melhores sec\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas de sempre da m\u00fasica popular contempor\u00e2nea. A posterior obra a solo de Czukay viria a confirm\u00e1-lo. Este senhor de bigode e j\u00e1 entradote em anos era e continua a ser o experimentador e inovador por excel\u00eancia. O g\u00e9nio incompreendido que transporta \u00e0s costas o pesado fardo de fazer avan\u00e7ar a m\u00fasica do nosso s\u00e9culo. \u00abSaw Delight\u00bb \u00e9 a antiapoteose; \u00abAnimal Waves\u00bb \u00e9 o requiem final de despedida nost\u00e1lgica da antiga magia, quinze minutos de derradeiro transe africano. Anos mais tarde o continente negro voltaria a reclamar em for\u00e7a os seus direitos. O grupo gravou ainda \u00abOut of Reach\u00bb, t\u00edtulo premonit\u00f3rio das ex\u00e9quias finais. Os Can foram dados oficialmente como extintos. A sua m\u00fasica continua por\u00e9m a ser fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o para os m\u00fasicos e grupos das novas gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Lisboa decadente<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tAinda vieram a Lisboa tocar no c\u00e9lebre concerto do Pavilh\u00e3o dos Desportos, aquele que, para a hist\u00f3ria da m\u00fasica ao vivo em Portugal, ficou para sempre conhecido como o dia de gl\u00f3ria dos portuenses Arte e Of\u00edcio. O p\u00fablico aplaudira a banda de S\u00e9rgio Castro e vaiara os germ\u00e2nicos que nem tiveram tempo de aquecer. Hist\u00f3rias para esquecer.<br \/>\n\tOs quatro m\u00fasicos da forma\u00e7\u00e3o essencial seguiram cada um o seu caminho. Com maior ou menor sucesso, nenhum deles deixou ficar mal o grupo-pai.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Guitarras, romantismo e batucadas<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tO teclista Irmin Schmidt foi o mais discreto. Gravou uma s\u00e9rie de \u00e1lbuns com m\u00fasica de filmes, todos intitulados \u00abFilmmuzik\u00bb, divididos em v\u00e1rios volumes. O melhor \u00e9 o duplo que inclui os volumes 3 e 4. Dois temas vocalizados ao n\u00edvel dos melhores de sempre dos Can: \u00abShe Makes me Nervous\u00bb e \u00abMary in a Coma\u00bb, com a participa\u00e7\u00e3o do fabuloso percussionista Trilok Gurtu. O resto \u00e9 m\u00fasica instrumental, ultra-rom\u00e2ntica, descritiva, essencialmente \u00e0 base de piano. Schmidt \u00e9 uma esp\u00e9cie de Wim Mertens mais robusto e rebuscado. Fez ainda parte do projeto Toy Planet, com o saxofonista Bruno Spoerri. O \u00fanico \u00e1lbum gravado oscila entre a eletr\u00f3nica ambiental e alguns ritmos mais dan\u00e7\u00e1veis. O guitarrista Michael Karoli gravou um excelente \u00e1lbum \u00abDeluge\u00bb, de parceria com Polly Eltes, uma menina de voz sensual, entre Annette Peacock e Laurie Anderson. A guitarra de Karoli permanece mais met\u00e1lica e incisiva do que nunca.<br \/>\n\tQuanto ao percussionista Jaki Liebezeit, o seu caso \u00e9 surpreendente. Formou os Phantom Band, j\u00e1 com meia d\u00fazia de \u00e1lbuns no ativo. S\u00e3o os continuadores encartados do som t\u00edpico dos Can. Mais eletr\u00f3nicos e bem-humorados que o original. Tamb\u00e9m mais experimentalistas. Ritmos ac\u00fasticos e sint\u00e9ticos, vozes hilariantes, temas superinspirados, fazem de \u00abNowhere\u00bb, quinto disco de s\u00e9rie, um disco essencial, indispens\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 para os incondicionais da fam\u00edlia canibal. Registe-se ainda a participa\u00e7\u00e3o de Liebezeit na obra-prima \u00abBefore and after Science\u00bb de Brian Eno.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Um exc\u00eantrico de g\u00e9nio<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tE eis-nos chegados a Holger Czukay, o maior entre os maiores. Czukay foi o pioneiro de muita coisa. Muito antes do aparecimento dos milagrosos samplers j\u00e1 ele se dedicava a entrecruzar sons das mais diversas origens. Com meios artesanais e enormes doses de paci\u00eancia e de talento. \u00abCanaxis\u00bb, gravado em 68 e originalmente editado no ano seguinte, \u00e9 o seu primeiro disco a solo, gravado unicamente com o baixo e cassetes pr\u00e9-gravadas. Em \u00abBoat Woman Song\u00bb, a voz de um cantor vietnamita sobressai de um fundo de baixo e m\u00fasica medieval. Brilhante.<br \/>\n\t\u00abMovies\u00bb, de 1979, \u00e9 o extraordin\u00e1rio antecessor de \u00abMy life in the Bush of Ghosts\u00bb da dupla Eno\/Byrne. \u00abOh Lord Give us More Money\u00bb ou \u00abPersian Love\u00bb s\u00e3o verdadeiros tratados na arte da colagem sonora.<br \/>\n\t\u00abOn the Way to the Peak of Normal\u00bb, terceiro a solo, \u00e9 o \u00fanico disco que nunca consegui ouvir. Quem o conhece afirma estar a n\u00edvel dos restantes. Acredito plenamente. O seguinte, \u00abDer Osten ist Rot\u00bb (\u00abO Oeste \u00e9 Vermelho\u00bb) de 84, \u00e9 o disco mais heterog\u00e9neo da sua discografia. Can\u00e7\u00f5es pop, Rap, m\u00fasica concreta, interl\u00fadios ambientais e uma delirante par\u00f3dia ao hino nacional chin\u00eas, fazem deste disco uma esp\u00e9cie de cartilha de todas as dire\u00e7\u00f5es musicais exploradas pelo m\u00fasico. \u00abRome Remains Rome\u00bb de 87, \u00faltimo at\u00e9 \u00e0 data, \u00e9 formalmente o seu disco mais tradicional. Os Blues e o reggae filtrados pela excentricidade do mestre. E uma ironia e humor constantes. Como em \u00abPerfect World\u00bb ou \u00abBlessed Easter\u00bb em que Czukay p\u00f5e o pop star Wojtyla a cantar uma homilia em ritmo de blues, acompanhado por um grupo de freiras swingantes. O Vaticano n\u00e3o voltar\u00e1 a ser o mesmo.<br \/>\n\tHolger Czukay tem colaborado um pouco com toda a gente importante da m\u00fasica inteligente atual. Jah Wobble, Brian Eno, o duo alem\u00e3o Cluster e David Sylvian s\u00e3o alguns dos m\u00fasicos que com ele tiveram o privil\u00e9gio de trabalhar. \u00abFlux + Mutability\u00bb, segundo da sua colabora\u00e7\u00e3o com Sylvian, foi recentemente editado e j\u00e1 se encontra entre n\u00f3s, via importa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o ouvi e \u00e9 excelente. Sobretudo o primeiro lado, uma continua\u00e7\u00e3o mais sofisticada das premissas est\u00e9ticas enunciadas em \u00abCanaxis\u00bb.<br \/>\n\tDos Can e dos seus quatro principais membros se poder\u00e1 dizer que fizeram e ainda fazem Hist\u00f3ria. O futuro da m\u00fasica continua a passar pela sua inspira\u00e7\u00e3o. Infelizmente hoje os canibais s\u00e3o outros, bem diferentes e sobretudo mais perigosos. Para a semana, Christian Vander e os Magma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLITZ 3 OUTUBRO 1989 >> Valores Selados CANIBALISMO 2\u00aa PARTE Depois de uma s\u00e9rie de obras magistrais, \u00abSaw Delight\u00bb marca o in\u00edcio da decad\u00eancia. Holger Czukay, pe\u00e7a essencial no xadrez Can, abandona o grupo. Para o seu lugar entra Rosko Gee acompanhado do percussionista Rebop Kwaku Baah, ambos vindos dos Traffic. 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